O juiz anunciou no momento certo que o ponto era válido.
Ryuzaki Sumire ficou boquiaberta, olhando a cena diante de seus olhos.
Ela não conseguia acreditar que a técnica avançada [Domínio], considerada quase invencível no nível de jogadores do ensino médio, tivesse sido quebrada brutalmente por Yuki Mayaka de tal maneira.
— Ei, ei, sério?! O Domínio do Tezuka... foi furado assim?! — Kikumaru Eiji agarrou os próprios cabelos, com os olhos arregalados, incrédulo com o que acabara de acontecer.
Oishi Shuichirou mordeu o lábio em silêncio, mas gotas de suor já escorriam pela sua testa.
— O que foi aquele golpe, afinal... — Fuji Syusuke ficou paralisado. Ele sabia que Tezuka Kunimitsu não venceria facilmente só com a técnica do Domínio, mas...
— Flecha Sagrada — Inui Sadaharu parecia calmo, pegando seu caderno e folheando até uma página específica —, um golpe de poder devastador que apareceu brevemente nos nacionais do ano passado.
— Inui, você pesquisou sobre isso? — Fuji virou-se, surpreso por ele ter uma resposta.
— Desde que você perdeu para ele no torneio regional, comecei a coletar informações. Muitos o viram nos nacionais, e nem mesmo o time do Rikkai tentou escondê-lo, então foi fácil descobrir — explicou Inui, pausadamente.
Ele havia começado a investigar sobre o Rikkai há mais de um mês, mas as informações eram escassas.
— Não sabia que você já estava preparado — Fuji comentou, impressionado.
— Infelizmente, só ter informações não supera a diferença de habilidade. E sobre os jogadores do Rikkai, nem cheguei a 50% dos dados de nenhum. Alguns sequer atingem 0%.
Inui balançou a cabeça. O único material que ele tinha era de alguns dados sobre Yanagi Renji e Kirihara Akaya, que enfrentaram recentemente.
Fuji não respondeu. Isso estava além do que ele compreendia, e não havia muito o que dizer.
Mas logo deixou a conversa de lado e voltou sua atenção preocupada para Tezuka, em quadra.
A situação não era boa. Tezuka havia usado o Domínio logo no início, e o adversário o quebrou no primeiro ponto. O jogo mal havia começado.
Como Tezuka reagiria agora? Fuji tentava pensar em alguma saída.
Além do Domínio, o que mais ele poderia usar? Drop shot zero? Não...
Lembrando da velocidade de Yuki Mayaka cobrindo toda a quadra, Fuji negou consigo mesmo. O drop shot zero poderia render alguns pontos, mas Yuki não daria muitas chances.
Enquanto ficava perdido em pensamentos, um clarão repentino atingiu seus olhos. Confuso, Fuji olhou para a quadra.
Tezuka, que havia deixado a raquete cair antes, agora estava firmemente posicionado na linha de fundo, seu corpo cercado por uma luz branca intensa.
Ela fluía como névoa ao seu redor, para logo depois se concentrar em seu braço esquerdo, envolvendo-o completamente.
O que era aquilo?
Fuji arregalou os olhos. Ele não fazia ideia de que Tezuka tinha um estado como aquele.
No time do Rikkai, Sanada Genichirou observou Tezuka com o rosto sombrio.
— Finalmente decidiu usar, hein, Tezuka? — disse ele, com voz grave.
Yanagi Renji e os outros olhavam espantados para o Tezuka iluminado. Era a primeira vez que viam algo assim.
Foi Yanagi quem perguntou primeiro:
— Sanada, o que é isso?
— Isso — respondeu Sanada, pausando por um instante antes de continuar com palavras claras e pesadas —, é uma das técnicas mais elevadas do estado [Muga no Kyouchi]: A Perfeição de Mil Golpes.
— O estado Muga no Kyouchi é quando o corpo reage instintivamente, sem a necessidade de pensar, agindo pela memória muscular além dos próprios limites. É um estado alcançado apenas por quem tem talento.
— Já a Perfeição de Mil Golpes é um degrau acima dentro do Muga, uma das Três Portas.
— Quem a utiliza pode devolver ao oponente o dobro da força, velocidade e rotação de qualquer golpe recebido.
Sanada explicou detalhadamente, seu olhar fixo em Tezuka, carregado de frustração.
Dois anos atrás, ele havia perdido justamente para essa técnica, sem chance de revide.
— Entendo. Impressionante — Yanagi ficou maravilhado. Era a primeira vez que ouvia explicações sobre o Muga no Kyouchi.
Anotando mentalmente, ele voltou sua atenção para a partida, pronto para assistir ao próximo choque.
Na quadra, ao ver Tezuka despertar uma das Três Portas, Yuki Mayaka não mostrou qualquer reação.
— Já decidiu usar? Parece que aprendeu com os erros de dois anos atrás — murmurou Yuki, baixinho.
Se Tezuka estava levando a sério, ele também aumentaria a pressão.
Toc!
Tezuka sacou novamente, e, com a Perfeição de Mil Golpes, a bola foi ainda mais veloz.
— Que saque incrível! — Inui ficou estupefato.
Era o saque mais rápido que já vira de Tezuka. Pelo que estimou, a bola devia ter alcançado 210 km/h.
A bola de tênis arrebentou como um tiro de canhão, chegando diante de Yukimura Shin'ya em um piscar de olhos.
Diante de um saque tão veloz e potente, Shin'ya levantou a raquete com naturalidade, interceptando a bola que quicou para cima.
— A força aumentou em quarenta por cento.
A bola presa nas cordas da raquete girava furiosamente, como se tentasse escapar. Mas o braço de Shin'ya, segurando a raquete, permanecia firme como uma rocha, sem o menor tremor.
Com um movimento fluido, ele rebateu o saque. A bola transformou-se novamente em uma flecha prateada, cortando o ar como um furacão. Mais uma vez, ele mirou exatamente onde Tezuka Kunimitsu estava parado, repetindo a estratégia do primeiro jogo.
Sem hesitar, Tezuka ajustou a postura e rebateu a bola com ambas as mãos na raquete.
— TUM!
O som ecoou pela quadra. A flecha de luz colidiu com as cordas enquanto o brilho no braço esquerdo de Tezuka se intensificava. Após alguns segundos de tensão, a bola foi devolvida com sucesso, cruzando a quadra em uma trajetória ainda mais rápida e precisa, explodindo na linha de fundo.
Shin'ya apenas olhou de relance, deixando a bola sair.
— Quinze a quinze — anunciou o juiz.
— Isso aí, Tezuka conseguiu rebater a bola dele! — gritou Kikumaru Eiji, animado.
Os membros do time Seigaku respiraram aliviados. Apesar da confusão em relação ao estado de Tezuka, ver que ele ainda conseguia equilibrar o jogo era um alívio. O impacto do golpe anterior de Shin'ya, que havia rompido o "campo" de Tezuka, ainda os assombrava.
— Não comemorem ainda — alertou Inui Sadaharu, observador. — Olhem para a expressão dele. Mesmo perdendo o ponto, não parece surpreso.
De fato, Shin'ya apenas deu uma olhada casual para a bola fora da quadra.
— Tezuka, considere essa bola um presente para nosso reencontro — disse ele, com um tom sereno. — Mas agora, prepare-se.
Sem responder, Tezuka apenas fixou-o com um olhar intenso antes de se preparar para o próximo saque.
Levantou a bola, armou o braço e sacou. Mais uma vez, um disparo ultrarrápido cruzou a quadra.
E, como antes, Shin'ya devolveu com outra flecha de luz, que Tezuka rebateu no mesmo estilo. Porém, desta vez, o desfecho foi diferente.
Para os olhos dos jogadores do Seigaku, Shin'ya não teria tempo de alcançar a bola. Mas, num piscar de olhos, uma silhueta escura já estava por trás dela.
— Quando ele se moveu?! — espantou-se Fuji Syusuke.
Com a técnica "Armadura de Sangue Silenciosa" ativada em seu braço, Shin'ya enfrentou a bola, que agora vinha com o dobro da força, velocidade e rotação. O impacto foi tão violento que o barulho ecoou pela quadra, e o vento gerado pelo choque levantou seus cabelos.
Mas nada disso foi suficiente para que a bola escapasse de sua raquete.
— Volte.
Depois de um breve momento de tensão, seus olhos brilharam. Ativando a "Armadura de Sangue em Movimento", ele lançou a bola de volta como um meteoro, desviando-a para o centro do campo de Tezuka.
Mesmo uma jogada tão extraordinária não conseguiu escapar do "campo" de Tezuka. Ele rebateu mais uma vez, mas o impacto foi tão forte que o obrigou a recuar um passo. Ainda assim, sua determinação permaneceu intacta, e a luz ao seu redor aumentou.
— CRACK!
A raquete não escapou de suas mãos. Tezuka devolveu o golpe, recusando-se a ceder.
— TOC! TOC! TOC!
A quadra ecoava com os sons intensos das rebatidas. Na arquibancada, todos observavam em completo espanto.
No décimo sexto rebate, Tezuka finalmente não conseguiu mais segurar a raquete.
— Trinta a quinze, vantagem de Yukimura Shin'ya.
Era difícil acreditar que, mesmo com um jogo tão intenso, apenas três pontos haviam sido disputados no primeiro game. E já haviam se passado quinze minutos.
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