Todos presentes permaneciam em silêncio, sem ousar interferir.
Neste mundo, o título de [Santo Espadachim] era uma benção sagrada, e apenas uma pessoa podia possuí-la por vez.
Quando o antigo Santo Espadachim partiu para enfrentar a Baleia Branca, Reinardo despertou subitamente a mesma benção. Naturalmente, o predecessor perdeu seus poderes, sua força despencou, e ele acabou morto pela criatura.
Se fosse qualquer outra pessoa, Guilherme talvez tivesse lutado até a morte para eliminar o novo portador da bênção. Mas o escolhido era seu próprio neto, um jovem de cabelos vermelhos tão vibrantes quanto os de sua falecida esposa.
Sempre que olhava para Reinardo, ele se lembrava dela. Mas também não conseguia esquecer que, por culpa do neto, ela havia morrido.
Mesmo sabendo que Reinardo não tinha controle sobre o despertar da benção, o coração de Guilherme ainda guardava rancor.
Por isso, a relação entre os dois era tensa.
E Reinardo, claro, sabia que sua avó havia morrido por sua causa. Por isso, sempre abaixava a cabeça diante do avô.
Mas ele tinha suas próprias convicções:
— Avô, alguém que carrega a hostilidade do mundo pode causar destruição em escala catastrófica. Se não resolvermos isso, as consequências serão piores do que a Baleia Branca.
A hostilidade do mundo — era a primeira vez que Reinardo via algo assim.
Só ele entendia o quão perigosa era uma pessoa marcada pela ira do mundo.
Alguém assim, se quisesse, poderia destruir tudo.
E ele não permitiria que isso acontecesse.
Guilherme conhecia bem o caráter do neto. Seu rosto se escureceu ao perceber a gravidade da situação.
Se Reinardo estivesse realmente decidido a agir, ninguém ali seria capaz de detê-lo.
Ele já havia derrotado o antigo Santo Espadachim — sua própria esposa. Mas, contra Reinardo, não tinha nenhuma confiança na vitória.
Por mais que relutasse em admitir, Reinardo era o mais forte Santo Espadachim de todos os tempos.
Se lutasse com tudo, as consequências seriam terríveis.
Vendo o clima tenso entre avô e neto, Rômulo finalmente interveio:
— Senhor Reinardo, você diz que há hostilidade do mundo em mim... Mas conhece a razão disso? Eu mesmo não entendo. Desde que cheguei a este mundo, só fiz uma coisa: eliminei três arcebispos do Culto das Bruxas.
Ele quase não havia participado da caçada à Baleia Branca.
Mas, no fundo, ele suspeitava do motivo.
Talvez por causa da presença de Guilherme, Reinardo já não olhava para ele com tanta desconfiança. Em vez disso, parecia intrigado:
— Chegar a este mundo?
— Ah, esqueci de me apresentar. Meu nome é Rômulo. Não sou deste mundo — vim de outro lugar, convidado para... — Ele explicou brevemente sua situação.
Nessa hora, Junto mostrou que tinha espírito de companheirismo e deu um passo à frente:
— Não pode ser só por vir de outro mundo, né? Eu também vim de outro lugar, e ninguém me hostiliza!
Reinardo franziu ainda mais a testa:
— Todos vocês são de outros mundos? Mas não é só isso. Como eu disse, a hostilidade do mundo só surge quando há poder suficiente para ameaçá-lo.
Foi então que até Junto entendeu.
Reshiram!
Mesmo aparecendo por apenas um instante, e sem sequer ser sua forma verdadeira, o dragão havia despertado a oposição do mundo.
Se ele quisesse, poderia destruí-lo.
Rômulo suspirou.
— Acho que entendi o que aconteceu. Mas pode ficar tranquilo — não vou ameaçar este mundo. Se quisesse fazer algo, não teria ajudado na caçada à Baleia Branca. Além disso, eu não consigo usar aquele poder quando bem entender.
Mesmo depois daquela vez, ele não tinha certeza se conseguiria chamar Reshiram de novo.
Reinardo não afirmou se acreditava ou não. No fim, a questão não estava na opinião dele, mas na vontade do mundo.
Depois de um longo silêncio, ele finalmente falou:
— Senhor Rômulo... a hostilidade do mundo em você está desaparecendo. Não só isso — talvez você deva considerar fundar uma religião. Seu poder foi reconhecido pelo mundo.
— Ué, religião? — Rômulo sabia que, se Reinardo não havia atacado de imediato, havia espaço para negociação. Mas nunca esperaria uma guinada tão abrupta no assunto.
Primeiro, falando sobre o mundo odiá-lo.
Depois, dizendo que o ódio estava sumindo... e ainda sugerindo que ele fundasse uma seita?
Reinardo era praticamente o "filho favorito" do mundo. Suas palavras praticamente ecoavam a vontade dele.
O mundo estava convidando Rômulo a fundar uma religião.
E, para isso, era preciso ter um deus — seja ele real ou inventado.
Sem dúvida, o deus que Reinardo queria que ele cultuasse era Reshiram.
Quem fala, não mede o impacto de suas palavras.
Mas quem ouve, fica matutando.
Tanto Crush como Anasta — ambas candidatas ao trono — tiveram seus pensamentos acelerados naquele momento.
Como líderes de grandes facções, elas conheciam bem o peso das palavras de Reinardo.
Se ele sugeriu a fundação de uma religião, era porque isso traria benefícios.
Claro, o assunto precisava ser tratado com cuidado — começando pela aprovação do próprio Rômulo, o mensageiro divino envolvido.
Reinardo, inocente quanto ao impacto de sua fala, apenas completou:
— A decisão é sua. Não é uma obrigação.
Rômulo assentiu.
O mundo tinha uma política de "se não pode vencer, junte-se"?
Reshiram, um deus reconhecido oficialmente em outro mundo... A ideia era até engraçada.
Mas não era algo para ser decidido de qualquer jeito. Por isso, ele respondeu:
— Preciso consultar a pessoa em questão. Se ela concordar, não vejo problema. Mas, sozinho, não consigo fundar uma religião. Vou precisar de ajuda...
Criar uma seita não era tão simples. Exigia recursos e influência.
E, naquele mundo, ele não tinha nenhum dos dois.
Foi então que Crush e Anasta avançaram, prontas para se oferecer.
— Senhor Rowan, se você quiser fundar uma seita religiosa, eu posso ajudar. Minha família ainda tem alguma influência no reino — disse Kuirxiu diretamente.
E "alguma influência" era um eufemismo.
Kuirxiu, cujo nome completo era Kuirxiu Karlsten, pertencia à família Karlsten, uma das casas ducais mais poderosas do reino, com influência decisiva nos rumos da nação.
Não querendo ficar para trás, Anastácia também se adiantou:
— Eu também posso ajudar. Quando se trata de recursos financeiros, duvido que alguém me supere.
Anastácia era a presidente da "Guilda Hexin", detentora de uma fortuna colossal.
As ofertas das duas deixaram Rowan um tanto consternado.
— Nem sei se será possível fundar algo assim, não precisam se precipitar. Na verdade, essa divindade não exige adoração, ou melhor, ela simplesmente não se importa com isso.
As divindades do mundo Pokémon não tinham qualquer interesse na fé humana.
Claro, ele poderia simplesmente concordar, já que Reshiram certamente também não se importaria. Mas como o dragão branco estava ali perto, valia a pena consultá-lo. Rowan também queria ver se conseguiria alguma resposta de Reshiram através desse assunto.
Kuirxiu, porém, não desistiu:
— Se for fundar uma seita, por favor, considere-me, Senhor Rowan — insistiu ela, determinada.
Ela sempre considerara a filosofia do reino equivocada, por depender excessivamente da proteção do Dragão.
Se o Dragão continuasse a protegê-los, tudo bem. O problema era se um dia ele decidisse partir. Com a dependência extrema do reino, o colapso seria inevitável.
Por isso, ela defendia a ruptura com o Dragão, para construir um reino autossuficiente.
Claro, como líder de uma família ducal, ela não era tola. Sabia muito bem as consequências de romper com o Dragão.
Por isso, precisava de uma divindade substituta — uma que oferecesse proteção, mas sem interferir demais.
E depois das palavras de Rowan, ela achou a ideia perfeita.
Uma divindade que não exigisse fé nem se importasse com os fiéis? Era exatamente o que ela queria!
Já Anastácia tinha motivos mais simples. Sua participação na seleção real inicialmente visava apenas expandir sua fortuna e conquistar seu próprio país.
Uma igreja dedicada a uma divindade real certamente aumentaria suas chances.
Tanto Kuirxiu quanto Anastácia tinham suas próprias agendas, com claros interesses por trás.
Mas Reshiram se importaria?
As divindades não se importam!
Pensando um pouco, Subaru também se adiantou:
— Rowan, se for possível, eu também posso ajudar.
Afinal, ele já estava ajudando Emilia na seleção real. Se outras duas candidatas estavam se oferecendo, ele não podia ficar de fora.
Rowan só pôde concordar:
— Se for possível fundar, vou considerar vocês.
Kuirxiu e Anastácia tinham, respectivamente, amplos recursos humanos e financeiros. Se fosse fundar uma seita, elas seriam as parceiras ideais.
Quanto a Subaru, embora não tivesse muitos recursos, em outra linha do tempo ele já havia sido tanto um Arcebispo do Pecado da Arrogância quanto o Rei da Purgação, comandando inúmeros poderosos. Com um pouco mais de experiência, ele seria perfeito para a seita.
Se realmente fosse fundar algo, os três seriam ótimas opções.
Mas, como sempre, tudo dependia de Reshiram aceitar.
— Vou tentar perguntar antes. Mas vocês não estão colaborando? Talvez possam fundar a seita juntos.
Os três ficaram em silêncio por um momento.
Fundar uma seita juntos?
Era uma possibilidade, sim.
Especialmente para Kuirxiu, que só precisava de uma seita estabelecida.
Rowan não disse mais nada. Com a hostilidade de Reinhard dissipada, não havia mais problemas nesse mundo.
Agora era hora de descobrir o que estava acontecendo com Reshiram e ver se conseguia alguma resposta.
[Capítulo 99: A Origem da Igreja da Verdade]
Reinhard, percebendo que a hostilidade do mundo contra Rowan havia desaparecido, logo se retirou.
Com Wilhelm ali, ele não se sentia à vontade.
Kazuma se aproximou de Rowan:
— Você realmente vai fundar uma seita?
Aqua puxou a manga de Kazuma, balançando:
— Ei, ei, Kazuma, eu também quero fundar uma seita! Sou a Deusa da Água, sabe? No nosso mundo tem a Igreja de Aqua. Posso fundar uma aqui?
Ela era sensível ao assunto de seitas. Apesar de os fiéis não lhe serem úteis, se os outros tinham, ela também queria.
— Fica quieta! Se você fundar uma seita, tenho medo que o QI dos fiéis caia mil pontos — Kazuma cutucou a cabeça de Aqua sem cerimônia.
A falta de inteligência de Aqua era notória. Ele temia mesmo que uma seita dela arrasasse com a capacidade mental dos seguidores.
Mas vendo a expressão dela, Kazuma cedeu um pouco:
— Se existir essa tal Igreja de Aqua, eu te lego para dar uma olhada. Se for normal, a gente vê.
Rowan fez uma cara estranha.
Kazuma ainda não conhecia a Igreja de Aqua. Os seguidores de Aqua, os membros da igreja, eram todos malucos, capazes de enlouquecer até os generais do Exército do Rei Demônio.
Se ele já tivesse visto, jamais apoiaria a ideia.
Depois de conter Aqua, Kazuma olhou para Rowan novamente.
— Os outros não sabem, mas você sabe. Reshiram pode nem responder. Só posso tentar — disse Rowan.
— É, os lendários do mundo Pokémon são mesmo excêntricos. Pergunte a ele então, não vou atrapalhar — disse Kazuma, levando Aqua para longe.
Rowan pegou a Pedra da Luz e disse:
— Reshiram, se você mostrou seu poder, significa que acordou? Se puder me ouvir, brilhe uma vez.
E então ficou esperando em silêncio.
http://portnovel.com/book/31/5030
Pronto:
Como usar: