Isso não era mais apenas um ponto de interrogação. Dá pra dizer que, se Taylor realmente ferisse um Cavaleiro Cinzento e fugisse, ele teria que considerar se juntar ao círculo dos seus "velhos amigos".
Trair o Império...
Essa ideia passou pela sua cabeça como um raio. Ele nunca tinha pensado nisso antes — no fundo, ele só queria uma vida tranquila, com a esposa, os filhos e um lar aconchegante.
Nunca tinha imaginado que um dia seria empurrado para o limite.
Ele olhava, apreensivo, para aqueles gigantescos Astartes, com o coração na mão, temendo que os super-humanos naquelas armaduras Terminator o submetessem a um julgamento religioso.
Mas quando um dos guerreiros avistou o cadáver sob as esteiras do Frankstein, ergueu o olhar e lançou uma rápida mirada para Taylor, cujas pupilas estavam contraídas de medo.
O movimento foi rápido demais para um humano comum. Nas poucas vezes que Taylor interagira com Astartes antes, tanto o sargento dos Ultramarines quanto o pequeno lobo da Patrulha da Lua haviam desacelerado seus gestos para ele.
Agora, porém, o Cavaleiro Cinzento se movia como se alguém tivesse apertado o botão de acelerar um vídeo. Mesmo assim, sua primeira frase deixou Taylor completamente confuso.
— Venha ajudar, Inquisição.
Taylor instintivamente tocou o broche de rosa escondido sob sua roupa. Era por causa disso?
O Cavaleiro devia tê-lo confundido com um agente da Inquisição Herética. Não, na verdade, ele tinha recebido o broche — tecnicamente, isso o tornava um agente.
A Irmã de Batalha Letrina também foi chamada.
— Venha conosco, irmã.
Taylor suspirou. Pelo menos não precisava mais temer um ataque pelas costas dos Cavaleiros Cinzentos depois da batalha. Mas agora, ele só podia fazer o Frankstein seguir aqueles guerreiros prateados adiante.
Ele estava pessimista. Sabia que enfrentaria uma horda sem fim de demônios. A única diferença era que, hoje, teria a proteção dos lendários Cavaleiros Cinzentos.
Era como arrumar um "chefão" pra brigar no seu lugar.
E então, ele testemunhou o massacre.
Os guerreiros se moviam rápido — muito rápido. Tanto as armaduras Terminator quanto os próprios Cavaleiros Cinzentos faziam os demônios desajeitados parecerem palhaços patéticos.
Apesar do tamanho e peso das armaduras, nada atrapalhava seus movimentos.
Lâminas prateadas cortavam o ar, e campos de força sibilavam ao rasgar a carne demoníaca. Eles lutavam com a graça dos lendários Eldars, destruindo as fileiras inimigas com espadas energéticas e poderes psíquicos cintilantes.
De vez em quando, Taylor erguia sua arma para dar o golpe final em algum demônio agonizante — seja com um tiro ou com as esteiras do Frankstein.
A maioria dos demônios que tentavam se aproximar do veículo também não passava pelas Irmãs de Batalha.
Por um tempo, o trabalho de Taylor foi tranquilo. Ele podia quase ficar lá dentro tomando chá e lendo jornal enquanto os outros resolviam o problema.
Só não entendia por que os Cavaleiros Cinzentos precisavam de ajuda... até que um som abafado de motor ecoou, e uma máquina nojenta de quatro patas surgiu em carga.
Era sustentada por membros mecânicos apodrecidos, com algo parecido com um humano embutido no topo — apenas o torso, com pele ulcerada e sujeira escorrendo. O rosto estava tão inchado que mal dava pra distinguir os traços.
Taylor rapidamente apontou o meltagun do Roland e atirou, enquanto o aríete do Frankstein abria o torso da criatura ao meio.
Um líquido estranho jorrou do metal ainda em chamas, e o monstro começou a se contorcer, fraco.
Era um Motor Demoníaco — uma máquina movida por demônios, com criaturas vivas presas sob o metal, alimentadas pelo poder infinito do Caos.
Puta que pariu!
Nesses últimos tempos, ele tinha visto de tudo. Primeiro as Irmãs de Batalha, depois os Cavaleiros Cinzentos, e agora Motores Demoníacos e um exército de demônios.
Com o aumento da intensidade da batalha, Taylor estava a menos de duzentos metros do Grande Impuro. A montanha de carne dava mais medo do que um Titã.
Não que fosse mais poderoso — longe disso. Mas justamente por ser menor, a sensação de realidade era mais forte.
Um Titã, de perto, eram só dois pés gigantes de metal. Mas aquele maldito era um monstro de verdade!
A criatura brandia um tridente enorme enquanto vomitava torrentes de líquido corrosivo. Quando atingia o Frankstein, o blindagem chiava, protestando contra o ácido.
Uma Irmã de Batalha morreria na hora se fosse atingida. Até um Cavaleiro Cinzento não resistiria a um jato direto.
Enquanto isso, o Grande Impuro avançava, rindo. Nuvens de moscas da peste zumbiam sobre sua cabeça, e seus pés esmagavam Nurglins e Pestigentes.
O céu esverdeado e o solo apodrecido fariam com que nada crescesse ali por séculos.
O fedor era tão forte que Taylor hesitou por um momento.
Até que um Cavaleiro Cinzento gritou:
— O que você está esperando, comandante humano?
— Dirija o fogo de artilharia para o inimigo!
Taylor entrou em pânico. Ele saiu do veículo e disparou um sinalizador de fumaça na direção das criaturas.
Com o impulso da pólvora, o projétil voou centenas de metros e cravou-se no braço do Grande Impuro.
Logo, uma fumaça vermelha começou a subir do ferimento. O demônio tentou arrancá-lo, mas antes que conseguisse, uma chuva de projéteis caiu sobre ele.
Cada explosão representava a fúria do Imperador. A morte rugia em cada granada de alto explosivo, em cada projétil perfurante. Aquele bombardeio era capaz de reduzir qualquer coisa a pó.
Taylor permaneceu na posição, ainda segurando a arma apontada para o demônio, enquanto as tropas imperiais que avançavam testemunhavam a cena.
— Meu Deus! — alguém gritou. — Ele se aproximou tanto do demônio só para guiar o bombardeio!
Mas o Grande Impuro não cairia tão fácil.
O cheiro de enxofre piorou, e a criatura, enfurecida, avançou em direção ao Frankstein com passos pesados.
Mesmo crivado de feridas, o poder do Pai Nutridor fazia sua carne apodrecida se regenerar sem parar.
Taylor, com o rosto tenso, gritou desesperado:
— CORRAM!
O motor Frankstein rugiu à vida, uma cena repetida em incontáveis campos de batalha, enquanto o Cavaleiro Cinza falava com frieza:
— Como previsto, a irmã e nós cuidaremos dos demônios e fecharemos a fenda no espaço-tempo. Deixe o Barão Sobrevivente atrasar o Grande Impuro!
— Mas ele é apenas um mortal — questionou Laitelina, preocupada.
O Cavaleiro Cinza ergueu sua arma e avançou contra o inimigo, respondendo:
— Com tantas forças o favorecendo, ele está longe de ser comum.
— E nós apenas precisamos fazer nossa parte — continuou, sério. — Laitelina, você está preparada?
— Para selar o espaço-tempo com seu sangue leal? Para trocar sua vida pela sobrevivência deste lugar?
O rosto delicado de Laitelina estava coberto de lama, cinzas e sangue. Enquanto incontáveis legiões demoníacas surgiam da fenda, ela ergueu sua espada-motrosserra e a apontou para o próprio coração:
— Estou pronta, senhor.
— Protegerei este mundo, minha terra natal, à minha maneira.
— Se minha frágil alma puder resgatar milhões...
CAPÍTULO 110 - LUTANDO CONTRA O GRANDE IMPURO? PARTE 1
O corpo inchado e grotesco avançava rapidamente pela linha de frente. Pela primeira vez, Taylor pensou em usar "ágil" e "rápido" para descrever uma massa monstruosa de vinte metros de altura.
Agora, ele tinha que admitir: a capacidade de movimento e poder de combate da criatura alcançavam níveis impressionantes. A gordura balançava de maneira quase hipnótica, se não fossem os jorros de líquido verde que escapavam de seu corpo!
Seus braços imundos estavam cobertos de furúnculos e poros infectados, suficientes para desencadear crises em quem tem medo de buracos. Seu rosto horrendo e as costas rachadas de maneira antinatural se contorciam, revelando uma espinha dorsal ressecada.
O enorme tridente podre girava no ar, enquanto seu ventre expelia um ácido capaz de dissolver até mesmo os ossos de um mortal. O líquido pegajoso que cobria sua arma parecia nojento, mas era duríssimo, imune até aos ácidos que corroíam metais preciosos.
O tremor de seus passos fazia Taylor sentir-se enjoado e desequilibrado.
Aquele "irmão gorducho" parecia tão calmo à distância... quem diria que algumas bombas o enfureceriam tanto. Quanto mais quieto, mais violenta a explosão?
Observando o demônio gigante se aproximando, Taylor soltou um riso amargo consigo mesmo. Seu peculiar senso de humor, do tipo que ninguém consegue achar graça.
O fedor sufocante acompanhava sua corrida. Os respingos de fluidos corporais voavam como gotas de suor de seu corpo colossal. Mesmo assim, Taylor agradecia estar enfrentando um grande demônio de Nurgle, e não as criaturas velozes de Slaneesh ou os astutos e mutantes discípulos de Tzeentch.
Era a única razão pela qual ainda respirava.
No terreno lamacento e cheio de trincheiras, o Frankstein mal conseguia acelerar. A criatura não mostrava sinais de cansaço — se é que demônios sequer cansam?
Agora, a questão era como sobreviver. O monstro era enorme e durável. Se não fosse a manutenção impecável do Frankstein, já estariam mortos.
Talvez este fosse o fim? Devorado por uma massa fedorenta e decomposta, mastigado até virar uma mancha no chão, menos que excremento, apenas outra poça de fluído repugnante...
Só de imaginar, Taylor perdia o sono. E agora, um erro seria o suficiente para tornar isso realidade.
Com mãos trêmulas, ele pegou o fusor térmico e se esticou para atirar — só para quase ser atingido por um jorro de toxinas viscosas.
O disparo queimou parte da carne do monstro, mas apenas o deixou mais furioso. O cheiro de gordura queimada se misturou ao odor de sangue podre, criando um aroma nauseante.
Parecia que explosivos convencionais seriam mais eficientes.
— Estamos acabados... — Taylor murmurou, como em transe, enquanto enfiava um ás de copas no peito, implorando por sorte.
Mas talvez cartas nunca trouxessem sorte para ele. O monstro ergueu seu tridente com força suficiente para arremessar um humano como uma folha ao vento — literalmente.
— Maldito! Tenho a proteção deste ás! Trocaria todas minhas vitórias no pôquer por uma chance de sobreviver!
Mal terminou a frase, uma rajada arrancou a carta de seu peito.
O quê?!
Taylor assistiu, pálido, enquanto seu "amuleto" o abandonava. O tridente se aproximou, e ele se jogou dentro do Frankstein, agarrando-se a uma alça.
O impacto levantou o veículo inteiro, amassando todo o lado direito. Nunca em sua existência o Frankstein sofrera tamanho dano — como se tivesse levado um tiro de canhão direto.
O ruído metálico era aterrorizante. Muitos ficaram com os ouvidos zumbindo.
Era esse o poder de um grande demônio? Que tipo de monstros eram aqueles heróis do Império que enfrentavam tais criaturas?
Taylor lembrou de figuras lendárias como Dante, Comandante dos Anjos Sangrentos, ou a Santa Viva Celestine. Tentou imaginar algum mortal comum que houvesse derrotado um grande demônio...
Só um nome veio à mente.
Sly Marbo...
Não, não. Ele não servia como parâmetro. Mas, tirando os Catachans, Taylor realmente não conseguia pensar em ninguém mais.
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