Para Zhang An, até essas pequenas coisas já eram suficientes.
Vendo Zhang An com aquela cara de que não ficaria em paz se não comprasse nada, Lin Xun concordou:
— Escolhe você o que achar melhor. Depois me passa o valor que eu te reembolso.
— Beleza! — Zhang An deu uma risada. — E o Xiong Ni, como está? Estava pensando em visitá-lo hoje à noite!
— Ele está bem melhor. Provavelmente em mais algum tempo já pode voltar ao trabalho.
— Que bom. — Zhang An suspirou aliviado. Afinal, eram colegas da mesma escola e conviviam há tanto tempo que ele estava bem preocupado quando Xiong Ni se machucou.
Enquanto conversavam, o diretor Guan Shan chamou Lin Xun pelo nome.
Ele se levantou e foi até lá, justo quando a assistente de Tang Mo terminava de falar com o diretor. Passando por ele, a moça lhe dirigiu um sorriso.
Lin Xun observou Tang Mo e a assistente se afastando, imaginando que, por causa do que havia acontecido mais cedo, ela precisava de um tempo para se recompor.
Era isso mesmo. Assim que Lin Xun chegou, o diretor Guan Shan informou:
— Vamos gravar sua cena primeiro. A Tang Mo está ocupada com algo.
A cena em questão mostrava a Raposa Espiritual completamente transformada depois de ver o verdadeiro rosto do Mestre Dao Yan.
Ele não entendia por que Dao Yan era idêntico à pessoa de seus sonhos, mas sabia que havia uma conexão entre os dois. Caso contrário, por que Dao Yan sempre escondia seu rosto em névoa diante dele?
A Raposa tinha certeza de que Dao Yan sabia de tudo. E ele queria respostas.
O último andar do Pavilhão das Escrituras sempre fora um lugar proibido, inacessível a todos, exceto ao Mestre Dao Yan.
Mesmo sendo seu discípulo mais próximo, a Raposa Espiritual nunca tivera esse privilégio.
Antes, isso não importava para ele.
Mas agora, cheio de dúvidas, ele sentia que só ali encontraria as respostas que buscava.
No meio da noite, a Raposa superou inúmeros obstáculos e finalmente alcançou o topo do pavilhão. Ao abrir a porta, deparou-se com um quadro na parede, retratando dois homens de beleza deslumbrante.
Ao lado da pintura, uma inscrição: *Almas Gêmeas do Céu*.
A Raposa não sabia quem eram aquelas pessoas, mas elas lhe pareciam estranhamente familiares.
Conforme se aproximava, as figuras na pintura ganhavam vida, arrastando-o para dentro de um sonho...
— Lin Xun! Última cena, fique mais confuso na expressão. Vamos mais uma vez...
Ao ouvir o diretor, Lin Xun virou-se e fez um sinal de "ok".
Assim que a cena foi aprovada, seu trabalho no dia havia acabado. Zhang An já estava com as coisas arrumadas, pronto para levá-lo de volta ao hotel.
Lin Xun se aproximou:
— Você acabou de sair do treinamento hoje. Vá descansar, amanhã volta ao trabalho normal.
Zhang An riu:
— Mas eu não estou cansado.
Lin Xun deu um tapinha em seu ombro:
— Descanse enquanto pode. Quando as coisas apertarem, você vai sentir falta desses momentos.
Pegando sua mochila das mãos de Zhang An, insistiu:
— Vai logo.
— Então tá, vou indo. Amanhã de manhã eu venho.
Lin Xun acenou enquanto ele saía, pegou suas coisas e seguiu seu caminho.
Só descobriu que o elevador do hotel estava quebrado ao chegar lá. Ou esperava conserto, ou subia pela escada de emergência. Felizmente, o hotel não tinha muitos andares.
Sem paciência para esperar, Lin Xun abriu a porta das escadas.
Às vezes, as coincidências são inevitáveis.
Mal havia subido alguns lances quando ouviu um choro. Assustado, parou para escutar melhor. O som parecia familiar... Era Tang Mo?
— Então o que você quer dizer? Pra sua mãe ficar feliz, eu tenho que engolir sapo, é isso? Desde o começo combinamos que cada um teria sua vida. Por que agora ela precisa vir? Nunca disse que preciso de cuidados! Se precisasse, poderia pagar alguém. Sua mãe é idosa, ainda vai cuidar de mim? Por mais que economize, não vai ser muito. E dinheiro não falta pra mim! Chega, não quero mais ouvir. Ela não vem. Quando o bebê nascer, ela pode visitar de vez em quando. Agradeço a intenção, mas não.
Tang Mo desligou o telefone com um suspiro de frustração.
Lin Xun piscou, olhou para cima e continuou a subir. Ao chegar ao último andar, viu Tang Mo sentada nos degraus, o rosto ainda vermelho de chorar.
— Tudo bem, Tang Jie? — Ele sorriu, sem saber como agir.
— Você ouviu? — Ela ergueu os olhos úmidos. Apesar de ter mantido a compostura no set, era uma mulher, e aquela situação obviamente a abalara.
Lin Xun não negou:
— Só ouvi sem querer quando estava subindo.
Tang Mo enxugou os olhos.
— Você já tinha ouvido no set, né? Mas enfim... Tem tempo pra bater um papo?
Era difícil recusar. Ele deixou a mochila no chão e sentou-se ao lado dela.
— Fala à vontade, Tang Jie.
A pequena gentileza do jovem Omega arrancou um sorriso fraco dela.
— Não é nada demais, só problemas domésticos. Você já ouviu parte... Meu marido veio de família humilde. A família toda se sacrificou pra ele se formar, e ele correspondeu, construiu tudo do zero. Nos conhecemos num evento.
Ela sorriu, os olhos suavizando-se por um instante. Era óbvio que ainda amava o homem.
— Quando começamos a namorar, eu me senti como nos contos de fada. Ele era gentil, bonito, romântico... Achava que éramos o príncipe e a princesa, destinados a viver felizes para sempre. Foi assim que ignorei os sinais. A mãe dele nunca gostou de mim. Desde o primeiro encontro, isso ficou claro.
Lin Xun não entendia: como alguém poderia desaprovar uma mulher como Tang Mo?
Percebendo sua dúvida, ela explicou:
— Ser famosa nem sempre é vantagem. A mãe dele odiava eu "me exibir" em público. Para ela, um Omega devia ficar em casa, cuidando do marido e dos filhos. Na primeira visita, ela já perguntou se eu largaria a carreira para servir o filho dela. Na época, eu acreditei que nosso amor bastaria e que seria feliz assim. Não recusei.
— Mesmo assim, ela nunca ficou satisfeita. Chegou a arranjar encontros para ele às escondidas, usando a irmã como intermediária. Queria uma nora médica, enfermeira ou professora — alguém "útil" caso alguém da família adoecesse ou as crianças precisassem de ajuda nos estudos.
[O ambiente ficou pesado, o eco das palavras de Tang Mo misturando-se ao som distante da cidade lá fora.]
Lin Xun foi ouvindo a história e achando cada vez mais familiar. Aquilo tudo parecia saído daquelas novelas dramáticas que passavam na TV às oito da noite.
O marido de Tang Mo era o típico caso de "homem que subiu na vida".
— Mas no fim nos casamos mesmo assim. Só que a mãe dele sempre impediu a cerimônia, então só registramos no papel. Quando descobri que estava grávida, eu ia dar uma pausa na carreira, mas aí o diretor Guan me convidou... Eu devia muito a ele desde minha estreia, então aceitei. Hoje, agradeço por não ter desistido de vez.
— Desde que soube da gravidez, a mãe dele não para de dizer que quer trazer a irmã dele pra cuidar de mim, ajudar no parto, no pós-parto... Já recusei várias vezes. Acho que foi por isso que a família dele ficou chateada. Hoje a irmã explodiu.
Ao dizer isso, os olhos de Tang Mo brilharam com lágrimas contidas.
— Tang Jie, você já decidiu o que vai fazer?
— Nisso eu não vou ceder. Não é nem por isso que tô chateada... É mais por sentir falta de como éramos antes. A gente se dava tão bem, mas a vida acabou com isso. Até entendo ele – a família dele era muito pobre, fizeram de tudo pra ele ter sucesso, até a irmã largou os estudos pra trabalhar. Ele nunca vai conseguir se livrar deles. Só que eu não quero abrir mão do meu conforto por isso. Não sei o que fazer... Não consigo tomar uma decisão porque ainda gosto demais dele.
As lágrimas escaparam, e Tang Mo rapidamente cobriu o rosto, como se tivesse vergonha.
— Não consigo falar disso com minha assistente nem com minha empresária. Elas não aprovaram o casamento desde o começo. Se souberem como tô agora, só vão se preocupar à toa.
— Os problemas da família dele são dele pra resolver, Tang Jie. Se ele conseguiu chegar onde está sozinho, também consegue lidar com a mãe e a irmã. Ele só não quer porque espera que você ceda – primeiro pra ele, depois pra mãe dele. Mas se ceder uma vez, vai ter que ceder sempre. Você tá certa em não abrir mão, mas também precisa deixar sua posição clara.
Na visão de Lin Xun, Tang Mo era como uma menina iludida pelo conto de fadas, achando que o amor bastava. Só que casamento não é só entre duas pessoas – é entre famílias.
Ela não casou só com o marido. Casou com a família inteira.
Tang Mo limpou o nariz, surpresa.
— Você é jovem, mas enxerga longe. É isso mesmo... Se eu ceder uma vez, vou ter que ceder sempre. Dessa vez, não vou recuar.
— Manter um casamento não é só sua responsabilidade, Tang Jie. Se ele se importa, vai equilibrar as coisas entre você e a família dele.
Na verdade, Lin Xun tinha certeza de que o Alpha hoje trouxera a irmã de propósito, pra testar Tang Mo.
A resposta já estava clara: entre a esposa e a família, ele escolhera os pais e a irmã.
Mas essa verdade precisava partir dela.
Depois da conversa, Tang Mo parecia um pouco mais leve.
— Posso te chamar de A-Xun?
Era anos mais nova que Lin Xun, e ambos eram Omegas – quase como irmãos.
— Claro, Tang Jie. Se você gosta, pode chamar.
— Então é assim que vou te chamar de agora em diante. Falar com você me fez bem. Obrigada.
— Imagina. Fico feliz em ajudar. Só não fica sentada aqui no chão frio, tá?
Lembrando que Tang Mo estava grávida, Lin Xun se preocupou.
Ela se apoiou na mão dele para se levantar.
— Melhor voltar. Minha assistente vai surtar se descobrir que sumi. Meus olhos ainda estão vermelhos?
— Um pouco, mas nada muito perceptível.
— Ótimo. Se descobrirem que chorei escondida, vão me encher o saco.
Era óbvio que Tang Mo e sua assistente tinham uma relação próxima.
Assim que saíram da escada, o celular de Lin Xun tocou. Era Gu Huaiye, perguntando onde ele estava.
— Nossa, esqueci de avisar ele. Deve estar preocupado.
Tang Mo riu.
— Quer que eu te ajude a explicar?
— Não precisa, Tang Jie. Vai descansar. Uma boa noite de sono ajuda a clarear a mente.
— Verdade. Obrigada.
Antes de ir, Tang Mo o abraçou, afagou sua cabeça e seguiu para o quarto.
Lin Xun bateu na porta carregando sua bolsa.
Assim que Gu Huaiye abriu, ele se jogou nos braços dele.
— Voltei.
Gu Huaiye pegou a bolsa e o puxou pra dentro, fechando a porta.
— Onde você estava até essa hora?
Lin Xun riu no colo dele.
— O quê? Tá me interrogando?
— Isso mesmo. Vai confessar?
Gu Huaiye jogou a bolsa no chão e o levantou no ar, carregando-o para o quarto.
Lin Xun deu um pulo e se agarrou no pescoço dele, rindo.
— O que você tá fazendo? Vai me punir? Tá bom, eu confesso!
— Confessa o quê?
Gu Huaiye o jogou na cama, fingindo seriedade.
Lin Xun contou sobre encontrar Tang Mo no caminho.
— Então você passou uma hora e meia sendo o irmão mais novo conselheiro?
Ele se apoiou nos cotovelos.
— A gente se cruzou, e eu não esperava que o marido dela fosse desse tipo. Foi surpresa.
— Hm.
Gu Huaiye apenas concordou, sem comentar.
Mas Lin Xun olhou para ele, curioso.
— E se fosse com a gente? Se seu avô não me aprovasse, dissesse pra você terminar e arrumasse outro Omega... O que você faria?
Gu Huaiye pensou por um momento.
— Explicaria pra ele, faria ele ver suas qualidades.
— Só isso?
Lin Xun ficou surpreso.
— Tem mais alguma coisa?
— Espera aí, então vou te perguntar outra coisa: e se o vovô nunca concordar? Se ele se recusar a conversar direito com você, o que você faz?
— Se ele não quiser dialogar, então eu também não vou ficar enrolando. Vamos direto no cartório registrar nosso casamento.
Vendo a determinação imperturbável de Gu Huaie, Lin Xun não conseguiu segurar um sorriso e o abraçou:
— Mas você não tem medo de magoar o vovô? Ele foi quem te criou, afinal.
— Ele me criou, sim, mas isso não dá a ele o direito de controlar minha vida. Eu continuarei cuidando dele, mas sem abrir mão dos meus princípios.
— Então, se você estivesse no lugar do marido da Tang Mo, o que faria?
— Chamaria meus pais e irmã para uma conversa séria. Se fossem pessoas irracionais, não adiantaria discutir. Existem muitas formas de ser um bom filho — ser obediente cegamente não é uma delas.
— Ou seja, você nunca me deixaria passar por humilhações, né?
— Mas é claro que não! Isso é o mínimo!
Lin Xun então se aproximou e deu um beijo estalado na bochecha de Gu Huaie, que riu surpreso:
— Ei, o que foi isso?
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