A pulsologia é o exame do pulso, também chamado de mapeamento dos batimentos, uma técnica de diagnóstico pela palpação de certas áreas do corpo do paciente.
Por sorte, Jiāng Lí dominava perfeitamente as quatro técnicas. Já havia deduzido a doença do paciente através do interrogatório, mas alguns quadros clínicos apresentavam sintomas muito similares. Para ter certeza, precisava confirmar pelo pulso — errar o diagnóstico seria constrangedor.
O homem de meia-idade, atendendo ao pedido de Jiāng Lí, apoiou o pulso sobre a mesa.
Observando o pulso aristocrático estendido diante dele, Jiāng Lí posicionou os dedos indicador, médio e anelar sobre o pulso do nobre.
A arte de mapear o pulso exige precisão nos movimentos dos dedos, dividindo-se em três etapas: seleção, disposição e manipulação dos dedos.
Jiāng Lí fez a leitura por alguns instantes e confirmou seu palpite inicial sobre a condição do nobre. No entanto, hesitou antes de revelar — aquilo poderia ser extremamente embaraçoso.
— *Ahem*... Senhor, já identifiquei seu problema — Jiāng Lí pigarreou — mas tem certeza que deseja que eu fale aqui, em público?
O nobre olhou ao redor, hesitou por um momento, mas finalmente decidiu:
— Diga, doutor. Eu aguento.
— Muito bem, já que insiste... Seu pulso apresenta padrão profundo, fino e acelerado, significativamente mais rápido que o normal. Combinado com seus sintomas descritos, o diagnóstico é... deficiência renal.
— Charlatão! — o nobre explodiu, ficando vermelho de raiva — Como ousa? Eu jamais teria tal problema! Minha esposa pode atestar minha... vitalidade! Vou denunciá-lo! Desde quando um moleque pode se passar por médico?
Jiāng Lí permaneceu impassível. Já esperava aquela reação — para os homens, a virilidade era uma questão de honra.
— Olhe só, que precipitação — ele respondeu com calma — eu nem disse que não posso tratar.
O nobre congelou no meio do seu acesso de fúria:
— O quê? Você pode... tratar?
Imediatamente, sua postura mudou:
— Doutor Milagroso! Por favor, diga-me como! Recompensa não será problema, contanto que eu recupere minha... plena capacidade!
— Ora — Jiāng Lí sorriu com ironia — há pouco eu era um charlatão, agora sou 'milagroso'? Que mudança rápida...
Ele conhecia bem esse tipo — tudo não passava de orgulho ferido. Como em sua vida passada, esses casos eram comuns. Para homens, a virilidade era tão sagrada quanto... bem, certas partes do corpo.
— *Ahem*... Eu não imaginava sua perícia, Doutor Jiāng — o nobre respondeu, constrangido, enquanto tirava uma bolsa de moedas de ouro — esta pequena oferta é meu pedido de desculpas.
Jiāng Lí avaliou o conteúdo — umas cinquenta moedas, nada mal. Aquele nobre realmente tinha recursos.
Com a recompensa garantida, Jiāng Lí pegou papel e pena:
— Muito bem. Vou prescrever uma fórmula. Siga exatamente as proporções.
Ele escreveu rapidamente:
*Rehmannia (15-20g), gelatina de casco de tartaruga (10g), gelatina de chifre de veado (5g, opcional), goji berries (15g), cornus (15g), dioscorea (10g), achyranthes (10g).*
Naquele mundo, as ervas medicinais eram similares às de sua vida anterior, só com nomes diferentes. Preparar um tônico renal foi fácil.
— Muito obrigado, Doutor! — O nobre agarrou a receita e saiu a passos largos, ansioso para testar a cura. Depois de tanto tempo sofrendo, ele finalmente veria resultados.
**Capítulo 19: O Veneno da Serpente Verde**
Jiāng Lí soltou uma risada ao ver o nobre sair tão apressado.
Deficiência renal não era o fim do mundo — o verdadeiro problema era não ter solução.
— Bom, chega por hoje — murmurou, esticando os ombros. O sol já se punha, e ele precisava voltar para treinar.
Normalmente trabalhava só meio período, mas aquele dia fora atípico — muitos pacientes, nenhuma pausa.
Seu pagamento era por atendimento, com bônus por receitas e gorjetas como a do nobre. Claro, a clínica ficava com uma parte, mas a divisão era justa.
Com aquele paciente, seu dia terminara.
Enquanto arrumava seus pertences, no andar superior da Clínica da Família Ye...
— Ling Ling, é esse aí? — alguém sussurrou — Não parece nada especial. Por que seu avô insistiu que você se aproximasse dele?
Quem falou era uma garota de cabelos curtos roxo-escuros, com um ar decidido e cheio de personalidade. Não era exatamente uma beleza deslumbrante, mas tinha um certo charme misterioso. Seus olhos verdes, estranhamente vívidos, transmitiam uma sensação quase sobrenatural.
Era Dugu Yan, agora com quatorze anos. Ultimamente, ela estava de mau humor. Sua mãe havia morrido no parto, e o pai falecera dois anos atrás. Agora, só lhe restava o avô, mas mesmo ele passava a maior parte do tempo em seu jardim secreto de ervas, envolvido em experimentos misteriosos.
Dugu Yan era introvertida e evitava conversar com os outros. Percebia os olhares que recebia — cheios de medo, desprezo e nojo. Se não fosse pelo fato de seu avô ser o famoso "Duque Venenoso", conhecido por seu domínio absoluto sobre toxinas, ninguém hesitaria em expressar essas emoções abertamente.
Por causa disso, Yan só tinha uma amiga: Ye Lingling. As duas se aproximaram por compartilharem a mesma situação — ambas só tinham os avôs como família. E foi justamente para visitar Lingling que Yan estava ali naquele momento.
— Sim, é ele — confirmou Ye Lingling, com um aceno. — O vovô pediu que eu me aproximasse dele.
Do segundo andar, as duas observavam Jiang Li de cima. Com apenas onze anos, ele já media um metro e setenta e cinco. Seus cabelos negros, com reflexos azulados, estavam semipresos, com as franjas caindo naturalmente sobre a testa. Seus traços delicados e postura elegante o tornavam impossível de ignorar.
— Nada demais — resmungou Yan. — Só um bonitão. Quem sabe se ele tem um décimo do talento que tem da beleza? Espera aí, vou testá-lo.
Antes que Lingling pudesse impedi-la, Yan já descia as escadas.
— Ei, bonitão! — chamou ela, aproximando-se de Jiang Li. — Parece que você é bom com medicina. Que tal me examinar?
Jiang Li franziu a testa, interrompendo o que estava fazendo para olhar para a voz insolente.
— Cabelo roxo, olhos verdes... — murmurou ele, sentindo que aquelas características lhe eram familiares, mas sem lembrar de quem se tratava. Afinal, nesse mundo, cores incomuns de cabelo e olhos por causa de espíritos marciais eram comuns.
Então, ele avistou Ye Lingling atrás da garota e sentiu um cheiro forte e metálico no ar. Algo lhe ocorreu, mas ele não tinha certeza.
— Senhorita Ye, quem é essa? — perguntou ele, cauteloso.
Nos últimos dias, seguindo o pedido do avô de Lingling, os dois haviam se tornado mais próximos, então ele esperava uma resposta honesta.
— Ela é minha amiga, Dugu Yan — respondeu Lingling, com sua voz suave e etérea.
Jiang Li quase engasgou. [Caramba, então é ela mesmo!] Por isso o cabelo roxo e os olhos verdes. [Isso vai ser complicado...]
[O que ela está fazendo aqui? Será que o Velho Du está por perto?]
Seus olhos se moveram nervosamente. Se ele a examinasse, poderia correr perigo. Era provável que o avô dela não tivesse contado sobre a condição da neta. Se ele revelasse algo, poderia custar-lhe a vida. Mas se recusasse, Yan, com seu temperamento, não desistiria tão cedo. Um lampejo de medo cruzou seu rosto.
Yan, porém, interpretou mal a hesitação dele. Ele não só a ignorara para falar com Lingling, como agora a olhava com aquele mesmo que todos tinham.
— Por quê? — pensou ela, o coração apertado. — Por que sempre esse olhar? Já estou cansada disso! Por que todo mundo me vê assim?
Desde criança, fora isolada pelos outros, sem nunca entender o motivo. Seu avô nunca lhe dera respostas, apenas acariciara sua cabeça. Ela nem sabia como o pai morrera. E agora, até o amigo da sua única amiga a encarava daquele jeito.
A raiva explodiu dentro dela.
— Ei, estou falando com você! — gritou. — Pode ou não pode?
Jiang Li suspirou.
— Senhorita, não é que eu não queira. Mas se eu fizer isso, você pode garantir minha segurança?
Os sintomas de Yan eram óbvios: cabelo roxo, olhos verdes, aquele cheiro peculiar... Tudo indicava envenenamento. Mas se ele dissesse abertamente, quem saberia se continuaria vivo depois?
— Relaxa — ela respondeu, confiante. — Meu avô é um Título Douluo. Ele garante sua segurança.
Jiang Li quase desmaiou. [Garantir? Como?! É justamente dele que tenho medo!]
Em algum lugar nas sombras, o avô de Yan, Dugu Bo, observava. Ele ouvira falar do jovem médico que Ye Renxin acolhera e até o observara discretamente. O garoto tinha talento, mas nada extraordinário. Quanto à neta testá-lo, ele não se importara — afinal, que chance teria um adolescente de perceber o problema dela?
Jiang Li respirou fundo.
— Não precisa jurar pelo seu avô. Jure por você mesma. Diga que, não importa o que aconteça, você não permitirá que ele me machuque.
Yan ficou confusa, mas concordou.
— Tá bem. Eu, Dugu Yan, juro pelo meu espírito marcial que, não importa o que aconteça, não deixarei meu avô te machucar.
No instante em que as palavras saíram, ela sentiu um peso invisível se formar sobre ela. Jurar pelo espírito marcial era o voto mais sério possível — quebrá-lo significaria a destruição do espírito e o fim de qualquer progresso marcial.
— Pronto? — ela perguntou, impaciente. — Agora pode me examinar?
— Então vou direto ao ponto — disse Jiang Li, sem rodeios. — Você está envenenada. E não é um veneno comum — é do seu próprio espírito marcial. O veneno já atingiu seus ossos. Nesse ritmo, você não passará dos trinta.
**Capítulo 20 – Dugu Bo**
As palavras de Jiang Li foram afiadas, mas ele não chegou a dizer como Tang San que "seu veneno é lixo, o veneno da Serpente Esmeralda é inútil". Afinal, Tang San era o protagonista, protegido pelo plot armor, com um pai Título Douluo nas costas — quem poderia competir? Jiang Li não tinha nada disso, apenas um conhecimento moderado de medicina. Respeito aos mais fortes era essencial.
— O quê?! Impossível! Você está mentindo, não está?! — Dugu Yan não acreditava. Como podia o veneno de sua família, o orgulho dos Dugu, estar prejudicando-os? Seu avô nunca lhe contara algo assim.
Escondido nas sombras, Dugu Bo não conseguiu mais ficar parado. Ele sabia melhor do que ninguém — Yan nascera envenenada, com as toxinas já impregnadas em seus ossos. Ninguém comum perceberia, mas aquele garoto não só identificara o problema como ainda apontara o fato. E, pior... Se fosse como ele dizia, Yan talvez nem chegasse aos trinta anos.
— Se acha que é mentira, pergunte ao seu avô. Agora, se me dá licença, tenho treinamento pra voltar. — Jiang Li não estava a fim de lidar com Dugu Yan. Olhou ao redor, verificando se não havia movimentos suspeitos, e se preparou para ir embora.
Mas, no momento em que se virou, Dugu Bo emergiu das sombras.
— Pare aí.
A voz gelada o fez congelar no lugar. Ao se virar, Jiang Li deparou-se com uma figura impressionante.
O homem era alto e esguio como uma lança, cabelos e barba num verde escuro, olhos brilhantes como esmeraldas. Sua presença parecia etérea, quase fantasmagórica. O rosto era rígido, as maçãs do rosto afundadas, os cabelos desgrenhados, e as roupas simples — um manto cinza sem ornamentos.
O Velho de Cabelo Verde soltou um sorriso cortante, com um cheiro de veneno no ar.
— Ora, garoto. Conte-me... quem foi que te disse essas coisas? Fale a verdade, ou lamento informar que sua vida será curta.
Jiang Li respirou fundo, mantendo a calma.
— Saúdo o Lorde Dugu. Sobre o envenenamento, ninguém me contou. Foi algo que vi sozinho. Embora muitas pessoas no continente tenham cores incomuns devido a seus espíritos marciais, o caso de sua neta é diferente. O senhor sabe disso — por mais que disfarcem, quem entende de medicina enxergaria de imediato.
Internamente, Jiang Li praguejou. *Merda, devia ter vazado logo.* Agora o avô estava aqui, e Dugu Bo não era conhecido por sua paciência...
Dugu Bo era imprevisível. Agia por capricho, mas cumpria suas promessas. Solitário, evitado pelos outros por causa de seu espírito venenoso, ele não dava a mínima. O que ele odiava mesmo era ser restringido. Não gostava de conversas inúteis, muito menos de ameaças.
Ele não era assassino sem motivo, mas, se sentisse perigo, eliminaria a raiz do problema sem hesitar. Orgulhoso de seu domínio sobre os venenos, jamais tolerava questionamentos.
— Mas... — Jiang Li continuou, cauteloso. — Percebi algo estranho no senhor também. O veneno da Serpente Esmeralda já corroeu suas próprias entranhas. Tecnicamente, o senhor já devia estar morto. Como sobreviveu até agora?
Os olhos de Dugu Bo estreitaram. Uma pressão esmagadora de energia espiritual esmagou Jiang Li, enquanto uma névoa verde se formava em sua mão.
— Que absurdo você fala! Eu sou o maior envenenador do mundo! Como seria vítima do meu próprio veneno?!
Dugu Yan também explodiu:
— Você não tem noção de nada! Meu avô é o Douluo do Veneno, temido por todos! Quantos inimigos já foram derrotados por ele! Como ousa dizer que ele está envenenado?!
Aquilo cortou o coração de Dugu Bo. Ela precisava saber a verdade, por mais dura que fosse.
Sob o peso da pressão espiritual, Jiang Li lutava para respirar, o rosto avermelhado. Dugu Bo, percebendo o exagero, reduziu a força.
— Então, Lorde Dugu... permita-me perguntar. Nos dias frios ou chuvosos, o senhor não sente uma coceira entre as costelas? Que piora com o tempo, atingindo o auge ao meio-dia e à meia-noite, durando horas. E nas madrugadas, por volta da terceira vigília... uma dor lancinante na cabeça e nas solas dos pés, com espasmos por pelo menos meia hora. Se não fosse veneno, o que seria? O senhor não só está envenenado — está corroído até a medula. A única razão para ainda estar vivo é algum tesouro celestial ou um local especial que suprima as toxinas.
— Quanto à sua neta... ela nasceu já envenenada. Os olhos verdes são sinal de intoxicação profunda. O senhor deve estar usando banhos medicinais para retardar os efeitos, mas é inútil. Ela não tem sua resistência. Sem tratamento, não passará dos trinta.
Antes que terminasse, Dugu Bo apareceu diante dele, a mão fechando-se em torno de seu pescoço.
A sensação era a de uma serpente sufocando sua presa. Jiang Li não conseguia nem gritar.
— Muleque, hoje você vai ter que me explicar direito quem foi que te contou isso! E me dar uma satisfação! Se não, pode esquecer de continuar vivo! — A voz de Dugu Bo saiu rouca e cheia de raiva.
Ele estava prestes a esmagar o pescoço de Jiang Li ali mesmo, quando se lembrou do juramento que a neta, Dugu Yan, tinha acabado de fazer. Se ele matasse Jiang Li, o espírito marcial dela se quebraria. A mão dele, que estava sufocando o rapaz, afrouxou um pouco sem querer.
Jiang Li aproveitou para recuperar o fôlego e soltou uma bomba bem na cara do velho:
— Calma, velho. Antes de me matar, vamos conversar. Você está travado nesse nível há anos, não é? Tanto tempo sem conseguir avançar. E, pelo seu jeito, já deve ter netos e bisnetos por aí... Aposto que o seu veneno é tão violento que também afeta a sua família. Se você parar pra pensar: você só tá vivo porque achou um lugar especial e absorveu relíquias naturais, mas e a sua descendência? Eles não têm a mesma sorte. Sem os mesmos recursos, não passam dos trinta anos antes de sucumbir ao próprio veneno. Sem falar que, com a sua idade, já deve ter acumulado inimigos pra dar e vender. O que vai ser deles quando você morrer? — Jiang Li fez uma pausa dramática e finalizou: — Dugu Bo, você não quer que a sua neta seja maltratada depois que você se for, né?
Dugu Bo congelou no lugar, a mão ainda suspensa no ar.
Já Dugu Yan ficou com os olhos marejados de lágrimas quando virou para o avô e perguntou, a voz trêmula:
— Vovô... é verdade o que esse bobão tá dizendo? Eu... eu vou morrer assim?
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