Yeming primeiro ativou as Botas do Vento para se deslocar três metros para a esquerda. Em seguida, ergueu o braço e um escudo prateado, com parte superior retangular e base arredondada, surgiu sobre sua cabeça — era o Escudo de Prata.
A flecha disparada pelo homem robusto não tinha a capacidade de mudar de trajetória. Com um estrondo ensurdecedor, explodiu no local onde Yeming estivera momentos antes, abrindo uma cratera de vários metros de profundidade. As bordas do impacto ficaram carbonizadas, e um fino rastro de fumaça subiu suavemente.
Enquanto isso, o jovem baixote, controlando uma clava longa, ajustou a trajetória do golpe no mesmo instante em que Yeming se movia — mas, exatamente nesse momento, o Escudo de Prata já estava no caminho.
— BANG!
Um impacto violento ecoou quando a clava atingiu o escudo. A superfície prateada brilhou intensamente por um instante, mas permaneceu intacta.
— Quarta Irmã! — O jovem baixote, sem se abalar, gritou para a mulher sedutora enquanto erguia a clava com um gesto. O artefato negro brilhou e, num golpe relâmpago, desceu novamente sobre Yeming.
Desta vez, porém, o Escudo de Prata respondeu com um brilho ofuscante e, em vez de apenas bloquear, empurrou a clava para longe com força.
A mulher, ainda nervosa, ergueu a mão delicada e fez o laço vermelho que carregava se contorcer como uma cobra, arremessando-o na direção de Yeming.
Sem hesitar, Yeming ativou as Botas do Vento e desviou rapidamente. Sabia que, se fosse enredado por aquilo, perderia sua vantagem em velocidade e, sem ela, os ataques contínuos dos artefatos superiores dos outros três seriam mortais. Por mais resistente que o Escudo de Prata fosse, ele não aguentaria golpes incessantes. Foi justamente por isso que seus ataques anteriores focaram nela.
O laço vermelho, ao errar, curvou-se no ar com um zum e partiu novamente em perseguição.
Yeming, entretanto, era ágil demais — sempre que o laço se aproximava, ele se contorcia em ângrios impossíveis, evitando o aprisionamento. Por um momento, os dois não conseguiam alcançá-lo.
Em outro front, as Lâminas Gêmeas, reluzentes, perseguiam implacavelmente a mulher sedutora, mas eram constantemente bloqueadas pelo escudo azul do homem esguio.
No entanto, após múltiplos choques, o brilho azul do escudo começou a enfraquecer, recuando lentamente. O rosto do homem esguio empalidecia, expressando desespero. O artefato do oponente era simplesmente tão afiado! Ele então sacou de suas costas outro escudo, dessa vez negro e lustroso, e o lançou ao combate, dividindo a pressão sobre o escudo azul.
Mas este novo escudo negro era de um nível inferior e, após apenas dois impactos, rachaduras já cobriam sua superfície, indicando que estava à beira da destruição.
— Próxima rodada de fogo concentrado! — O homem robusto no ar, testemunhando a cena, ernheceu a expressão e ordenou em voz alta.
Ele nunca esperara que o alvo fosse tão esquivo — rápido demais para ser atingido, impossível de ser enredado. Se a situação continuasse, coisas imprevistas poderiam acontecer.
Com um gesto, ele sacou do cinto de armazenamento três espadas curtasinhas, cada uma do tamanho de um antebraço. Eram um conjunto de artefatos de nível superior.
O baixote e a mulher também revelaram suas armas de reserva — uma espada voadora e um espeto afiado em forma de grampo, ambos também de classe superior.
Os Quatro Demônios de Lingnan, por serem guerreiros errantes e sem clã, nunca haviam conseguido mais que um artefato superior por pessoa, fruto de incontáveis pilhagens. Esse era o limite de suas fortunas — afinal, a maior parte do saque era gasta em pílulas de cultivo para elevar seus poderes.
Os três conjuraram rapidamente, e num instante, quatro espadas e o grampo se lançaram contra Yeming em três direções diferentes.
A última rota de fuga foi bloqueada pelas flechas.
Yeming, vendo isso, sentiu um frio na espinha. Rapidamente trouxe o Escudo de Prata para frente e, com um chute nas Botas do Vento, arremessou-se na direção do grampo.
— BUM!
Com um impacto violento, Yeming, junto com o escudo, arremessou o grampo para longe, abrindo caminho para escapar.
— TOC TOC TOC!
As espadas e a clava atingiram apenas o ar atrás dele.
Foi então que algo inesperado aconteceu!
De uma árvore a menos de dez metros do homem robusto, um raio negro surgiu e disparou em sua direção com velocidade assombrosa.
Capítulo 12 — Mudanças no Espaço de Armazenamento
O homem ficou petrificado. Mesmo com toda sua experiência, nunca esperara que uma ameaça mortal estivesse escondida tão perto dele.
Durante a batalha, ele tinha certeza de que o homem de manto cinza já empunhava três artefatos: as lâminas brancas, o escudo prateado e as botas. Como diabos poderia haver um quarto? Isso não fazia sentido!
Por estar a uma distância segura, ele se permitira atacar sem nenhuma defesa, concentrando toda sua energia nas flechas. Depois, ao invocar as três espadas, sua proteção pessoal ficou ainda mais fraca.
Quando o raio negro surgiu, o único instinto que lhe restou foi ativar uma barreira vermelha ao redor do corpo — um escudo básico de sua técnica cultivada, nada muito resistente.
Mas antes que pudesse reagir, o raio negro já havia chegado.
— TSCHAK!
A barreira vermelha se rompeu como papel.
E então, em um movimento fluido, a lâmina escura perfurou sua testa e saiu pela nuca.
— PLOFT!
O homem nem teve tempo de gritar. Seu corpo foi arremessado do tamborete e caiu no chão com um baque seco, levantando uma poeira espessa. Seus olhos, ainda abertos, refletiam incredulidade. Até o último momento, ele não entendeu como a presa havia se tornado o caçador.
No mesmo instante, a raposa vermelha em seus braços soltou um guinado agudo, caiu e parou de se mexer.
— IRMÃO!
Os outros três congelaram.
O baixote e a mulher, ao verem seu líder morto em segundos, enlouqueceram.
Seus artefatos atacaram Yeming sem misericórdia, sem lhe dar um segundo de respiro.
Yeming desviou do que pôde, mas alguns golpes eram inevitáveis — e cada impacto no Escudo de Prata o abalava mais. Ele já nem tinha tempo para contra-atacar.
Por sorte, o escudo mágico era de alta qualidade e resistiu aos ataques frenéticos dos dois inimigos. No entanto, a energia espiritual de Ye Ming se esgotava rapidamente.
— Não dá! Se continuar assim, vou morrer aqui! — pensou, enquanto canalizava uma parte de sua energia restante para as Botas do Vento Veloz em seus pés.
Seu corpo disparou como uma flecha, cruzando uma distância de mais de trinta metros em um salto. Com outro impulso, alcançou o cadáver do homem com a verruga no rosto. Agachou-se, agarrou a bolsa de armazenamento na cintura do cadáver e arrancou-a com força.
— Maldito, você ousa?! — O homem baixo e atarracado gritou, os olhos injetados de fúria, enquanto lançava-se contra Ye Ming. A mulher sedutora e o homem de feições afeminadas também se moveram, conduzindo suas armas mágicas em um ataque furioso.
Arrancar a bolsa quase não atrasou Ye Ming. Ele correu para frente imediatamente, chamando de volta suas lâminas gêmeas, mantendo o escudo prateado nas costas para bloquear ataques vindos de trás.
Quase no mesmo instante em que ele se afastou do cadáver, uma corrente de fogo, uma espada voadora e um alfinete de cabelo mágico atingiram o local.
[BOOM! BOOM! BOOM!]
O corpo do homem foi esquartejado pelos ataques, tornando-se uma cena sangrenta.
Ye Ming nem sequer olhou para trás. Concentrou todas as suas forças em correr.
— Atrás dele! Ele está quase sem energia, não podemos deixá-lo escapar! — O homem atarracado rugiu, pulando sobre um cabaço voador no ar.
A mulher agachou-se rapidamente para arrancar o coldre de flechas do cadáver antes de subir no cabaço. O homem afeminado recolheu o arco do falecido e também embarcou.
Os três uniram forças para perseguir Ye Ming a toda velocidade.
Mas ele era rápido demais. Em poucos saltos, desapareceu no meio da floresta densa.
Eles perseguiram por quase cinco quilômetros a oeste, sem encontrar nenhum vestígio. Viraram para o norte e continuaram correndo, mas, após várias mudanças de direção, finalmente pararam, frustrados.
— Não vamos encontrá-lo no escuro sem a fera espiritual do nosso líder! — disse o homem afeminado, com o rosto sombrio.
— Ele matou nosso irmão... — murmurou a mulher, a voz cheia de amargura.
— Quem vive pela espada, morre pela espada — o homem afeminado respondeu com um tom soturno. — Um dia, talvez seja nossa vez.
Os outros dois ficaram em silêncio, a verdade das palavras pesando sobre eles.
— Vamos — concluiu o homem afeminado, infundindo energia no cabaço. — A vida segue. Precisamos encontrar outra presa e fortalecer nossos poderes.
O cabaço brilhou em verde, carregando os três para longe na noite.
...
Quase vinte quilômetros de distância, em um monte desolado, Ye Ming estava deitado sob um monte de pedras, imóvel.
Assim que escapou, ele correra sem economizar energia, mudando de direção várias vezes para despistar possíveis perseguidores. Quando sua força estava no fim, encontrou um esconderijo entre as rochas, ajustando algumas delas para se cobrir.
Ali ficou, sem fazer um só movimento, deixando sua energia se recuperar naturalmente. Qualquer vazamento de aura poderia delatá-lo.
Naquele estado, ele não teria chance contra os três. Mesmo tendo uma esfera de trovão escondida, não valeria a pena usá-la neles.
Felizmente, eliminar o homem da verruga fora a jogada certa — sem a fera espiritual, os outros não podiam rastreá-lo.
Só quando o sol raiou e nenhum sinal de inimigos apareceu, Ye Ming finalmente relaxou.
— Ufa... Esse mundo é perigoso demais — suspirou, sentando-se.
A batalha da noite passada mostrou-lhe que aquilo não era uma história fictícia, mas um lugar real, onde um erro podia custar sua vida.
Reviu mentalmente cada passo: quando chamou atenção? Quando foi seguido? Quantos outros tentaram emboscá-lo, mas foram enganados por suas precauções?
Aos poucos, as peças se encaixaram.
Com um grunhido de desprezo, guardou a lição.
Depois, analisou o confronto com o Quarteto de Lingnan — seu primeiro combate real nesse mundo. Cada ataque, defesa, esquiva e estratégia precisava ser lembrado. Aquela experiência seria útil no futuro.
Quando terminou, seus olhos refletiam determinação renovada.
Tirou do bolso a pequena bolsa cinza — o saque da batalha.
Com um toque de curiosidade, abriu-a e derramou o conteúdo. Objetos despejaram-se, enchendo quase todo o espaço sob as pedras. Ye Ming teve que tirar mais uma rocha para ter espaço.
— Parece que os cultivadores independentes desse mundo são todos pobres — murmurou Ye Ming, revirando os olhos enquanto vasculhava os pertences do bandido. — Até um ladrão forte como esse cara não foge à regra...
A bolsa de armazenamento do homem não tinha quase nada de valor. Só umas cinquenta pedras espirituais, duas ferramentas mágicas de alta qualidade — as mais valiosas de todo o saque — e uns vinte e tal talismãns de baixo e médio nível. Melhor que nada.
Havia vários livros e tábuas de jade, mas depois de examinar um por um, Ye Ming descobriu que eram apenas técnicas básicas ou registros sobre o mundo dos cultivadores. Nada de especial, só serviam para ampliar seu conhecimento.
Separou o que era útil, jogou fora o resto e ficou com uma lamparina de bronze na mão. O objeto parecia antigo, com um estilo clássico, mas estava incompleto — faltava a base.
O que chamou sua atenção foi a descoberta acidental de que a lamparina absorvia energia espiritual. Quando tentou canalizar mais força, no entanto, o artefato sugou tudo como um buraco negro, sem mostrar nenhum sinal de saturação.
— Será uma ferramenta mágica? Um tesouro ancestral? — cochichou, sem conseguir decifrar. — Seja o que for, conseguir absorver tanta energia assim já a torna especial.
Sem tempo para investigar, guardou a lamparina no espaço de armazenamento e se preparou para meditar e recuperar suas energias.
— Hã? Espera aí... — De repente, seus olhos se arregalaram. Abriu o espaço de armazenamento de novo.
Ao guardar a lamparina, notara algo diferente. Os três compartimentos misteriosos, que nunca haviam servido para nada, finalmente mostravam mudanças.
No primeiro, agora havia um objeto marcado com três pequenos caracteres: "Pílula de Qi". E no canto inferior direito, um número: "Dez".
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