Capítulo 25: O Ferimento
Só quando avistou o tanque de água no telhado e reconheceu sua própria casa, Huo Ying finalmente respirou aliviado.
– Ainda bem, cheguei em casa.
– O que diabos acabou de acontecer? Por que eu fiquei preso naquela ilusão?
Huo Ying pegou a Pedra Yang, aqueceu-a com o isqueiro até ficar vermelha e confirmou que ela não estava quente demais. Então, caminhou direto para sua casa e estendeu a mão em direção à porta.
No instante seguinte, sua armadura de madeira surgiu subitamente, envolvendo seu corpo por completo. O movimento de Huo Ying para abrir a porta parou bruscamente, e ele saltou para trás, distanciando-se. Ao mesmo tempo, duas zarpos de pesca apareceram em suas mãos, e ele as disparou com força contra a porta.
– Tchum, tchum.
Não era o som de flechas atingindo a porta, mas sim de carne sendo perfurada.
Um vento cortante passou rente ao peito de Huo Ying.
– Skreeek!
Junto com o vento, um ruído agudo de metal raspando ecoou na armadura de madeira. No peito de Huo Ying, quatro profundos arranhões em forma de garras apareceram de repente.
Foi por pouco. Se a madeira não fosse tão resistente, mesmo com seu salto rápido, aquela garra teria rasgado seu peito.
As rachaduras na armadura foram imediatamente reparadas pelo poder da madeira. Dentro dela, Huo Ying sentiu os pelos do corpo se arrepiarem. Ele acendeu uma flecha e a disparou contra a porta, mas apenas ouviu dois baques surdos quando ela caiu no chão, sem efeito algum.
– Correr... Preciso correr!
Mas para onde?
O primeiro pensamento de Huo Ying foi a colina baixa.
Lá, havia várias Pedras Yang. Se ele conseguisse incendiar a colina, o calor intenso das pedras poderia quebrar a ilusão ao seu redor.
Sem perder tempo, Huo Ying virou-se e correu. Não ousou dar voltas desnecessárias e, confiando na proteção da armadura, partiu em disparada em direção à colina. À sua frente, havia uma parede quebrada e, em sua sombra, algo escuro se escondia. Sem tempo para desviar, Huo Ying acendeu mais duas flechas e as atirou na sombra antes de saltar, tentando pular por cima do muro.
De repente, um par de olhos vermelhos brilhou na escuridão, e sua pupila exibia um sorriso macabro.
As flechas flamejantes estavam cravadas no corpo da criatura, mas não causaram nenhum dano.
Quando Huo Ying estava no ar, o cadáver demoníaco escondido na sombra saltou em sua direção.
Se Huo Ying pudesse ver, notaria o rosto decomposto da criatura, seus traços retorcidos em um sorriso perverso.
E, se o cadáver pudesse enxergar, também perceberia que, dentro da armadura de madeira, Huo Ying sorria no exato momento em que saltava em direção à sombra.
– Jutsu de Estacas de Madeira!
No ar, Huo Ying transformou-se em um ouriço, com espinhos afiados brotando de seu corpo.
Mas não parou por aí. Dos espinhos, surgiram brotos verdes que se esticaram como tentáculos, procurando algo no escuro.
Tudo aconteceu em um piscar de olhos.
Os brotos emitiram sons variados: o estalar de uma corda de arco, o choque de Pedras Yang...
E, então, o clique de um isqueiro.
– BOOM!
As chamas atingiram a madeira, e Huo Ying transformou-se em uma bola de fogo.
O cadáver demoníaco, que avançava sobre ele, não teve tempo de reagir. Primeiro, foi perfurado pelos espinhos e, em seguida, consumido pelas chamas.
– Crack.
O mundo pareceu rachar como um ovo.
A visão de Huo Ying voltou ao normal. Ele viu-se dentro da sombra da parede, colidindo com um cadáver demoníaco que lhe era familiar.
Sim, ele reconhecia aquele olhar.
A criatura que agora ardia presa em sua armadura era a mesma que o assombrava há várias noites!
– Truques baratos.
Seus olhos transbordavam desdém.
Se ele já estava preso em uma ilusão, será que seus outros sentidos também estavam enganados?
A Pedra Yang que ele aqueceu... era mesmo real?
As flechas que ele acendeu... realmente pegaram fogo?
O isqueiro que ele usou... funcionou de verdade?
E a casa para onde ele voltou... era mesmo a sua?
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O Ferimento
Aos poucos, sua visão se recuperou.
Huo Ying estava parado em uma sombra, sua armadura de madeira em chamas.
Em seus braços, o cadáver demoníaco já virara cinzas, e uma sombra turva emergiu de seus restos.
Concentrando-se, Huo Ying fez sua armadura se desprender, transformando-a em uma gaiola flamejante que envolveu a sombra antes que ela escapasse.
– ROAR!
Não houve som, apenas um rugido que ecoou diretamente em sua mente.
As Pedras Yang em seu corpo, já avermelhadas pelo calor, estilhaçaram-se. A gaiola de madeira tremeu violentamente antes de se acalmar, queimando lentamente até não restar nada. A sombra não reapareceu.
– Ploc.
Uma gota de sangue caiu no chão.
Huo Ying limpou o rosto. O rugido o deixara sangrando pelos sete orifícios do corpo. Se não fosse o calor da armadura que também aqueceu as Pedras Yang, protegendo-o em parte, ele teria morrido ali mesmo.
Olhou ao redor.
Ele não estava em frente à sua casa, nem perto da residência do casal.
A cerca de dez metros de distância, ficava o portão da fábrica da Blue Gene.
No chão, duas flechas não queimadas jaziam intactas.
Huo Ying entendeu. Ele fora enganado pelo cadáver demoníaco, sua visão e sentidos distorcidos. Provavelmente, nunca chegou a acender o isqueiro de verdade, e nem as Pedras Yang nem as flechas haviam sido ativadas.
Felizmente, ele tinha um plano reserva.
Usando o Jutsu de Madeira, ele criara brotos que se enrolaram em tudo que ele carregava, simulando o ato de acionar o isqueiro.
Assim que as chamas surgiram, sua armadura pegou fogo, e as Pedras Yang foram aquecidas.
– O que há dentro da fábrica da Blue Gene?
Huo Ying olhou para o portão à distância, mas não ousou se aproximar. Quando tentou abri-lo, algo lá dentro o atacou instantaneamente, rasgando sua armadura como se fosse papel.
– O ataque acontece só de tocar no portão?
Era um portão pesado, e mesmo empurrando com força, ele não se moveu. Huo Ying não conseguia deduzir como o ataque funcionava.
E como os cadáveres demoníacos distorceram seus sentidos? Se fossem tão fortes desde o início, ele já estaria morto.
O suor frio escorria pelas costas de Huo Ying. Ele havia escapado por pouco da morte.
O rugido naquela visão fantasmagórica... Huo Ying sabia que não vinha do cadáver maligno. Parecia algo conectado à criatura, que ficou furioso no momento em que ele a destruiu de verdade.
— Será que o cadáver maligno também é controlado por alguma coisa?
Sem coragem de ficar perto da fábrica, Huo Ying saiu correndo e foi direto para a casa de Liang Yao.
— O que aconteceu? Você se machucou de novo?
Liang Yao abriu a porta, pronta para mostrar os objetos de metal que havia limpado, mas ficou chocada ao ver Huo Ying coberto de sangue e com queimaduras por todo o corpo. Sem pensar, puxou ele para dentro e trancou a porta.
Ajudando-o a se sentar, Liang Yao tirou o véu branco e encostou-se nele, pele contra pele, para que seu poder de cura agisse mais rápido.
E funcionou. Até as queimaduras estavam melhorando. Huo Ying percebeu algo especial na habilidade dela.
Liang Yao havia sido infectada, mas sua pele foi a parte fortalecida. Além de proteção e resistência a bactérias, sua capacidade de regeneração também aumentou. Usar a pele para purificar objetos era o básico — o verdadeiro poder estava em curar feridas.
No dia anterior, os cortes do machado eram profundos, demorando a noite toda para sarar. Mas agora, com as queimaduras sendo superficiais, a recuperação foi quase instantânea. Para lesões na pele, Liang Yao era a melhor "cura" do mundo.
Ela não insistiu em perguntar o que havia acontecido. Sabia que Huo Ying tinha seus segredos e suas lutas. Desde que ele generosamente lhe deu madeira e trouxe panelas e relógios para purificar, Liang Yao entendia que ele era capaz — até de enfrentar cadáveres malignos.
No mundo pós-apocalíptico, habilidades não surgiam do nada. Eram conquistadas com sangue e risco. Por isso, ela não o repreendia, apenas ajudava como podia.
Com as feridas curadas, Huo Ying se levantou.
— Fique com uma panela. Pode variar como prepara as batatas. Levo o resto e trago mais quando encontrar.
Liang Yao segurou seu braço.
— Você tem água e Pedras Solares? Se tiver, podemos trocar.
Huo Ying olhou para a porta trancada no andar de cima. Antes, achava que era só um depósito de suprimentos. Agora, percebia que estava enganado.
— Foi falta de atenção. Amanhã trago o que precisar.
Se havia algo importante trancado ali, não era da sua conta. Reunindo os objetos de metal já purificados, Huo Ying voltou para seu quarto.
Deu corda no relógio, ajustou para as cinco da tarde — o horário exato não importava, só precisava marcar o tempo.
Com o ponteiro em movimento, finalmente pôde se concentrar na Árvore Divina em sua mente.
[Progresso: 40%]
Prender a sombra impura do cadáver maligno em uma gaiola de madeira e queimá-la rendera 10% de progresso de uma vez. Os pontos de luz aumentaram, mas pouco. Pela experiência anterior, deduziu que a cada 30% surgia uma nova coluna de energia.
— Só queimando a sombra cinza é que o cadáver maligno morre de verdade.
Huo Ying sentiu um frio na espinha. As pessoas deste mundo provavelmente só sabiam se esconder ou fugir dos cadáveres. Sem o poder da Madeira, ninguém teria madeira de álamo infinita para criar gaiolas impenetráveis.
Talvez alguém já tivesse descoberto, mas sem a Semente da Árvore Divina, como saberiam se realmente funcionava?
Esfregou as têmporas. O método acelerava o progresso, mas aquele rugido... Liang Yao curara suas queimaduras, mas a dor de cabeça persistia.
Toc-toc.
Alguém batia na janela. Uma Pedra Solar vermelha balançava do lado de fora.
Era Zhang Yuqi.
O dia ainda não escurecera completamente, mas ela estava ali, em vez de ficar com a irmã Bai. Huo Ying olhou para os suprimentos espalhados pelo quarto. Não dava mais para esconder tudo. Decidiu arriscar, preparando-se para ativar a Armadura de Madeira se necessário.
Ao abrir a porta, Zhang Yuqi caiu para dentro. Seu rosto estava pálido, e um profundo corte sangrava em seu braço esquerdo.
Capítulo 26: A Noite
— Eu estou bem. Não precisa se preocupar.
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