Capítulo 20
— Um mero humano, o que pode fazer? — o tom de voz era glacial, carregado de desdém. — Além disso, já temos a criança. Quando nosso senhor devorá-la, nem mesmo todos os deuses do mundo divino serão capazes de enfrentá-lo.
O homem recuperou sua expressão impassível, sorrindo friamente antes de desaparecer como uma sombra.
O coração de Bibidong afundou. Seus punhos se cerraram com tanta força que as unhas cortaram sua própria pele, e o sangue escorria entre seus dedos. Mas a dor física não se comparava ao desespero que a consumia por dentro.
— Por mais que aquele pequeno bastardo seja desprezível, ele ainda é meu filho — rosnou, a voz trêmula de ódio. — Se ousarem machucá-lo, juro que arrasarei toda a sua raça como vingança!
Qian Renxue, que ouvira as palavras do homem, ficou pálida, quase desfalecendo. Mesmo assim, forçou-se a manter a postura e se aproximou de Bibidong, acompanhada por Ye Lingling.
— Mãe, você está ferida… Deixe-nos ajudá-la — disse Qian Renxue, hesitante, estendendo a mão.
Ye Lingling ergueu as próprias mãos, pronta para curá-la com seu poder de cura.
Mas Bibidong explodiu.
— AQUELE LIXO… AQUELE LIXO OUSOU ROUBAR MEU XIAOYU! — gritou, a voz dilacerada pelo ódio. — Quem ela pensa que é? Uma estrangeira insignificante! Que direito ela tem?!
O sorriso provocador de Gu Yuena antes de partir a enlouquecia. E pior, Xiaoyu parecia tão apegado a ela, como se fosse mais mãe do que Bibidong.
Como aquele pequeno traidor podia não perceber que aquela mulher queria matá-lo?
Ela empurrou Qian Renxue e Ye Lingling com força, levantando-se com dificuldade. Seus olhos arderam de fúria, uma aura sombria e letal irradiando de seu corpo.
— Eu não preciso da piedade de uma bastarda como você! — cuspiu. — O que perdi, vou recuperar com minhas próprias mãos. Ninguém vai me impedir!
Com passos trôpegos, Bibidong arrastou-se em direção ao Palácio Papal, seu coração queimando com um único desejo:
Tornar-me uma deusa.
Quando isso acontecesse, ela faria Gu Yuena se ajoelhar diante dela. E então resgataria aquele pequeno traidor… para fazê-lo pagar por sua deslealdade.
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No Salão do Anjo Sagrado, Qian Daoliu encarou a estátua da deusa com expressão severa.
— Como existe uma força assim no continente Douluo, e nós, o Templo Martial, não sabíamos? Precisamos descobrir.
A mulher que os confrontara poderia tê-los destruído facilmente. E isso o perturbava profundamente.
Qian Renxue também estava confusa. Em sua vida passada, aquela poderosa figura nunca aparecera. Por que não havia nenhum vestígio dela em suas memórias?
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No coração da Floresta Estelar Dourada, à beira do Lago da Vida, Gu Yuena acariciava Xiaoyu em seu colo, seu olhar repleto de ternura.
— Bijí, cure seus ferimentos.
— Sim, minha senhora! — respondeu uma mulher deslumbrante vestida em trajes verdes, avançando entre os Reis das Bestas.
Mas quando Bijí tentou pegar Xiaoyu, os olhos de Gu Yuena se escureceram.
— Ele é meu filho. Ninguém o toca, a não ser eu.
Bijí hesitou, abaixando a cabeça em sinal de respeito.
Xiaoyu olhou para Gu Yuena, depois para Bijí e os outros Reis das Bestas. Escapar? Impossível.
O poder de cura de Bijí envolveu Xiaoyu, seus ferimentos se fechando rapidamente.
— Ele tem uma vitalidade tão intensa… e seu nível de vida até supera o meu — Bijí murmurou, maravilhada. E ele é tão fofo! Se ao menos pudesse segurá-lo…
— Xiaoyu, por que você não fala? — Gu Yuena acariciou seu cabelo, os olhos úmidos. — Você odeia sua irmã Nana agora?
Mas Xiaoyu permaneceu imóvel, os olhos fechados, como se adormecido.
— Ele deve estar exausto — Bijí sugeriu gentilmente.
Gu Yuena não respondeu, apenas apertou o garoto com mais força, como se temesse perdê-lo a qualquer momento.
— Bijí, como assim o nível de vida dele é superior ao seu? — o Rei Urso, Xiong Jun, arregalou os olhos.
Entre todas as bestas da floresta, Bijí era a mais poderosa em cura. Como um humano poderia superá-la?
Os outros Reis das Bestas trocaram olhares intrigados. Apenas Di Tian permaneceu calmo, como se já soubesse.
De repente, Gu Yuena pálideceu, seu corpo oscilando. Ela apertou os lábios, tentando disfarçar sua fraqueza.
Bijí correu para ajudá-la.
— Minha senhora, o que houve?
Di Tian interveio, ansioso.
— Senhora, devore-o agora! Assimilando sua essência, sua recuperação estará garantida. Você alcançará o nível do Deus Dragão Supremo e poderá esmagar o mundo divino!
Os olhos dos Reis das Bestas brilharam de ambição.
— O quê? Se ela devorá-lo, se recuperará?
— Então o destino da nossa raça está garantido!
— Essa criança… ela é a salvação das bestas!
Todos fitaram Xiaoyu com avidez.
Aqui está a tradução e adaptação do capítulo para o português brasileiro:
– ... Meu Deus! – Qianyue deu um salto, completamente acordado. Ele estava apenas fingindo dormir, mas nunca esperava ouvir uma revelação tão bombástica.
Se Bibidong no máximo o torturava, Guyuena queria mesmo era sua cabeça!
Ele sempre soube que aquela dragona boba se aproximara dele com segundas intenções. Mas para devorar seu sangue e linhagem? Isso era novo.
Qianyue olhou para Guyuena com os olhos cheios de terror. Tentou se debater, mas percebeu que contra ela, era tão impotente quanto um bebê de colo.
Notando o medo do garoto em seus braços, Guyuena sentiu uma pontada no coração e afagou sua cabecinha com carinho. Então, lançou um olhar gélido para Ditian e as outras feras presentes, dizendo com voz cortante:
– Calem a boca, Ditian! Não vou devorar o Xiao Yue. E vocês estão assustando meu filhote!
BUM!
Uma pressão aterrorizante tomou conta da Floresta Estelar inteira, fazendo o solo tremer. Todas as bestas mágicas se encolheram, sem ousar nem respirar.
– Senhora, mas esta é uma chance única... – Ditian ainda tentou argumentar, com um brilho de teimosia nos olhos, mas foi interrompido pelo olhar assassino de Guyuena.
Ele nunca vira a Rainha Dragão tão furiosa. Aquele olhar gelado não deixava dúvidas: era vontade de matar. Ditian engoliu seco, percebendo que insistir seria suicídio, e recuou com relutância.
Guyuena observou Ditian profundamente. Sabia que ele não desistiria tão fácil. E com seus ferimentos graves, ela em breve cairia em sono profundo... deixando Xiao Yue vulnerável. Precisava cortar o mal pela raiz.
Seu olhar voltou-se para Qianyue, tornando-se imediatamente terno. Ela o apertou contra seu peito.
– Xiao Yue, não tenha medo. Jamais te machucaria. Você é meu filho, minha cria. Não importa quão especial seja seu sangue, você sempre será meu.
Qianyue permaneceu em silêncio. Só de imaginar ter que aguentar aquela dragona tagarela no seu ouvido todo santo dia, já sentia arrepios.
– Você não está feliz? Por que não sorri? – Guyuena perguntou, seus olhos escurecendo subitamente. – Foi a Jiejie que errou em algo? Ou você ainda quer me deixar?
Ela não entendia. Tanto esforço para tê-lo de volta... e ele a tratava com tanta frieza. Seria por ela ser autoritária demais? Ou... ele já tinha outra pessoa no coração?
Aquele idiota loiro? Devia tê-lo matado quando teve chance. Cortaria logo as esperanças do Xiao Yue.
– Não, não é isso! – Qianyue se apressou a explicar, esfregando o nariz no pescoço dela como um gatinho carente. – Só estou com fome. Claro que fico feliz que a Jiejie veio me buscar... só fiquei assustado quando pensei que me devoraria.
Ele temia mesmo que ela surtasse e dissesse alguma loucura como: "Se eu te devorar, ficaremos juntos para sempre, não é?"
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