Em meio ao pátio, Xiao Ling permanecia de pé, seu olhar perdido no céu estrelado, refletindo sonhos e determinação para o futuro.
Com um gesto suave da mão, como se estivesse regendo as próprias estrelas, ele murmurou em voz baixa, mas firme:
— Neste vasto caminho de cultivo, eu, Xiao Ling, talvez seja apenas uma estrela ainda sem brilho.
Ele fez uma pausa, erguendo o rosto para o firmamento.
— Mas mesmo uma luz fraca pode sonhar em iluminar a noite. Que as estrelas me guiem e que o céu e a terra sejam minhas testemunhas.
Seus olhos se estreitaram ao mencionar seu objetivo.
— O Pico do Dou Huang... — Ele deixou escapar um suspiro, misto de desejo e teimosia. — É minha meta, mas não meu destino final. O verdadeiro ápice é o universo infinito dentro de mim. Lá reside o lar da minha alma.
Fechando os olhos, seu corpo parecia fundir-se com a escuridão. Ainda não havia alcançado o Dou Zong, mas sua aura já pressagiava um futuro glorioso.
Naquela noite, sua silhueta esguia destacava-se, ereta e resoluta. Cada linha de seu corpo irradiava convicção. Ele sabia que o caminho era longo, mas estava pronto para enfrentar qualquer desafio e proteger aqueles que mais amava.
......
No pátio do Portão da Liberdade Suprema, a lua banhava tudo em prata. Várias jovens estavam reunidas em torno de uma mesa de pedra, suas vozes suaves ecoando na quietude.
Quando o assunto recaiu sobre Xiao Ling, Xiao Xun'er não conseguiu conter a inquietação:
— Por que ele ainda não saiu? Estou ficando preocupada.
Qing Lin sorriu, tentando acalmá-la:
— Xun'er, não se preocupe. O jovem mestre deve estar indo bem em seu treinamento.
Han Yue concordou, embora fosse ela quem mais sentia sua falta:
— Ele é o maior gênio da Academia Jia Nan. Seu progresso sempre foi rápido. Duvido que demore muito.
Xiao Yi Xian acrescentou, confiante:
— E toda vez que ele se dedica, avança ainda mais. Não será diferente desta vez.
Xiao Xun'er suspirou, resignada:
— Tomara que ele apareça logo.
Foi então que o anel de Qing Lin brilhou, e a figura etérea de Yao Chen emergiu.
— Senti uma aura de Dou Huang no pico vindo do quarto dele — anunciou o velho, acariciando a barba. — E não era a daquela garota, Zi Yan. Parece que Xiao Ling alcançou o ápice.
As jovens se entreolharam, surpresas e animadas.
— Vamos ver! — Han Yue exclamou, já se levantando.
As outras seguiram-na, ansiosas. Xiao Xun'er, ainda apreensiva, correu atrás.
......
Ao chegarem, encontraram Xiao Ling no centro do pátio, sua aura agora calma e contida — a marca de quem havia transcendido.
— Obrigado por se preocuparem — ele disse, sorrindo.
Xiao Xun'er correu até ele, examinando-o com cuidado:
— Finalmente! Estava tão ansiosa.
Xiao Ling acenou para o grupo:
— Desta vez, o treino valeu a pena. E tudo graças ao apoio de vocês.
Han Yue deu um passo à frente, os olhos cintilando:
— Você nos deixou esperando tanto...
Seu tom era uma mistura de queixa e provocação.
Xiao Yi Xian sorriu, serena:
— Seu talento e esforço sempre dão frutos.
Qing Lin, curiosa, perguntou:
— E agora, quais são os planos?
Xiao Ling refletiu por um momento.
— Preparar-me para o Dou Zong. Mas depois de tanto treino, mereço um descanso. Quero aproveitar um tempo tranquilo com vocês, longe dos rigores do cultivo.
Xiao Xun'er concordou, aliviada:
— É verdade. Você precisa relaxar um pouco.
A conversa fluía descontraída até que Xiao Xun'er, de repente, ficou séria.
— Xiao Ling... Precisamos conversar. A sós.
Ele percebeu a gravidade em sua voz e assentiu.
— Claro. Vamos para dentro.
Os dois se afastaram, deixando Han Yue, Xiao Yi Xian e Qing Lin para trás. As três trocaram olhares compreensivos antes de se dispersarem em silêncio.
......
Dentro do quarto, sob a luz prateada da lua, Xiao Xun'er sentou-se à janela, seu rosto marcado por uma sombra de preocupação.
Xiao Ling ficou ao lado dela, com um olhar cheio de preocupação.
— Xun'er, o que está te deixando tão preocupada? — perguntou ele suavemente, a voz carregada de carinho.
Nos olhos de Xiao Xun'er não havia muita ansiedade. Afinal, ela era a jovem mestra do Clã Gu, uma figura de status elevado, acostumada desde criança a ser tratada com respeito. Sua inquietação vinha apenas da iminente separação de Xiao Ling, um misto de saudade e desconforto.
— Xiao Ling, o Clã Gu está me chamando de volta para a Cerimônia de Maioridade. É um ritual importante que todos os membros do clã precisam passar — disse ela, calma, mas com um brilho de tristeza no olhar.
— Além disso, os anciãos do clã estão muito interessados na Jade do Imperador Tuoshe e querem que eu leve de volta o fragmento que está na família Xiao... — continuou, com um tom resignado.
Xiao Ling ouviu e apertou suavemente a mão dela, os olhos cheios de compreensão.
— Xun'er, a Cerimônia de Maioridade é algo significativo para você. Sei que vai lidar com tudo perfeitamente.
— Quanto à tarefa da Jade do Imperador, se os anciãos do seu clã estão tão curiosos, leve-a de volta. Assim, posso receber minha recompensa mais cedo.
Xun'er ergueu os olhos para ele, com um lampejo de gratidão.
— Xiao Ling, você sempre me entende tão bem. Sou sortuda por tê-lo ao meu lado.
Ele sorriu e deu um tapinha no ombro dela.
— Não precisa ser tão formal comigo. Você é como parte da minha vida. Estou orgulhoso de você por participar dessa cerimônia.
— Lembro quando você era só uma garotinha de três anos... e agora, virou uma jovem tão graciosa.
Xun'er corou levemente e deu uma olhada fingindo irritação.
— Hmph! E eu me lembro de um certinho que invadia o quarto das meninas no meio da noite... que vergonha!
Xiao Ling riu, fazendo cara de inocente.
— Xun'er, isso é injusto! Você estava passando mal naquela época, não foi nada de mais...
Ela não conseguiu segurar o riso, sabendo que ele estava brincando, mas o coração aquecido de doçura.
— Você era uma criança na época, mas agora virou um grandessíssimo safado — disse ela, empurrando-o de leve, o rosto corado.
Xiao Ling segurou sua mão com cuidado, o olhar cheio de ternura.
— Xun'er, para mim, você sempre será aquela garotinha. Não importa o quanto cresça, eu sempre vou protegê-la.
...
A noite avançava, e os dois decidiram dar um passeio, aproveitando os últimos momentos de tranquilidade.
De mãos dadas, caminharam pelos jardins do Portão da Liberdade Suprema, banhados pela luz prateada da lua.
Nenhum dos dois falou. Apenas andaram em silêncio, sentindo a presença um do outro.
O coração de ambos estava cheio de afeição, e essa doçura fez com que esquecessem a separação que se aproximava.
Passaram por cada canto, deixando suas pegadas por toda parte.
Por fim, Xiao Ling a levou a um claro onde havia uma grande árvore e uma mesa de pedra sob ela.
Puxando-a suavemente, ele a fez sentar em seu colo. Ficaram frente a frente, os olhos cheios de amor.
Xiao Ling acariciou o rosto dela com cuidado, a expressão suave.
— Xun'er, esses dias com você foram os mais felizes da minha vida — disse ele, a voz baixa e calorosa.
Ela apertou sua mão, o olhar igualmente terno.
— Eu também, Xiao Ling. Você é a pessoa mais importante para mim.
Ficaram se olhando, imersos no sentimento que os unia.
Naquele momento, pareciam ter o mundo inteiro em suas mãos, longe de preocupações.
Xiao Ling se inclinou devagar, até que seus lábios tocaram os dela. Fecharam os olhos, perdidos na doçura do instante.
O coração acelerado, sentiam a respiração um do outro, como se o tempo tivesse parado.
Quando se separaram, sorriram, os olhos brilhando de felicidade.
— Xun'er, não importa onde você esteja, não importa quão nobre seja sua posição... eu sei que, em breve, nunca mais vamos nos separar — sussurrou ele.
Ela concordou com a cabeça, determinada.
— Xiao Ling, acredito que você vai se tornar um guerreiro lendário. Nem mesmo os ancestrais da família Xiao serão páreo para você.
Abraçaram-se com força, sabendo que aquela despedida era passageira. Seus corações permaneceriam unidos, e o futuro guardava infinitas possibilidades.
Capítulo 158 – A Partida de Xun'er
Em um vale que mais parecia um paraíso, o chão era coberto por um tapete verde de grama que se estendia até onde a vista alcançava. Não muito longe, um desfiladeiro largo mergulhava nas profundezas, envolto em uma névoa suave.
Xiao Ling e Xiao Xun'er estavam lado a lado, o vento brincando com seus cabelos.
Desde que atingiu o pico do nível Dou Huang, Xiao Ling passou cada momento ao lado de Xun'er, e o vínculo entre os dois se fortaleceu ainda mais.
— Xiao Ling, o clã enviou alguém para me buscar. O dia da minha partida para a Cerimônia de Maioridade está chegando — disse ela, os lábios se mexendo suavemente, os belos olhos revelando uma ponta de tristeza.
Ele sorriu e segurou sua mão.
— Xun'er, eu sabia que esse dia chegaria. Mesmo com o coração pesado, estou feliz por você. Tenho certeza de que vai brilhar na cerimônia.
— Eu já estava preparado para isso.
— Mesmo separados, nossos corações nunca estarão distantes. Vá em frente, e eu vou pensar em você todos os dias.
Xun'er sorriu, os olhos ganhando um brilho travesso.
— Xiao Ling, então me diga... depois que eu for embora, vai sentir minha falta? Vai pensar em mim dia e noite?
Ele a olhou, o coração transbordando de amor, e a puxou para um abraço, sussurrando no ouvido dela:
— Xun'er, não é só depois que você for embora. Neste exato momento, você já está gravada no meu coração. Cada minuto, cada segundo, eu penso em você.
Xun'er ficou com as faces coradas como pêssegos em flor e resmungou, fingindo irritação:
— Xiao Ling, você só sabe dizer essas coisas doces para me fazer feliz.
Ele a olhou com ternura, a voz carregada de emoção:
— Xun'er, cada palavra é verdadeira. Neste mundo, nada se compara a um só sorriso seu.
Ela emitiu um suave suspiro, encostando a cabeça no peito dele, e sussurrou:
— Eu acredito em você, Xiao Ling. Mesmo longe, no meu clã, meu coração estará sempre com você.
A brisa passou levemente, envolvendo os dois em um abraço que parecia feito para aquele cenário sereno.
Mas então, na quietude que os cercava, o céu começou a se agitar. Nuvens se revolviam como se algo poderoso as perturbasse.
Xiao Ling sentiu o olhar ser puxado para o fenômeno. Cerrou os olhos contra a luz, fitando o horizonte ao norte.
Lá, pequenos pontos escuros cortavam o céu, como aves de rapina em mergulho. Eles se aproximavam rápidos, determinados, deixando um rastro de vento cortante no ar.
O som do voo ecoava cada vez mais alto, anunciando sua chegada.
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