Capítulo 36: Behemoth, Parte 4
– Eu não gosto de garotas da raça Tau! – ela respondeu. – Deixa a Nova vir, pode ser.
Taylor revirou os olhos. Essa teimosia dele parecia familiar... dava uma sensação de déjà vu.
Ele se levantou com resignação, comparando sua estatura com a da guerreira fogo que media cerca de um metro e setenta.
– Chega, né? Você não tem chance contra um guerreiro genestealer – ele argumentou.
A mulher retrucou:
– Então lute corpo a corpo comigo. Se vencer, eu desisto.
Taylor franziu a testa:
– O quê?
Sem hesitar, a fanática seguidora do "Caminho Superior" sacou sua Lâmina da Unidade e atacou Taylor. Quando a lâmina atingiu a mesa metálica, faíscas voaram e a paciência dele se esgotou.
Num movimento rápido, ele imobilizou a arma e prendeu sua garganta, derrotando-a instantaneamente.
Afinal, muitos esqueciam que Taylor era um brutamontes capaz de enfrentar genestealers no corpo a corpo. Ele tinha notas excepcionais na academia militar, só não gostava de brigar.
O tumulto fez com que a maioria dos auxiliares humanos e dos Tau presentes virassem para olhar. Taylor ouviu os idiotas do seu pelotão gritando:
– Chefe, dá uma surra nela!
– Arranca a roupa dela!
– Você consegue, chefe!
Alguém assobiou.
Taylor explodiu:
– Porra, é só um treino! Por que vocês fazem parecer que vou assediar a moça? Vão todos se foder!
Foi um encontro desagradável. Após a vitória esmagadora de Taylor, a mulher ficou completamente quieta.
Seus olhos eram muito maiores que os humanos, com traços estranhos. Talvez Taylor tenha vislumbrado um toque de fofura nessa estranheza, mesmo sabendo que tal pensamento faria a Inquisição torturá-lo por dias.
Enquanto isso, os moleques do seu pelotão espalhavam fofocas sobre ele e a guerreira Tau. Aquele papo furado sobre "flerte ruim" que ele tinha com a garota Ratling agora viralizara na 15ª Companhia.
– Olha só, o chefe pegou mais uma alienígena! – diziam.
Puta merda!
Taylor ficou perplexo. O que isso tinha a ver com ele? Ele é que estava sendo importunado!
Ele só tinha quase atropelado uma Aun, porra!
Será que era pra tanto?
Mas ao ver o olhar desamparado dela, Taylor entendeu. Em questões de coração, humanos e Tau não eram tão diferentes. Ele decidiu ouvir sua história.
Entre frases truncadas e barreiras linguísticas, Taylor finalmente compreendeu. O piloto de batalha esmagado pela Aun no dia anterior, devorado pelos insetos até não sobrar nada, era seu irmão.
Eles eram conhecidos como "Os Irmãos Heróicos", "As Asas da Guerra". Taylor engoliu a vontade de rir do nome edgy.
Irmãos... ele também tinha. Taylor entendia. A dor da perda precisava de um alvo, e os insetos não tinham vontade própria - eram como desastres naturais.
Por isso, ela direcionou seu ódio à Consciência da Colmeia. Mas era tão inútil quanto xingar a estátua do Imperador e depois quebrá-la.
Como uma guerreira sozinha poderia enfrentar uma consciência coletiva tão vasta que suprimia até as tormentas da Disformidade? Matar um guerreiro genestealer não significava nada para os insetos.
Taylor reconhecia que existiam indivíduos capazes de desafiar a Colmeia Behemoth, mas aquela garota que ele derrotou facilmente não era um deles.
Embora os membros do Clã Fogo Tau treinassem táticas de combate em simuladores desde jovens, e apesar do Império zombar de suas habilidades no corpo a corpo, eles não eram fracos.
A diferença era que os veteranos da Guarda Imperial aprendiam na prática, seja lutando contra inimigos nos subúrbios das cidades-colmeia ou enfrentando alienígenas como soldados.
Já os Tau tinham um território pequeno e menos conflitos. Eles simplesmente não viam tanta guerra quanto a Guarda Imperial.
Mas isso era só no nível individual. Coletivamente, os Tau já haviam superado o Império em batalhas. Só que agora enfrentavam os terríveis insetos.
Taylor não subestimava a guerreira. Só queria mostrar que algumas coisas estão além do nosso controle.
Mas depois de pensar muito, ele não disse nada. Nada cura melhor que o tempo.
Com um suspiro, ele foi para o refeitório. Tanta agitação tinha dado fome.
Às vezes Taylor se perguntava se comia demais. Mas quando lhe serviram uma bebida gasosa com sabor de limão e um lámen fumegante - pratos adaptados para humanos - ele percebeu que ter apetite era bom.
A invasão dos insetos esvaziara o refeitório. A cozinheira Tau de meia-idade sorriu e contou uma história que Taylor mal entendeu. Através de gestos e risadas, os dois se divertiram.
"Talvez os alienígenas não sejam tão ruins", pensou Taylor, saboreando o lámen. Contra a ameaça dos insetos, Guarda Imperial e exército Tau eram iguais.
Apenas biomassa.
Ele morreria. O pensamento trouxe uma inquietação que tomou seu peito. De barriga cheia, a mente voava longe, criando preocupações.
Quando o escudo de plasma falhasse, Taylor seria devorado como o piloto de batalha. Seu corpo seria cortado por lâminas moleculares, mastigado por mandíbulas minúsculas.
Só de imaginar a dor, seu corpo formigou.
Precisava sair dali. Ficar encolhido não adiantava nada.
Mas para onde ir? O planeta já pertencia ao Devorador de Mundos.
Chupando um palito, Taylor divagava até que um Tau idoso vestindo robes entrou no refeitório.
Seu rosto marcado por "pedrinhas" brancas deixou Taylor desconfortável, mas o velho se sentou ao seu lado mesmo com mesas vazias.
Pediu sua comida em tau'ano, depois falou em gótico:
– Querido, nossa situação está crítica. Como nosso aliado, você também tem responsabilidades a cumprir.
— Missão? — Taylor falou com um palito na boca, com uma expressão de quem não tem nada a perder.
— Sou um soldado do Imperador, não dos alienígenas. Vou proteger meu posto, mas só porque o Departamento Militar mandou.
Foi só quando o alto escalão do Clã da Água mostrou um documento com a águia imperial que Taylor pegou o papel e examinou. Era algo trazido por drones, com ordens claras: o Império precisava de um relatório estratégico detalhado. E, pelo visto, reforços imperiais já estavam se aproximando da ilha onde o porto espacial ficava.
Taylor suspirou.
— Então... temos que sair da proteção do escudo e encarar o inimigo?
O líder do Clã da Água balançou a cabeça.
— Na verdade, não. Essa missão é para ser feita com cautela. Recomendo um desvio. A maior parte dos insetos está se alimentando sobre o oceano, devorando peixes e a fauna local. Isso é uma tragédia para eles, mas serve de disfarce para nós.
— Se for só um veículo blindado, os insetos provavelmente não vão notar. E as forças do Império estão do outro lado do enxame.
— Para você, será relativamente seguro.
Taylor acenou com a cabeça, calculando mentalmente os riscos. Não queria virar comida enlatada para aqueles bichos. Sair dali era uma chance de sobreviver.
Quando os insetos terminassem seu banquete no mar, a próxima refeição seria eles.
Se conseguisse entregar a mensagem, sua parte estaria feita. E se a situação na frente de batalha melhorasse, a vitória viria. Quem sabe ele até conseguisse uma aposentadoria nesse mundo, vivendo de brisa marítima e paz eterna!
Até babou um pouco só de imaginar — um residente permanente num mundo paradisíaco? Isso era luxo reservado só para os altos escalões do Império.
Mas, mesmo assim, Taylor fez cara de descontente e resmungou:
— Vou ter pesadelos. O Imperador sempre me dá tarefas impossíveis.
O líder do Clã da Água revirou os olhos.
— Ah, para com isso. Posso mandar alguns trajes de combate para te apoiar. Melhorou?
Taylor sorriu, esperto como uma raposa. E percebeu que aquela podia ser sua chance de escapar daquele moedor de carne infernal.
Imitando um Astartes que conhecia, mostrou os dentes e respondeu:
— Vou sumir tão longe que nem rastro vão achar.
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Capítulo 37: Behemoth, Parte 5
Uma coisa temos que admitir: o ar-condicionado é o maior presente e milagre que o Imperador já deu à humanidade.
Enquanto Taylor sentia o vento fresco do sistema de climatização do Frankstein, percebeu que aquele veículo lotado para 12 pessoas não era um inferno, mas um paraíso.
Deitado na graça do Imperador, ele viu o blindado sair lentamente do escudo. Claro, os insetos logo avançaram, famintos por carne fresca, mas os lança-chamas do veículo os reduziram a cinzas em segundos.
Até os Behemoths eram criaturas de carbono — por trás de seus exoesqueletos resistentes, havia carne e sangue. Fritar seus fluidos internos e deixá-los fervendo era garantia de morte, não importava o quão monstruosos fossem.
Os sortudos que sobreviviam às chamas colidiam com o Frankstein em alta velocidade, fazendo um PLOFT antes de virar pasta no capô.
Dois Devilfish pesados escoltavam o grupo. Pelo que Taylor sabia, os T'au estavam investindo pesado para entregar aquela mensagem — três ou quatro trajes de combate no céu abriam caminho, mantendo os insetos longe.
Se não encontrassem um enxame grande, a missão seria moleza. Taylor já se via de volta aos braços do Império, pronto para um jantar quentinho e uma cama macia.
Mas o destino adora pregar peças.
De repente, raios de plasma cortaram o céu em arcos, caindo como chuva. Um dos trajes de combate foi atingido em cheio, esmagado contra o chão até virar parte da paisagem.
Aqueles disparos vinham dos Bio-Plasma Bugs — artilharia biológica do enxame. E agora, bolas de plasma azuladas caíam como granadas, forçando os trajes a se recolherem dentro dos Devilfish.
Até que um dos veículos foi atingido. A explosão foi tão violenta que perderam um terço da escolta em segundos.
Parece que o enxame não ia deixar sua "comida enlatada" escapar tão fácil. Taylor precisava de um novo plano para sobreviver.
Com os sensores inúteis e o rádio sem sinal, a única referência eram as estradas sinuosas da ilha. Sair dali era pedir para se perder.
Mas então, outra salva de plasma iluminou o céu. As esferas azuis brilharam como pesadelos caindo lentamente, e o coração de Taylor gelou.
— Saiam da estrada! — ele gritou. — Pior que isso não fica!
Com a motorista Katie pisando fundo no acelerador, o veículo fechou numa curva tão forte que Taylor quase voou do banco. Quando se recompôs, viu vários Hormagaunts se aproximando.
Aqueles demônios pequenos não desistiam tão fácil. Taylor pegou sua arma, pulou para fora do veículo e, mesmo com o chão tremendo, acertou os insetos em cheio.
Seu rifle de plasma atravessou os inimigos do Império, deixando-os caídos e sem vida.
Taylor respirou aliviado... até perceber que o Devilfish que os acompanhava tinha sumido.
Ótimo. Agora estavam sem os trajes de combate restantes. Antes, pelo menos podiam lutar. Agora? Presa fácil.
Sem armas pesadas e sem os mechas voadores, Taylor não via como completar a missão.
A ilha parecia pequena vista de cima, mas no chão era do tamanho de um país. Só pedras e areia, uma paisagem repetitiva que confundia qualquer noção de direção.
E todos aqueles truques de navegação por estrelas? Inúteis num mundo desconhecido.
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