— Ei, Inui, acho que agora não é hora pra essas coisas, né?! O importante é que o novo golpe do Fuji foi anulado pelo adversário de uma vez! — disse Kikumaru Eiji, olhando para Inui com frustração.
Ele não conseguia acreditar que, numa hora dessas, o cara ainda tava preocupado em coletar dados dos próprios companheiros. Que cabeça!
Mas, depois de soltar o desabafo, Eiji rapidamente voltou sua atenção para a quadra. O jogo ainda não havia terminado.
Enquanto isso, Tezuka Kunimitsu continuava em silêncio, seus olhos fixos em Makoto Yuuki desde o início, sem desviar o olhar nem por um segundo.
Dentro da quadra, Makoto Yuuki comentou depois de marcar o ponto:
— Aquele saque rasteiro foi bom.
Era um dos golpes especiais de Fuji Syusuke — o "Saque Desaparecido".
Funcionava assim: Fuji aplicava um giro forte na bola com o pulso antes do saque e, no momento do lançamento, usava um corte para adicionar um segundo giro. Isso fazia a bola, depois de quicar, não subir normalmente — em vez disso, ela desviava bruscamente para o lado, dando a impressão de que desaparecia.
Mas, para Makoto Yuuki, esse truque de mágica foi fácil de enxergar. Seus olhos pegaram o trajeto real da bola sem dificuldade.
— Mesmo assim, você viu na hora — respondeu Fuji, com o rosto sério.
Dúvidas começaram a surgir na mente dele. Será que dá pra ganhar assim? Por um instante, ele vacilou. Mas, então, cortou o pensamento, firmou o olhar e preparou-se para sacar de novo.
E repetiu o Saque Desaparecido.
Dessa vez, porém, Makoto Yuuki não precisou de um segundo movimento da raquete. Ele mirou direto no ponto onde sabia que a bola apareceria e rebateu com precisão.
E, como se estivesse dando uma chance, não mandou uma bola impossível de pegar. Em vez disso, adicionou um giro no retorno, transformando-a num topspin.
Fuji, concentrado, percebeu o giro, mas não tinha tempo pra hesitar.
Antes mesmo da bola quicar, ele já estava posicionado. Ajustou o ângulo da raquete e devolveu com um corte rápido de cima para baixo.
A bola voou rente ao chão, prestes a tocar o solo do outro lado.
— Esse ponto é meu — pensou Fuji, confiante.
Era um dos seus golpes mais confiáveis — o "Retorno da Andorinha".
— É o Retorno da Andorinha do Fuji! — gritou Eiji, animado. — Esse aí ele pega fácil!
Nos seus jogos, quando Fuji usava esse golpe, o ponto era certo.
Fuji respirou aliviado ao ver o golpe funcionar. O nervosismo começou a diminuir.
Mas Tezuka, na lateral, fechou os olhos e balançou a cabeça, como se revivesse alguma memória.
Toc!
Um som diferente ecoou.
A bola, rebatida por Makoto Yuuki, cruzou a quadra como um raio e caiu exatamente no fundo do campo de Fuji, antes de sair.
— Você aplica um giro forte num topspin e rebate com um corte, fazendo a bola deslizar rente ao chão. Mas essa jogada tem um ponto fraco fatal — explicou Makoto Yuuki, com calma, enquanto recolhia a raquete.
— Impossível! — Fuji quase não acreditou.
Ele tinha imaginado várias formas de o golpe ser contrariado, mas nunca que alguém conseguiria rebater o Retorno da Andorinha depois dele tocar o chão.
Geralmente, quem tentava anular o golpe fazia isso prevendo o trajeto e atacando antes do quique. Mas Makoto Yuuki conseguiu devolver mesmo depois.
— Tá surpreso? Se não entendeu, eu repito. Mas antes, o juiz podia anunciar o placar? — Makoto Yuuki olhou para a treinadora Ryuzaki, como se desse uma dica.
— Ah... — Ela parecia ter acordado de um sonho. Mas, quando foi falar, travou no nome dele.
Antes que Makoto Yuuko se apresentasse, Tezuka se aproximou e anunciou, impassível:
— Makoto Yuuki vence. 1 a 0.
— Acho que fui descuidado. Nem me apresentei antes do jogo — disse Makoto Yuuki, baixando a raquete e encarando o time todo. — Sou Makoto Yuuki, titular do time de tênis de Rikkai. E agora... é o meu saque.
[...]
Capítulo 32 – Dominando
Whoosh...
Whoosh...
Fuji respirava fundo, em posição de prontidão, o rosto tenso.
Do outro lado, Makoto Yuuki sacou sem hesitar.
No instante seguinte, a bola explodiu aos pés de Fuji, que não teve reação.
— Que velocidade absurda é essa?! Como alguém pega isso?! — Eiji arrancava os cabelos.
Mesmo com sua visão apurada, ele mal conseguia ver um vulto passando. E depois de algumas tentativas, seus olhos já ardiam de tanto esforço.
— Jogo, Makoto Yuuki. 2 a 0.
Minutos antes, ainda cogitavam como Fuji poderia virar o placar. Agora, só restava a realidade nua e crua: ele estava sendo dominado.
Mas agora, Tatsuya Yuki havia encerrado o segundo jogo diante de seus olhos com apenas quatro saques rápidos.
A maneira abrupta como o jogo terminou deixou a equipe de Seigaku completamente desprevenida e frustrada.
— Você seria capaz de reagir a um saque nessa velocidade, Tezuka? — perguntou Sadaharu Inui, sério, aproximando-se de Kunimitsu Tezuka.
Na opinião dele, como Tezuka havia enfrentado Tatsuya Yuki antes, era a pessoa mais qualificada para responder.
Sem olhar para Inui, Tezuka fechou os olhos por um instante e respondeu calmamente:
— Naquela época, o saque dele não era tão rápido. Além disso, meu "Domínio" não tinha muito efeito contra ele.
— Quanto a agora... Sem enfrentá-lo de novo, não posso dizer com certeza se conseguiria rebater. Isso claramente não é o limite da capacidade dele.
As palavras de Tezuka chocaram o restante do time. Afinal, todos ali já haviam sentido na pele o poder do "Domínio", uma técnica que parecia invencível... exceto para aquele jogador em quadra, enfrentando Syuusuke Fuji.
— Então... quer dizer que Fuji vai perder? — Ryuuzaki Sakuno perguntou, com um tom sombrio.
— Esse é o nível de um titular de Rikkai Dai... campeão nacional do ano passado. Impressionante. — comentou a treinadora Ryuuzaki, mas por dentro, sentia um frio na espinha. Se Seigaku tivesse que enfrentar Rikkai Dai mais tarde, as consequências seriam... previsíveis.
— No estado atual, Fuji não tem a menor chance. — disse Tezuka, mantendo a calma.
— E você, Tezuka? — A treinadora virou-se para ele, tentando medir o nível de Tatsuya Yuki.
— Não dá para comparar. Já faz dois anos desde a última vez que nos enfrentamos.
— Além disso, treinadora... Rikkai Dai não tem só ele. — Tezuka evitou responder diretamente.
— Quer dizer que existem vários outros tão fortes quanto ele?! — Eiji Kikumaru exclamou, espantado.
Tezuka não negou. Ele sabia muito bem o quão fortes eram os outros jogadores de Rikkai Dai.
— Se o Tezuka está levando a sério assim... Preciso começar a coletar dados sobre eles. — Inui murmurou, pensativo, apoiando o queixo na mão.
— Treinadora... Será que não devemos interromper o jogo? Se o Fuji continuar... — Yuudai Oishi olhou para Syuusuke na quadra, preocupado.
— Bem... — Ryuuzaki hesitou.
Ela entendia a preocupação dele. Uma derrota esmagadora poderia afetar o desempenho de Fuji no jogo da tarde.
— Não. Interromper só vai prejudicá-lo. — Tezuka negou com a cabeça.
Para ele, Fuji precisava daquele jogo. O que faltava no tênis de Fuji era justamente a pressão de um adversário avassalador. Ele sempre percebeu que Fuji carecia de fome de vitória nas partidas.
E, por serem amigos, nunca conseguia pressioná-lo o suficiente.
Agora era a hora certa.
Claro, havia algo que ele não mencionou: o que Tatsuya Yuki estava mostrando naquele momento provavelmente era apenas metade do poder que ele havia enfrentado antes.
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Com a troca de lados, o jogo continuou. Desta vez, Fuji não usou mais o "Saque Que Desaparece", mas mesmo com um saque comum, sua postura estava muito mais concentrada. Tatsuya Yuki percebeu que a velocidade da bola havia aumentado.
Decidindo testar a mente de Fuji, ele reduziu a força do seu rebote.
Mas, ao invés de tentar prolongar o rally, Fuji mudou completamente o ritmo: lançou um lob alto.
Ah, então é assim...
Tatsuya entendeu imediatamente o plano de Fuji... e resolveu ir alongo.
Saltando no ar, ele se aproximou da bola e desferiu um smash potente.
TUM!
A bola atingiu a quadra de Fuji como um projétil.
Ao ver o smash se aproximando, os olhos de Fuji brilharam.
Agora!
Antecipando a queda da bola, ele girou o corpo, agachou-se e, num movimento fluido, balançou a raquete em um arco perfeito, interceptando a trajetória da bola.
— É o "Queda de Urso"! Ele caiu na armadilha! — Kikumaru comemorou, mas seu sorriso congelou no rosto no instante seguinte.
Porque, quando Fuji realizou o contra-ataque, a bola não foi rebatida com a facilidade de sempre.
Em vez disso, no momento do impacto, seu corpo vacilou — e a raquete escapou de sua mão.
A bola continuou sua trajetória sem resistência, despencando no chão antes de voar para fora da quadra.
Pesada...
Fuji olhou para o braço, que ainda tremia descontroladamente.
Aquele golpe tinha sido monstruoso.
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