Os gigantes avançavam levemente sobre o solo macio, sem emitir nenhum ruído mesmo ao tocar o metal, suas articulações perfeitamente controladas garantindo sua habilidade de infiltração.
Claro, sua visão aguçada na escuridão e autocontrole impecável também ajudavam. A maneira como se moviam era uma arte refinada, quase felina, compensando o tamanho com movimentos que deixariam qualquer mortal boquiaberto.
As armas pesadas haviam sido substituídas por pistolas de bolter compactas e punhais de combate—letais, mas "adoravelmente pequenos".
Bem, "pequeno" era relativo. O punhal de combate deles ainda era tão grande quanto a espada de uma mão de Taylor.
Naquele momento, um Astartes silenciosamente cortava o pescoço de um soldado na trincheira. Para ele, era algo simples. O sol já havia se posto, e Armageddon estava envolto em um silêncio mortal.
Taylor vestia um sobretudo preto revestido de chumbo e uma máscara de gás especializada, parecendo a própria Morte dos antigos contos de Terra.
E, na prática, era exatamente isso que ele fazia: entregar o fim definitivo aos traidores imundos.
Ele seguia um pelotão de Astartes—lobos selvagens e um sargento-irmão, a elite da elite. Seus passos eram rápidos, um grupo de quatro guerreiros. Os outros dois, Astartes da Legião Ultramarine, Taylor não conhecia.
Mas só de estar lutando ao lado de semideuses já era uma honra imensa.
Dessa vez, Taylor trouxera apenas a especialista em infiltração, a garota ratling, e mais ninguém. Os outros membros do 15º pelotão ficaram decepcionados.
Mas não se enganem—Taylor estava ali apenas porque sabia que o lugar mais seguro era ao lado dos Astartes.
Comparado a isso, até mesmo o interior do acampamento poderia ser invadido num ataque surpresa. Mas os Astartes? Eles eram quase invencíveis.
A sensação de segurança era indescritível. E agora, com quatro gigantes encouraçados protegendo-o, nem mesmo um governante planetário teria um luxo desses.
Enquanto pensava nisso, ele pisou sem querer na cabeça de um cultista. No instante seguinte, seu coturno afundou com força, e sua perna musculosa deixou o mutante meio deformado—que murmurava delírios sobre rações—inconsciente com um só golpe.
A faca surgiu em sua mão, e a lâmina de cerâmica cortou o pescoço do cultista como se fosse manteiga, enviando-o de presente ao seu "deus das rações".
O lobo selvagem fez um sinal de apreciação pela precisão de Taylor. Desde que saíram de Morsangre, ele vinha sendo o maior fã do humano.
Não dava para saber se era sincero, mas era claro que ele realmente gostava daquele mortal.
E Taylor admirava sua falta de convenções, sua liberdade. Ou talvez, no fundo, ele também tivesse uma alma de Fenrisiano?
Mas ao lembrar do inverno perpétuo e da morte constante daquele mundo, ele rapidamente descartou a ideia. Preferia Valhalla mil vezes a Fenris!
Com a mente divagando, chegaram ao coração do território dos cultistas, onde coisas blasfemas—pelo menos para um cidadão do Império—estavam por toda parte.
Como os "bonequinhos" dos Quatro Caóticos esculpidos à mão, alguns com alguma semelhança, outros completamente abstratos. Havia até um usando a imagem do Imperador esculpido como Khorne—se não fosse pela marca na base, Taylor pensaria que era um infiltrado imperial.
Era óbvio que muitos daqueles cultistas nem sabiam pelo que lutavam. A maioria eram mutantes, vivendo nos esgotos das cidades-colmeia. Para eles, o Imperador significava apenas opressão, escravidão e morte.
No Império humano, extremamente racista, mutantes como eles—criaturas deformadas por toxinas—valiam menos que nada. E mesmo os humanos normais tinham valor mínimo.
Sob um governador tolerante, poderiam trabalhar até morrer. Sob um tirano, passariam a vida fugindo.
Não era surpresa que o culto aos Quatro Deuses florescesse entre eles.
Taylor avançou com cuidado pela área cheia de símbolos caóticos e estatuetas, até avistarem, à distância, um veículo de combate estacionado num outeiro.
Aquela coisa era como um prego fincado em madeira podre, segurando uma linha de frente que, sem ela, desabaria com o primeiro ataque.
Em outras palavras, bastava arrancar aquele prego, e tudo desmoronaria.
Ele repetia isso mentalmente. Estavam tão perto do sucesso!
A missão era quase uma piada. Quando acabasse, ele estaria em Frankstein, tomando café e acariciando as patinhas peludas da ratling.
Mas quando os Astartes se aproximaram para plantar as cargas térmicas, uma luz intensa os atingiu.
Eram os faróis de um Tanque Venenoso. E Koslorax, o Senhor do Caos, surgiu ao lado do veículo, sorrindo ao ver os inimigos.
—Olhem só. Os filhos de Guiliman e aquele maldito oficial humano? —disse, divertido. —Visita noturna ao meu acampamento, e nem se deram ao trabalho de avisar?
Taylor resmungou um "azar" silencioso. Só de lembrar que aquele homem já o matara duas vezes, suas pernas fraquejaram.
Mas a infiltração tinha sido perfeita. Não havia dúvidas.
Taylor percebeu na hora: havia um traidor entre suas tropas.
Poderia ser um ork. Ou até um humano.
Ele trocou um olhar com o sargento-irmão. Ambos entenderam na mesma hora.
"Imperador, proteja-nos", pensou Taylor.
Ele também notou que o lobo selvagem havia sumido—provavelmente buscando uma brecha.
Aquele rebelde era um mestre da infiltração. Talvez houvesse esperança?
Mas perder um combatente naquele momento só piorava as coisas. Se o Tanque Venenoso atirasse, seriam pulverizados instantaneamente.
Koslorax, no entanto, deu um passo à frente, sorrindo.
—Vamos resolver isso como manda a honra dos Devoradores de Mundos. —Ele ergueu a motosserra, que roncou faminta. —Morram pela minha lâmina... ou pela bomba de um tanque imperial?
Ele era obcecado por duelos—assim, sempre agradava ao seu deus.
Era uma chance, mas Taylor não via como sobreviver.
—Eu não devia ter vindo... —murmurou.
Mas sabia que, mesmo no acampamento, poderia ser atacado—só que, lá, sem Astartes por perto.
Era a Lei de Murphy: se algo pudesse dar errado, daria.
Mas o sargento de capacete vermelho apenas deu um leve tapinha no ombro de Taylor, inclinou-se e disse:
— Fique tranquilo, vou levar todo mundo daqui.
Em seguida, ele sacou sua adaga tática e avançou em direção ao Campeão Escolhido de Khorne...
E isso, estava fadado a ser uma batalha suicida.
Capítulo 76 — Noite Longa, Parte 2
Taylor observou a figura do sargento se afastando. Ele queria ajudar, mas o canhão principal do Venenoso estava fixo nele sem parar. Se ele tentasse sair com os fuzileiros espaciais, aquela máquina dispararia sem dúvida.
Pelo Trono Sagrado, Taylor só queria um lugar tranquilo para tomar chá, não essa loucura.
Ele apertou disfarçadamente a lâmina feita da garra de um Lictor, mas mesmo isso não mudava sua impotência no momento.
Taylor pensou consigo mesmo: Pensa, Taylor, usa a cabeça! Você sempre teve um monte de ideias espertas, cadê elas agora?
Se eu fosse um tecnosacerdote, o que eu faria? Como eu lidaria com essa monstruosidade?
Ele olhou para o sargento dos Ultramarines e sua luta contra Corax. Era um duelo muito além das capacidades de um humano comum—centelhas voavam a cada impacto entre a espada-motorsserra e a adaga.
Mas afinal, seu oponente era o Campeão Escolhido de Khorne, e o sargento estava armado apenas com aquela maldita adaga!
Ele ia perder. Taylor não tinha muito tempo. Reconheceu, com um pouco de pessimismo, que a vitória não estava do seu lado hoje—mas, de repente, avistou um Lobo Espacial se esgueirando pelo corpo do Venenoso, instalando bombas térmicas.
Taylor olhou para ele, e o Lobo fez um gesto militar de silêncio. Taylor percebeu que havia subestimado seus aliados.
Ótimo!
Era isso!
Mas, no momento em que pensou isso, a torre do Venenoso começou a girar bruscamente—uma escotilha se abriu, encarando diretamente o Lobo Espacial.
Coincidência? Sorte? A bomba térmica nem havia sido posicionada direito, e aquela desgraça começou a soltar projéteis.
Mesmo assim, pela primeira vez, Taylor teve a impressão de que um tanque parecia estar... correndo atrás do prejuízo.
Mas não era impossível...
Seu instinto de sobrevivência começou a gritar dentro dele.
Ele respirou fundo. O ar podre e os vapores tóxicos atravessaram sua máscara de gás, enchendo seus pulmões com um gosto horrível.
Depois de uma tragada épica, ele agarrou sua lâmina Lictor e partiu em direção ao Venenoso pesado, pronto para morrer.
Como diz o ditado, cada macaco no seu galho—e quem melhor para lidar com veículos do Império do que a Guarda Imperial?
Só que sua coragem não durou nem três minutos—na verdade, mal chegou a três segundos. Depois de alguns passos, o imenso canhão girou novamente, e seu heroísmo evaporou por completo.
Taylor tremeu, parando no meio do caminho—e então o canhão principal disparou.
O estrondo foi ensurdecedor. A onda de choque varreu o chão e o arremessou para trás.
Era como se uma baleia tivesse passado voando por cima dele. O projétil acertou a encosta de uma colina, levantando toneladas de terra.
Que poder absurdo!
Se aquele monstro tivesse entrado na floresta antes, eles já estariam mortos.
Taylor se levantou, ainda trêmulo, e encarou o veículo com puro terror. Imediatamente, começou a rastejar para frente—mas a segunda arma do Venenoso, o canhão Demolidor, já estava se reposicionando na direção dele.
— AAAAAAH!
Um grito desesperado ecoou. Dessa vez, Taylor correu movido pelo pânico.
O trovão do canhão principal despertou a maioria dos cultistas.
Agora, uma multidão de inimigos os encarava—ou melhor, encarava Taylor enquanto ele escalava o tanque superpesado, martelando a entrada com sua lâmina Lictor e forçando a abertura improvisada.
Ao cortar o metal, Taylor puxou a escotilha de acesso. Lá dentro, a tripulação olhou para ele como se ele fosse um demônio, sacando suas armas para retaliar.
Afinal, Taylor já havia derrotado Corax duas vezes—era compreensível o medo que sentiam!
Mas, no instante seguinte, todos foram cortados ao meio pela fúria de Taylor.
Bem...
Na verdade, esse trecho dos registros é meio confuso. Afinal, ninguém além do próprio Taylor viu o que aconteceu dentro do tanque.
Segundo seu relato pessoal:
— Assim que entrei, os cultistas sacaram suas armas automáticas. Mas eles claramente ignoraram um detalhe importante—dentro de um tanque, não se atira.
Quando os primeiros tiros quicaram nos compartimentos fechados, Taylor gritou e se jogou no chão, cobrindo a cabeça.
O resto da tripulação, porém, não se protegeu—e foi dilacerada pelos ricochetes.
A maioria prefere acreditar que Taylor lutou corajosamente, cumprindo seu dever para com o Imperador, em vez de ter sobrevivido por pura sorte.
Alguns momentos depois, Taylor ergueu a cabeça, cauteloso, e tocou o capacete—agora marcado por um recuo de bala.
— Combate sem regras, choro na família... — murmurou, aliviado.
— Esses caras não usavam capacete e ainda atiravam em modo automático? Não me digam que eram escravos de alguma mina...
Ele olhou para a bagunça ao seu redor e notou um detalhe—a tripulação ali era totalmente inútil.
Enquanto jogava os cadáveres para fora, Taylor encontrou o gerador de códigos-lixo que estava interferindo no veículo.
O dispositivo estava conectado ao sistema de controle principal do Venenoso—um sistema de computação rudimentar chamado Cogitador.
Ele não pôde evitar uma admiração momentânea:
— Era de se esperar da máquina mais avançada do Império—até tem um Cogitador funcionando!
Mas logo percebeu que não conseguia arrancar o transmissor em forma de adaga.
E o tanque não era controlado por humanos—era aquele dispositivo maligno que o comandava.
Um demônio? Uma IA proibida?
Nenhuma das opções era boa.
Taylor suspirou.
— Eu não sou um tecnosacerdote, como vou mexer nessa coisa?
O Venenoso estava imóvel por enquanto, mas era inaceitável deixá-lo nas mãos dos hereges.
— Bom, eu acho que dá pra tentar...
Sem mais delongas, ele ergueu a lâmina Lictor e desferiu um golpe no dispositivo herético enfiado no Cogitador.
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