Ela cerrava os dentes com força, sem soltar um único gemido.
Em apenas alguns instantes, seu corpo já estava encharcado de suor devido à dor.
Miyamizu Rokuyo diminuiu o passo e perguntou:
— Onde fica essa tal de "Mestra Ci" que você mencionou?
— A Mestra Ci é nossa professora. Hoje, precisávamos reforçar o portão, mas eu e Yuri acabamos encontrando você no caminho, então...
Miyamizu continuou conversando com ela.
No começo, Kurumi não percebeu, mas logo entendeu o que ele estava fazendo.
[Que gentileza...]
Kurumi soltou um suspiro e disse:
— Não precisa se preocupar comigo. Não sou tão frágil assim.
— ...
Miyamizu deu uma olhada rápida para ela:
— Só estou coletando informações. Por que você tá pensando tanto nisso?
[O quê?!]
Kurumi ficou furiosa, cerrando os dentes enquanto encarava Miyamizu.
Ele, porém, ignorou completamente.
Em seus pensamentos, Miyamizu se perguntava onde estaria o jogador que ele havia convidado.
Será que a pessoa já tinha morrido? Duvidava que alguém fosse azarado ao ponto disso...
Enquanto isso...
Em um armário, certa "Princesa Kaguya" tremia de medo.
[Que medo, que medo, que medo!
Por que, por que, por que isso está acontecendo comigo?!
Eu já tinha recusado sem hesitar aquele convite absurdo para um jogo!
Então como é que acabou assim...
Uuu...]
Ao lado de Shimiō Kaguya, Wakasa Yuri também estava nervosa, mas principalmente preocupada com Kurumi.
— Não se preocupe. Quando os zumbis se dispersarem, vamos encontrar uma chance de escapar.
Yuri falou com voz suave, tentando acalmar a garota que haviam encontrado pelo caminho.
[Por que eu tenho que ser tão azarada assim? Uuu...]
***
— Bang!
Depois de derrotar o último zumbi, Miyamizu segurou o braço, que tremia levemente, e levou Kurumi para um canto para descansar.
— Minha mão está dormente. Seria ótimo se alguém pudesse massageá-la quando estivermos seguros.
[Você podia ter falado meu nome logo de uma vez!
Aff...
De onde veio essa confiança toda?]
Kurumi revirou os olhos, pegou a mão dele e resmungou:
— Vou massagear agora mesmo, tá satisfeito?
— E as pernas também.
— Hein?
— Tsc.
— ...
Kurumi deu um soco nele, irritada, mas de repente sentiu que a relação entre os dois tinha ficado... estranha.
[Espera aí...
Será que esse cara gosta de mim?
Tem aquela história de "herói salva a bela dama", só que, no caso, eu sou a bela dama, mas no fim é quase a mesma coisa...]
Hesitante, Kurumi decidiu esclarecer as coisas:
— Olha, tem uma coisa que preciso te dizer... Eu já gosto de alguém.
— ?
Miyamizu tirou os olhos da observação ao redor e olhou para ela, piscando:
— Então você quer trair seu namorado comigo?
— Que isso, seu maluco! Quem disse que eu vou trair alguém?!
Kurumi ficou vermelha e bateu nele de raiva.
[O que tem na cabeça desse cara? Como pode falar uma coisa dessas?!
Se não fosse por ele ter me ajudado tanto, eu já teria enterrado ele com a pá!]
Ela rosnou:
— Primeiro, é só uma paixão platônica, eu não tenho namorado! Segundo, eu nunca trairia ninguém!
— Que alívio.
Miyamizu suspirou:
— Senhorita Kurumi, em primeiro lugar, eu não gosto de você. Não interprete mal. E, em segundo, na situação em que estamos...
Kurumi sentiu um calor subir ao rosto.
[Eu não devia ter tocado no assunto...
Agora ficou superconstrangedor...]
Ela virou o rosto e cruzou os braços:
— Esquece, não quero mais ouvir!
Miyamizu fez uma careta:
— Como você quiser.
Mas, pensando bem...
Kurumi e ele realmente se davam bem.
Ela era expansiva, e ele não tinha filtro nenhum.
Quanto a gostar dela... Miyamizu admitia que talvez houvesse um pouco de atração física.
Mas, no momento, ele não estava com cabeça para isso.
No máximo, usava o papo para aliviar a tensão.
[Hábito.
Sim, era só hábito mesmo.]
Kurumi: [Eu sou fofa, né?]
***
### Capítulo 9: O Que Fazer Quando se Encontra uma Princesa Kaguya?
— Humph.
Ao ouvir a resposta dele, Kurumi resmungou baixinho:
— Melhor assim. E outra: não vá atrás da Yuri.
— Kurumi, você quer que eu seja seu plano B? Que maldade!
— Não é isso!
— Então não se meta.
Miyamizu falou com expressão séria:
— Se continuar, eu te beijo na frente do seu crush!
— Você não tem coragem!
— Heh.
Kurumi explicou:
— Yuri é minha amiga. Não vou deixar você perturbar ela.
— Eu também sou seu amigo.
— Uuh...
Ela ficou sem resposta, gaguejando.
Nessa jornada, até mesmo um namorado talvez não tivesse ficado ao lado dela como Miyamizu fez.
Sem dúvida, eles já eram amigos.
— Vamos.
Miyamizu se levantou e estendeu a mão, olhando para a garota com um sorriso:
— Minha jovem, pela nossa amizade durar, eu vou conquistar sua amiga Yuri.
— ...
Kurumi mordeu os lábios e pegou a mão dele.
Os dedos se entrelaçaram.
Ao sentir o calor e a firmeza daquela mão, Kurumi ficou distante por um instante.
— Se não quer que Yuri fique viúva, é melhor se concentrar.
— Seu idiota!
— Hm?
— Anda logo!
— ...
Miyamizu olhou para Kurumi, que desviou o rosto, e então voltou a focar no caminho.
[Sorte nossa.]
Até agora, não haviam encontrado hordas de zumbis bloqueando a passagem.
Apenas dois ou três, fáceis de lidar.
[No fim das contas...
O ser humano se acostuma com qualquer coisa.]
No começo, a simples visão dava ânsia de vômito, e o coração acelerava a ponto de deixar as mãos trêmulas.
Mas, depois de superar isso...
[Heh!
Não é nada demais.]
***
Sem trocar mais palavras, Miyamizu e Kurumi chegaram ao telhado.
— Espero que Yuri já tenha voltado.
Hu Tao murmurou baixinho e então se aproximou, começando a negociar com a pessoa atrás da porta.
– Foi rápido – comentou em seguida.
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