Desde que chegou ao mundo pós-apocalíptico, Huo Ying enfrentava pela primeira vez um dilema feliz.
Qualquer herança sanguínea que escolhesse traria um salto significativo em seu poder. Mas o progresso da Árvore Divina era lento, e escolher uma significaria abrir mão das outras por um bom tempo.
— As lágrimas de Liang Yao podem quebrar ilusões. Se precisar, posso me virar com um efeito temporário similar ao do Sharingan. Então... talvez eu deva escolher o Byakugan...
— Mas não. A coisa mais perigosa nos infectados e nas criaturas sobrenaturais são justamente as ilusões e a manipulação dos sentidos. Ainda não sei qual é o verdadeiro objetivo de Zhang Yuqi. Se formos inimigos, o Sharingan seria muito mais útil em combate. Contanto que eu não caia nas habilidades de controle dos infectados, com meu taijutsu e ninjutsu, não preciso temer essas criaturas.
Huo Ying ponderou, suspirou profundamente e acabou adiando a decisão.
— Deixa pra lá. Por enquanto, os benefícios da Árvore Divina já são suficientes. Vou guardar essa oportunidade. Se surgir um perigo, eu ativo a habilidade mais adequada na hora.
Ele pegou a caixa de madeira com os fragmentos do martelo gigante. Dessa vez, não usou a técnica da Pedra Leve. O martelo de meia tonelada já não parecia pesado — nem precisava do braço mecânico. Com uma mão só, carregou a caixa sem esforço.
Ao voltar para a caverna, Liang Yao ficou chocada ao vê-lo sem a armadura de madeira e com o martelo destruído.
— Você não foi só buscar coisas no porão? Como acabou em uma luta?! Você está... — Ela ia perguntar se ele estava bem, mas, ao notar sua aparência, engoliu as palavras.
As roupas de Huo Ying sob a armadura estavam em farrapos, revelando músculos bem definidos. Graças aos reforços da Árvore Divina, sua pele estava lisa, o físico impecável — como um leopardo ágil, cheio de força e graça.
O olhar de Liang Yao, antes cheio de preocupação, logo se encheu de... outra coisa.
Ela sempre se sentira segura ao lado dele, como se estivesse em casa. Mas, naquela noite, percebeu que, mesmo olhando só para o rosto e o corpo dele, já seria suficiente para querer ficar...
— Relaxa, foi só um probleminha resolvido. — Huo Ying jogou o martelo no chão. — Já trouxe os suprimentos para o porão. Me ajuda a levar uma parte pra cá.
Ele até poderia ter feito tudo sozinho, mas, ao ver o olhar ardente de Liang Yao, decidiu que um pouco de trabalho a distrairia daquelas idéias malucas. Afinal, mente vazia é oficina do diabo.
Capítulo 92: Poder, Aniversário e Encontro
Depois de mandar Liang Yao para o porão, Huo Ying voltou à porta de pedra e usou seu jutsu de terra para torná-la mais densa e pesada.
— A anterior era fraca demais. Qualquer um poderia arrombar. Agora está melhor.
Da primeira vez, ele a tinha afinado pensando em Liang Yao. Mas agora, como não precisava mais do braço mecânho, podia deixá-lo para ela. Assim, mesmo com a porta pesada, ela conseguiria abrir.
Levaria um tempinho até Liang Yao terminar de trazer comida e água, ofegante mas sem reclamar. Huo Ying cuidava da segurança; ela, dos suprimentos. Era justo. Até achava que fazia pouco, que poderia ajudar mais.
— Já estou melhor no alvo de 30 metros. — Liang Yao pegou uma zarabatana, colocou uma flecha e apontou para um alvo desenhado com carvão na parede.
Enquanto Huo Ying estava fora, ela não ficou parada. Depois de purificar a caverna, treinou suas habilidades de arco.
— Então ela realmente está se esforçando.
Huo Ying acenou, sem elogiar, apenas pedindo para ela mostrar.
A caverna era espaçosa. Liang Yao se posicionou, ergueu a zarabatana e, sem muita mira, atirou instintivamente.
Toc!
A flecha errou, batendo na parede. Mas ela não ligou. Enquanto a primeira ainda voava, já recarregou e disparou uma segunda. E uma terceira. Repetiu o processo sem pausa, trocando rapidamente para outra zarabatana já preparada. A quarta flecha foi logo atrás, quase como se fossem duas em sequência.
Toc! Toc! Toc!
Das três últimas, duas acertaram o alvo. Liang Yao soltou um suspiro aliviado. Durante os tiros, entrou em um estado de foco tão intenso que até esqueceu de respirar.
Huo Ying aprovou com um olhar.
Ela não só treinara, mas simulara situações reais. Contra criaturas sobrenaturais, não há tempo para mirar. Por isso, Liang Yao focou no instinto — o mais importante no combate. Reação sempre supera precisão.
Além disso, ela treinara trocar flechas e zarabatanas rapidamente. O medo vem da falta de fogo. Quatro flechas em rajada são mais úteis do que uma só demorada.
— Muito bom. Você tem talento com arco. Foi a escolha certa.
— Talento nada! Acho que minha infecção evoluiu. — Liang Yao sorriu, toda feliz, jogando a zarabatana de lado e correndo até Huo Ying. Agarrou sua mão e começou a purificá-lo. — Depois daquele susto com o cadáver, percebi que meu poder não é mais passivo. Não limpa só bactérias e poeira. Se eu pensar "preciso acertar o alvo", todas as distrações somem. Às vezes, até perco a noção do tempo.
— Acho que agora meu poder purifica também pensamentos dispersos.
Huo Ying pestanejou.
Liang Yao devia estar certa. Se sua habilidade não tivesse evoluído, como suas lágrimas quebrariam ilusões? Provavelmente, manipulação de sentidos e ilusões eram só "distrações" que ela limpava sem esforço.
Mas...
Huo Ying sentiu um frio na espinha.
Zhang Yuqi dissera que a infecção era um vírus. Quanto mais a habilidade era usada, mais forte ficava — mas também piorava a doença. E quando o vírus se espalhasse demais...
Huo Ying retirou a mão, impedindo que Liang Yao continuasse a purificação:
— Você está bem?
Ele pensou por um momento antes de continuar:
— Pare de usar sua habilidade para purificar. A partir de agora, quero que você reduza o uso dos seus poderes. Não estamos com falta de água, você viu — mesmo se tomarmos banho todos os dias, nossos recursos são suficientes.
— De hoje em diante, quando for limpar a casa ou tomar banho, use a água do porão. E quando praticar arco e flecha, também — menos poderes, ok?
Liang Yao ficou surpresa com o gesto repentino, mas, ao ouvir suas palavras, entendeu que Huo Ying estava preocupado. Instintivamente, ergueu o olhar, fixando-o com seriedade:
— Você tem medo de que eu morra, é isso?
Huo Ying não respondeu. Sabia que, se dissesse "sim", ela fingiria emoção e se jogaria nele.
Vendo que ele evitava a pergunta, Liang Yao fez um biquinho:
— Estamos no apocalipse, por que você fica fugindo do assunto? Tem medo de gastar energia? Duas vezes já fui eu quem tomou a iniciativa — se você está preocupado, eu que me movimento, então!
— Se tem mesmo medo de que eu morra, trate-me bem enquanto eu estiver viva. Só assim, quando a hora chegar, você terá memórias suficientes e nenhum arrependimento.
— Se eu ficar doente e morrer logo, você vai sentir falta da minha habilidade de purificação ou vai sentir minha falta? Pense bem nisso.
— Se for o primeiro caso, não se preocupe. Desde o primeiro dia do apocalipse, eu sabia que ia morrer. Tudo o que faço agora é dar mais significado aos dias que me restam — viver de verdade, em vez de fugir da morte.
— Se for o segundo, reflita melhor: se meu fim está próximo, cada dia que você não me aproveitar é um dia a menos, sabia?
Ela piscou com malícia e resmungou, cheia de dengo:
— Bom, o que você tem que pensar é problema seu. Mas você me deve, lembra? Prometeu que, se eu aprendesse a usar o arpão, realizaria um desejo meu.
O que realmente importa no fim do mundo?
Huo Ying achava que já estava acostumado, mas as palavras de Liang Yao o deixaram inquieto.
O mais importante é sobreviver... ou valorizar o que temos?
Estou vivendo de verdade ou apenas fugindo da morte?
Silêncio.
A caverna ficou subitamente quieta.
Depois de um longo momento, Huo Ying encarou Liang Yao — desta vez, sem desviar o olhar:
— Prometi, e vou cumprir. Mesmo que seu desejo seja difícil, vou realizá-lo.
Ela franziu os lábios:
— Não está só me enrolando, está? Se eu pedir uma estrela do céu, o que você faz?
Ele acariciou sua cabeça:
— Então se esforce para viver mais um ano. Daqui a um ano, trago uma estrela do céu para você.
— O quê? — Liang Yao olhou para ele desconfiada, mas viu que ele falava sério. — Sério isso? Você realmente faria isso?
— Bem... se uma estrela cair aqui, vai me esmagar. Mas... só de ver as estrelas de novo, já ficaria feliz. — Seus olhos brilharam com nostalgia. — Quando era pequena, todo aniversário eu pedia um desejo às estrelas. Mas, depois do apocalipse, só há névoa e insetos à noite. Nunca mais as vi... nem celebrei meu aniversário.
— Quando é seu aniversário? — perguntou Huo Ying.
— Você vai comemorar para mim? — Ela ficou animada e começou a contar nos dedos. — Três dias... você consegue preparar um presente em três dias?
Huo Ying arregalou os olhos. Tão conveniente assim? Desconfiado, ele fingiu hesitação e tossiu:
— Três dias... talvez seja...
Liang Yao se apressou em corrigir:
— Cinco! Cinco dias também serve. No máximo uma semana, pode ser?
Ele fez uma cara ainda mais preocupada:
— Uma semana até seu aniversário? O tempo é tão...
Ela balançou a cabeça freneticamente:
— Não precisa ser rápido! Na verdade, te dei uma semana para pensar direito. Meu aniversário só é daqui a um mês! Uma semana para planejar e três para preparar, tudo certo?
Huo Ying suspirou:
— Tão longe assim? Eu ia dizer que em três dias teria seu presente pronto.
— O quê?! — Liang Yao ficou vermelha de raiva e vergonha, enterrando a cabeça no peito dele e empurrando-o para a cama. — Ai, você é insuportável! Meu aniversário é daqui a três dias, só menti que era daqui a um mês para você não se apressar!
— Tá bom, tá bom — ele riu. — Só um idiota acreditaria nesse "aniversário mutante". Três dias, então. Não vou te fazer esperar.
Ela ergueu o rosto, os olhos cheios de esperança:
— Promete? É meu aniversário E a recompensa por aprender o arpão. Nada de presente meia-boca!
Huo Ying não conseguiu segurar o riso ao vê-la agir como uma criança. Então, tirou o braço mecânico e estendeu a ela:
— A porta da caverna é pesada — talvez você não consiga abrir sozinha. Vai precisar disso.
— Não preciso mais do braço mecânico. Leve-o e não se preocupe em economizar bateria. Se precisar carregar, é só avisar.
— Vai ser com o painel solar que a Yuqi trouxe? — Ao mudar de assunto, Liang Yao parou de brincar, pegando o braço mecânico e encaixando-o no seu. Movimentou-o para testar.
O equipamento se ajustou automaticamente ao seu braço, e a bateria estava cheia. Ela ficou curiosa, mas não perguntou.
Ao mencionar Zhang Yuqi, porém, seu rosto ficou sério:
— Amanhã é o quarto dia. Vou visitar a Bai.
— Com o braço mecânico e o arpão, consigo me defender. Espere aqui por boas notícias.
Ela ergueu o braço mecânico e fez um gesto de força, como quem diz "estou pronta".
— Não precisa.
Antes de derrotar Xiao Huo, ele hesitaria em encontrar a Bai ou até pensaria em se esconder no subsolo com Liang Yao. Mas a Árvore Divina havia evoluído — o chakra em seu corpo agora sustentava batalhas intensas, e seus jutsu de terra e raio estavam no nível máximo.
Huo Ying deduziu: se Xiao Huo conseguiu escapar de Zhang Yuqi, ele, que agora era ainda mais forte, com a opção de usar o Byakugan ou o Sharingan conforme a necessidade, não teria como perder.
Tantas cartas na manga... a derrota era impossível.
— Então eu vou com você — disse Liang Yao com determinação. — Posso desfazer ilusões e purificar o que é maligno. Se houver perigo de verdade, com certeza posso te ajudar.
— Eu não sou um peso morto. Além disso, se você estiver em perigo, eu também não vou sobreviver — ela continuou, séria. — Ou eu vou sozinha, ou vamos juntos. Dessa vez, não adianta tentar me convencer a ficar.
Capítulo 93 (8K) – Irmã Bai, Olho Mágico, Verdade, Perigo
No dia seguinte, a chuva ainda caía, deixando o ar úmido e pesado. Mas isso não afetava o interior da caverna de Huo Ying, onde a fogueira continuava acesa, alimentada por lenha de álamo. O calor da energia solar mantinha o espaço seco e aconchegante.
Huo Ying vestiu sua nova armadura de madeira. Como seu martelo gigante estava danificado e ainda não havia sido consertado pelos mestres Zhang, ele optou por empunhar novamente a espada solar.
Liang Yao também se preparou com cuidado. No braço direito, usava um braço mecânico, e na cintura, carregava duas zarabatanas. Nas costas, levava um aljava com flechas. Para aumentar sua defesa, Huo Ying havia feito para ela uma armadura de madeira mais simples, dividida em peças: couraça, caneleiras, protetores de cotovelo e um capacete.
Sem habilidades ninjas, Liang Yao não podia usar uma armadura tão perfeitamente ajustada quanto Huo Ying, então as peças foram feitas separadamente, garantindo ao menos proteção contra golpes mais graves.
Juntos, empurraram a porta de pedra e desceram da montanha da mina. Como esperado, o local estava vazio, sem um único vulto humano. Com a chuva, era quase impossível distinguir as pedras solares sem o uso do fogo. Provavelmente, ninguém voltaria a minerar ali por um bom tempo.
O céu nublado cobria a colina de sombras. Liang Yao segurava a zarabatana com atenção, pronta para atirar a qualquer momento.
Foi então que, das sombras, surgiram duas figuras: um cadáver amaldiçoado, puxando um cão infectado pela escuridão. O animal se agachou, rosnando para Liang Yao, que caminhava à frente, enquanto o cadáver espreitava com olhos vermelhos e um sorriso sinistro.
No instante seguinte, o cadáver percebeu que ambos os humanos vestiam armaduras de madeira. Sem hesitar, soltou a corrente do cão, que partiu em direção a Liang Yao.
— Pum! Pum! —
Diferentemente da noite anterior, Liang Yao acendeu as duas zarabatanas e disparou simultaneamente, lançando duas flechas flamejantes contra a fera.
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