Depois que essas pessoas saíram, a cozinha ficou livre para ele usar.
Em pouco tempo, um cheiro irresistível começou a se espalhar pelo refeitório, flutuando pelo ar e chegando até os dormitórios. Os alunos, ainda sonolentos, foram atraídos pelo aroma delicioso.
— Que cheiro bom…
— Isso lembra a comida que o cozinheiro da minha casa fazia…
Ning Rongrong farejou o ar, entrou na cozinha e logo avistou os diversos pratos deliciosos ao lado de Gu Changfeng.
— Isso aqui é meu. O café da manhã de vocês está lá fora, na mesa, preparado pelos aldeões — disse Gu Changfeng.
— Eu não quero esse café da manhã! Não tem nenhum nutriente! — Ning Rongrong resmungou, irritada. — Essa Academia Shrek é tão mesquinha que não dá nem um ovo para os alunos! Nós somos espíritos, ainda em crescimento, precisamos de energia e nutrição. Como podemos viver só de pão, mingau e picles?!
No mesmo instante, sem se importar com a própria imagem ou com a presença de Gu Changfeng, ela pegou os pauzinhos e começou a comer com gosto.
— Muito bom.
Seu rosto se iluminou com um sorriso satisfeito.
— Se comeu minha comida, agora tem que ser minha mulher — brincou Gu Changfeng, rindo.
Ning Rongrong corou levemente e revirou os olhos.
— Nunca! Seu chato!
Em seguida, pegou os pratos e saiu da cozinha.
Ao ver os pães, picles e mingau na mesa comum, seu rosto imediatamente expressou desdém.
Mal havia se sentado para comer, Ma Hongjun apareceu na porta.
— O que está acontecendo hoje? É Ano Novo?
Ele olhou para os pratos saborosos na frente de Ning Rongrong e não conseguiu segurar a saliva. Sem pensar, sentou-se ao lado dela e esticou a mão para pegar um pedaço.
— O que você está fazendo?! — Ning Rongrong bateu na mesa e se levantou, furiosa. — Quem disse que você pode pegar comida do prato dos outros sem pedir?!
— Nossa, por que está sendo tão grossa? — Ma Hongjun bufou. — Eu não peguei do seu prato, foi de outro!
— Tudo isso é meu… e do Gu Changfeng! — ela respondeu, erguendo o queixo. — O café da manhã de vocês é aquele ali: pão, mingau e picles!
Ma Hongjun olhou para os dois tipos de comida e franziu a testa.
— Isso não é justo! Por que você come tão bem e eu tenho que me contentar com isso?
Mesmo que Ning Rongrong fosse uma bela garota, quando se tratava de comida, ele não estava disposto a ceder.
— Se quer comer, faça você mesmo! — ela retrucou. — Isso aqui foi feito pelo Gu Changfeng para mim, por que eu daria para você? Olha só suas mãos, nem lavou! E ainda quer pegar com a mão? Não tem pauzinhos? Que falta de educação!
— Você… você… — Ma Hongjun engasgou, o rosto ficando vermelho como um tomate.
— Eu não fiz para você, você só apareceu por acaso — disse Gu Changfeng, entrando com os pratos restantes. Ele olhou para Ma Hongjun com um sorriso misterioso e colocou um prato de carne de porco na frente dele. — Aqui, Ma Hongjun, isso é para você. Pode comer.
— Nossa, que maravilha!
Ele agarrou o prato e começou a devorar a comida, misturando com pão e mingau, como se estivesse comendo os próprios inimigos.
Gu Changfeng arregalou os olhos.
Ning Rongrong olhou para ele, franzindo os lábios com insatisfação.
— Que cara é essa? Está fazendo má vontade para quem? — ele perguntou, segurando seu queixo. Sem hesitar, aproximou-se e beijou seus lábios vermelhos.
Considerando que ela ainda tinha comida na boca, um beijo rápido bastava.
Ning Rongrong ficou paralisada. Embora não fosse exatamente o que esperava, um rubor subiu às suas bochechas. Ela olhou rapidamente para Ma Hongjun, mas ele estava tão concentrado na comida que nem percebeu.
— Seu idiota, não viu que tem gente aqui? — sussurrou, irritada.
Gu Changfeng ignorou.
Ele não era do tipo que seguia regras, e só assim poderia deixar uma marca profunda numa garota mimada como ela.
— Come logo. Precisa ganhar mais corpo.
— Comparada com Zhu Zhuqing, você ainda é pequena. Só está um pouco melhor que Xiaowu.
Ele sorriu provocadoramente.
— Então por que me beijou? Por que não vai beijar elas? — ela perguntou, olhando-o com frieza.
— Talvez da próxima vez — respondeu ele, casualmente.
Ning Rongrong arregalou os olhos.
Ela nunca esperaria uma resposta dessas.
Não era para ele dizer "eu gosto de você"?
Isso quebrava todas as expectativas!
— Você não tem medo de me deixar brava? Cuidado para eu nunca mais falar com você! — sussurrou, incrédula.
— Para de frescura e come logo! Se demorar mais, eu como tudo!
Ela resmungou, mas obedeceu.
Em seu coração, xingava Gu Changfeng. Em apenas três dias na Academia Shrek, ele já a beijara cinco vezes e ainda a tratava assim? E ainda ameaçava beijar Zhu Zhuqing e Xiaowu? Ele realmente não a levava a sério!
Ela decidiu que, mais cedo ou mais tarde, ele pagaria por isso.
Pouco depois, Xiaowu, Zhu Zhuqing, Dai Mubai e Tang San entraram no refeitório.
Mas Gu Changfeng e Ning Rongrong já haviam terminado.
Ma Hongjun também devorara metade dos pães, mingau e picles, deixando apenas o restante para os quatro.
— Eu juro que senti um cheiro maravilhoso, mas só tem pão, mingau e picles aqui! — Xiaowu franziu a testa, confusa.
— O café da manhã da Academia Shrek sempre foi assim — explicou Ning Rongrong. — O que você comeu ontem foi feito pelo Gu Changfeng, não é a comida normal daqui.
Capítulo 48 – A Mão Negra Começa a Agir
Xiaowu olhou para Gu Changfeng.
Nos últimos dois dias, uma figura majestosa aparecia em seus sonhos, e essa figura se parecia cada vez mais com ele.
Além disso…
Nos sonhos dela, algumas imagens e fragmentos de memória aterrorizantes insistiam em aparecer repetidamente, tirando-lhe o sono.
Primeiro: sua verdadeira identidade como uma besta espiritual de cem mil anos havia sido descoberta ainda no Colégio Noting, por ninguém menos que Tang Hao, o pai de Tang San — o garoto que ela considerava como irmão mais velho!
Segundo: o pai de Tang San era um Título Douluo e, mesmo sabendo quem ela era, permitira que os dois continuassem próximos, com o claro objetivo de fazê-la se apaixonar por seu filho. Assim, no futuro, diante de uma situação na qual a vida dele estivesse em risco, ela poderia oferecer seu sacrifício e se tornar seu anel espiritual.
Terceiro: o próprio Tang Hao possuía um anel espiritual de cem mil anos, obtido da Imperatriz Azul. E ele o havia conseguido exatamente do mesmo jeito.
Essas memórias nunca tinham surgido antes, mas, desde que entraram na Academia Shrek e concluíram os testes, os pesadelos começaram. Todas as noites, ela acordava assustada, sem entender de onde vinham aquelas visões — e isso só aumentava seu medo.
— Xiaou... Xiaou!
Tang San franziu a testa ao vê-la distraída, observando Gu Changfeng. Ele a sacudiu levemente, chamando sua atenção.
Ela piscou, voltando à realidade.
— Ah, San, o que foi?
— Você ficou parada, olhando pro nada. Dormiu mal? Quer que eu peça licença pra você descansar mais um pouco?
— Não, estou bem. Só estava pensando... Melhor a gente comer logo.
— Tudo bem... — Ele suspirou, ainda confuso, mas decidiu não insistir.
— Gu Changfeng, que tal fazer mais um pouco pra Xiaou e Zhuqing? Garotas não podem se alimentar de qualquer jeito, como esses homens aqui! — Ning Rongrong sorriu, claramente tentando levar a fama enquanto colocava o trabalho nele.
Ele ficou em silêncio por um instante.
Era exatamente o que ele queria. Xiaou já estava sob a influência de sua "mão oculta", e isso só ajudaria a fortalecer essa conexão. Quanto a Zhuqing... Aquela garota "especial" tinha tudo para se tornar uma excelente cobaia.
— Vocês querem? — ele perguntou.
— Quero! — Xiaou levantou a mão rapidamente. A comida da academia era pior que a do Colégio Noting.
— Obrigada. — A voz baixa e suave de Zhuqing surpreendeu. Era a primeira vez que ela respondia a ele.
[Uma garota tão enigmática... e ainda por cima irresistível. Perfeito.] Um sorriso surgiu nos lábios dele enquanto o interesse crescia.
— Esperem aí. — Ele se dirigiu à cozinha e, em poucos minutos, um aroma delicioso tomou conta do refeitório.
— Bom apetite. — Gu Changfeng colocou quatro pratos na frente das garotas. — Ingredientes frescos. Não gosto de desperdício, então espero que aproveitem.
Xiaou ficou radiante.
— Claro! Vamos limpar os pratos! Obrigada!
— Obrigada. — Zhuqing pareceu mais leve, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. Comparado aos pãezinhos secos, aquilo era um banquete.
Ele acenou e saiu, seguido de perto por Ning Rongrong. O sol da manhã iluminava seus rostos enquanto caminhavam lado a lado.
— Depois daquele seu show de arrogância ontem, ainda conseguiu virar amiga delas? — ele perguntou, surpreso.
— Ué, não foi difícil! Xiaou é superingênua e tem um jeito parecido com o meu. Como dividimos o quarto, bastou eu puxar uns assuntos e ela já estava do meu lado.
— Típico da princesinha do Sete Tesouros... sempre sabe jogar o jogo.
— Zhuqing é mais complicada. Quieta demais. Mas acho que o problema é o Dai Mubai.
— Dá pra ver que ele gosta dela, mas ela não dá a mínima. Ele ficou com o ego ferido e ainda tentou me expulsar ontem! — Ela resmungou. — Gu Changfeng, me ajuda a dar uma lição nele! Pode colocar o preço, não vou reclamar.
— Um milhão de moedas de ouro.
— Um MILHÃO?! Você tá louco?! Rica eu sou, mas burra não! — Ela bufou.
— Foi você quem disse que não ia pechinchar. Agora acha caro? A princesa do Sete Tesouros não é tão corajosa assim, hein? — Ele riu, provocando.
http://portnovel.com/book/28/4251
Pronto:
Como usar: