O cadáver demoníaco ficou extasiado — uma resposta significava que a defesa psicológica do outro lado era fraca. Imediatamente, aumentou a intensidade de suas ilusões.
Entre as sobrancelhas de Huo Ying, uma lágrima de Liang Yao estava colada. Eles haviam coletado algumas gotas à tarde, pois, na hora H, Liang Yao simplesmente não conseguia chorar.
— Eu sou Zhang Yuqi, e a Bai Jie também está aqui. Está muito perigoso. Acho que devemos ficar juntos para passar a noite.
Huo Ying sentiu a cabeça pesar, mas então a lágrima entre suas sobrancelhas emanou uma sensação refrescante. A ilusão do cadáver falhou. Do lado de fora, um rosnado rouco e gutural ecoou — uma voz podre, forçada a sair de cordas vocais decompostas. Definitivamente, não era a voz de Zhang Yuqi.
[A lágrima funcionou. Vou ter que fazer Liang Yao sofrer mais vezes.]
— Esperem aí, vou me aprontar e já abro a porta — respondeu Huo Ying, fingindo normalidade.
Os cadáveres se aquietaram, rodeando a porta, esperando pacientemente pelo momento em que Huo Ying abrisse — para então esfacelá-lo.
Um minuto. Dez minutos. Meia hora.
Uma hora inteira se passou na escuridão, até que os cadáveres finalmente perceberam a armadilha e começaram a bater furiosamente na porta.
Huo Ying olhou para o relógio. Queria ganhar tempo; se conseguisse até o amanhecer, seria o ideal. Mas os cadáveres tinham noção do tempo. Conseguir uma hora de vantagem já foi sorte, graças à ilusão de que ele havia caído no truque deles.
Creeek.
A porta se abriu de repente. Um cadáver, que estava justamente se jogando contra ela, caiu para dentro. No mesmo instante, uma névoa negra e os cadáveres invadiram o espaço — mas as fogueiras dentro de casa eram tantas que a névoa se dissipou imediatamente. Insetos negros derreteram como neve ao sol. No entanto, os cadáveres já estavam todos dentro.
Bang!
A porta se fechou sozinha, controlada por Huo Ying.
O que antes era um cômodo espaçoso agora estava abarrotado. Vinte cadáveres amontoados, sufocando o ambiente.
Crack, crack.
As pedras yang no cômodo ficaram tão quentes que começaram a roxear, e algumas de qualidade inferior racharam. As fogueiras explodiram em colunas de fogo, e a lenha de álamo queimou dez vezes mais rápido.
Os cadáveres gritaram em agonia, vozes roucas ecoando.
O fogo e as pedras yang eram tantos que, por um momento, eles tiveram uma ilusão inversa: não eram eles que estavam caçando Huo Ying, mas sim ele quem os havia encurralado.
— Eu avisei. Se tivessem esperado até o amanhecer, estariam bem. Por que insistiram em entrar?
A armadura de madeira de Huo Ying cintilou com faíscas elétricas. Seu machado yang, agora incandescente, cortou o ar uma dúzia de vezes. Em um piscar de olhos, boa parte dos cadáveres já estava reduzida a pó.
Sombras turvas emergiram dos corpos destruídos, tentando escapar.
Mas a casa de Huo Ying era uma fusão de técnicas de madeira e terra — cada centímetro era feito de álamo, cada canto pulsando com energia yang. Como uma enorme prisão de madeira, as sombras não tinham para onde fugir.
Os cadáveres restantes recuaram, instintivamente. Eles olharam para Huo Ying de novo: envolto na armadura de madeira, ele parecia uma figura colossal, com arcos elétricos saltando pela superfície.
O capacete ocultava seu rosto, deixando apenas um vazio negro nos olhos.
Por um momento, os cadáveres se entreolharam. Entre roupas podres e carne em decomposição, quem parecia mesmo um monstro ali era Huo Ying.
O machado yang cortou o ar mais uma vez, limpando o resto dos cadáveres. Combinando a rigidez da terra com a força mecânica de seus braços, cada golpe partia os inimigos ao meio.
Capítulo 60: Acúmulo
O cenário dentro do cômodo era aterrorizante.
Huo Ying, empunhando o machado yang, parecia um monstro no centro da casa. Ao redor, apenas cinzas dissipando-se no ar e sombras espectrais batendo contra as paredes.
Matar os cadáveres, mas não as sombras, evitava que ele fosse marcado pela criatura da fábrica.
Observando as sombras correndo desesperadas, Huo Ying estreitou os olhos.
— Técnica da Prisão de Madeira!
O teto, as paredes, o chão — brotos de álamo surgiram de todos os lados, transformando-se em tábuas lisas que comprimiam o espaço das sombras.
Finalmente, as tábuas se encaixaram perfeitamente, formando uma enorme caixa de madeira que aprisionou todas as vinte sombras.
— Funcionou. A técnica da madeira pode selar as sombras diretamente.
Era muito mais eficiente do que criar múmias. Só havia uma condição: as sombras precisavam estar presas dentro de casa. Do lado de fora, sem uma múmia para contê-las, elas escapariam assim que os cadáveres virassem pó.
— Compressão.
A caixa de madeira começou a encolher. Sem matéria física, as sombras foram compactadas até que a prisão se tornou do tamanho de uma pequena porta, selando perfeitamente as vinte entidades.
Huo Ying queria torná-la ainda menor, mas sentiu pelo vínculo com a madeira que, se apertasse mais, a energia yang não seria suficiente — e as sombras escapariam.
— Uma caixa para vinte cadáveres. Queimando todas, a árvore divina avançaria 2%.
Se o ataque dos cadáveres fosse apenas isso — sem outras criaturas — então isso não era uma invasão, era um presente!
— Amanhã, preciso ir ao depósito e transferir as múmias para as caixas.
Sem se empolgar demais, Huo Ying reabasteceu as fogueiras, trocou as pedras yang quebradas e reforçou a porta com madeira. Sentou-se perto da janela, vigilante.
Thud.
O som pesado retornou. Desta vez, não era uma batida na porta — era o mesmo ruído de passos que ouvira antes, ofuscado pelo ataque dos cadáveres.
Huo Ying se aproximou silenciosamente da janela e espiou.
THUD!
Desta vez, viu. Uma criatura do tamanho de um caminhão saltou alto e aterrissou com força.
As casas esmagadas por ela viraram pó. A cada salto, o monstro parava, inclinava-se e sugava os destroços. Pedras, metais — tudo se liquefazia em um suco negro que ele engolia.
Afinal, não eram passos. Era o som daquela coisa gigantesca pulando.
Um sótão poderia servir de banquete para um inseto gigante por muito tempo. Depois de um bom tempo, o inseto erguia a cabeça e saltava em alguma direção aleatória.
— Que diabos é essa coisa?
Huo Ying sentiu um calafrio. Agora entendia por que a cidade estava em ruínas. Antes, pensara que tinha sido por causa da guerra entre humanos e cadáveres amaldiçoados, mas na verdade, tudo havia sido devorado pelos insetos.
Percebendo o olhar de Huo Ying, o inseto girou a cabeça abruptamente e encarou a direção de sua casa.
— Droga!
Sem querer atrair aquela criatura desconhecida, Huo Ying tocou o chão rapidamente.
— Técnica da Casa de Quatro Pilares de Madeira!
Sem economizar chakra, Huo Ying ergueu uma casa de madeira bem mais alta que a sua, do outro lado. Misturando terra à técnica, paredes de pedra surgiram junto com os pilares, formando uma casa sólida em segundos.
O inseto, como previsto, foi atraído pela construção nova.
Bang! No instante seguinte, o inseto pulou sobre a casa, rachando a parede com o impacto.
— Que força desgraçada! — Huo Ying se abaixou, espiando pela fresta da janela.
Com alguns golpes, o inseto esmagou a casa e começou a lamber os destroços, enquanto olhava confuso para a direção de Huo Ying. Ele não lembrava de haver algo tão alto ali antes. A curiosidade o fez olhar em volta.
A combinação de terra e madeira era resistente, mas mesmo reforçada com técnicas de endurecimento, a casa não duraria muito. A força do inseto era impressionante.
Por sorte, ao contrário dos cadáveres amaldiçoados, que matavam por instinto, aquele inseto só queria comer.
Quando a casa recém-construída estava quase devorada, Huo Ying usou sua técnica de novo, fazendo crescer mais um andar.
O inseto hesitou, empurrou a nova estrutura com curiosidade e, em vez de procurar por mais comida, concentrou-se em esmagar tudo com suas mandíbulas. Mastigava os restos enquanto revirava os escombros.
— Ele não é muito inteligente e parece não se interessar por humanos. Precisamos acelerar o plano do abrigo subterrâneo. — Huo Ying franziu a testa. Não queria depender de sorte. Se o inseto destruísse sua casa, deixando tudo exposto no escuro, não daria para prever o caos. Sem paredes, os insetos voadores consumiriam qualquer chama rapidamente.
Vendo que o inseto ainda não estava satisfeito, Huo Ying colocou mais "comida" no prato.
O gigante comeu por duas horas direto, sacudiu o traseiro, esmagou o que sobrou da casa e, com um bang, saltou para longe.
Dessa vez, sem parar para comer, seguiu em direção ao centro urbano.
Huo Ying suspirou aliviado, olhando para o terreno vazio em frente à sua casa, agora ampliado.
O inseto, já saciado, saltou alto e pesado até o telhado do centro urbano, destruindo-o completamente.
Então, contorceu o abdômen e enterrou uma bola escura e viscosa no meio dos escombros.
Do outro lado, em uma casa em frente ao centro, Huo Zhaohui e sua família se agachavam, espiando o inseto pela janela.
— Um Devastador em Colina Baixa! — Sussurrou Huo Zhenni, apertando-se contra Huo Huo.
— Relaxa, Devastadores preferem construções grandes, normalmente em cidades. Esse provavelmente foi atraído pela energia dos cadáveres amaldiçoados. Enquanto o centro urbano distraí-lo, ele não vai notar nossa casa.
Huo Zhaohui ergueu a manga, revelando um bracelete tecnológico. Uma câmera surgiu e ele a esticou pela janela, filmando o monstro.
— É uma fêmea, e está botando ovos. Além dos cadáveres, deve ter vindo para desovar num lugar mais quieto. Por isso as missões de eliminação sempre falham — eles devem fugir para cidades pequenas pra isso.
Huo Huo puxou Zhaohui para trás bruscamente. No mesmo instante, uma pedra enorme bateu na janela, criando crateras onde ele estava.
— Ele te viu. — Huo Huo ficou pálido.
Capítulo 61: Contenção
— Anotem: Devastadores ficam mais perceptivos ao botar ovos e atacam humanos. — Huo Huo observava o inseto à distância.
— Mãe Zhenni, só temos uma chance. Se falharmos, morremos. — Huo Huo fechou os olhos e esticou a mão: — Seja bem-comportado... Você é só um brinquedo.
Ao lançar mais pedras, o Devastador pulou em direção à casa, investindo contra a janela como um trem desgovernado.
Huo Huo, frágil diante da massa gigante, levantou as mãos como se enfrentasse uma brincadeira infantil.
No momento do impacto, porém, o inseto parou. O poder de Huo Huo o contivera.
Zhenni aproveitou para estender a mão pela janela:
— A raiva pode assustar os outros, mas quem sofre é você. Agora, você é uma mãe. Sua missão é proteger seus filhotes.
Seu toque acionou o poder da Serenidade. O inseto acalmou-se.
Huo Huo soltou o controle. O Devastador sacudiu a cabeça e voltou para os escombros do centro, cobrindo os ovos.
Zhenni recolheu a mão, ensanguentada. No escuro, ela não vira os insetos que a mordiscaram.
— Você está bem? — Zhaohui correu para pegar o kit de primeiros socorros.
— Só água oxigenada. Meu poder afetou até os insetos. As mordidas foram rasas. Não desperdice os remédios.
Aliviado, Zhaohui olhou para Huo Huo:
— E você, tá tudo bem?
O pequeno Huo Huo fez uma careta:
— Você precisa lembrar que agora está interpretando meu pai. Se você continuar se preocupando primeiro com a Jenny, nossa identidade vai ser descoberta fácil.
Huo Chaohui revidou, indignado:
— O que tem de errado na minha atuação? Não posso amar mais minha própria esposa?
O pequeno Huo Huo olhou para ele com desdém:
— Ah, poupe-me. Não seja bobo. Se não fosse pela missão, você acha que a mãe Jenny daria bola pra você?
— Chega de brigas — Huo Jenny sorriu, escondendo o riso, e se aproximou do pequeno Huo Huo depois de aplicar o remédio: — Como está se sentindo? Isso não vai te afetar, né?
O pequeno Huo Huo balançou a cabeça:
— Não, estou só controlando. O principal esforço vem de você, mãe Jenny. Mas se tivermos que lutar contra esse tipo de coisa, talvez eu perca o controle.
[O Destruidor era resistente como couro, cada impacto equivalente à força de um míssil. Enfrentá-lo só com força humana, mesmo para um infectado de terceiro nível, seria uma luta de vida ou morte.]
Perder o controle significava que um infectado de terceiro nível usaria força além do que seu corpo aguentava, fazendo o vírus dominar completamente o corpo. Isso dava uma grande chance de o infectado perder o pensamento humano e se transformar num monstro ainda mais assustador.
— Só o segundo dia e já estamos nessa enrascada! — Huo Chaohui balançou a cabeça, impressionado: — O povo dessa cidade tem muita sorte mesmo. Se não fosse a gente controlando o Destruidor, quantos morreriam hoje à noite?
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