Capítulo 30: Liang Yao
Na área rural, Zhang Yuqi até poderia se virar sozinha. Mas aquela era a casa dela.
Huo Ying abria e fechava os punhos, tenso.
Se os Exilados controlassem a Sênior Bai, Zhang Yuqi certamente se renderia na hora. Se fosse ele no lugar? Bem...
Mesmo no fim do mundo, Huo Ying ainda acreditava na humanidade. Acreditava que Zhang Yuqi realmente se importava com ele.
— A natureza humana não muda com o ambiente — murmurou. — Só se revela.
Ele recarregou o arpão e voltou para a cidade. Não conseguia ficar parado, mesmo sabendo do perigo.
O silêncio da cidadezinha era cortado pelos latidos estridentes dos cães. Huo Ying agachou-se, deslizando pelas paredes até se aproximar.
— Merda, é a casa da Liang Yao.
Enquanto Zhang Yuqi sabia se defender, Liang Yao era indefesa.
Esgueirando-se, Huo Ying viu o negro dar um ultimato a Liang Yao.
— Se eu aceitar, vocês matam ele por mim? — Liang Yao fitou Wang Tianhua, impassível.
Wang Tianhua estremeceu.
— Chefe, é o apocalipse! Uma mulher não serve pra nada! Você prometeu me perdoar se eu te ajudasse!
Vendo que o negro nem olhava para ele, Wang Tianhua surtou:
— Ela é uma pa! Não cai nessa! Eu só arrumei clientes pra ela, e agora ela quer me matar?!
Liang Yao suspirou, olhando-o com pena antes de se virar para o negro:
— A vida dele não me importa. Nada do que ele fez afeta se eu fico ou saio da cidade.
— Se fosse há alguns dias, talvez eu até me juntasse a vocês. Mas agora... há alguém aqui que me faz querer ficar. Tenho coisas para fazer. Lavar roupa, limpar louça...
Ela sorriu, como se, no meio do caos, finalmente tivesse encontrado algo bom.
O negro riu.
— Então é não? Ótimo. Mas... e se a pessoa que você quer proteger te abandonar?
Ele não se incomodou com a recusa. Pelo contrário — adorava esmagar esperanças. Principalmente as de mulheres.
Twang!
Duas flechas voaram. Uma em direção ao negro, outra ao último cão.
O negro virou-se para Huo Ying, arreganhando os dentes brancos.
— Lixeirinha, te achei.
Ele nem se esquivou. A flecha ricocheteou nele. O cão? O Esfomeado já estava de guarda e cortou a flecha com sua faca.
— Tá esperando você, filho da—! — Zhang Long, enlouquecido pela morte do cão, partiu para cima de Huo Ying.
— Sigam-no. Precisamos dele para os cães — ordenou o negro.
Os dois capangas correram atrás de Huo Ying.
O negro virou-se para Liang Yao, notando sua expressão preocupada.
— Ah, então ele é quem você quer proteger? Que comovente. Uma frágil mulher disposta a morrer por ele... e um lixo corajoso o suficiente para atirar em mim.
— Sabe por que virei um Exilado? Porque ver gente como vocês, com lares, com algo a perder... me dá um tesão incontrolável. Até arrancar tudo de vocês.
Ele esticou a mão, agarrando o cabelo de Liang Yao como um urso pegando uma lebre.
— O apocalipse tem que parecer um apocalipse.
Arrastando-a para dentro, ele ignorou seus gritos e chutes. Ao entrar, observou a casa limpa, os lençóis arrumados.
— Essa é a cama de vocês, né? Adoro ouvir os gritos de uma mulher na cama do cara. Não se preocupa... logo ele vai estar aqui, ouvindo também.
Empurrou-a, e Liang Yao caiu na cama, tonta.
O negro olhou para o segundo andar.
— Não! — Liang Yao impediu, mas ele a agarrou pelo tornozelo e a jogou de volta.
Baam! Ela viu estrelas, sem forças para reagir.
O negro alcançou o corrimão com facilidade, arrombando a porta do andar de cima.
— Isso aqui também é precioso pra você?
Ele riu, selvagem.
— Tão lindo. Quase me comove… mas só me deixa com mais vontade de quebrar.
Fora…
Zhang Yuqi se escondia atrás de um muro baixo.
Assim que ouvira a buzina e os latidos, percebera: os Exilados usaram os cães para rastreá-la.
Quando viu Huo Ying atirar, hesitou.
Ele estava provocando os Exilados?
Olhou para as costas dele por um instante. Se ele agiu, devia ter um plano.
Em vez de ajudá-lo, concentrou-se no que estava à sua frente.
Percebendo que o homem já havia entrado no quarto de Liang Yao, Zhang Yuqi franziu a testa e pisou com força no chão, esmagando instantaneamente os pedregulhos sob seus pés. Impulsionada como uma bala, ela disparou em direção ao quarto da amiga.
— Já estava esperando por você há tempos.
O faminto segurava um facão e protegia seu cão de caça. Seus olhos brilhavam com um rubor sinistro.
— Lembra-se daquele corte na minha lâmina? Se não fosse o chefe ordenando que eu poupasse sua vida, você já estaria morta.
O corte no braço esquerdo de Zhang Yuqi havia sido deixado por ele. O cão farejara o sangue na lâmina e memorizara o aroma dela, rastreando-a até ali.
O faminto se moveu, aparecendo diante de Zhang Yuqi em um ângulo impossível. Sua velocidade era estranha, e a faca ainda mais. Sem nenhum movimento perceptível, a lâmina deslizou silenciosamente em direção ao pescoço dela.
Empolgado, o faminto quase gritou. Fazia tempo que não torturava um infectado. Apenas lutando contra alguém assim a emoção valia a pena.
Naquele golpe, ele só queria forçá-la a recuar. Um passo atrás, e viria uma enxurrada de ataques. Ele desejara marcar seu corpo com incontáveis cortes, vendo-a se despedaçar aos poucos, até a última gota de sangue.
Mas ele acertou.
Zhang Yuqi, impassível, ergueu o braço e deixou a lâmina cravar-se em seu osso, perfurando sua artéria, enquanto o sangue jorrava sem controle.
Então, a cabeça do faminto voou.
O resultado o deixou surpreso por um segundo. Mas um segundo era tempo suficiente para Zhang Yuqi decepar sua cabeça dez vezes.
— Se não estivesse anoitecendo, você acha que eu estaria com tanta pressa?
Seu rosto permaneceu impassível, apenas pálido. A artéria sangrando já havia estancado.
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Capítulo 31: Disfarce
Zhang Yuqi ignorou o cadáver do faminto no chão e seguiu em frente sem parar.
Enquanto entrava na casa, tirou da bolsa uma barra energética escura. Era um suplemento de alta energia criado especialmente para ela por Jie, cheio de compostos medicinais. Para um humano comum, seria veneno. Sem estar ferida, nem ela ousaria consumi-lo.
Engoliu a barra em poucas mordidas, e a ferida em seu braço fechou instantaneamente. Apenas o corte na manga denunciava o ocorrido.
— Você?!
O homem acabara de arrombar a porta do segundo andar quando Zhang Yuqi invadiu o quarto.
— Junte-se a nós. Não resista. Sua faca não pode me ferir.
O homem pulou do segundo andar e tentou agarrar Liang Yao, que se debatia na cama. Percebeu que Zhang Yuqi estava ali para resgatá-la. Se a controlasse, a outra não teria para onde escapar.
— Se a faca não funciona, que tal uma granada nova de XN?
Com um sorriso breve, Zhang Yuqi ergueu o braço e arremessou algo redondo direto para ele.
— O quê?!
O homem sabia que sua resistência nem balas penetravam, mas a reputação de XN era assustadora. Quem sabia o que uma granada deles faria a um infectado?
Instintivamente, ele recuou.
O objeto atingiu a parede e se espatifou, revelando um miolo dourado e macio.
Era uma batata. Uma batata assada, fresca.
— Droga, você me enganou!
Quando tentou agarrar Liang Yao de novo, já era tarde. Zhang Yuqi alcançou a cama, puxou a amiga e saltou pela janela de madeira, desaparecendo no labirinto de ruas atrás da casa.
Boom!
O homem não a perseguiu. Arrombou a porta e saiu correndo, arrancando o cão de caça das mãos do subordinado na carroceria.
Naquela cidade desconhecida, ele não conseguiria rastrear uma infectada experiente. Mas com o cão, não importava onde ela se escondesse — ele a encontraria.
— Você, espere os outros voltarem.
Ordenou ao subordinado antes de partir no encalço de Zhang Yuqi, guiado pelo faro do animal.
Do outro lado, Huo Ying, após disparar suas flechas de madeira, armou rapidamente duas armadilhas e fugiu.
Zhang Long avançou como um touro enfurecido, mas no segundo seguinte foi interceptado pelo piloto, que o agarrou pelo colarinho.
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