Ele suspirou e pegou a arma novamente, resignado.
— Companheiros, vamos ter que fazer horas extras hoje. Se não quisermos virar comida para os insetos!
Capítulo 43: A Legião Krieg (Parte 2)
À noite, a Legião Krieg travou uma batalha defensiva contra os insetos. Em meio ao fogo cerrado, Taylor testemunhou a loucura dos Krieg em primeira mão.
Para facilitar o comando, seu acampamento foi escolhido como o quartel-general das forças Krieg, onde os próprios oficiais lutavam na linha de frente. Era como se o comandante estivesse liderando pessoalmente a batalha.
Isso até fazia sentido. Os comandantes Krieg eram veteranos da própria legião. Para eles, patente significava apenas mais responsabilidades.
Enquanto os soldados comuns só pensavam em matar inimigos e morrer, os oficiais precisavam refletir sobre como matar melhor.
Pelo menos havia uma boa notícia: Taylor reencontrou a comissária política, uma velha conhecida. Mesmo tendo se visto apenas uma vez com ela, ela parecia ser a única pessoa normal naquele campo.
Os veteranos da Guarda Krieg, no entanto, começaram imediatamente a cavar trincheiras. Logo, porém, perceberam que as defesas da 15ª Companhia eram mais bem construídas do que imaginavam.
Havia áreas de descanso adequadas, pontos de reforço sob cada trincheira e até depósitos subterrâneos, tudo seguindo os padrões do Império, mas adaptados ao solo local. Havia até pequenos dispositivos para impedir ataques sorrateiros dos inimigos.
Depois que os soldados de máscara inspecionaram tudo com um cuidado quase neurótico, um veterano Krieg se aproximou de Taylor e deu-lhe uma forte palmada no ombro.
Em seguida, entregou-lhe uma pá de trincheira.
A respiração ofegante do homem atrás da máscara quase abafou sua voz, mas Taylor conseguiu ouvir:
— Aprovado.
— O quê?
Taylor ficou boquiaberto. Cavar trincheiras era mesmo o ponto forte da 15ª Companhia, mas ser reconhecido pelos Krieg?
E o que significava aquela pá? Era um presente típico de Krieg?
Ele quis dizer algo, mas os soldados já haviam assumido suas posições nas trincheiras. Eram figuras silenciosas e impenetráveis, tão determinadas e confiáveis que até Taylor, sempre descontraído, sentiu que qualquer piada soaria fora de lugar.
Foi então que um oficial se aproximou. Ele—ela— parecia igual aos outros Krieg: máscara de gás, sobretudo marrom, voz sem emoção.
— Herói, vá ao quartel-general.
A voz era leve como uma brisa. Feminina. Taylor ficou surpreso.
Uma mulher Krieg.
Ele achava que não existiam.
Não eram todos clones? Ou será que nasciam normalmente?
A Krieg percebeu-o encarando-a em silêncio e disse, seca:
— Mostre aquela coragem que matou o tirano. Isto não é brincadeira.
Taylor sorriu.
— Eu achava que Krieg só pensavam em sacrifício e morte.
Ela não respondeu, entrando na tenda de comando. Taylor seguiu-a e se viu cercado por figuras idênticas de sobretudo e máscara. Os únicos dois usando uniformes normais pareciam deslocados.
A comissária olhou para Taylor com um ar de cumplicidade.
— Você se acostuma — disse, com um sorriso amargo.
A mulher Krieg assumiu o posto de comandante e anunciou:
— O comandante anterior morreu na Campanha de Kratus. Eu sou a substituta.
— Alguma objeção?
Os outros responderam em uníssono, como robôs:
— Nenhuma!
Ela pegou um tablet tático, e Taylor teve seu primeiro vislumbre de uma reunião sem discussões ou debates. Eles tratavam os soldados como recursos, calculando vidas humanas como números.
No fim, concluíram que 150 mil soldados Krieg seriam suficientes para a vitória. E consideraram essas perdas "aceitáveis".
Metade da força!
No 36º Regimento de Scadia, um terço já era o limite. Para os Krieg, metade parecia trivial.
Cento e cinquenta mil pessoas. Uma multidão que cobriria o horizonte. Mais seres humanos do que alguém veria em uma vida inteira.
Na boca deles, soava como se estivessem falando de grãos de arroz.
Taylor já tinha ouvido histórias sobre os Krieg, mas mesmo assim ficou impressionado.
Quando a reunião acabou e os soldados se retiraram, ele perguntou à comandante:
— Por que eu precisei estar aqui?
Ela o encarou, sem nenhuma inflexão na voz.
— Taylor, o Barão, o matador de tiranos. Um herói de guerra. Se você puder ferir novamente o ser nodular, reavaliaremos as perdas.
— Nós hesitamos três vezes durante a reunião, cada pausa de meio segundo, esperando sua contribuição. Você permaneceu em silêncio.
Taylor revirou os olhos.
— Meio segundo?! Eu pensei que eram pausas normais! Vocês acham que humanos têm telepatia?
Ela respondeu sem hesitar:
— Oportunidades na guerra são fugazes. Só quero uma resposta: você pode ou não ferir o nó das criaturas novamente?
Ele foi direto:
— Não. O tirano já ressuscitou. Se ele não vier atrás de mim, já é sorte.
Ela ficou em silêncio, olhando fixamente para ele.
— Você é diferente dos rumores que ouvi.
Havia algo estranho naquelas palavras. Taylor sentiu um traço de decepção.
Será que os Krieg realmente não tinham sentimentos? Eles viam a morte de 150 mil irmãos de armas como apenas uma "perda aceitável"?
Ele riu de si mesmo. Claro que não se importam. São Krieg.
Para aliviar a tensão, pegou um copo d'água da mesa e tomou um gole. Mas era gelada.
Ele fez careta e reclamou:
— Que diabos? Nem água quente vocês têm nas reuniões?
Ele não estava acostumado com isso. No Império, a maioria preferia chá, e em sua vida anterior, água quente era essencial. Para sua companhia, o bule era tão importante quanto as balas.
Mas esses Krieg estavam bebendo água da torneira. Água não fervida!
Capítulo 44: O Regimento Krieg, Parte 3
– Beber isso é a mesma coisa que tomar líquido de inseto! Aqui é um posto avançado, não a linha de frente – protestou Taylor.
A mulher inclinou levemente a cabeça, como se não entendesse sua indignação.
– Água quente desperdiça combustível e tempo. Água fria é igualmente eficiente para manter as funções corporais – respondeu ela, pragmática.
Taylor revirou os olhos.
– Claro que não! Água quente mantém a temperatura corporal, mata bactérias e ajuda a dissolver coisas mais rápido. Pense só: um pouco de açúcar e café numa caneca quente pode alegrar um soldado o dia inteiro.
A garota de Krieg franziu a testa.
– Não entendo. Tomar os ingredientes separados teria o mesmo efeito.
Taylor acenou com a mão, e a soldada de Krieg trouxe uma garrafa térmica, café em pó e pacotes de açúcar.
– Experimente – disse ele, misturando os ingredientes no cantil militar e agitando bem antes de entregá-lo à mulher.
Ela examinou a bebida com desconfiança.
– Se esse é o seu segredo para derrotar tiranos...
Removendo a máscara de gás e o capacete de metal, seus cabelos dourados caíram até as orelhas. Ela observou os fios com indiferença.
– Esqueci de cortar. Na próxima, vou raspar tudo.
Sua pele era pálida – típica de quem vivia nas sombras de Krieg –, e seus olhos azul-claro contrastavam com a postura militar rígida. Seu rosto delicado lembrava o de uma nobre francesa, algo inesperado para uma guerreira destinada a morrer em carga de baioneta. Era uma contradição que, no entanto, só aumentava sua beleza singular.
Ela ergueu o cantil e tomou um gole.
– É exatamente como imaginei. Inútil.
Mas, para surpresa de Taylor, ela continuou bebendo até esvaziar o recipiente.
– Um desperdício de suprimentos. Separados, eu teria mais controle e precisão.
Colocando o capacete novamente, ela encarou Taylor.
– Agora estou ainda mais confusa sobre que tipo de soldado você é.
Ele sorriu, malicioso.
– Só quero sobreviver. Sou um canalha, nada heroico como vocês. Por isso, vou continuar fazendo as coisas do meu jeito.
E, como previra, ninguém resistia a uma bebida quente.
Através do binóculo, Taylor observava o campo de batalha. Os soldados de Krieg cumpriam sua promessa de guerra: sobre areia movediça, colocavam dormentes e trilhos, enquanto máquinas de guerra arrastavam recém-chegados como gado.
A logística implacável do Império garantia que os 300 mil homens de Krieg chegassem ao front. Trens negros cortavam o horizonte, enquanto os soldados expandiam a ferrovia sob o rugido de canhões e a sombra da morte.
No campo, gigantescos "Carrascos" – criaturas blindadas do tamanho de tanques – e "Laceradores", predadores de chicotes mortais, mantinham a linha. Mas, pela primeira vez, Taylor via um exército superar os tiranídeos em número. Os humanos venciam... mesmo que apenas para se tornarem biomassa.
Os soldados de Krieg carregavam explosivos não só para matar inimigos, mas para queimar seus próprios corpos e negar recursos ao inimigo. Canhões lançavam projéteis incendiários sobre cadáveres – vivos ou mortos, não importava.
Até a cavalaria de Krieg avançava sem tanques, sacrificando dezenas para abater um único Carrasco.
Enquanto isso, o 15º Pelotão só lidava com fugitivos. Era chato. Seguro. E Taylor finalmente acreditava:
"Seus insetos vão acabar, mas meus irmãos são infinitos..."
Mas a vitória tinha o gosto amargo da morte.
Naquele dia, quase ninguém no pelotão comeu. O cheiro de carne queimada – humana e alien – impregnava o ar. Só veteranos como eles aguentariam sem vomitar.
O campo estava coalhado de corpos: insetos gigantes, soldados, veículos destruídos. O Império não hesitara em sacrificar 150 mil vidas por um mundo habitável.
E os T'au, enquanto isso, também lutavam contra os tiranídeos.
Como esse enxame ainda mantinha duas frentes de batalha?
"Esses são os maiores predadores da galáxia?" , pensou Taylor.
http://portnovel.com/book/29/4153
Pronto:
Como usar: