— Não estou agradando você agora? — Gu Changfeng sorriu com deboche, apertando o queixo de Ning Rongrong para fazê-la franzir os lábios antes de roubar um beijo daquela boca vermelha.
Quando se separaram, um fio brilhante de saliva ainda os conectava, escorrendo pelo rosto corado da garota.
— É assim que você me agrada? — Ning Rongrong murmurou, os olhos úmidos de emoção, o rosto ardendo como terra sedenta recebendo a primeira chuva.
— Por que não resistiu, se está gostando tanto? — provocou Gu Changfeng.
Ela calou-se, sem resposta, o peito ainda latejando com a doce lembrança que quase a fazia pedir mais.
[Esse jeito bruto deve ser novidade para a princesinha mimada do Clássico Tesouro de Sete Joias...] pensou ele, divertido.
Na volta por Suotuo, ele comprou âmbar de baleia centenário enquanto ela enchia sacolas com roupas caras — sempre pechinchando com talento digno de sua nobre linhagem.
— Vou te pagar o jantar! — ofertou Ning Rongrong, radiante. — Depois voltamos para a academia.
Aceitando com um aceno, Gu Changfeng sentou-se à mesa do restaurante enquanto ela provava doces.
— Changfeng... — ela sussurrou, evitando seu olhar. — Fizemos aquilo tão rápido... Nem somos namorados...
— Do que você está falando?
— Todo aquele âmbar... — ela corou. — Não era para usar comigo? Eu não sou ingênua como a Xiao Wu, vindo do Clássico Tesouro de Sete Joias, eu sei das coisas!
Ele deu uma risada.
— Paranoia sua, princesa! Se quisesse você, não precisaria de afrodisíacos. Depois do jantar, voltamos direto — os olhos dele endureceram. — E não procuro relacionamentos agora. Foco total no treinamento. Melhor esquecer esses devaneios.
O rosto dela escureceu.
No caminho de volta, Ning Rongrong cavalgava rígida em seus braços, os lábios cerrados. Gu Changfeng segurava sua cintura, exibindo uma marca de dentes no canto da boca.
Ao chegarem, ela saltou com fúria sem dizer palavra.
[Drama de adolescente...] suspirou ele, retomando seus exercícios do "Manual do Mistério Celestial".
Na manhã seguinte, Zhao Wuji apareceu — negro de hematomas da surra que levou.
— Filho da puta do Frank Debonair! Me arruma essa missão depois de quase me matarem! — resmungou, amaldiçoando também Tang San e seu pai.
[Sem as agulhas-dragão desta vez], pensou Gu Changfeng, aliviado por ter interferido.
— O que aconteceu com ele? — Ning Rongrong puxou sua manga, esquecendo temporariamente a mágoa.
— Querida princesa, estive com você esses dias. Como saberia?
— Cochichando em formação?! — Zhao Wuji rugiu. — Partida imediata para a Floresta Douluo!
— Podemos ir a cavalo? — Ning Rongrong ergueu a mão.
— Isto não é piquenique! — ele espumou. — Seiscentos quilômetros a pé!
— Tão mão-de-vaca que é...
Gu Changfeng interveio, puxando-a para seus braços antes que provocasse mais conflitos — precisava que tudo ocorresse conforme planejado.
— Por que me impediu? — ela resmungou na retaguarda. — Seiscentos quilômetros!
— Zhao Wuji está de mau humor — ele sussurrou. — Eu, um humilde Espírito Rei mental, não o conteria.
Ning Rongrong sentiu um calor no coração, mas ainda assim manteve a pose de orgulhosa, bufando:
— Não pense que só porque disse umas palavras bonitas, eu vou perdoar você, seu irresponsável! Quando eu voltar para o clã, vou contar tudo para o Vovô Espada e os outros— que fui maltratada por aí, que me beijaram e ainda querem fugir das responsabilidades!
— Quando eles vierem te dar uma lição, te deixarem todo inchado, aí você vai ver. Se pedir desculpas agora, talvez eu até peça para eles pegarem leve. — Ela sorriu, maliciosa.
Gu Changfeng pensou um pouco e respondeu com um sorriso:
— Minha princesinha, se estiver cansada de andar, posso te carregar nas costas. Que tal?
Ning Rongrong curvou os lábios, achando que ele finalmente estava cedendo, e assentiu satisfeita:
— Isso é mais like it.
— Não quero andar agora. Me carrega.
[...]
Graças às salsichas de Oscar, o grupo conseguiu percorrer mais de 400 quilômetros em um único dia, chegando a uma pequena cidade próxima da Floresta Estelar, a pouco mais de 100 km de distância.
Gu Changfeng carregou Ning Rongrong o caminho todo. Exceto para comer e necessidades básicas, ela parecia grudada nele, agora profundamente adormecida, sem perceber o entorno.
Xiao Wu, ao ver a cena, não pôde evitar um olhar de inveja. Antes, ela teria pedido para Tang San carregá-la, mas agora, sentimentos diferentes surgiam em seu coração.
Até Zhu Zhuqing, sempre tão reservada, deixou escapar um brilho de admiração nos olhos.
Zhao Wuji levou o grupo até um hotel simples e anunciou:
— Vamos descansar aqui hoje. Partimos de manhã cedo. Despesas com hospedagem e alimentação por conta de cada um.
O hotel era um sobrado de dois andares: o térreo servia como restaurante, e o superior, para hospedagem. Zhao Wuji alugou um quarto individual e subiu direto.
— Princesinha, acorda! — Gu Changfeng beliscou levemente o nariz de Ning Rongrong, fazendo-a ficar vermelha.
— Tapa!
Ela afastou a mão dele, franzindo a testa:
— Eu estava dormindo tão bem!
Gu Changfeng deu um tapinha em seu bumbum e riu:
— Se quer dormir, vai pra cama. Desce logo.
Ning Rongrong corou, deslizou de suas costas e lançou-lhe um olhar irritado. Depois, se juntou a Xiao Wu e Zhu Zhuqing:
— Ei, vamos dividir um quarto hoje à noite? Assim podemos conversar!
Xiao Wu concordou animada:
— Ótimo!
Zhu Zhuqing apenas acenou com a cabeça, silenciosa como sempre.
Ning Rongrong alugou um quarto triplo para as três e um individual para Gu Changfeng. Os outros quatro rapazes que se virassem.
Ela jogou a chave para Gu Changfeng, dizendo com um resmungo:
— Aqui, sua chave. É o seu pagamento por me carregar 500 km.
Ele riu, balançando a cabeça.
— Vamos comer antes de subir? As salsichas do Oscar são sempre iguais. Se não fosse pelo tempero do Changfeng, eu já teria enjoado! — reclamou Ma Hongjun, olhando para Oscar.
— Eu pago! Pede o que quiser — ofereceu Dai Mubai, generoso.
— Isso sim é ser chefe! — Ma Hongjun vibrou. — Com só 10 moedas de ouro por mês, nunca teria como bancar isso.
— O Oscar logo vai virar um Espírito Ancestral, né? — lembrou Dai Mubai.
Oscar riu, coçando a cabeça.
— Se Changfeng ainda recebesse auxílio como Espírito Rei, estaria nadando em ouro — comentou Xiao Wu.
Gu Changfeng sorriu sem responder.
Ning Rongrong provocou:
— Não se deixem enganar pela aparência dele. Uma única peça de roupa dele custa um milhão de moedas de ouro. Ele está longe de ser pobre.
— UM MILHÃO?!
Todos olharam para Gu Changfeng, chocados, examinando-o de cima a baixo. Até Zhu Zhuqing pareceu surpresa.
— Essa roupa que estou usando é, na verdade, uma armadura leve que ele me vendeu. Custa um milhão e pode bloquear ataques de um Espírito Imperador. Foi a primeira vez que quebrei minha regra de nunca dever nada a ninguém — Ning Rongrong suspirou, mas no fundo, estava se gabando.
— Então essa roupa linda é uma armadura?! Parece mesmo tecido comum! — Xiao Wu ficou maravilhada, passando a mão sobre o material.
— Changfeng, você é rico assim?! — Ma Hongjun quase engasgou.
Gu Changfeng riu:
— Não é tanto assim. Em termos de dinheiro, ainda perco para Ning Rongrong e Dai Mubai.
Ele então olhou discretamente para Ning Rongrong e fez sua voz ecoar diretamente em sua mente, longe dos outros:
— Princesa, da próxima vez que quiser se exibir, não me envolva. Ou vai ter que lidar com as consequências.
Ning Rongrong olhou para ele, confusa. Como ele falou sem mover os lábios? Mas, ao encontrar seu olhar, virou o rosto com arrogância, como quem diz: "Faça o que quiser".
Tang San observava atentamente a armadura de Ning Rongrong. Já tinha notado que os materiais eram raros e preciosos—alguns ele nem conhecia. A técnica de fabricação também era impressionante. Nem em sua vida passada ele conseguiria fazer algo assim.
— Changfeng, você mesmo fez essa armadura? — perguntou Tang San, desconfiado.
Ning Rongrong também olhou para ele, curiosa.
Gu Changfeng sorriu:
— Foi encomendada a um artesão lendário. No momento, só existe essa no mundo, e só ele poderia fazê-la.
[Capítulo 52: Quem fala quer, mas quem ouve quer mais]
— Sério mesmo? Esta armadura que estou usando é a única no mundo todo? — perguntou Nin Rongrong, com os olhos brilhando de alegria, refletindo a figura de Gu Changfeng.
Gu Changfeng riu e confirmou:
— É verdade! E pra fazer uma armadura dessas, foram precisas montanhas de tesouros raros, além de cinco anos do trabalho de um artesão divino!
O coração de Nin Rongrong encheu-se de felicidade. Afinal, quanto mais raro, mais valioso. E ali estava ela, vestindo um tesouro único no mundo.
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