Taylor nunca imaginou que acabaria tão acabado.
Ele queria fechar os olhos e esperar pela morte.
Mas, de repente, um som familiar ecoou no ar.
— O túmulo de Setra não é lugar para gritarias, bruxa!
O Senhor Necromante ergueu Dragan, o guerreiro caótico que já estava todo ferido, e arremessou aquela bola de metal nojenta e cheia de pus direto contra a feiticeira.
Depois de um xingamento agudo em Alto Gótico, a mulher caiu no chão, desmaiada.
Sua arma escapou de suas mãos e bateu no solo.
Mas ela ainda podia usar seus poderes! E o portal para a Disformidade continuava se expandindo—se isso continuasse, o mundo inteiro se transformaria num antro de demônios!
Taylor agiu rápido. Passou por baixo da perna de uma súcubo e, com sua faca Catachana, estilhaçou a gema da espada que a feiticeira havia deixado cair.
— Droga! — a bruxa gritou, enquanto a gema começava a liberar uma névoa roxa.
Logo, uma figura enorme e monstruosa começou a se formar na névoa púrpura—um deus deformado, uma mistura de homem e mulher, humano e besta, repulsa e desejo.
Ele se recostou sobre as ruínas de metal ensanguentado do necromante, como se o chão molhado de sangue fosse a cama mais confortável do mundo.
Um demônio de alto escalão, de verdade.
Ele esticou seus múltiplos braços, cada um segurando uma arma diferente. Um enorme piercing no nariz balançou contra seu rosto pálido, enquanto um véu cobria seus olhos, escondendo sua expressão.
Ele não estava em sua forma completa—anos de selo o haviam enfraquecido.
Olhou para Taylor e falou com uma voz andrógina:
— Bom trabalho, meu seguidor. Você me libertou.
Taylor ficou confuso. Ah, ele confundiu. Provavelmente nunca viu um uniforme da Guarda Imperial antes. Ele só sabia que Taylor quebrou o selo, quando, na verdade, o que ele queria era impedir que o lugar virasse um ninho de demônios, igual a Caliban.
Então, o demônio virou-se furioso para o Senhor Necromante.
— SETRA!
Setra apenas encolheu os ombros.
— Parece que vou precisar de um novo recipiente. Gostava bastante daquela gema.
— Você não vai me enfiar de volta naquele buraco escuro! — rosnou o demônio.
Dragan, que até pouco tempo estava quase morto, conseguiu se levantar graças às bênçãos do Pai da Pestilência. Ele olhou para o demônio e disse:
— M-meu senhor... Nosso objetivo está cumprido. Hora de voltar para o Olho do Terror.
O demônio o encarou com desdém.
— Quem é você? Uma criatura nojenta. Seu "pai" é algo que eu nem sequer compreendo.
— Eu vejo uma luz dourada... envolta em podridão. Que obra-prima...
Dragan tossiu, fraco.
— Não me insulte! Eu o libertei!
O demônio riu.
— Quem me libertou foi aquele jovem. Aquele humano... com uma alma pura e um futuro adocicado.
— E você e aquela mulher imunda, com os ossos quebrados, o que são?
Ele pareceu irritado.
Então, voltou-se para Taylor.
— Venha comigo. Te darei êxtase sem fim.
— Ou então, dor sem fim.
Taylor tremia, mas sabia: o Imperador podia ser ruim, mas ainda era melhor que aqueles quatro idiotas.
Com a voz um pouco trêmula, ele recusou.
O demônio, então, ergueu sua arma para arrebatá-lo à força—mas um golpe de um cajado de fase quase cortou seu braço fora.
— O que você pensa que está fazendo com o meu convidado? — Setra estava ali, imponente como uma muralha.
O demônio riu.
— Tudo bem. Eu me lembrarei disso, Setra.
Então, com uma de suas armas afiadas, ele rasgou o espaço.
Um portal roxo e disforme apareceu no ar.
Com uma mão, puxou Dragan. Com a outra, arrastou a bruxa. E, diante de todos, desapareceu.
Taylor bufou.
— Você simplesmente deixou ele ir, Setra?!
Setra respondeu:
— Você que o libertou. Além disso, meu complexo funerário só está meio ativado. Não quero lutar com ele de novo.
— Sem falar que, se eu não estivesse aqui, ele já teria te transformado no jantar.
Setra ainda era obcecado com comida, mas a comparação fazia sentido.
— Chega.
Ele abriu um portal verde e falou, com clara impaciência:
— Hora de voltar para o mundo dos humanos.
Taylor suspirou.
— Pelo menos vou pra casa. Por que todo mundo sabe abrir portal, menos eu?
Ele não sabia como tinha se metido nessa confusão que vinha desde os tempos ancestrais, mas uma coisa era certa: Setra o salvara.
E ele tinha certeza—se não fosse por aquele Senhor Necromante, o demônio o teria levado.
Sem opção, Taylor entrou no portal com o Frankensten.
Mas, quando a sensação de ausência de peso o atingiu, ele percebeu que algo estava errado.
O que ele viu, em seguida, foi a nave caindo direto nos quartéis-generais da Guarda Imperial, em Karu.
Eles esmagaram dois Sentinelas no processo.
— TAYLOR! SEU AZARADO!
No meio dos gritos de Tykis, Taylor sentiu, pela primeira vez, que o mundo não era tão ruim assim.
Ele abraçou o velho comissário, apertando forte.
— É bom te ver! Te amo! Continua me xingando!
Mas Tykis o empurrou, com um olhar quase de pena.
O garoto finalmente enlouqueceu?
Capítulo 60 – A Visitante da Inquisição
— Então você está dizendo que tomou chá no túmulo de um Senhor Necromante, matou alguns demônios e, depois, libertou um dos altos escalões do Caos?
Era uma inquisidora—vestindo couro, bonita, bem-apessoada, com um laço de rosa no traje.
Ela olhava para Taylor como se ele fosse um maluco.
Sob a luz de lâmpadas de fósforo e as paredes monocromáticas da sala de interrogatório, os altos escalões da Inquisição observavam tudo por trás de um vidro espelhado.
Ela sabia que sua decisão determinaria o destino daquele homem.
Um pelotão de castigo para traidores da humanidade? Lobotomia, transformando-o num servo mecânico?
Ou glória, fama, e talvez até uma promoção?
As palavras que saíssem de sua boca moldariam o futuro dele. Essa era a Inquisição—poder absoluto, influência inquestionável.
Mas, no fundo, ela não era uma das inquisidoras radicais.
Ela conseguia enxergar a grandeza de Taylor. Sabia de seus feitos.
E, pelo bem do Império, alguns deslizes... bem, podiam ser tolerados.
Pelo que se via, ela nem mesmo era uma inquisidora qualificada.
Por isso, mesmo atuando como aprendiz do Grande Inquisidor deste setor estelar e tendo permissão para usar o Laço de Rosas, aquilo não era realmente seu – pertencia à sua mentora.
Claro, ela também era a mais poderosa psíquica deste setor. Se não fosse por sua habilidade sutil e precisa em sondar as mentes dos subordinados de Taylor, dos Catachans e dos depoimentos de algumas irmãs de batalha, ela jamais acreditaria na história dele.
Aquele homem não só enfrentou uma invasão de hereges do Caos por duas semanas, como também tomou chá em uma cripta e lutou ao lado de um lorde necrontyr contra as forças do Caos.
A inquisidora suspirou, pegou seu chapéu de pontas e deixou seus cabelos dourados caírem sobre os ombros. Com uma expressão fria e impecável como a de uma boneca, a bela mulher falou com a voz mais severa possível:
– Vou explorar suas memórias. Não resista, não tema, ou meu poder psíquico pode rasgar seu tecido cerebral.
Taylor estava apreensivo. O que mais temia era que seus devaneios – principalmente o conhecimento que tinha antes de ser transportado para este mundo – fossem descobertos pelo Inquisitorado. Quem saberia como o tratariam depois disso?
Sequer conseguiria continuar como um simples soldado da Guarda Imperial!
Mas ele não tinha escolha. Aqui, o Inquisitorado era a lei. Abaixo do Imperador, eles vinham em primeiro lugar. Julgar e executar sem consulta era rotina.
Se encontrassem contaminação de xenos ou hereges, o Inquisitorado tinha o direito – e o poder – de agir com autoridade absoluta. Não importava se fosse um veterano de guerra, um nobre de alto escalão, um oficial ou até um Astartes – todos recuavam diante do Inquisitorado.
Felizmente, sondar memórias era uma técnica complexa. O menor erro poderia levar à loucura ou à morte do alvo. Para evitar isso, os psíquicos eram extremamente criteriosos na filtragem de lembranças.
Em outras palavras, além de termos como "cripta" e "demônio", talvez houvesse apenas "recente" ou "resistência" como palavras-chave adicionais.
Era impossível realizar uma verdadeira leitura da mente, capaz de ver tudo.
Afinal, só o volume de memórias de uma pessoa já seria suficiente para enlouquecer um psíquico.
Claro, o universo era vasto. Se os humanos não conseguiam, talvez outras raças ou criaturas da Disformidade pudessem. E sempre havia espaço para o inesperado.
Então, quando os poderes psíquicos invadiram sua mente, Taylor, cheio de ansiedade, só conseguia tentar esvaziar seus pensamentos.
Quando a inquisidora adentrou suas memórias, as imagens que viu eram diferentes daquelas que Taylor recordava. Primeiro, porque memórias nunca eram precisas – serviam apenas como ferramentas auxiliares de investigação.
Segundo, porque o conhecimento e as informações que ela possuía eram diferentes dos dele.
Assim, em seus olhos, o leal Sr. Taylor não apenas permaneceu calmo diante da ameaça do lorde necrontyr, como também tomou a iniciativa de buscar mais informações.
Embora libertar um demônio tivesse colocado o Império em perigo, ele também protegeu o planeta de uma ruptura na Disformidade.
Francamente, os méritos cancelavam os erros. O Império punia severamente os traidores, mas também recompensava os leais – sempre foi assim.
Ela abriu os olhos. Suas pupilas roxas, aos poucos, voltaram ao azul conforme os poderes psíquicos se dissipavam. Então, falou com seriedade:
– Ainda preciso acompanhá-lo para investigações posteriores. Provavelmente ficarei hospedada com suas tropas por um tempo.
Taylor respondeu, incerto:
– Uma inquisidora?
Sentiu como se algo afiado tivesse perfurado seu crânio. Sabia que não havia se machucado, mas ter suas memórias vasculhadas era profundamente desconfortável. Esfregou as têmporas enquanto a mulher respondia:
– Exato. Uma inquisidora. E serei eu quem julgará se você é puro.
– Durante esse período, você continuará cumprindo suas missões normalmente, seja defendendo o Império ou estacionado em qualquer lugar.
Taylor acenou com a cabeça. Uma psíquica poderosa certamente seria útil para suas tropas...
Na última vez, ele quase enlouqueceu de medo diante daqueles demônios.
Mas ainda estava preocupado com o desfecho daquela situação. Ele e seus companheiros haviam ficado presos nas instalações do Inquisitorado por muito tempo.
Naqueles dias sombrios, passaram o tempo todo preenchendo formulários e sendo interrogados, até a chegada daquela inquisidora, que usou a sondagem de memórias para comprovar sua lealdade.
Taylor sentia um certo ressentimento. O Inquisitorado podia ser tão arrogante e indiferente às vidas alheias?
Claro que podia...
Mas agora que havia sido preliminarmente considerado inocente, ele se encorajou a perguntar:
– E os necrontyrs e os hereges? O que aconteceu com eles?
– Eu libertei um demônio. Isso realmente não causou problemas?
A mulher respondeu:
– Eu não deveria dizer muito, mas...
– Você tem o direito de saber. E precisa saber.
– Cerca de uma semana depois de sua prisão, uma frota necrontyr apareceu no satélite do mundo de Rucca. Eles levaram seu lorde embora deste planeta.
– Talvez estejam procurando um lugar melhor para se recuperar. Ou talvez estejam voltando para seu império xeno.
– Quanto aos hereges, sua nave de guerra partiu antes da chegada das Naves Negras do Inquisitorado. Se tudo ocorreu como esperado, provavelmente se dirigiram para o Olho do Terror.
– Já solicitei ao Segundo Capitão dos Ultramarines que os rastreie.
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