— Deixa pra lá, depois eu pergunto pro entregador — Huo Ying evitou responder, esfregando os dedos na farinha de trigo.
De repente, lembrou que faltavam apenas dois dias para o aniversário de Liang Yao. Poderia usar a farinha para fazer um bolo simples. Mesmo sem chantilly, no meio do apocalipse, um bolo seria uma surpresa e tanto.
— Você quer negociar essa farinha, né? O que precisa?
— Agora é época de chuvas, e encontrar criaturas da chuva seria um problema. Se possível, queria trocar por um pouco de carvão vegetal.
Huo Ying acenou com a cabeça, indicando para Lu Na esperar ali mesmo. Afastou-se do campo, fingiu dar uma volta e, usando sua técnica de percepção na chuva, confirmou que ninguém o seguia. Então, criou uma caixa de carvão com seu poder e voltou carregando-a.
A farinha era valiosa, mas o carvão valia ainda mais na estação chuvosa. Com apenas alguns pedaços, conseguiu o saque de farinha.
O restante do carvão era para o velho Zhang e seu filho. Era mais do que o justo, mas Huo Ying não queria que os dois morressem — eram sua fonte de armas de pedra solar. Com essas armas, criaturas e infectados não chegavam perto. E com o carvão extra, para fogueiras ou se protegerem da chuva maligna, teriam mais chances de sobreviver à estação.
— Vamos.
Huo Ying pegou os fragmentos do Martelo Solar, enquanto os Zhang carregavam o carvão, liderando o caminho.
A oficina ficava num canto isolado, num terreno abandonado. Prédios eram raros por ali, e infectados também.
Seguro, mas precário. Eles moravam numa casinha de zinco, tão pequena que a caixa de carvão ocupava um espaço considerável.
— É apertado, mas quanto menor o espaço, menos fogo a gente precisa pra se aquecer. A gente já se acostumou — Zhang Famao pegou um machado, enquanto Zhang Zhanhong empunhou um garfo. Ambas eram armas de pedra solar.
Aqueceram as armas até ficarem rubras e guiaram Huo Ying até a oficina.
Dentro do galpão escuro, verificaram se as armas não esquentavam — sinal de que não havia ameaças por perto. Acenderam tochas para iluminar o local.
— Às vezes, infectados entram aqui. Por isso a gente sempre toma cuidado — explicou Zhang Famao.
Huo Ying concordou.
— Seu combo de armas é bom.
O garfo imobilizava, o machado finalizava. Com controle e dano, não era à toa que os dois sobreviviam.
— Irmão, vou te mostrar o motor.
Enquanto Zhang Famao separava os materiais, o filho levou Huo Ying até a sala de máquinas, no fundo do galpão. A cidade já estava sem energia há tempos, mas os fios do quadro foram remanejados para um gerador a diesel.
— Deixa comigo. Vai ajudar seu pai.
Huo Ying agachou-se diante do motor, fingindo inspecioná-lo. Zhang Zhanhong não fez perguntas, saiu e fechou a porta.
Então, Huo Ying segurou os cabos do gerador.
Num instante, relâmpagos envolveram seu braço, fluindo pelos fios.
[Tzzzt!]
O disjuntor desarmou — a carga tinha sido forte demais. Sem se preocupar, Huo Ying religou-o e, com seu olho Sharingan ativado, ajustou a voltagem.
As luzes da fábrica piscaram, instáveis, até se firmarem.
Zhang Famao testou as máquinas. O barulho dos motores agora era vigoroso, muito mais forte que com o gerador a diesel.
— Filho, mão na massa!
— Mas... — Zhang Zhanhong arregalou os olhos. — O poder dele é eletricidade biológica? Não é possível que um gerador normal faça isso!
— Foca no trabalho e para de pensar no que não te interessa! — O velho deu um leve chute no filho, já ocupado com as ferramentas.
Dentro da sala, Huo Ying continuava a gerar energia, enquanto seu Sharingan registrava a quantidade de chakra convertida em voltagem. Logo, ele já dominava o fluxo com precisão.
— Com meu Raikiri atual, poderia alimentar a cidade inteira — pensou. — Se ao menos encontrasse algo que armazenasse essa energia... ou que a gerasse no meu lugar.
Capítulo 100: Exército dos Zetsu Brancos
— Irmão, já deu! Tudo que precisava da energia já tá pronto.
Zhang Zhanhong chamou de longe, sem se aproximar. Huo Ying aprovou o respeito ao espaço. Desativou o Raikiri, reconectou os cabos ao gerador e abriu a porta.
— Quanto tempo até ficar pronto?
— Três dias. São vários tipos, o vazamento demora mais. Nos encontramos no campo depois.
Huo Ying concordou, então hesitou.
— Vocês são habilidosos... me digam uma coisa: como se faz um bolo de aniversário?
— Irmão, bolo precisa de ovo! — Zhang Zhanhong coçou a cabeça. — É só assar a massa na forma, mas no apocalipse, ovos são raros. Só os chefões de XN City têm acesso. Mas... ouvi falar de um jeito.
— Você já notou que quase não há aves entre os infectados? — continuou. — Não é que não foram contaminadas. Elas mudaram. Voam mais alto agora, absorvendo energia solar. À noite, descem pra se alimentar de insetos da névoa negra.
— Dizem que XN City já capturou algumas. Os ovos que os chefões comem são dessas aves. Se o irmão fizer armadilhas com sua madeira, pode ser que pegue uma. Com sua força, domar uma seria fácil.
Enquanto falava, Zhang Zhanhong coçou a cabeça com ar constrangido:
– Ai, é complicado... Só a cidade de XN sabe como são as armadilhas, e é informação sigilosa. Nem mesmo os entregadores conseguem trocar essa informação.
– Hmm, tudo bem, só estava perguntando por curiosidade – Huo Ying acenou com a mão como quem não liga, mas por dentro sua mente fervilhava de ideias.
Descobrira que os insetos voadores tinham um predador natural: as aves que habitavam as alturas, que caçavam os insetos durante a noite.
A razão pela qual os humanos raramente viam pássaros, além da escuridão, era que os enxames de insetos na névoa negra forneciam alimento abundante, fazendo com que as aves não precisassem descer.
Só mesmo o Instituto de Pesquisas, com seus estudos minuciosos, para descobrir uma informação dessas.
Quanto a construir armadilhas, Huo Ying certamente não sabia como. Mas a ideia de tentar sair à noite começou a lhe parecer atraente.
Seus jutsus de Terra e Raio haviam atingido o nível máximo – tanto a Técnica de Endurecimento quanto a Armadura de Raio estavam em outro patamar. Quem sabe ele poderia resistir às mordidas dos insetos?
E mesmo que não conseguisse, ainda tinha o jutsu de Madeira. Poderia usar o Raio para incendiar a Madeira e dispersar os insetos da névoa. Se o experimento falhasse, ao menos preservaria sua vida.
– Vou tentar hoje à noite.
Ao deixar a residência dos Zhang, Huo Ying retornou à caverna.
Bai Qianzhi já estava lá, encolhida junto à fogueira para se aquecer após passar o dia todo encharcada pela chuva. Suas roupas secavam penduradas, servindo de cortina improvisada – embora pouco eficiente, pois Huo Ying conseguia ver tudo claramente.
Nesse momento, a porta do porão se abriu e Liang Yao surgiu com expressão aterrorizada:
– Graças a Deus, irmão Huo! Você voltou! Eu estava no porão e ouvi passos... passos que não paravam de andar!
Ela segurava um arpão:
– Acho que algum infectado ou cadáver demoníaco entrou pelo duto de ventilação, mas não consigo encontrá-lo!
– Fiquem aqui em cima, vou dar uma olhada – sem explicações, Huo Ying desceu ao porão e usou seu jutsu de Terra para acessar a cela onde mantinha o Zetsu Branco preso.
Como esperado, o Zetsu continuava marchando com precisão militar.
Huo Ying não baixou a guarda. Ativou seu Sharingan para analisar minuciosamente os vestígios no local. Após um longo exame, suspirou aliviado – o Zetsu estava mesmo sob seu controle. As pegadas no chão eram perfeitamente alinhadas; se estivesse fingindo obediência, haveria irregularidades.
Ao abrir a porta, o Zetsu imediatamente começou a segui-lo em marcha rítmica.
Huo Ying o levou até o primeiro quarto, onde antes morava com Liang Yao.
– Acenda a fogueira.
A lenha era de álamo, altamente eficaz contra cadáveres demoníacos. Sem hesitar, o Zetsu obedeceu, alimentando as chamas e permanecendo imóvel ao lado do fogo, mesmo sofrendo com a energia yang.
– Parece que o experimento deu certo – refletiu Huo Ying. – A maior parte das sombras cinzas é energia espiritual, sem corpo físico, tornando-as vulneráveis ao Sharingan.
Lembrou-se de quando o Gago controlara cadáveres demoníacos, que recuperaram a consciência pelo medo durante a batalha. Naquela ocasião, os cadáveres tinham corpos físicos que reforçavam sua resistência. Agora, porém, os corpos eram Zetsus com componentes de álamo criados pelo jutsu de Madeira, que suprimiam ainda mais o poder das sombras, transformando-as em marionetes dóceis.
– De agora em diante, seu nome é Zetsu Branco Número Um.
Deixando o Zetsu no quarto, Huo Ying retornou ao porão e libertou todas as sombras cinzas restantes.
Elas voaram como moscas pelo cômodo selado, até perceberem a inutilidade de qualquer fuga. Aglomeradas num canto, tremiam de medo enquanto encaravam Huo Ying.
– Se temem tanto, a alternativa é se renderem.
Ao lançar a técnica de ilusão, sentiu uma pressão nos olhos. Das dezenas de sombras, apenas nove refletiam os tomoe do Sharingan em suas pupilas. As demais permaneciam encolhidas, confusas.
– O Sharingan de dois tomoe não consegue controlar tantos cadáveres ao mesmo tempo – murmurou, frustrado.
Com um comando mental, as nove sombras controladas alinharam-se atrás dele. As restantes observavam, perplexas, aqueles "traidores".
Diante delas, Huo Ying executou a Técnica dos Esporos. Nove novos Zetsus surgiram, cada um expressando êxtase ao descobrir seus corpos recém-nascidos. Alguns mexiam as mãos curiosamente, outros esticavam os braços, e um chegou a pular de alegria.
Num gesto sincronizado, os nove prostraram-se, batendo a testa no chão repetidamente.
– Muito bem – Huo Ying fez um gesto para que se levantassem, então olhou para o grupo de sombras amontoadas. – Quanto a vocês, como são teimosas, ficarão seladas para sempre.
– ?! – Uma das sombras, astuta, espremeu-se para frente e imitou os Zetsus, ajoelhando-se.
– Quer uma nova vida também? – Huo Ying fingiu hesitar, olhando para os nove Zetsus atrás de si. – Mas já não preciso de mais.
A sombra inclinou-se repetidamente, num gesto servil quase humano.
– Tudo bem, farei uma exceção – estendeu a mão como se fosse tocá-la, mas seu rosto endureceu subitamente. – Ousou me enganar! Com estes olhos, vejo cada um de seus pensamentos!
Antes que a sombra pudesse reagir, brotos de madeira a envolveram, comprimindo-se até o tamanho de uma caixa de fósforos.
As sombras restantes estremeceram. Ser confinada num espaço tão minúsculo era pior que a morte.
As sombras cinzentas se entreolharam até que, por fim, uma dúzia delas pulou para frente, ajoelhando-se firmemente diante de Huo Ying.
Os cadáveres malignos restantes tentaram acompanhar, mas Huo Ying não deu chance. Com um gesto da mão, selos de madeira surgiram, aprisionando-os novamente dentro dos caixotes.
— Vocês viram. Eu não pretendia dar outra oportunidade, mas seus companheiros já estão selados — Huo Ying observou os cadáveres diante dele com seriedade. — Foi rápido o bastante para garantir um novo começo. Mas se algum de vocês tentar algo, o castigo será pior.
Os cadáveres ajoelhados olharam para trás, para os outros ainda presos, e um alívio nítido surgiu em seus rostos. Sabendo que eram os sortudos, seus olhares se tornaram ainda mais determinados.
Huo Ying sorriu levemente. Seus olhos vermelhos giraram mais uma vez, e desta vez, nenhum dos cadáveres resistiu. Sem precisar gastar energia mental, ele invadiu suas consciências e as apagou por completo.
[Técnica dos Esporos de Madeira]
Mais uma leva de Zetsus Brancos surgiu. Ao comando de Huo Ying, os monstros se alinharam em formação militar, marchando em sincronia. Vinte e cinco no total, perfeitamente dispostos em um quadrado.
Com um gesto amplo, Huo Ying os levou pelo túnel subterrâneo até a primeira casa, todos seguindo em fileira.
— Vocês dois. Mostrem-me como lutam.
Os Zetsus se agruparam em círculo enquanto os dois escolhidos avançavam. Rosnavam um para o outro e, no instante seguinte, se atiraram com unhas e dentes, arranhando e mordendo como duas mulheres brigando numa feira, sem nenhuma técnica.
Huo Ying cobriu o rosto.
O olho vermelho havia apagado as habilidades de luta das sombras, deixando os Zetsus apenas com seus instintos básicos. Mas havia vantagens:
A Técnica dos Esporos, derivada do poder da madeira, permitia regeneração. Em segundos, os ferimentos e ossos quebrados dos dois combatentes se curaram, deixando-os como novos.
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