Ele estava se referindo aos três: Tanjiro e seus companheiros.
No instante em que avistaram o demônio, já haviam desembainhado as espadas e se posicionado à frente.
— Eu sou o Pilar das Chamas, Kyojuro Rengoku — declarou ele, firme —. Nunca me tornarei um demônio. E mais: não permitirei que você os menospreze. Eles não são fracos.
Akaza pareceu perder o interesse de repente.
— Meu nome é Akaza. Os fracos não merecem viver. Já que se recusa a se tornar um demônio, vou matá-lo primeiro... e depois os outros, especialmente aquele garoto.
Seu olhar fixou-se em Tanjiro.
[Aquele que usa aqueles brincos...]
Era alguém que Muzan ordenara pessoalmente eliminar. Só que agora a situação estava complicada.
Para matar Tanjiro, teria que matar Rengoku e aquele outro que cortara seu braço.
— Destruição Matadora: Bússola!
Akaza ativou sua técnica, e padrões semelhantes a flocos de neve surgiram no chão. Num piscar de olhos, ele avançou com velocidade assustadora.
— Tanjiro, afastem-se — ordenou Rengoku antes de se lançar contra Akaza com um golpe poderoso.
Akaza riu, atacando sem piedade.
— Hahaha! Que aura de combate impressionante, Kyojuro! Torne-se um demônio. Só assim alcançará o ápice das artes marciais, livre do limite do corpo humano!
Rengoku lutava na defensiva, tentando decifrar os movimentos de Akaza. Mesmo sendo um combate simples, a velocidade era desconcertante.
— Incrível... Não consigo acompanhar seus movimentos! — exclamou Tanjiro, impressionado. — Isso é o poder de um Pilar e de um Lua Superior?
Zenitsu, que voltara a si, parecia apavorado.
— Isso é assustador! Conseguiremos realmente derrotar um demônio desses? E isso é só o Lua Superior Três...
Inosuke, embora impulsivo, tinha instintos afiados em combate.
— Sinto perigo em todo lugar. Se nos aproximarmos, morremos. Só atrapalharíamos.
Enquanto isso, Rowan observava com uma expressão intrigada.
— Rápido? Parece uma velocidade normal... até meio devagar, na verdade.
Para ele, a luta era bem coreografada, mas não tão impressionante.
— Dora!
Seu Pokémon concordava. Especialmente Dragapult, que via os golpes de Akaza e Rengoku em câmera lenta.
[Eu faria melhor!]
Rowan sorriu e acariciou sua cabeça.
— Tudo bem. Você luta da próxima vez.
— Destruição Matadora: Ataque Vazio! — Akaza lançou um golpe invisível.
Rengoku reagiu rapidamente.
— Respiração das Chamas: Quarta Forma, Redemoinho Ardente!
Enquanto isso, pensava estrategicamente.
[Esse é o poder de um Lua Superior... Preciso me aproximar.]
— Respiração das Chamas: Terceira Forma, Chamas Diversas!
Os golpes se intensificaram, levantando uma nuvem de poeira.
Akaza nem sequer estava usando seu poder real, mas mesmo assim, Rengoku acumulava ferimentos e sua energia diminuía rapidamente.
— Kyojuro, torne-se um demônio! Livre-se desse corpo frágil! — insistiu Akaza, cada vez mais interessado.
— Recuso. E repito: odeio você. Nada me fará virar um demônio! — respondeu Rengoku, continuando a atacar mesmo à beira do esgotamento.
Hatterene alertou Rowan com um murmúrio.
— Bmmm~
Como curandeira, ela percebia o estado do guerreiro. Se continuasse assim, Rengoku morreria.
— Dragapult, traga o Rengoku de volta — ordenou Rowan.
— Dora!
Num instante, Dragapult desapareceu e reapareceu segurando Rengoku.
— Rengoku, chega, não acha? Por que não recuou? — perguntou Rowan.
Rengoku, ainda controlando sua respiração, respondeu com determinação:
— Caçar demônios não admite recuos.
Ele queria entender mais sobre o inimigo.
Rowan balançou a cabeça.
— Agora é comigo. Hatterene, trate os ferimentos dele.
Hatterene usou Jorro de Vida, uma técnica de cura.
— Obrigado, Rowan — disse Rengoku, sabendo que não tinha escolha.
Rowan então se virou para Akaza, que aguardava sem pressa.
— Que tal eu ser seu oponente agora?
Akaza olhou com desdém.
— Seu físico parece forte, mas sua aura de combate é fraca. Você não é um guerreiro treinado. Não luto com fracos — apenas os como.
— Tudo bem — respondeu Rowan, indiferente. — Mas seu oponente não sou eu... é ele.
Dragapult materializou-se das sombras.
— Ah, o bicho que salvou o Kyojuro. Vamos ver o que pode fazer. — Akaza assumiu nova postura.
— Dragapult, Investida do Espectro!
Num flash, Dragapult desapareceu e arrancou os braços de Akaza antes que ele reagisse.
Akaza ficou chocado.
[Rápido demais!]
Mais veloz que o outro Pokémon. Mesmo preparado, não conseguira antever.
Rowan continuou, impassível:
— Mais uma vez.
Outro ataque relâmpago, e as pernas de Akaza foram decepadas. Dragapult não parou, alternando ataques em velocidades inalcançáveis.
A regeneração de um Lua Superior era espantosa — membros cortados por lâminas solares se refaziam imediatamente. Mas agora, sob os golpes incessantes de Dragapult, nem isso era possível. Ferimento após ferimento, Akaza mal conseguia se manter em pé.
Capítulo 10: O Método para Matar Demônios
O poderoso Akaza, que há pouco dominava facilmente Kyojuro Rengoku com um ataque casual, agora se via completamente impotente diante de Dragapult.
A velocidade do Pokémon era simplesmente avassaladora.
Akaza não conseguia revidar, nem mesmo se defender.
Aos poucos, sua capacidade de regeneração começou a falhar.
Ele caiu no chão, imóvel.
Não que seu corpo não pudesse se recuperar — era sua mente que havia desistido, entendendo que qualquer regeneração seria inútil.
— Por quê? Por que ainda sou tão fraco? Não consigo nem reagir... Que inútil... — murmurava, a voz carregada de frustração.
Akaza sempre fora o demônio que mais odiava a fraqueza.
E agora, ele mesmo se tornara o fraco.
Aquela sensação de impotência... quase como se não fosse a primeira vez que a sentia.
Tanjiro se aproximou, levantando sua espada solar, pronta para o golpe final.
— Espere, Tanjiro — interveio Rowan, segurando-o.
O caçador de demônios hesitou, mas recuou.
Akaza ergueu os olhos para Rowan, um sorriso amargo nos lábios.
— Veio zombar de mim, é? Faz sentido... Os fortes têm o direito de olhar os fracos com desdém.
— Não estou aqui para isso — respondeu Rowan, calmamente. — Sinto apenas curiosidade sobre vocês, demônios. Vida eterna, regeneração instantânea... E mesmo assim, agora você não se cura. Porque desistiu. Percebeu que não importa o que faça, nunca vencerá Dragapult. Essa impotência... parece familiar, não?
Dragapult surgiu ao lado de Rowan, flutuando com elegância.
— Dra!
[Demônios são mais fracos do que eu pensava. E você ainda estava tão cauteloso...]
Era o que o Pokémon pensava. Mesmo antes de seu poder aumentar, ele já seria capaz de derrotar Akaza sem dificuldade.
— Já entendi que você é incrível! — riu Rowan, afetuoso.
Akaza observava a cena, confuso. Como demônio, não conseguia compreender aquela relação.
— Por que você obedece a esse humano? — perguntou, olhando para Dragapult. — Ele é fraco. Você é muito mais forte.
— DRAA!
Com um golpe rápido da cauda, Dragapult atingiu o peito de Akaza, afundando-o.
[Não fale mal do Rowan!]
O demônio engasgou, sem fôlego para responder.
Rowan segurou Dragapult antes que ele atacasse novamente.
— O mundo não se resume a fortes e fracos — explicou, sereno. — Por que os fortes não podem proteger os mais vulneráveis? Veja o Sr. Kyojuro... Veja Dragapult e os outros. E você, Akaza... Por que busca tanto poder?
Ele não costumava perder tempo com demônios, mas Akaza era diferente.
Dos seis Kizuki superiores, apenas os de posição seis e três tinham histórias trágicas.
Akaza nunca havia refletido sobre aquela pergunta.
Por que ele queria ser forte?
Apenas pelo poder em si?
Muitos demônios eram assim, mas algo dentro dele sussurrava que não era o caso.
No entanto, por mais que tentasse, não conseguia se lembrar.
E então veio a primeira frase de Rowan: "sensação familiar".
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