Em pouco tempo, Tang San e os outros reagiram.
— Hum, provavelmente só ajudou porque não poderia voltar de mãos vazias — murmurou um deles.
— Não foi por genuína bondade, com certeza.
— Exatamente.
Eles cochichavam entre si, cuidadosos para não serem ouvidos. Afinal, conheciam o temperamento de Feng Yang. Se ele os ouvisse falando assim, uma surra seria o mínimo que poderiam esperar.
[...]
Xiao Wu mal conseguia ouvir aquilo sem se irritar.
— Talvez... seja como dizem, que um verdadeiro mestre age por dever, não por fama — comentou ela, mais para si mesma.
Aqueles ingratos eram piores que bestas selvagens — pelo menos uma besta poderia ser domesticada com esforço.
Tang San sentiu um calafrio de raiva e olhou para Xiao Wu.
— Xiao Wu, você não está ficando mole, está? — perguntou, voz cortante.
— N-não! — ela respondeu, hesitante.
[...]
Tang San franziu o rosto, expressão sombria.
— Então ótimo. Ele tem que morrer. — sibilou com ódio contido.
[...]
Agora, todos ali já sabiam do plano de Xiao Wu. Ela havia mentido para eles, dizendo que usaria um incenso especial para atrair bestas poderosas até o local, e Feng Yang seria massacrado. Mas, no fundo, ela já não queria mais matá-lo. Seguiria com o plano apenas para trazer o macaco titã e ameaçar Feng Yang, mostrando que ela também tinha aliados — e que ele não poderia continuar a bullyingá-la. Claro, se ele se ajoelhasse e lambesse seus dedos... seria a cereja do bolo.
— Vocês! — Feng Yang olhou para os cinco, impaciente. — Parem de cochichar e mostrem alguma coragem, se é que têm.
[...]
Tang San e Dai Mubai cerraram os punhos.
Mais uma vez se fazendo de superior, não é? Vamos ver por quanto tempo dura essa pose.
— Oscar, venha absorver o seu anel espiritual — ordenou Feng Yang.
[...]
Oscar hesitou, caminhando com um desconforto visível. Mesmo com o ressentimento, uma pontada de culpa ainda latejava nele.
— Certo, Feng Yang... — parou, corrigindo-se rapidamente. — Quero dizer... Mestre Feng Yang.
Antes que Oscar pudesse perfurar a crista da serpente, no entanto, uma voz ecoou na floresta.
— MESTRE!!
Era Meng Yiran, que chegou correndo, acompanhada de sua avó, Chao Tianxiang.
Mestre?! Mais uma discípula?!
Os olhos de Tang San, Dai Mubai e os outros se arregalaram. Susurros voltaram a surgir entre eles.
— Quantos alunos esse Feng Yang tem?
— Perceberam? Todos são mulheres.
— Hmph! Um pervertido, como eu já suspeitava!
— Uma pena que Zhuqing não enxergue isso... e ainda o defende!
Feng Yang acenou brevemente para Chao Tianxiang, cumprimentando-a com um gesto.
— Mestre, essa serpente é minha — declarou Meng Yiran, apontando para a besta.
Silêncio.
Eles trocaram olhares de frustração. Acabou.
Com a rivalidade entre eles, Feng Yang certamente daria a serpente à Meng Yiran — afinal, ela o chamava de mestre. E, como ele tinha sido quem capturou a besta, a decisão final era dele.
Dai Mubai apertou o ombro de Oscar, os dentes rangendo.
— Culpe a nossa fraqueza... Se tivéssemos dominado a serpente antes, seria diferente.
Oscar: [...]
Chao Tianxiang, porém, tinha experiência suficiente para ler a situação. Sabia que Feng Yang, como professor, não poderia ser flagrantemente parcial. Então, interveio.
— Feng Yang, não precisa se sentir pressionado. Essa serpente foi avistada por nós primeiro — explicou ela, voz calma.
Oscar revirou os olhos.
— E como provam isso? Quando a encontramos, vocês nem estavam por perto!
— Garoto, não seja precipitado — respondeu Chao Tianxiang, serena. — Olhem no ventre da serpente. Há três marcas do meu bastão.
Todos olharam.
E lá estavam: três feridas claras, exatamente como ela disse.
— Mesmo assim, fomos nós quem a derrotamos no fim — argumentou Tang San.
— Como a mestra da minha neta é também professor de vocês... — Chao Tianxiang ergueu o bastão, olhar firme. — Vamos seguir as regras dos espíritos. Um duelo. Minha neta lutará contra um de vocês. O perdedor cede o anel.
Sua vara apontou diretamente para Oscar, cujo joelho quase dobrou sob o peso da autoridade dela.
— Essa anciã... Oscar é um espírito de suporte. Eu lutarei em seu lugar — Tang San avançou, exalando falso heroísmo.
Cão que late não morde. Hoje eu humilho sua discípula... e esfrego na sua cara!
Ao ver Tang San, Meng Yiran sussurrou algo no ouvido da avó.
— Esse aí... foi quem lutou contra Ning Rongrong e Zhu Qing no ringue. Teve a mão esfolada. Parece ter problemas com o mestre.
Chao Tianxiang lembrou-se na hora.
— Muito bem, Yiran. Não decepcione seu mestre.
— Nunca, vovó.
Meng Yiran sorriu para Feng Yang antes de encarar Tang San, desdenhosa.
— Meng Yiran. Espírito: Lâmina Serpentina. Nível 30, dois anéis.
— Tang San. Espírito: Grama Azulada. Nível 29, dois anéis.
— Grama Azulada? — Meng Yiran riu. — Que espírito inútil.
Inútil?! Tang San fervia.
Todos que subestimam a Grama Azulada se ajoelham no fim!
Sem mais delongas, Meng Yiran atacou. Seu golpe foi rápido e afiado, forçando Tang San a desviar.
Num piscar de olhos, oito vinhas azuis brotaram do chão, envolvendo-a numa teia de pressão.
O duelo começara.
Parecia que ela estava prestes a ser amarrada no meio da ação.
— Guardiã Lua Nova! — gritou Meng Yiran.
Num piscar de olhos, seu corpo brilhou intensamente enquanto girava 360 graus no mesmo lugar, movendo a lâmina serpenteante com força.
Zummmm!
A lâmina emitiu um zumbido agudo.
O movimento foi tão rápido que os olhos mal conseguiam acompanhar cada frame da ação.
Tudo o que se via era um clarão sombrio girando em círculo completo, como um reflexo fugaz.
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