— Quem tem tempo pra cuidar de vocês?
Por isso esses canalhas ficam cada vez mais insolentes, afinal ninguém os controla.
E Bai Shi percebeu claramente que Yan Lao San e seus capangas estavam olhando para ele de soslaio.
— Hein, parece que tão atrás de você, né? — O burro preto balançou um pedaço de madeira com o rabo, curtindo a cena como quem vê um espetáculo.
Para ele, aquela turma de incompetentes não era nada. Nem se fosse um exército humano, ele não ficaria intimidado.
E como previsto, no instante seguinte, Yan Lao San ordenou que seus homens arrastassem o velho Zhao para frente.
O ancião, já com mais de cinquenta anos, curvado pelo tempo, parecia uma criança frágil diante do braço musculoso do bandido.
— Olha só, seu velho decrépito, você aqui! Se não me engano, foi você quem me serviu peixe cru ontem, não foi? — Yan Lao San puxou o pescoço do velho Zhao com um sorriso cruel. — Passei a noite toda com o intestino solto. Acha que não vai me pagar por isso?
Sem cerimônia, ele arrancou as últimas moedas de prata que o velho Zhao guardava.
— Não, por favor! É o dinheiro pra comprar comida pro inverno! Minha família depende disso pra sobreviver... —
*BANG!*
Yan Lao San chutou o velho Zhao, que voou e caiu pesadamente no chão. Um *crack* ecoou, seguido por um jorro de sangue saindo de sua boca.
Uma onda de desespero tomou conta dos presentes. Era óbvio que o velho Zhao não sobreviveria ao inverno.
— E aí? Vocês também querem passar o inverno? — Yan Lao San apontou para a multidão, mas seus olhos estavam fixos em Bai Shi e na furiosa Yue Ti Xia atrás dele.
Mesmo que o garoto tivesse aprendido algumas artes marciais, ele tinha mais de dez irmãos de luta atrás dele...
— Dá pra matar no facão mesmo! — pensou, com inveja ao ver Bai Shi lucrando tanto e ainda acompanhado de uma bela mulher. Hoje, ele não sairia sem seu troféu.
— Isso já é demais! — Yue Ti Xia gritou, tão indignada que seu véu caiu.
Yan Lao San ficou boquiaberto, quase babando:
— Nossa, olha só! O pedrinha tá ficando importante, hein? Arrumou uma gatinha dessas pra você? — Ele se aproximou, sorrindo nojento. — Então, me passa essa garota, e eu te ensino umas técnicas de luta. Que tal?
A multidão se agitou, mas ninguém teve coragem de intervir. Apenas o velho Zhao tentou se levantar, mas a dor o impediu de falar.
Bai Shi observou as reações ao redor. A maioria só queria se proteger, o que era normal. Nesse mundo, qualquer ferimento podia ser uma sentença de morte.
Ele fez um sinal para Yue Ti Xia, que imediatamente ajudou o velho Zhao a se levantar, discretamente transferindo energia espiritual para curá-lo.
Quanto aos bandidos... ela nem precisaria sujar as mãos.
— Ih, oh! Ih, oh! — O burro preto, já de saco cheio, começou a zurrar alto, batendo os cascos no chão enquanto circulava Yan Lao San.
O tom era claramente de provocação.
O clima tenso de repente ficou ridículo.
— Seu maldito! Hoje mesmo eu vou te matar e fazer ensopado! — Yan Lao San, vermelho de raiva, brandiu seu facão.
Mas no instante seguinte, o burro chutou a arma para longe e, com um movimento rápido demais para os olhos humanos, acertou Yan Lao San *bem* *na região sensível*.
*CRACK!*
— Você... AAAAAAH!
Primeiro veio uma sensação estranhamente prazerosa, quase relaxante. Yan Lao San suspirou...
E então a dor explodiu.
Ele gritou como um porco no abate, rolando no chão enquanto todos olhavam para o burro, que continuava zurrando orgulhoso.
Os homens presentes instintivamente cerraram as pernas, mas, no fundo, sentiam uma ponta de satisfação.
— O QUE TÁ ESPERANDO, SEUS IDIOTAS? MATA ESSES FILHOS DA PUTA! — Yan Lao San berrou entre gemidos. — NÃO TÃO VENDO QUE SEU LÍDER TÁ FERIDO? CORTEM, CORTEM TODOS!
— Sabe... não era melhor só viver em paz? — Bai Shi murmurou, impassível.
— VAI SE FUD—
Antes que Yan Lao San terminasse a frase, Bai Shi mergulhou a mão direita nas brasas da fogueira e pegou um pedaço de carvão incandescente.
Sob olhares incrédulos, ele usou a outra mão para *arrancar* o maxilar de Yan Lao San com um *CRACK* seco.
O bandido ficou com a boca aberta, impossibilitado de falar, só conseguindo emitir sons guturais enquanto via Bai Shi aproximar o carvão em chamas...
E enfiá-lo em sua boca.
*SSSSSS*
Fumaça subiu, misturada com o cheiro de carne queimada e os gritos agonizantes de Yan Lao San.
A rua inteira ficou em silêncio.
— Já que você não sabe falar, melhor ficar quieto. — Bai Shi continuou, frio. — Ah, e você mencionou que comeu peixe cru na casa do velho Zhao, né?
— Uhn... uhnhn... — Yan Lao San tentou negar, mas sua garganta já estava meio cozida.
Bai Shi ignorou e acenou para o burro preto, que trouxe uma tigela enorme de molho picante.
— O tempero do velho Zhao veio da minha receita, mas o meu é mais autêntico. Prove.
— N-não... ghgh... — Yan Lao San tentou recusar, mas era tarde.
Seus capangas, antes tão corajosos, agora pareciam estatelados, assistindo enquanto o líder engolia aquele molho ardido derramado em sua boca carbonizada...
Naquele momento, até os moradores que mais odiavam os bandidos acharam Bai Shi... *assustador*.
---
**Capítulo 12 — Matar**
Em meio ao silêncio da rua, alguém finalmente gritou:
— ACABA COM ELES!
Os discípulos da escola de artes marciais, antes paralisados, reagiram e avançaram sobre Bai Shi, facões e porretes em punho.
Mas alguns, mais espertos, recuaram e miraram Yue Ti Xia, que ainda cuidava do velho Zhao.
*‘Trouxas... mexer com o Bai Shi é pedir pra morrer.’*
Os civis, apavorados, corriam em todas as direções. Os poucos que pegaram em facas ou enxadas hesitaram... e acabaram recuando.
— Pedrinha... cuidado... — O velho Zhao conseguiu sussurrar, fraco.
O velho Zhao balançou, trêmulo, antes de abrir os olhos bem arregalados.
— Ei, você aí! — ele grunhiu, mas a voz saiu mais como um rosnado raivoso.
E então viu. A mão esquerda de Bai Shi, que até então estava escondida atrás das costas, surgiu num movimento fluido. A lampejante navalha de três palmos de comprimento desceu como um arco de lua nova.
Os três homens na frente congelaram no meio do ataque, como se o tempo tivesse parado. No instante seguinte, Bai Shi deslizou por entre eles com um leve passo, usando a técnica [Passo Celestial].
— Splat! Splat! —
Jorros de sangue pintaram o chão num raio de vários metros. Os três homens se partiram em fatias precisas, como um sashimi de salmão cortado por mãos de mestre.
A cena deixou muitos espectadores pálidos como papel. Minutos atrás, aquela mesma faca estava sendo usada por Bai Shi para preparar refeições. Agora, transformara-se num instrumento de morte.
— A lâmina tá afiada demais... Tira a graça — murmurou Bai Shi, jogando a navalha longe sem cerimônia.
Em vez disso, ergueu os punhos e partiu para cima dos discípulos da escola de artes marciais. Os inimigos, vendo a afronta, ficaram com os olhos brilhando de fúria.
Mais de dez facões se ergueram ao mesmo tempo contra Bai Shi. Ele só deu uma olhada desinteressada antes de começar a girar os punhos como um redemoinho.
— Crack! Crack! Crack! —
O som de ossos quebrando se misturava com os baques surdos dos golpes. Sete ou oito homens voaram como sacos de farinha, mortos antes mesmo de atingirem o chão.
Quanto às lâminas que alcançaram Bai Shi? Nada além de uma leve coceira. Nem marcaram sua pele.
http://portnovel.com/book/6/518
Pronto:
Como usar: