Tailandres respondeu:
— O Primarca, com certeza, ele adorava trabalhar.
— Dizem que ele precisava revisar mais de três pilhas de documentos para conseguir dormir em paz.
A senhora Keti colocou os papéis sobre a mesa e disse:
— Fazer piadas assim não é legal, chefe. Isso dá azar.
Tailandres resmungou:
— Só estou dizendo a verdade.
Ele suspirou e se jogou na cadeira.
— Deixa eu tirar um cochilo.
— Aqueles malditos do Culto Mecânico não vão conseguir invadir tão cedo, e os Ladrões de Genes também não vão.
Mas a senhora Keti insistiu:
— Porém, temos reforços a caminho. Ultimamente, recebemos bastante apoio da Guarda Imperial.
Tailandres pegou os documentos e franziu a testa.
— Como assim? De onde vieram tantas tropas?
Keti explicou:
— Graças à sua fama, chefe. Muitos comandantes querem conhecê-lo. Acho que não vai demorar para retomarmos este mundo.
Tailandres beliscou o próprio rosto e murmurou:
— Minha fama só me traz problemas… e agora tem esse tipo de efeito?
Keti reforçou:
— Chefe, você é o homem mais leal de todo o setor. O Barão Imortal Tailandres! Você não sabia?
Tailandres franziu o cenho.
— Barão Imortal?
Aquele nome pretensioso e meio nonsense não combinava nada com ele. Primeiro, ele não era imortal. Segundo, bem… tecnicamente ele era um barão mesmo.
Depois de ficar com a expressão alternando entre desânimo e irritação, ele olhou para a longa lista de seguidores leais que queriam vê-lo e teve que admitir que, aparentemente, estava preso com aquele título ridículo.
Após um momento de hesitação e silêncio, Tailandres bocejou.
— Acredito que vocês podem resolver tudo. Agora me deixem dormir.
— Trabalhar demais dá nisso. O Império devia me pagar hora extra, mas nem sabem que eu preciso é de férias. Três anos de descanso, depois aposentadoria — não seria perfeito?
Keti riu do humor duvidoso do chefe. Mesmo sendo sempre a pessoa que trabalhava nos bastidores, em muitos aspectos, ela estava ainda mais cansada que ele.
Como ela mesma dizia, bastava servir aquele homem para se sentir feliz.
Para Keti, ele era especial.
Já Tailandres, meio desligado, olhou para a bela mulher mestiça e disse:
— Boa tarde, querida.
A senhora Keti corou e resmungou:
— O chefe sempre tão descontraído… mas até que é engraçado.
Ela olhou para si mesma, imaginando se talvez o chefe preferisse mulheres como as Espadas Livres.
Enquanto isso, pegou a lista que Tailandres mal havia olhado. O nome de Eliana, uma Espada Livre, estava bem no topo…
Capítulo 89 – O Culto Mecânico das Trevas (Parte 3)
Finn Kane já foi um devoto do Culto Mecânico. Ele nasceu em Marte.
Sua mãe era uma Magos Biologis, e seu pai, um simples humano. O único motivo deles terem se unido foi porque sua mãe queria testar se poderia transferir memórias e conhecimento através da tecnologia.
No final, ela conseguiu. Uma enxurrada de lembranças que não eram dele inundou sua mente — mas nenhuma delas vinha de sua poderosa mãe. Eram todas daquele homem comum, capturado nas masmorras para o experimento.
Ele foi gerado a partir do óvulo da mãe, antes de ela abandonar seu corpo físico. Mas foi criado por máquinas, uma pessoa sem coração.
Agora, essa falta de coração tornou-se literal. Ele era um Magos, um sacerdote de Marte, um devoto vestido de vermelho, servo do Deus Máquina.
Ele matou a própria mãe para roubar seu conhecimento, traiu seu mentor e aprendeu incontáveis técnicas.
Hoje, ele governa um mundo forja inteiro… até perceber uma coisa:
O Império estava no caminho de sua busca pelo conhecimento cósmico.
Então ele traiu. Assim como traiu sua mãe e aquele pai humano que lhe dera memórias distorcidas.
Seu corpo se expandiu, se retorceu, transformando-se em algo mais próximo de uma centopeia ou escorpião mecânico do que de um ser humano. Seus olhos brilhavam com luzes binárias.
Ele já conheceu os maiores nomes do Culto Mecânico, como Cawl. Foi esse sábio quem lhe mostrou que o conhecimento não deveria estar preso em rituais e preces sem fim.
Ele agradecia aquele homem inteligente. Agora, ele queria tomar o lugar do Fabricador Geral.
Olhando para a esfera de comunicação prateada, viu uma figura familiar a Tailandres surgir na luz.
Era uma coisa decadente, um dos Filhos da Peste — antiga Legião de Astartes, agora caída.
Drazan, o mesmo que havia confrontado Tailandres no mundo florestal, falou com a voz rouca:
— A 13ª Cruzada Negra. A décima terceira! O Senhor da Guerra está pronto, e você será nossa principal linha de suprimentos.
— A vitória está nos detalhes. Vamos esmagar o Império, arrasar Cadia e incendiar as estrelas… como Horus fez um dia.
Seu tom estava cheio de empolgação, recordando quando pisou em Terra e viu Horus quase matar o Imperador.
O veterano continuou, sondando:
— Ouvi dizer que seu mundo recebeu visitas indesejadas?
Ele estava neste sistema estelar e sabia muito bem o que estava acontecendo. Mas preferiu perguntar indiretamente.
As telas do Magos das Trevas Finn se iluminaram, e sua voz robótica respondeu:
— Uma pequena ameaça dos Ladrões de Genes, mas insignificante.
— Decifrei o genoma deles. Basta despejar veneno nos esgotos, e o máximo que sobrará será um amontoado de carne podre.
— Os Tiranossauros são apenas bestas. Nunca aprenderão uma verdade: a carne é fraca, a máquina é eterna.
Esse era o conhecimento que Finn roubou da própria mãe. Seu maior orgulho. Ele quebrou as regras apodrecidas do Império e agora era um criador da nova era.
O Imperador estava morto. Omnissiah não existia. Ele era a voz do Deus Máquina.
Drazan riu feliz com a notícia, elogiando como o veneno do Magos havia matado tantos tolos leais.
Mas a próxima frase do Magos congelou seu sorriso.
— Tailandres também está aqui. O homem de Skadi.
Drazan ficou em silêncio, então perguntou rapidamente:
— Como estão suas forças?
Ele parecia estar temendo algo.
O Sábio respondeu:
— O prejuízo foi pequeno. Ainda não enfrentei esses mortais cara a cara — um bando de insignificantes com títulos vazios. Sei que você já lutou contra eles. Claramente, não são nada, ou você não estaria aqui de pé.
Dragon sorriu com ironia:
— Ah, claro, claro…
— Vou te apoiar. Não podemos falhar nisso. Precisamos de um posto avançado para atacar Cadia e quebrar o poder que contém o Olho do Terror.
— Pelo Caos…
Ele deu ordens ao Sábio: conquistar aquele mundo a qualquer custo. Em seguida, a comunicação foi cortada.
Fing então soltou uma risada.
— Hahaha!
— Olha só pra ele!
— Um verdadeiro cão sem dono!
— Astartes? Servos do Caos? Não passam de cachorros do Abaddon!
Seu corpo maciço se ergueu, e sua mente se conectou à legião através da fortaleza sombria, despertando suas hordas.
No perímetro do porto estelar, uma legião de dez mil homens avançava — tropas do Mechanicum, escravos da Máquina, veículos pesados e aberrações distorcidas, todos perfeitamente coordenados, como peças de um mecanismo mortal. Eles marchariam sobre o porto, esmagando os soldados de Krieg e o tal "herói" Taylor.
A arrogância de um Sábio do Mechanicum era assim. Mas ele havia esquecido uma coisa.
Dias antes, já haviam relatado a presença de tropas do Mechanicum na área. No momento em que suas forças se moveram, pesados projéteis explosivos caíram ao seu lado.
Membros da guarda cultista foram arremessados como lixo, metal e fragmentos espalhados por toda parte. Então, do terreno elevado ao redor, as tropas do Império — há muito escondidas — lançaram seu ataque.
Os disparos sincronizados dos tanques Leman Russ e das baterias Hydra colhiam vidas com eficiência brutal.
O Sábio, agora em pânico, não entendia o que estava acontecendo. Suas tropas estavam sendo massacradas. Ele rugiu em binário, uma sucessão furiosa de 1s e 0s.
Era provavelmente um insulto. Dos bem sujos.
Mas ele teve que aceitar a derrota. No momento em que o Exército Imperial agiu, ele já estava perdido.
Como Taylor diria:
"Em pesquisa, você me supera. Mas em guerra? Melhor ficar no seu laboratório."
Ele foi esmagado. Mais da metade de suas tropas foram destruídas, enquanto os soldados de Krieg avançavam em direção à sua fortaleza, erguendo posições e trilhos de trem metodicamente.
O Caos não o perdoaria. Dragon arrancaria cada um de seus membros mecânicos.
Mas nem precisaria. Só o Exército Imperial já seria suficiente para arruiná-lo.
Os sistemas de controle do Sábio piscavam em vermelho, processando freneticamente. Ele finalmente entendeu por que Dragon insistira em esperar antes de atacar.
Se Dragon soubesse do que ele havia feito, certamente pisaria na cabeça daquele verme mecânico e o humilharia.
O Sábio baixou a cabeça em desespero até que uma voz ecoou em sua mente:
— Então? Este é o seu destino.
— O destino que lhe foi dado.
O Sábio ergueu a cabeça, alerta:
— Quem é você?!
Sua visão embaçou. Das sombras da fortaleza, uma figura monstruosa emergiu — um Patriarca dos Ladrões de Genes, seu corpo inchado, sua cabeça grotesca. Ele não movia a boca, mas suas palavras ecoavam na mente do Sábio como facadas.
— Meu servo… Você serviu bem. Enfraqueceu o Mechanicum, dividiu-os, permitindo que eu e meus filhos dominássemos este lugar.
— Você conquistou tanto por mim… Como devo recompensá-lo?
O Sábio tremia de horror.
— Não… você é… o Patriarca! O senhor dos Ladrões de Genes!
Ele olhou para baixo e vê seus próprios braços mecânicos. Quatro braços.
Ah…
Ele nunca fora um Sábio. Apenas um humilde Tecnopadre. Os Ladrões de Genes o haviam manipulado, alterado suas memórias. Ele fora apenas uma marionete.
Soltou uma risada amarga. Ele fora enganado.
Todos foram enganados.
Na verdade, ele sempre fora um escravo. Um servo do Devorador de Mundos. Um fracassado que jamais mudaria seu destino.
Ele gritou em fúria:
— Dragon virá! E Taylor ainda está lá! Seu maldito, você vai morrer! VAI MORRER!
Mas então, uma garra afiada trespassou seu peito. O corpo imenso do Sábio estremeceu por instantes… e então parou.
Um Ladrão de Genes invadiu sua estrutura mecânica, sussurrando em binário antes de traduzir em Gótico:
— Eu sou o Sábio Mechanicum. Fing. Senhor da Forja.
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