Bai Shi sorriu friamente por dentro. Esse cara estava tentando passar a perna nele?
Ele mesmo tinha desistido de ir, e agora o sujeito vinha cobrar dívida? Ele recusou:
— Pensei bem e decidi continuar no meu comércio. Essas coisas de artes marciais e treinamento não são para gente comum como a gente.
— Tá mesmo decidido? — O rosto de Yan Lao San escureceu de repente.
— Sim. — Bai Shi puxou Hu Weisheng e os outros, contornando Yan Lao San e seguindo para casa.
Terras pobres criam gente esperta, e em tempos de caos com monstros, era normal aparecerem uns malandros sem vergonha.
O rosto de Yan Lao San ficou cada vez mais fechado.
— E aí? Não era pra você ter arrancado dinheiro do otário? Cadê?
— Eu ainda tava esperando você me levar pra curtir no Jardim das Pêssegos. Aquela garota nova é uma brasa! Já tava com vontade de dar um jeito nela. — Um homem magricela e de dentes salientes apareceu, sorrindo de modo nojento.
— Para de besteira! O cara fugiu. Como vou te pagar?
— Como assim? Você não disse que ele era burro e fácil de enganar?
— Sei lá. Ou ele desistiu mesmo, ou aprendeu o básico e quer me dar o calote. Hah! Mas se ele acha que vai escapar sem pagar as aulas, vai ver o que é bom.
Yan Lao San sorriu com malícia. Achava mesmo que podia levar vantagem sem pagar?
Ia ver se seu punho de pedra ia deixar barato. Um lenhador achando que podia enfrentá-lo?
***
Do outro lado, numa cabana no centro do território da tribo Yue Ti.
— Yue Ti Xia, me explica direito. Como você deixou um simples humano te sequestrar? Aquele moleque só corre rápido, não tem poder algum!
A velha Yue Ti flutuava no ar, cutucando a testa de Yue Ti Xia com o dedo.
*O que eu faço, A Zhu?* — Yue Ti Xia cobriu a testa e olhou de soslaio para o burro preto, que ergueu uma placa de madeira:
*‘Não olha pra mim, também não sei.’*
— É que… eu fiquei nervosa e esqueci. — Ela falou baixinho.
— … — A velha Yue Ti ficou sem palavras.
— E por que ajudou aquele humano a fugir? — Depois de respirar fundo, a velha perguntou de novo.
Essa filha era covarde demais. O que fazer com ela?
— Ah, isso… ele cortou muitas árvores, mas eram só árvores sem consciência. Dá pra recuperar com um pouco de poder, não é crime mortal. Fiquei com pena…
— Peninha que ele se cansasse? — O rosto da velha ficou ainda mais escuro.
Ela tinha corrido quilômetros atrás deles, preocupada, e a filha estava com pena de um humano?
— Você já não é criança. Está na hora de treinar suas habilidades.
— Vou te dar uma tarefa: fique de olho naquele humano, Bai Shi. Se ele cortar mais uma árvore, você vai bater nele.
— Bata até ele nunca mais querer cortar nada.
Vendo que Yue Ti Xia ia protestar, o burro, percebendo o perigo, puxou ela pelo colarinho e fugiu rapidão.
Deixando pra trás uma placa: *‘Eu cuido dela!’*
— A Zhu, você acha que eu devo mesmo fazer essa tarefa? — Yue Ti Xia começou, mas o burro já a encarava com olhos girando.
Ela corou. — O que é esse olhar? Eu só perguntei!
*‘Você não tá gostando daquele humano que te sequestrou, né?’* — O burro ergueu outra placa, sério.
***
Na beira de Yan Bian Zhen, no quintal da cabana, Bai Shi treinava sua técnica de lâmina de novo.
E tentava combinar com os movimentos de corpo.
[Você continua golpeando e tem um insight. Habilidade com lâmina +1]
[Você se move com agilidade e tem um insight. Habilidade de movimento +1]
[Habilidades: Lâmina de Forjamento Nv2 (5/200), Velocidade Nv1 (69/100)]
**Capítulo 5 – O Caminho das Artes Marciais é Duro**
A casa de Bai Shi ficava no extremo leste de Yan Bian Zhen, perto do rio que contornava a vila.
Como o lugar alagava quando chovia, o terreno era barato, e ele construiu ali mesmo.
Segurando o mesmo machado de lenhador, ele firmou os ombros e cotovelos, imaginando algo pesado prestes a cair sobre ele.
A postura inicial da "Lâmina de Forjamento".
Com o torso ereto, seus pés se moviam rápido, levantando folhas secas.
Por um momento, o quintal ficou cheio de reflexos da lâmina e movimentos ágeis.
Mas quanto mais ele treinava, mais estranho se sentia.
Garganta seca, peito pesado, pulmões queimando… como se tivesse corrido até o limite.
A visão escurecendo, igual quando a "Velha Árvore Demoníaca" o perseguiu.
— Isso é… falta de energia vital?
Ele parou, a vista ainda turva.
[Habilidades: Lâmina de Forjamento Nv2 (7/200), Velocidade Nv1 (73/100)]
O progresso continuava, mas bem mais lento que antes.
Estranho. Ele tinha comido tudo que podia antes de treinar. Como ainda estava fraco?
Até o treino estava prejudicado.
— Yan Lao San é um canalha. Pode aparecer a qualquer hora. Lidar com ele não é difícil, mas…
Enquanto caminhava para a cozinha, Bai Shi planejava seus próximos passos.
Nesse mundo, artes marciais eram consideradas "coisa de pobre".
Mas era o máximo que um comum podia alcançar.
Com os anos, mesmo não sendo páreo para monstros, ainda tinham seus méritos.
Diziam que o velho mestre do Ginásio Tian Yuan já escapou de um monstro uma vez.
Claro, não se sabia quão forte era o monstro.
Mas nesses tempos, monstros fracos já tinham morrido, como pobres sem dinheiro.
Se ele escapou, o velho mestre devia ser bom.
Diziam que ele tinha ligações com o Templo dos Imortais…
Bai Shi precisava resolver o problema com Yan Lao San.
Mas não agora. Ele não queria provocar o vespeiro do ginásio ainda.
Se fosse pra agir, teria que ser de vez.
Na cozinha, Bai Shi enfiou meio corpo no tonel de arroz.
A cabeça baixa, a energia vital desequilibrada, ele quase dormiu ali mesmo.
Até ouvir um *"crac crac"*.
Quando finalmente conseguiu se arrastar para fora, o pequeno pote de pedra branca quebrado de Bai Shi estava cheio de painço.
Mas ainda havia mais farelo do que grãos. Em outra vida, isso seria dado para galinhas e patos.
Para humanos, não só era pouco nutritivo como também difícil de engolir.
Mas não tinha jeito, pobreza é pobreza!
— Ai, não… isso vai acabar mal… — Conseguindo cortar apenas uns poucos gravetos com dificuldade e mal acendendo o fogo, a tontura finalmente chegou ao limite.
Bai Shi desabou "paf" no chão, desmaiado ao lado do fogão.
Por sorte, com o último pingo de força, conseguiu jogar os gravetos na fogueira, senão só Deus sabe o que teria acontecido.
[...]
Por um bom tempo, duas sombras se estenderam sobre Bai Shi sob a luz do sol poente.
Em seguida, um casco de burro preto tocou o rosto de Bai Shi. Vendo que ele não reagia, deu-lhe duas leves pancadinhas.
Deixando duas marcas de casco pretas no seu rosto.
— A Zhu, isso não se faz! — Yue Ti Xia falou baixinho, impedindo o comportamento irresponsável de A Zhu.
[‘Esse é o garoto resistente que você tanto falou? Desmaiou de exaustão!’]
O burro preto ergueu uma plaquinha de madeira, bufando com a barriga branca para cima, narinas expelindo vapor.
A cara dele quase gritava: “Você está brincando?”
— Hmm… bem… pelo jeito, ele estava treinando artes marciais, deve ter cansado…
Yue Ti Xia especulou, hesitando em erguer Bai Shi para colocá-lo na cama.
O burro preto não tinha paciência para isso. Com uma agilidade impressionante para um casco, pegou Bai Shi pelo colarinho.
Puxou com força e *ploft* — Bai Shi caiu de cara no leito.
Pelo menos, como Bai Shi estava no estágio de “temperamento da pele” nas artes marciais, sua pele grossa aguentou o tranco. Se não, teria ficado todo machucado.
[‘Base física boa, mas desnutrido. O garoto é tão pobre… Quer que eu faça respiração boca a casco nele?’]
O burro preto ficou andando pela casa, mãos atrás das costas.
Especialmente depois de espiar o tonel de arroz, onde só restava farelo, bufou com desdém.
Não dava para entender a lógica do garoto — tão pobre que mal podia comer carne, e ainda se metia a treinar artes marciais.
Quase se matando no processo.
— Isso… acho que não precisa, não é? Vou preparar algo para ele comer. — E Yue Ti Xia saiu correndo da casa.
Usando o talento único da tribo Yue Ti, ela plantou bambu no local, depois trigo, descascou os grãos e tudo ficou pronto em poucos minutos.
O burro preto ao lado só suspirou. Afinal, eles estavam ali só para evitar que o garoto causasse problemas.
[‘Você está parecendo uma esposa cuidadosa. Quer arranjar um genro?’]
[‘E ainda um genro pobre!’] A plaquinha apareceu na frente de Yue Ti Xia.
— Seu A Zhu maldito, seu burro nojento, nunca mais falo com você! — O rosto de Yue Ti Xia ficou vermelho, sentindo que a descrição era… estranhamente precisa.
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