— Este é o planeta natal dela...
Nesse momento, sons de vômito ecoavam entre as tropas dos soldados comuns. Taylor sentia uma onda de nojo tão intensa que quase parecia uma traição.
Ele não podia permitir que seus irmãos e irmãs de armas fossem massacrados daquela maneira.
Mas ele não tinha escolha.
No entanto, Letlina, mesmo com o corpo pálido pela perda de sangue, sorriu e disse com uma voz gentil e serena:
— Esta é a luz que o Imperador nos concedeu. Somente por sua bondade somos recompensados com o sacrifício. Nós, com nossas frágeis almas, carregaremos o fardo de bilhões.
Taylor engoliu seco, a voz embargada:
— Sua grandeza é algo que eu não consigo entender... Comparado a você, eu não sou nada...
Ele respirou fundo, o ar fétido dos demônios enchendo seus pulmões, e canalizou toda a sua raiva e tristeza contra as criaturas que continuavam a emergir do portal.
Nesse instante, os batedores deram o alerta:
— Uma parte dos Marines do Caos está se aproximando!
Taylor também percebeu o que aqueles "velhos amigos" estavam planejando. Eles queriam interromper o ritual!
Ele se virou para Letlina:
— Eu sei que esta foi sua escolha, e foi algo grandioso, minha amiga... Mas eu vou acabar com isso. Embora só possamos nos encontrar novamente na próxima vida.
Sem prolongar a despedida, Taylor gritou rapidamente para suas tropas:
— Cavem trincheiras! Limpem os cadáveres dos demônios! Deixem as freiras e os Marines Espaciais cuidarem das criaturas. Nós vamos lidar com os traidores!
— Eles vão pagar cada dívida que seu capítulo deixou para trás!
[Próximo capítulo:
A Santa Viva (riscado)
A Morte de Jounouchi (sim)]
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Capítulo 112: A Santa Viva, Parte 1
Os Marines Espaciais agiam rápido, arruinando os planos de Taylor de devorar mais um sanduíche de carne de Grox.
Talvez fossem os efeitos colaterais das drogas, ou o cansaço.
Ou talvez fosse só porque a carne curada, com alface e o molho feito pelas irmãs de Letlina era irresistível. Ele precisava de uma mordida.
No fundo, Taylor sabia que era daqueles que comia quando estava infeliz.
E hoje, ele não estava nada feliz.
Mas a aproximação dos Marines traidores o alertou: era hora de esquecer o jantar.
Ele pegou os binóculos e observou. Vultos verde-escuros se moviam sorrateiramente.
Eles eram como pesadelos surgindo da escuridão, mas, comparados aos verdadeiros especialistas em terror, os Guardas da Morte não chegavam aos pés de seus "irmãos".
Como os Senhores da Noite, por exemplo...
No momento, o melhor plano era supressão de fogo. O canhão do Leman Russ abrira caminho, e o terreno irregular dificultaria o avanço dos Marines.
Mas então – PUM! – um tiro de bolter explodiu as cabeças de vários soldados. Ao longe, outro Leman Russ foi derretido por um fusor térmico.
Taylor estremeceu e abandonou qualquer estratégia que tivesse em mente. Contra aquelas coisas sobrenaturais, os "anjos caídos do Imperador", as artimanhas humanas eram inúteis.
Até agora, ele só sobrevivera por pura sorte: uma vez com reforços de Marines, outra com orks que não temiam a morte, e outra ainda pela arrogância deles.
Mas sem aliados ou um erro dos inimigos... como ele venceria?
A cabeça latejava – talvez efeito das drogas.
Aqueles estimulantes ilegais, usados apenas por gangues suicidas nas colmeias, agora corriam em suas veias, deixando-o fora de controle.
O mundo parecia mover-se em câmera lenta. Ele não conseguiria acompanhar a velocidade dos Marines...
Esse pensamento fez seu estômago revirar. Merda, merda, merda!
Se era fome ou overdose, não importava. Seu corpo já no limite começava a falhar.
E essa distração deu aos Marines do Caos uma oportunidade.
Um grito agonizante ecoou de uma trincheira, e em segundos, um Guarda da Morte invadiu as linhas.
Com uma faca de combate, ele ceifava vidas como um deus da morte. Nem os veteranos da Guarda Imperial conseguiam detê-lo.
Lâminas afiadas cortavam carne, espinhas e nervos com facilidade.
Mãos gigantes esmagavam crânios com um simples aperto. Crack. Mais um soldado leal caía.
Era assim que os "anjos do Imperador" lutavam.
Mas Taylor não sentia medo.
Não, o medo estava lá, mas a adrenalina e as drogas em seu sangue o transformaram em algo diferente.
Seu corpo esquentou, seus reflexos aceleraram – ainda não o suficiente para um Marine, mas...
O que o Guarda da Morte não esperava era que a arma de Taylor fosse uma lâmina de Horda de Leviathan!
O traidor atacou, mas, para Taylor, o movimento pareceu lento. Ele ergueu sua espada.
CRACK!
A lâmina de adamantium quebrou. O Marine hesitou por uma fração de segundo – tempo suficiente para Taylor cravar sua arma alienígena no flanco do inimigo.
A lâmina cortou a espinha do Guarda da Morte, paralisando suas pernas.
Taylor, agora em frenesi, sacou sua pistola de plasma e disparou.
ZZZAP! ZZZAP!
O crânio do traidor virou uma massa marrom e fumegante antes que o superaquecimento da arma obrigasse Taylor a parar.
Só então ele percebeu o que tinha feito.
Seu corpo inteiro tremia.
Os soldados ao redor olhavam para ele, incrédulos.
Mesmo com vantagem tática e drogas, matar um Marine Espacial era algo impensável.
Mesmo que fosse apenas um traidor comum.
Ser um Astartes significava ser um semideus forjado em mil batalhas. Matar uma divindade com um corpo mortal era praticamente impossível. Tudo isso envolvia uma enorme dose de sorte.
Por exemplo, se o guerreiro estelar estivesse armado com uma chainsword, teria sido a lâmina de Taylor a se romper. Se ele tivesse optado por evitar o combate corporal e, em vez disso, agarrado a cabeça de Taylor com a mão esquerda, o jovem teria morrido ali mesmo.
Mesmo que o Astartes portasse uma bolter, Taylor nunca teria conseguido se aproximar. E se a lâmina de Taylor não tivesse atingido com precisão a coluna vertebral reforçada do guerreiro estelar, ou se não a tivesse atravessado completamente — deixando intacto até mesmo um único nervo —, aquele golpe jamais teria sido capaz de paralisá-lo por completo.
Em termos mais simples:
— Ele tirou um crítico.
Um d20 que caiu no 20.
Taylor agora estava em pé, atordoado, ao lado do cadáver do Astartes, inalando o cheiro metálico de carne vaporizada. Sentia-se ao mesmo tempo aliviado e aterrorizado.
Mas os outros não sabiam disso. Tudo o que viram foi aquele ser aparentemente invencível ser abatido por Taylor em um só instante. Para ser mais exato:
Primeiro, ele quebrou a lâmina do Astartes. Depois, cravejou sua espada na coluna vertebral do gigante. A fluidez do movimento foi tão impressionante que muitos se perguntaram quantos semideuses Taylor já havia matado antes...
O moral das tropas disparou. Lutar ao lado de alguém que havia derrotado um deus era uma honra e um motivo de pura euforia.
Enquanto isso, a estratégia de Taylor começou a surtir efeito. Com a morte de um dos seus, os Death Guard tentaram romper a linha de frente.
Mas subestimaram o moral da Guarda Imperial agora inflamado. Mesmo vendo companheiros serem dilacerados por bolter fire, os soldados não hesitaram em atirar contra aquelas criaturas divinas.
A razão era simples:
— Os deuses também sangram.
— Eles também morrem!
E assim, despejaram toda sua fúria acumulada — pela perda dos camaradas, pelo planeta natal ameaçado, pelos pecados de um passado distante que nem sequer conheciam.
— Traidores devem morrer!
Chuva de projéteis e artilharia perfurou as pesadas armaduras dos Astartes. O volume de fogo e a dispersão das linhas tornava difícil para os guerreiros do Caos aniquilar as forças da Guarda Imperial.
A vitória parecia próxima... até que os céus se encheram de cápsulas de queda. Centenas delas, densas como enxames.
Eram Hellclaws vermelhas. E dentro delas, uma figura conhecida por Taylor.
Quando o guerreiro escarlate emergiu de sua cápsula, sorriu diante do caos e da carnificina, como se apreciasse a beleza daquele momento. Seus olhos encontraram os de Taylor à distância. Ele ignorou os tiros e explosões ao redor, exibindo um sorriso que transmitia apenas uma coisa: desejo de brincar novamente com aquele homem.
Era Khosarakh, o Campeão Escolhido de Khorne, a Machado do Deus da Guerra.
Enquanto isso, os Death Guard lançavam seu ataque total. Tanques corroídos avançavam junto com os recém-chegados World Eaters, esmagando as defesas da Guarda Imperial.
Taylor gritou, urgente:
— Retirada!
Ele havia dado seu máximo. Naquelas circunstâncias, recuar e consolidar as defesas era a única opção...
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Capítulo 113: A Santa Viva, Parte 2
O ritual estava quase completo. O Cavaleiro Cinzento recitou as palavras finais enquanto Letrina, já sem forças, desabava no chão. Sua alma seria a chave para selar tudo.
Até mesmo o Cavaleiro, endurecido como aço, não pôde evitar de admirar sua grandeza.
— Pura. Firme. Resiliente. Misericordiosa. Uma mulher como ela não merecia morrer ali... mas para conter a ameaça dos demônios, o sacrifício era necessário.
Se ela tivesse se recusado, o líder dos Cavaleiros tinha um plano B: matá-la com sua power sword. Mas ela aceitou sem hesitar.
Quando Letrina entoava seus cânticos ao Imperador, invocando o poder para destruir os demônios, o Cavaleiro havia se comunicado com ela via telepática. Ele perguntou se ela estaria disposta a dar sua vida para salvar aquele mundo.
Ela não vacilou.
No início, o Cavaleiro pensou que fosse por ser seu planeta natal. Mas depois de lutar ao seu lado, percebeu: ela faria isso por qualquer mundo.
Agora, um último clarão de energia psíquica iluminou o ambiente. Algo surgiu do corpo de Letrina e se dirigiu à fenda disforme no ar...
O ritual estava completo.
O líder dos Cavaleiros fechou o grimório pesado. Quando a energia azulada se dissipou, a fenda no topo da pirâmide começou a se contrair, até quase desaparecer.
Mas a cicatriz ainda era frágil. Qualquer herege com um psyker poderia rasgá-la novamente.
O Cavaleiro recolheu o corpo de Letrina e das outras irmãs que se sacrificaram. Elas seriam registradas como mártires, com as mais altas honrarias do Império — ainda que a verdade por trás de suas mortes jamais pudesse ser revelada.
Não era a primeira vez que ele fazia isso. E provavelmente não seria a última. Não havia dúvidas ou remorso em sua mente. Ele sabia que, se não agisse assim, a destruição se espalharia muito além daquele mundo.
E então, ele sentiu:
— Visitantes malignos se aproximam.
— Avançem! Preparem-se para o combate! Impedam os traidores! Matem os hereges! — ordenou, com voz grave.
Do outro lado do campo de batalha, Taylor recuava a bordo do Frankstein. O súbito reforço das forças do Caos tinha virado o jogo. As tropas imperiais agora estavam cercadas.
Centenas de Astartes do Caos. Dezenas de máquinas de guerra pesadas. Um contingente capaz de arrasar mundos inteiros.
O corpo de Taylor, entorpecido por adrenalina, drogas e ferimentos, fraquejava. O Frankstein, assim como seu piloto, estava à beira do colapso após horas de combate. A 15ª Equipe estava exausta.
Taylor mordeu o "hambúrguer ocidental" que tanto desejara antes. Agora, porém, o sabor lhe parecia amargo.
— Que porcaria... — resmungou.
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