Parece que, há 20 anos, muitos episódios animados distorceram bastante o personagem Sanada com roteiros cheios de invenções. No mangá, ele arrasou no modo "Muga" do Ryoma, mas depois perdeu contra o Ryoma no estado "HT", com a habilidade de sombra de samurai e o golpe "Cool". Só que na animação mudaram tudo – fizeram o Sanada ser humilhado pelo Ryoma no modo "Muga".
Até o lendário "Fūrin Kazan" dele, que tinha quatro técnicas diferentes, foi reduzido a só uma – o "Vento". E pior, a técnica do "Fogo" foi emprestada pro Ryoma, fazendo o Sanada perder pontos seguidamente contra uma versão falsificada do seu próprio golpe, além de ter sua raquete arremessada longe numa cena bem vergonhosa.
Outra coisa: no mangá, o "Monte" – uma das técnicas do Sanada – era focada em resistência. Foi dito claramente que o Atobe, antes de dominar o "Mundo de Gelo", não tinha chance contra o Sanada usando só essa técnica. O Sanada o esmagava. Mas na animação cortaram esse detalhe, deixando a impressão errada de que o Atobe e o Sanada eram quase do mesmo nível.
E pra piorar, mesmo em OVAs, continuaram desfavorecendo o Sanada – deixando ele sem conseguir reagir nem ao saque do Taki.
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Capítulo 26: O Começo dos Regionais
Ofegante...
Ofegante...
Ofegante...
Os novatos do time de tênis respiravam pesado enquanto faziam os exercícios físicos. Por perto, Sanada Yukimura, de braços cruzados, observava com expressão severa, fiscalizando cada movimento.
— Mantenham o ritmo, sem relaxar. Faltam só cinco voltas! — advertiu quando viu alguém ficando para trás.
Apesar da derrota arrasadora contra Yukimura Seiichi na seletiva, a autoridade de Sanada no clube continuava inabalável. Sob seu olhar afiado, os novatos suavam frio, treinando com o máximo de dedicação para não chamar sua atenção.
— Sanada, como está o treino dos novatos? Tudo indo bem? — uma voz calma surgiu atrás dele.
Era Yukimura. Ele nem precisou virar pra saber.
— Hmph. Mais ou menos. Eles ainda têm muito chão até serem realmente úteis — respondeu Sanada.
— Hmm~ Todo mundo precisa de tempo pra evoluir, não é? — Yukimura sorriu.
Sanada ficou em silêncio. Algo naquela frase parecia direcionada a ele.
Muito tempo já havia passado desde as seletivas, mas pra Sanada, aquela derrota ainda parecia ter acontecido ontem.
— Todos os titulares já chegaram hoje? — Yukimura olhou ao redor, casual.
— Todos, exceto o Marui — respondeu Sanada, sucinto.
— Então avisa todo mundo, por favor. Em dez minutos, reunião na sala do clube.
— Entendido.
Sanada assentiu. Ele já sabia mais ou menos do que se tratava.
Dez minutos depois, na sala de reuniões do clube de tênis de Rikkai, os oito titulares – incluindo Marui, que finalmente apareceu – estavam reunidos.
Yukimura Seiichi, trajando o uniforme amarelo-marrom, apoiou o queixo na mão enquanto esperava que Yukimura iniciasse a conversa.
— Pessoal, os regionais do campeonato nacional estão chegando. Alguém tem alguma ideia sobre como vamos lidar com isso? — Yukimura olhou para o grupo.
— Ah, tanto faz. Se eu nem precisar jogar, melhor ainda — Marui bocejou, sonolento.
— Isso é falta de disciplina, senpai! Mesmo sendo só regional, temos que mostrar a força do Rikkai! — Sanada franziu a testa, irritado.
— Que chato... Regional é tão fácil que nem precisa dos titulares todos. Deixa o Sanada levar uns reservas e pronto — disse Marui, reclinado na cadeira, assoprando um balão de chiclete.
Desde que seu parceiro de dupla saiu, a motivação dele tinha diminuído bastante.
— Pois é, concordo — apoiou Yanagi Renji, com um sorriso irônico.
Yukimura observou os outros. Ninguém ali parecia preocupado.
E era óbvio porquê. Os regionais eram só um passo insignificante pra eles.
— E você, Yukimura? Tem alguma ideia? — Yukimura olhou diretamente para ele.
A opinião dele importava.
— Bem... nada muito especial...
Na real, ele também não ligava muito, mas com o Yukimura olhando assim, não dava pra responder com indiferença.
— Acho que o Marui tem razão. Regional é tranquilo, não precisa dos melhores jogadores todos.
— Então o que você sugere? Compartilha com a gente.
Todos viraram os olhos para ele, esperando.
— Deixa eu pensar... Ah! Por que não colocar aquele garoto de cabelo bagunçado? Ele é bom o bastante pra regional — Yukimura lembrou dele de repente.
— Kikumaru Eiji? Hmm... boa ideia — Yukimura coçou o queixo, ponderando.
Era mesmo uma ótima chance de testar novos talentos.
Alguns dias depois, no local do torneio regional de Kanagawa...
Yukimura e o time do Rikkai desceram do ônibus e seguiram para o local de cadastramento.
— Nossa, é o time do Rikkai!
— Que presença... isso que é um time campeão de 14 títulos consecutivos no Kanto? Só de vê-los de longe já fico sem ar!
— No ano passado, eles acabaram com o sonho do Shitenhouji de conseguir um tricampeonato nacional. E os principais jogadores ainda estão no segundo ano!
— Caramba... então nos próximos três anos...
Como dominadores do Kanto, a chegada do Rikkai foi o centro das atenções. O clima leve acabou, e o silêncio pesado tomou conta assim que pisaram no local.
Capítulo 27: Vitória Fácil
Todos os jogadores das diversas escolas que vieram competir sabiam muito bem uma coisa: em qualquer torneio em que a Ritsusei Daihaku participasse, a única opção que tinham era ficar em segundo lugar.
Nesse momento, cada um deles rezava internamente para não ter que enfrentar a Ritsusei antes da final.
— Aqui estão os dados dos oito jogadores inscritos pela Ritsusei Daihaku do ensino fundamental. Obrigado — disse Yukimura Seiichi, entregando os formulários de inscrição ao funcionário responsável pelo cadastro regional.
— Certo, vou inserir as informações agora — respondeu o homem, pegando os papéis com um sorriso. Mas, ao dar uma olhada, seu rosto se congelou por um instante.
— Hmm...
Ele levantou os olhos, olhando por um segundo atrás de Yukimura, como se quisesse dizer algo, mas acabou decidindo não comentar e se concentrou no registro.
Pouco depois, Yukimura voltou para o grupo.
— Tudo registrado. Agora, o time será liderado por Sanada. Os que não forem jogar hoje podem ficar como espectadores — anunciou.
— Pff, sorte de quem não precisa entrar em quadra. Que chateação — resmungou Yanagizawa Haruichi, coçando a cabeça com uma expressão de custo.
— Parece que você não está muito animado para formar dupla comigo, Yanagizawa — comentou Yanagihara Hitoshi, ajustando os óculos com um olhar afiado.
— Não é nada disso! — negou Yanagizawa rapidamente, agitando as mãos.
A Ritsusei tinha definido o time titular somente no dia anterior. Como o objetivo era testar formações novas e dar experiência aos novatos, o time para o torneio regional ficou assim:
Duplas 2: Marui Bunta e Oori Hisasaburou
Duplas 1: Yanagizawa Haruichi e Yanagihara Hitoshi
Simples 3: Kirihara Akihito
Simples 2: Yanagi Renji
Simples 1: Sanada Genichirou
Kirihara Akihito, graças a uma sugestão casual de Naruse Mayoi, conseguiu uma vaga como não-titular para jogar. Já as duas duplas eram completamente novas.
A formação de Marui e Oori foi ideia de Naruse Mayoi, uma tentativa de antecipar o que viria no futuro, já que ele sabia que Oori acabaria se tornando um jogador de duplas. Além disso, mantendo Marui na frente e colocando Oori atrás, eles teriam uma defesa mais sólida e um poder de ataque melhor do que o habitual.
Quanto a Yanagizawa e Yanagihara, Yukimura havia pensado inicialmente em juntar Yanagizawa com Marui, mas Yanagizawa insistiu em jogar com Yanagihara, falando algo sobre "irmandade no tênis". Yukimura acabou cedendo.
Esse torneio regional seria o teste para essas novas duplas.
Na visão de Naruse Mayoi, essa formação não era exatamente o melhor que a Ritsusei poderia colocar em quadra. Mesmo assim, para a maioria das escolas, seria uma muralha intransponível.
— Kirihara, faça bonito, hein? Essa vaga foi os veteranos que deixaram pra você — disse Marui, bagunçando o cabelo de Kirihara com um sorriso.
— Marui-senpai, eu já falei pra parar de mexer no meu cabelo!
Apesar do tom de protesto, Kirihara não o impediu. Na verdade, estava sério e determinado. Essa seria sua primeira partida como representante oficial da Ritsusei, e ele não podia decepcionar.
Sanada, como sempre, cortou o clima descontraído com um tom firme.
— Chega de brincadeira. Hora de ir para as quadras.
Os outros jogadores confirmaram com um aceno, e os sete titulares seguiram Sanada.
— Vamos acompanhá-los — sugeriu Yukimura.
— Sim, vamos — concordou Naruse.
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Vitória Fácil
Por terem sido campeões no ano anterior, a Ritsusei já entrou automaticamente na segunda fase, pulando a primeira rodada. Precisariam disputar só mais três partidas para encerrar o torneio regional.
— Jogo finalizado. Vitória de Sanada, 6 a 0.
Com o anúncio do árbitro, a primeira partida da Ritsusei terminou.
Mesmo tendo garantido o 3-0 logo de início, as regras exigiam que cumprissem todas as cinco partidas. Em média, cada uma durou apenas dez minutos, totalizando menos de uma hora. Essa era a força esmagadora da Ritsusei.
— Ainda são absurdamente fortes... — murmurou um homem de meia-idade, segurando uma câmera.
Inoue Mamoru, repórter da Revista de Tênis, além de cobrir os torneios profissionais mundiais, também acompanhava de perto as novas promessas do tênis juvenil japonês. Por isso, não era surpresa vê-lo ali.
Conhecendo os principais times do país, ele percebeu que menos da metade dos titulares do ano anterior haviam entrado em quadra hoje. Mesmo assim, o domínio foi absoluto — cinco vitórias por 6 a 0 não deixavam dúvidas.
Seus olhos se voltaram para o banco da Ritsusei, observando atentamente os jogadores liderados por Yukimura Seiichi.
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