E a próxima contra-emboscada dele provou exatamente isso — os invasores verdes ou os líderes mais corpulentos foram "facilmente" derrotados por ele.
Embora Taylor achasse que tinha sido apenas sorte, sua audição e olfato estavam realmente aguçados. Nem mesmo os guerreiros verdes mais experientes conseguiram surpreendê-lo.
Ele já tinha, sem perceber, dominado aquela horda de verdes. Até ele mesmo ficou surpreso ao ver como os pequenos haviam ficado tão quietos.
Agora, Kosolax avançava com sua tropa de carnificina — um exército de 120 Marines Espaciais e cultistas do Caos marchando a todo vapor.
Não era a primeira vez que Kosolax enfrentava uma floresta. Ele sabia muito bem como encontrar inimigos: usando lança-chamas.
Com um gesto, vários cultistas armados com queimadores de promécio avançaram, prontos para limpar a área.
Ao mesmo tempo, escavadeiras pesadas se preparavam para começar o trabalho. Se aquela floresta fosse removida, ele controlaria a rota estratégica de Armageddon.
Esse mundo estava dividido em duas regiões por florestas como essa, e dominá-las significava tomar metade do território de Armageddon!
Como um Lorde do Caos, o instinto tático de Kosolax era afiado. Mas logo ele perguntou:
— Onde está meu esquadrão de queima?
Um Marine Espacial respondeu:
— Senhor, encontramos seus corpos nas proximidades. Os lança-chamas foram roubados.
Kosolax deu um soco furioso em uma árvore, partindo-a ao meio com facilidade.
— O que aconteceu? Ainda há resistência local? Será que são os Catachans?
De repente, vários tiros pesados atingiram os cultistas à sua frente, matando-os no ato. Quando tentou localizar o atirador, só viu a infinita selva verde...
— Ha! Interessante. — Ele ergueu o machado e começou a golpear cegamente. Para ele, contanto que suas ações agradassem Khorne, a benção viria.
Quando alguns humanos escondidos na floresta foram dilacerados por sua motosserra, ele riu alto.
— Ataque indiscriminado! Encontrem esses ratos!
Ele pegou a cabeça decepada de um dos mortos e examinou.
O crânio estava adornado com ossos verdes, uma imagem ridícula — provavelmente um daqueles caçadores de orks.
O caçador havia se tornado a própria caça.
Sem pensar duas vezes, jogou o troféu no chão.
Kosolax não era homem de ser atrasado por coisas tão insignificantes.
Mas, assim que ia avançar, vários tiros de bolter atingiram sua armadura. No início, pensou que fossem resquícios dos caçadores, mas logo avistou os verdadeiros orks.
Eles estavam atrás de sacos de areia, silenciosos e furiosos, como uma tropa da Guarda Imperial.
Humanos e orks aliados?
Ele não tinha interesse em matar bestas sem selvageria.
Kosolax estava prestes a chamar reforços para lidar com aquilo, mas logo se viu cercado por ataques coordenados de múltiplas direções.
Aquilo eram mesmo orks? Eles estavam tão quietos, tão furiosos, tão cheios de ódio por ele.
A menos que algum tipo de magia tivesse enfiado almas humanas neles, Kosolax não conseguia entender com o que estava lidando.
Ele permaneceu calmo.
Mas Taylor estava ainda mais calmo. Escondido atrás de uma barricada, segurando o tremor nas pernas, observou o Marine Espacial gigantesco passar por ele sem notar sua presença.
Sorte da grossa. O comportamento dos orks também estava além do que ele esperava, mas agora tinha outra missão a cumprir.
Lembrou-se da coragem dos caçadores de orks no momento do sacrifício. Aqueles bravos guerreiros não eram traidores ou humanos degenerados, como alguns diziam...
Eles haviam plantado explosivos na linha de frente, e por isso perderam a vantagem da emboscada!
Eram leais até o fim, e aquele Marine do Caos os havia insultado.
Taylor raramente sentia raiva, mas quando algo ameaçava o que ele mais prezava...
Seus companheiros.
Mirando nos explosivos enterrados, sussurrou:
— Nos veremos novamente diante do Imperador.
Meus irmãos... que pareciam orks.
Enquanto isso, Kosolax pegou um lança-chamas e começou a queimar a floresta.
Até que um disparo de plasma passou raspando por ele.
E então—
O chão tremeu. O céu pareceu desabar!
Metade de suas tropas foi lançada aos ares por uma explosão colossal. Um terço ficou soterrado, 30 Marines Espaciais ficaram incapacitados, e os cultistas foram quase totalmente aniquilados.
Kosolax olhou para aquela carnificina incrédulo, enquanto os gritos ecoavam por toda a floresta:
— WAAAAAAGH!
Capítulo 68: Eu, Chefe de Guerra – Parte 2
Taylor ouviu o grito ensurdecedor dos orks e sentiu algo estranho no peito, como se fosse puxado por uma força invisível. Sem querer, murmurou:
— Waagh...
Os outros olharam para ele como se tivesse visto um fantasma.
A Inquisitora disse, severa:
— Não faça piadas assim na minha frente.
Tenho o direito de declarar você herege.
Taylor respondeu rápido:
— Mas acho que se eu gritar, os orks podem ficar ainda mais motivados.
Ele estava um pouco inseguro. Será que já estava virando um ork?
Enquanto observava os pequenos verdes avançando em massa, limpou sua arma de plasma.
Ele tinha vencido?
Não tinha certeza. Os orks haviam engolido os Marines do Caos, mas Taylor sentia que as coisas não seriam tão simples. Como sempre.
Então, o rugido de uma motosserra ecoou. As lâminas de monomolecular cortavam a carne ork como manteiga. Sem armadura pesada, os pequenos eram ceifados facilmente.
Taylor ficou em alerta, erguendo sua arma. Um Marine do Caos gigantesco emergiu da pilha de cadáveres, olhando para os orks ao redor com uma bolter em uma mão e uma motosserra na outra.
A cena tinha uma estranha beleza, como uma dança no meio do sangue.
Mas Taylor só pensou uma coisa:
— Eu tenho que lutar contra esse monstro?
Ele tinha acabado de matar incontáveis irmãos dele.
Aquele cara certamente o odiava até a medula!
Ele logo percebeu que havia sido descuidado, falhando em se reposicionar estrategicamente. Se tivesse deixado a área antes, talvez não tivesse sido descoberto.
Os orks estavam afetando seu julgamento mais do que deviam...
Imediatamente, ele prendeu a respiração, torcendo para não ser notado. Mas então, Cossorax olhou para o arbusto de onde o tiro havia partido.
Como não tinha percebido aquele disfarce antes? Aquela coisa maldita o deixara numa situação tão vexatória.
Ordenou que seus irmãos Astartes mantivessem posição enquanto avançava rapidamente, com sua machadinha motrosserra rasgando a vegetação. No instante seguinte, sentiu um tremor violar sua mente.
— Poder psíquico! — Ele hesitou por um momento, sangue escorrendo de seus olhos. Mas, como um veterano de milênios de guerra, sua resistência a poderes mentais era impressionante.
No entanto, Tyler aproveitou o momento para cravar uma adaga catachana em seu joelho. A dor fez o Astartes do Caos romper o controle mental.
Com um movimento brusco, tentou esmagar Tyler como uma formiga, mas o homem desviou rapidamente e, com outro grito de esforço, enterrou a faca no mesmo joelho novamente.
Cossorax caiu de um joelho no chão, encarando aquele miserável mortal diante dele.
— Hah! Você é habilidoso... mas, para matar, deveria mirar no pescoço, não na perna. — Sua voz saiu distorcida pelo alto-falante da armadura, e mesmo um simples grito seria suficiente para estourar os tímpanos de Tyler, deixando-o indefeso.
Mas Cossorax estava intrigado. Decidiu dar ao mortal uma chance de duelar, oferecendo seu sangue como tributo ao seu deus.
Tyler, ofegante e com a voz trêmula, respondeu:
— Eu não consigo perfurar sua armadura!
— Então morra, servo do Cadáver-Imperador. — Cossorax ergueu a machadinha motrosserra com velocidade além da capacidade de reação de qualquer humano.
Mas Tyler recuou e fugiu. Ao ver o soldado do Império escapar em velocidade máxima, pela primeira vez, Cossorax se perguntou:
Aquele palhaço era mais esperto do que parecia?
O homem havia minado sua mobilidade, usado um psíquico para atrasá-lo, evitado confronto direto e ainda comandara orks em uma emboscada. Tudo isso o deixara numa situação tão humilhante...
Seu joelho já começava a se regenerar, a armadura injetando dezenas de estimulantes e agentes curativos. Ele ainda poderia alcançar o fugitivo.
Mas não avançou. Ser devoto de Khorne não significava falta de inteligência. Mesmo com o "Prego do Carniceiro" latejando em seu crânio, ele sabia: persistir seria convite ao fracasso.
Voltando-se para os outros Astartes, ordenou:
— Recuamos. Peçam reforços.
— E cavem os enterrados.
— Eu sei que ainda estão vivos!
Assim que se afastou, Tyler suspirou aliviado.
Correra bastante antes de parar, verificando se não havia perseguição. Seus companheiros saíram dos esconderijos laterais, enquanto os orks, decepcionados, emergiam das armadilhas ao longo do caminho.
A inquisidora comentou, secamente:
— Parece que seu plano falhou.
Tyler revirou os olhos.
— Falhou? Eu expulsei um Astartes do Caos e você diz que falhou?
Ela franziu a testa, surpresa.
— É verdade... Sem perceber, passei a esperar muito mais de você.
Tyler então perguntou a um ork próximo:
— Quantos perdemos?
O verdejante guerreiro respondeu, animado:
— Chefe, perdemo' um terço dos boyz! Mas dá pra WAAGH! ainda!
— Seu plano foi zica, chefe! Quase acabou com aquele lata velha!
— Muito esperto, igual ao Gork ou ao Mork!
O tom estridente fez Tyler se perguntar se não estavam, na verdade, xingando ele.
Ele começou a calcular suas forças... e concluiu: não era o suficiente.
Problema sério. Enfrentavam um exército vindo da "Olho do Terror", e ele só tinha um bando de orks e armas improvisadas. Vencer os seguidores do Caos assim seria impossível.
Rapidamente, começou a planejar nova estratégia ou emboscada, mas com menos tropas, não sabia se funcionaria.
Afinal, a maioria dos Astartes sobrevivera — mesmo explodidos ou enterrados, ainda lutariam.
No fim, tudo o que Tyler conseguira foi deixá-los furiosos.
Com um suspiro, contou os orks restantes... e então notou algo estranho.
Por que havia mais agora?
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