— O que foi? — Feng Yang perguntou, quebrando o silêncio.
— Eu estava pensando... Posso te chamar de mestre agora? — a voz vinha tímida, quase hesitante.
— Pode.
— Mestre!!! — Ela soltou o título com uma animação contagiante.
— Hmm.
— Então, mestre... — ela continuou, os olhos brilhando de expectativa. — Vi que quando Zhu Zhuqing e Ning Rongrong se tornaram suas discípulas, ganharam presentes. Eu também vou ganhar?
— Isso pode ser arranjado.
— Sério?! Obrigada, mestre! Quer que eu te sirva de novo como agradecimento?
— Você não tá ficando com vergonha?
— É... só um pouquinho.
— ...
Do lado de fora da janela, sob o manto da noite, Tang San ouvia cada palavra com os punhos cerrados até doerem.
[Que vagabunda! Sem vergonha nenhuma!]
Mas quando as palavras de Xiao Wu confirmaram que ela iria deixar a Academia Shrek com Feng Yang, já como sua discípula oficial, algo dentro dele desmoronou.
Era real. Ela estava mesmo indo embora. Para sempre.
A dor foi tão aguda que ele quase dobrou no meio. Sua noiva de infância, que ele nem sequer havia tocado, estava sendo levada por outro?
Quanto mais pensava, mais a raiva e o arrependimento queimavam dentro dele.
Por que tinha brigado com ela? Por que não esperou até tê-la conquistado de verdade?
Agora só lhe restava a sensação de ter sido o maior trouxa do mundo.
Ele precisava impedi-la de partir, custasse o que custasse.
Na manhã seguinte, ainda escuro, Tang San já batia na porta de Xiao Wu.
— Xiao Wu! Xiao Wu!
A porta se abriu devagar, revelando o rosto da garota, que ao vê-lo, franziu o nariz em desprezo.
— O que você quer?
— Hehe. — Tang San forçou o sorriso mais doce que conseguiu. — Você deve estar com fome, trouxe cenouras frescas. Fui até a vila buscar as melhores e lavei tudinho.
Estendeu o presente, mas Xiao Wu nem olhou.
Tapa!
As cenouras voaram pelo chão.
— Quem quer suas cenouras sujas? Nojento!
Tang San quase perdeu a compostura ao ver seu presente rejeitado. Mas lembrando-se da urgência, engoliu o orgulho.
— Xiao Wu, eu sei que ainda está brava, mas todo casal briga, não é? Podemos superar isso...
— Casal?! — Ela cortou sua fala como uma lâmina. — Nunca fomos nada, Tang San. Some daqui antes que eu te empurre!
BANG! A porta fechou na cara dele.
Seus punhos tremeram de raiva. Pela primeira vez, ele entendeu o impulso que levava homens a cometer atrocidades.
Mas sabia que nem isso poderia fazer — afinal, sem seu terceiro anel espiritual, ele mal conseguia enfrentar uma criança.
Na área de treinamento da academia, Tang San, Dai Mubai, Ma Hongjun e Oscar aguardavam em silêncio.
A ausência das três garotas deixou o diretor Flender andando de um lado para o outro, nervoso.
— Então não só Ning Rongrong e Zhu Zhuqing, mas Xiao Wu também vai embora com Feng Yang? — perguntou, já sabendo a resposta.
— Diretor, parece inevitável — respondeu Tang San, os dentes apertados.
Ele contara tudo sobre a noite anterior, na esperança de que Flender impedisse a partida.
Odiava Feng Yang? Claro. Mas se ele ficasse, Xiao Wu ficaria. E enquanto ela estivesse perto, haveria esperança.
Flender olhou para Yu Xiaogang, esperando algum milagre. Mas o homem apenas ficou parado, inútil como sempre.
— Xiaogang, pelo menos tente ajudar! — rosnou Flender, segurando a raiva.
Antes que alguém respondesse, Feng Yang apareceu, as três garotas seguindo-o como sombras.
Flender correu até eles, sorriso amarelo no rosto.
— Feng Yang! Dormiu bem hoje, hein? Aproveitando a folga...
— Sim — respondeu Feng Yang, sereno.
— Mas não deixe que essas meninas virem preguiçosas, hein? Elas precisam manter o treino! — Flender fingiu normalidade.
Ning Rongrong revirou os olhos.
— Diretor, eu mesmo vou cuidar para que não relaxem. Mas agora, estamos indo embora — declarou Feng Yang.
BOOM!
As palavras caíram como um raio sobre Flender. Três alunos a menos? A academia já mal se sustentava!
— Feng Yang... como assim "ind embora"? — gaguejou, ainda tentando fingir.
— Ai, seu velho cego! — Ning Rongrong não perdoou. — O mestre está nos levando da Shrek. Entendeu agora?
Flender engoliu seco. Aquele pequeno demônio da Torre Sete Joias sabia cutucar onde doía.
— Diretor, o rio sempre flui. Até outra hora — Feng Yang se virou para partir.
— FENG YANG! — Flender rugiu, a máscara caindo. — Você tem certeza disso?
O ar ficou pesado. Feng Yang virou lentamente.
— Tenho problema?
Os dois se encararam, o desafio pairando no ar.
— Tudo bem. Mas não se arrependa depois — Flender cuspiu, a ameaça clara como cristal.
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