Com um som poderoso da raquete, Yukimura Seiichi conseguiu devolver o saque de Yuki Mahoya.
Ao mesmo tempo, isso marcou sua vitória em decifrar a técnica de saque do adversário.
Ao ver a bola sendo rebatida, Mahoya continuou impassível, mantendo uma expressão tranquila.
Aquela situação já era esperada por ele, então se adiantou rapidamente, interceptando a bola antes que ela tocasse o solo.
Ao golpear novamente, dezenas de flechas prateadas se espalharam pela quadra — dessa vez, ele havia adicionado múltiplas "Flechas Sagradas de Aniquilação" ao rebate.
Porém, Yukimura, já preparado, não ficou parado como antes.
Agora, ele estava começando a se adaptar àquele rebate. Com a mente concentrada e os sentidos aguçados, sua visão atingiu um novo nível.
Com um rápido olhar, ele identificou entre as flechas luminosas o verdadeiro trajeto da bola.
Yukimura correu velozmente até alcançar o ponto onde a bola cairia — próximo à linha lateral, prestes a quicar para fora.
Toc!
Mais uma vez, ele rebateu a bola, e o jogo começou a mudar.
O placar, que antes favorecia Mahoya, começou a se equilibrar conforme Yukimura devolvia cada golpe.
15-0
15-15
15-30
30-15
...
Mesmo perdendo pontos, Mahoya não se importava.
Era exatamente isso que ele queria ver.
Naquele momento, ele já estava utilizando o mesmo nível de força do Torneio Nacional do ano anterior.
E agora, havia forçado Yukimura ao limite — seu próximo objetivo era mantê-lo nesse estado até o fim do jogo.
Apenas encarando seu próprio limite, Yukimura entenderia qual caminho seguir.
No entanto, uma inquietação persistia no peito de Mahoya.
Aquele sentimento estava lá desde o início, mas ele o ignorou para se concentrar no jogo.
Agora, sem tempo para reflexões, ele manteve o foco.
Após uma sequência de trocas, Mahoya finalmente encontrou um ponto cego e finalizou o game com um golpe rápido e preciso.
5-0.
Em seguida, sob os olhares atentos de Sanada Genichirou e Yanagi Renji, Yukimura iniciou seu saque.
A bola foi lançada em direção ao pé esquerdo de Mahoya.
— Mahoya… agora é a minha vez — murmurou Yukimura, os olhos brilhando com intensidade.
Claro, Mahoya não ouviu — ele não tinha superaudição.
Ao receber o saque preciso como sempre, ele ajustou o movimento para o ponto ideal.
Toc!
Mas, no momento do impacto, sua sobrancelha se ergueu levemente.
[Algo está errado.]
Essa foi sua primeira sensação.
A força e o efeito da bola eram diferentes do esperado.
Um pequeno desvio, mas Mahoya sabia que não era algo que ele erraria.
A bola, que deveria cair no meio da quadra, acabou indo mais para trás.
Um erro simples, impossível para um jogador de nível nacional.
À medida que os rebates continuavam, aquela sensação se tornou mais familiar.
Até que, no décimo golpe, Mahoya perdeu completamente a noção da raquete em sua mão.
Ao tentar acertar a bola, parecia que estava golpeando o ar.
E, como resultado, a bola voou descontroladamente para fora da quadra.
— Mahoya… agora você já não sente mais o tato, não é? — Yukimura falou em voz baixa.
Do outro lado, Mahoya olhou para o braço que segurava a raquete, apertando-a com força antes de finalmente entender.
Aquela sensação… há muito tempo não a sentia.
— Faz tempo… mas veio mais cedo do que eu imaginava — comentou Mahoya, genuinamente surpreso.
A última vez que experimentara algo assim havia sido dois anos atrás.
O que ele não disse foi que o "Aniquilador dos Cinco Sentidos" de Yukimura havia sido ativado muito antes do esperado.
No passado, Yukimura só conseguira anular seu tato no nono game, quando o placar estava 4-4.
Mas agora, já no sexto game, seu tato havia sido removido.
Isso significava que Yukimura gastara muito mais energia do que o normal para ativar a técnica mais cedo.
[Yukimura… você está mesmo tão determinado a me vencer?]
Mahoya levantou o olhar, e seus olhares se encontraram.
Por trás da calma de Yukimura, ele enxergou uma vontade feroz de vencer.
Os jogos seguintes tomaram um rumo diferente, já que Mahoya não conseguia mais sentir a raquete.
— Ponto de Yukimura Seiichi! 1-5! — anunciou Sanada Genichirou, sua voz grave ecoando.
Ele achara que o jogo estivesse acabando, mas, no momento decisivo, Yukimura conseguira virar o jogo.
[...]
Nota do autor: Sobre a doença do Yukimura, o protagonista já havia alertado no ano passado. Vou abordar isso mais pra frente, então já adianto para evitar que reclamem que o protagonista não avisou.
Capítulo 38 - O Jogo Interrompido
Ao conseguir virar um ponto, Yukimura respirou aliviado em silêncio.
Desde o primeiro saque da partida, ele já estava planejando a privação dos cinco sentidos.
Qualquer outro jogador teria sucumbido nos primeiros games.
Mas, infelizmente, seu adversário era Yukimura Makoto — alguém que ele não tinha certeza se conseguiria derrotar.
Ele sabia muito bem que, seguindo sua experiência usual, com o nível atual do oponente, provavelmente não conseguiria ativar a técnica até o fim da partida.
Por isso, para evitar isso, Yukimura Seiichi aplicou um reforço duplo de sugestão mental em cada bola que rebateu.
Tudo para que a Privação dos Cinco Sentidos fosse ativada antes que Yukimura Makoto encerrasse o jogo.
E agora, ficou claro para Yukimura Seiichi que sua decisão havia sido acertada. Se não tivesse começado desde o primeiro ponto, provavelmente teria o mesmo destino que Sanada Genichirou.
Felizmente, conseguiu ativar a técnica no sexto game.
Yukimura Seiichi sentia a mente cansada — um efeito colateral de forçar a privação antes do momento ideal.
Ele balançou a cabeça, sabendo que ainda não era hora de descansar. Mesmo tendo removido o tato de Yukimura Makoto, não podia baixar a guarda.
Do outro lado da quadra, na linha de fundo, Yukimura Makoto se preparava para sacar.
Mesmo sem o tato, seu saque ainda estava longe de ser algo que um jogador comum conseguiria lidar.
Sem sentir a força do golpe, a memória muscular do corpo permitiu que ele executasse um saque potente com perfeição.
— Ele ainda consegue fazer isso…? — Sanada Genichirou, na cadeira do juiz, ficou chocado.
Ele conhecia bem aquela sensação e sabia o quanto a privação do tato afetava um tenista.
Era um golpe devastador, que mergulhava a pessoa num abismo de terror conforme o tempo passava. Só de lembrar, Sanada sentia um calafrio.
Na quadra, a disputa continuava.
Mas, diferente dos games anteriores, quando Yukimura Makoto dominava e pressionava, agora os papéis se invertiam.
Pela primeira vez, Yukimura Seiichi assumia a vantagem, atacando sem piedade o adversário privado do tato.
Seus golpes eram como uma tempestade, sem dar um segundo de respiro.
Ele sabia que não podia prever quanto tempo a privação duraria em Yukimura Makoto. Precisava encerrar o jogo o mais rápido possível.
Toc!
Toc!
Os golpes soavam como uma chuva constante.
Mas a defesa de Yukimura Makoto era mais resistente do que Yukimura Seiichi esperava.
Mesmo sem o tato, ele ainda conseguia usar o Passos do Vento, mantendo-se firme contra os ataques. Embora seus contra-ataques não fossem tão precisos, o movimento ágil bloqueava a maioria dos golpes angulados e mortais.
O tempo passou, e o rosto de Yukimura Seiichi já estava coberto de suor.
O placar agora era 3 a 5.
Nos últimos minutos, Yukimura Seiichi havia conquistado apenas dois pontos — muito abaixo do que esperava.
Era inacreditável. Mesmo em desvantagem, Yukimura Makoto conseguia minimizar as perdas.
Além disso, Yukimura Seiichi percebeu que sua energia estava diminuindo, enquanto o adversário permanecia calmo, quase sem suar.
[Apenas privar o tato não é suficiente...]
O pensamento cruzou sua mente, e ele apertou a raquete com mais força.
No próximo game, no saque de Yukimura Makoto, algo inesperado aconteceu.
Ele parecia já ter se adaptado à falta do tato.
Com um movimento fluido, ele executou novamente o Sagradas Flechas da Morte — um saque que não usava há vários games.
Os dois rivais na quadra ficaram perplexos.
Como ele ainda conseguia fazer aquele saque?
A privação dos sentidos tinha falhado?!
Uma dúvida assustadora surgiu em suas mentes. O jogo estava se tornando imprevisível.
Ao ver as flechas de luz se aproximando, Yukimura Seiichi hesitou por um instante — mas logo identificou a trajetória de uma delas.
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