[Estado atual: Empolgado e animado]
[Ela já está começando a gostar de você! Continue avançando!]
Opções empolgantes:
[Ei, você prefere frango branco ou frango picante?]
[Esse seu peito de frango é tão pequeno, como dá pra comer?]
[Achou que podia escapar das minhas mãos, meu franguinho delicioso?]
[Experimenta o meu frango com ovo e cebolinha!]
Arlo sentiu lágrimas quentes escorrendo pelo rosto.
— Sistema, seu desgraçado!
— Meu frango!
— Como é que eu vou comer isso agora?
No fim da tarde, sob o sol poente, Arlo estava sentado ao lado de uma fogueira, olhando para uma panela com sopa de vegetais. Não conseguira caçar mais nada depois daquilo e tivera que improvisar.
Ao seu lado, sentava-se a galinha de penas douradas e crista vermelha que se transformara em uma garota. O fogo iluminava seu rosto fofo. Agora, suas duas penas vermelhas se tornaram fios despenteados, balançando no topo da cabeça, e nas costas, mantinha as asinhas douradas. Vestia um vestido amarelo claro de mangas bufantes — o sistema até que fora gentil em fornecer roupas.
Ji Xiaofei abraçava os joelhos, olhando para Arlo:
— Você realmente não vai me comer?
— Não. Cala a boca.
Arlo respondeu com os dentes cerrados.
No começo, ele até cogitara a ideia. Afinal, estavam no meio do mato, e ela era só um bicho que virou gente. Ele estava morrendo de fome! Mas, por mais faminto que estivesse, mesmo sendo um animal transformado, ele ainda tinha um mínimo de humanidade.
— Os humanos sempre nos comem quando nos pegam... — Ji Xiaofei murmurou. — Você é tão gentil.
Arlo olhou de relance para ela e viu uma notificação: [Afeição +5].
— ...
A sopa estava quase pronta, e Ji Xiaofei se aproximou, cheirando o vapor que subia da panela.
— Que cheirinho bom...
— Nem pense! Minha última reserva de comida foi pra você! — Arlo recusou na hora.
— Só um pouquinho... não dá? — Ela piscou os olhos, suplicante.
— Não!
— Sério que não tem jeito? — Ela baixou a cabeça, desanimada, mordendo o lábio.
Arlo revirou os olhos, mas acabou cedendo.
— Vou pegar mais lenha. Cuida da panela. Quando voltar, te dou meia tigela.
— Ótimo!
Assim que ele saiu, Ji Xiaofei mergulhou o dedo na sopa, lambendo-o depois.
— Sem sal...
Quando Arlo voltou com um feixe de lenha, parou gelado no lugar.
Ji Xiaofei estava dentro da panela, completamente nua, relaxada como se estivesse numa banheira de água quente.
— O que... que diabos você tá fazendo?
Ela abriu os olhos e respondeu, séria:
— Fazendo canja.
— Can... canja?!
A lenha caiu no chão.
— Hum... que banho gostoso. — Vestida de novo, ela se espreguiçou, o rosto ainda corado.
Arlo olhou para a tigela de sopa — ou canja, ou água de banho — sem conseguir engolir.
— Você não vai tomar? Canja é muito nutritiva, sabia? — Ji Xiaofei perguntou.
Você mesmo acabou de dizer que era banho, miserável!
Mas a fome falou mais alto. Arlo pegou a colher, tomou um gole.
E começou a chorar.
— Como está o meu gosto?
— Droga... odeio admitir, mas... tá delicioso.
— Nossa, eu sei! Tenho orgulho do meu sabor, sabia? Os humanos me colocaram no top 3 dos alimentos mais gostosos! — Ela bateu no próprio peito magrinho, orgulhosa.
Isso não devia ser motivo de orgulho.
Enquanto ele se forçava a tomar o caldo, Ji Xiaofei estendeu algo para ele.
— O que é isso?
Era um ovo, ainda quentinho.
— Ovo. — Ela olhou para ele, natural como sempre. — Acabei de botar. É pra você.
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**Capítulo 3: Talento**
— Bom diiiia! Hora de levantar! Bom diiia! Hora de levantar!
De manhã cedo, Arlo foi acordado aos berros. Puxou o saco de dormir encharcado de orvalho e abriu os olhos, ainda sonolento.
Ji Xiaofei estava sentada num galho, com as mãos em forma de megafone, gritando para o sol nascente.
— O que você tá fazendo? — ele perguntou.
— Cantando o galo. — Ela olhou para ele.
— ...
Ji Xiaofei cruzou os braços, orgulhosa.
— Afinal, se eu não chamar o sol todo dia, o mundo fica no escuro.
— Você é sensacional. — Ele levantou o polegar.
Ela pulou do galho com leveza e perguntou animada:
— Quando a gente vai sair?
— Sair? Eu não falei que ia levar você. — Arlo começou a dobrar o saco de dormir.
— ...? Mas você já experimentou meu gosto... — Ela ficou cabisbaixa. — Não vai assumir a responsabilidade?
— Não fala como se a gente tivesse feito algo suspeito! — Ele revirou os olhos. — Você não devia ter seu próprio bando?
— Mas agora que virei assim, não dá mais pra voltar... — Ela dedilhava um no outro, envergonhada.
Ela tinha razão, mas Arlo mal tinha como se sustentar sozinho, quanto mais cuidar de alguém.
— Você não tem mãe? Não tem problema ficar me seguindo?
— Meus pais... foram pegos e comidos antes de eu nascer. E agora que estou assim, vou ser pega ainda mais fácil... — Ela franziu a boca.
— Seus pais foram comidos antes de você nascer? — Ele arregalou os olhos.
Ji Xiaofei olhou para ele, inocente:
— Porque eu sou de ovo.
— ...
— Por favor, eu como pouco! Só duas mãos de arroz por dia! Eu posso te acordar, botar ovos, esquentar sua cama... — Ela puxava a manga dele, fazendo beicinho.
Yalo suspirou e apontou para Ji Xiaofei:
— Escuta aqui, mesmo que eu tenha sido o responsável por te transformar em humano, não tenho dinheiro sobrando pra te sustentar. Se quiser ficar comigo, vai ter que se virar pra ganhar seu próprio dinheiro. No máximo, posso te oferecer um teto pra morar.
— Entendido! — Ji Xiaofei animou-se imediatamente, fazendo uma saudação militar.
[Ji Xiaofei juntou-se ao grupo]
— Aliás... Depois de virar humana, você desenvolveu algum talento especial? — perguntou Yalo.
— Talento? — Ela inclinou a cabeça, confusa.
— Habilidades únicas que cada pessoa tem. Se tivesse algum, deveria aparecer materializado na sua frente — explicou ele.
Quando Yalo chegou a esse mundo, ganhara um talento chamado [Trevo de Três Folhas]. No começo, pensou ser algo especial, mas descobriu que todos aqui tinham habilidades únicas que se manifestavam aos seis anos, baseadas em suas experiências de vida.
Seu [Trevo de Três Folhas] supostamente aumentava a sorte, mas em dois anos nunca sentira diferença. Chegou a tentar a sorte em loterias e apostas, mas só perdeu dinheiro. Foi quando decidiu virar aventureiro.
Seu plano original era obter licença de mago para receber o salário mensal do Sindicato dos Magos e viver sem preocupações. Subestimou, porém, a dificuldade. Depois de um ano e meio de estudos, mal conseguia conjurar uma simples bola de fogo, acabando por desistir temporariamente da ideia.
Ji Xiaofei fechou os olhos, concentrando-se.
— Acho que tenho um talento sim — disse ao abri-los.
— Qual é?
— Chama-se [Corpo Leve]. Diz que reduz dano de quedas.
— Realmente uma habilidade típica da sua espécie, hein? — pensou Yalo.
Enquanto arrumavam as coisas para partir, Ji Xiaofei tentou carregar o caldeirão, sem sucesso.
— Eu levo isso. Você fica com a mochila leve — disse Yalo, trocando com ela.
[Boa-vontade de Ji Xiaofei +10]
Ao notar a mensagem, Yalo arqueou uma sobrancelha.
— Dez pontos de uma vez? Essa garota é fácil demais...
A facilidade em conquistar sua confiança surpreendera Yalo. Durante a viagem da manhã, sem esforço algum - apenas ajudando com pequenos gestos, oferecendo água ou trocando algumas palavras - a barra de afinidade dela subira rapidamente.
À tarde, o som de água corrente os levou a um riacho, solucionando seus problemas de abastecimento.
— Vou pescar. Você coleta cogumelos e ervas na floresta — ordenou ele.
— Sim! — respondeu ela, animada.
Pouco depois, Yalo pescou dois peixes, enquanto Ji Xiaofei voltou com o vestido cheio de cogumelos e vegetais.
Ao acenderem o fogo e encherem o caldeirão, Ji Xiaofei começou a tirar a roupa.
— Espera! Temos peixe hoje, não precisamos de você no cardápio — interrompeu Yalo rapidamente.
— Ah... — Ela sentou-se, visivelmente desapontada.
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