—Espera!
Na casa de Yang Yao, de repente, ecoou um grito.
Como Huo Ying e os outros dois estavam lutando atrás de um canto, Yang Yao não conseguia ver quem estava vencendo e ficou com medo de fazer barulho.
Só quando Huo Ying revistou os corpos e acendeu fogo é que Yang Yao respirou aliviada.
Afinal, aquele casal tinha atacado primeiro, e ela temia que, se algo acontecesse a Huo Ying, seria a vez dela.
—Cric-crac.
Yang Yao abriu a porta e correu para fora.
Viu que Huo Ying estava mancando e correu até ele.
—Você está machucado?
Ela percebeu que a perna dele estava ensanguentada e falou rápido:
—Nossa cidade não tem médico nem remédios. Se essa ferida infeccionar, você corre perigo.
Vendo Huo Ying ainda segurando o machado de incêndio, desconfiado, ela explicou tudo de uma vez:
—Minha habilidade não serve só para lavar roupas… Eu também posso desinfetar feridas. Já me machuquei antes, e eu me curei super rápido.
Como Huo Ying ainda hesitava, ela apontou para o machado:
—Foi isso que te cortou, né? Então você me precisa ainda mais. Você nem sabe o que esse machado já cortou antes. Pode ter tétano, vírus…
Yang Yao se aproximou devagar, notando que, apesar da desconfiança, ele não a atacou. Aos poucos, ela se ajoelhou, retirou a bandagem que ele mesmo tinha feito e colocou a mão sobre o ferimento.
Huo Ying sentiu uma sensação fria na perna, seguida de um formigamento. O sangue escuro começou a clarear, ficando rosado, e pequenas bolhas apareceram na ferida.
Parecia que as bactérias estavam sendo expulsas pelo toque dela.
—Que tal… você ficar na minha casa hoje? Minha habilidade não age tão rápido, e se demorarmos mais, vai acabar anoitecendo.
Com um sorriso aliviado, Yang Yao olhou para ele. Ele a ajudara antes, e agora ela tinha a chance de retribuir.
—Então você tem esse poder…
Huo Ying concordou e os dois entraram na casa. Ele pensou um pouco, tirou as braçadeiras de peso que usava e acendeu uma fogueira com a madeira que trouxera.
—Se você usasse essa habilidade para negociar, poderia conseguir mais recursos do que apenas… se oferecendo, não?
Yang Yao, ainda pressionando o ferimento, balançou a cabeça.
—Você ainda acha que as coisas são simples demais. Esse mundo é perigoso. Aqui na cidade, quantas pessoas se importariam em gastar energia só para se divertir com uma mulher? Quem trocaria recursos por isso?
—Poucos. Quem ainda está vivo não procura mulheres— tem medo de ficar fraco e morrer para os monstros. Por isso, ninguém me mataria ou me prenderia só pra si. Mas…
Ela fez uma careta.
—Se descobrissem que eu posso curar feridas… Nesse fim do mundo, quem não tem medo de se machucar?
Huo Ying ficou em silêncio, então olhou para ela, curioso.
—Quanto a por que eu revelei isso pra você… É porque você é uma boa pessoa.
—Você me deu quatro lenhas só pra lavar suas roupas. Foi atacado por aqueles dois, mas mesmo assim cumpriu o pedido deles. Acho que você não me machucaria. Se souber da minha habilidade, podemos nos ajudar.
—E eu sei que você não vai contar pra ninguém. Porque outros podem me fazer mal. Se eu morrer, você perde alguém que não te quer mal e ainda pode te curar.
Huo Ying concordou com a lógica dela.
Claro, Yang Yao não mencionou outra coisa: Huo Ying, mesmo ferido, tinha derrotado um casal perigoso. Ele era forte— e ela também precisava de alguém assim como aliado.
—Você conhece uma mulher na cidade, que chamam de Irmã Bai?
Já estava escuro, mas o fogo impedia a névoa e os insetos de se aproximarem. Nenhum monstro os perturbava.
—Não.
—E Zhang Yuqi, já ouviu falar?
—Se for uma mulher, talvez eu tenha visto, mas nunca ouvi o nome.
Yang Yao pensou, então perguntou:
—As pessoas que você procura são da cidade, né? Eu só conheço os vizinhos antigos… Mas antes dos monstros destruírem tudo, haviam pessoas da Fábrica de Genes Azul que vieram da capital.
—Elas não se misturavam muito com a gente.
De repente, ela pareceu perceber algo:
—Pra falar a verdade, eu nunca tinha te visto antes. Você não é da Fábrica de Genes Azul? Ou veio pra cá fugindo, como o Hou Ping?
—Eu também não sou daqui.
Huo Ying havia obtido mais uma informação.
—Você não estava indo para o Centro Cívico? Se souber o nome, fica mais fácil. Se a pessoa que você procura não foi com a equipe de investigação, os documentos dela devem estar lá. Todos os sobreviventes foram cadastrados à força.
Huo Ying acenou e fechou os olhos, descansando.
Yang Yao, vendo que ele não ia conversar mais, pressionou levemente a ferida:
—Já está quase fechada. Melhorou?
—Muito. Se estiver cansada, pode descansar. Já não atrapalha mais.
Ele moveu a perna— o sangramento parara, e a dor diminuíra bastante.
Vendo isso, Yang Yao pareceu decidir algo.
—Realmente melhorou, hein? Então… quer fazer alguma coisa?
Ela tocou a pele dele com leveza.
Depois de tanto tempo com a mão no ferimento, a habilidade dela deixara Huo Ying revigorado, como depois de um banho quente. Seus olhos pareciam mais profundos, quase hipnotizantes.
Huo Ying pegou o machado, e Yang Yao recuou, assustada.
Mas ele apenas… o colocou na mão dela.
— Não é preciso que aconteça nada para sermos parceiros. Nossa segurança e confiança já estão baseadas na sua habilidade — disse Huo Ying, encostando-se na parede para descansar.
Ele já tinha visto muitas pessoas como Liang Yao em sua vida passada — pessoas sem segurança, desconfiadas, que só se sentiam verdadeiramente conectadas a alguém depois de uma relação íntima. Sem exceção, todas elas acabavam mal.
Liang Yao ficou paralisada, abraçando o machado. Huo Ying fechou os olhos calmamente diante dela. Dessa vez, seus olhos ficaram ainda mais vermelhos. Ela enxugou as lágrimas devagar, encostou-se na parede ao lado dele e também fechou os olhos.
Muito tempo depois, ao ouvir a respiração calma de Liang Yao, Huo Ying relaxou. Depois de entregar o machado a ela, ele se preparou para ativar sua armadura de madeira a qualquer momento. Segurança e confiança exigiam não apenas habilidade, mas também pequenos testes. E Liang Yao havia passado.
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Capítulo 22: A Atualização do Arpão
Ao amanhecer, Huo Ying verificou seus ferimentos. Durante a noite, Liang Yao ficou encostada nele, usando o contato para ajudar na cicatrização. Em uma noite, seus ferimentos já estavam quase curados.
Mas o que mais o surpreendeu foi o machado de incêndio, que parecia novo. A lâmina brilhava azulada, mais afiada do que antes.
Liang Yao assava batatas nas brasas do fogo que se apagava.
— O café da manhã está quase pronto. Quer comer antes de irmos? — perguntou ao vê-lo acordar.
Huo Ying balançou a cabeça, pegou o machado e voltou para sua casa. Sua primeira ação foi pegar o projeto do arpão. Agora, entendendo o mecanismo do gatilho, ele podia criar um arpão de disparo contínuo usando sua habilidade com a madeira.
Mas o que mais o interessava eram as flechas especiais do projeto, capazes de aumentar o poder de destruição. As que mais o atraíam eram as flechas "dente-de-lobo", com farpas e sulcos para sangramento. Uma vez cravadas, causariam feridas terríveis, seja deixando-as no alvo ou arrancando-as.
— Espero usar essas flechas apenas contra os cadáveres amaldiçoados, não contra pessoas — suspirou.
Ele criou nove flechas dente-de-lobo e as instalou em três arpões de disparo contínuo. Vestindo seu equipamento pesado, escondeu os arpões sob a roupa, levando também a lanterna e a pedra solar. Com o machado novo na mão, saiu de casa sentindo-se mais forte do que nunca.
O progresso da Árvore Divina em sua mente agora estava em 17%. O casal que morrera não contribuíra para o crescimento.
Hoje, ele não foi coletar suprimentos. Em vez disso, dirigiu-se a uma casa próxima, onde sabia que um cadáver amaldiçoado se escondia.
Ficou sob a luz do sol, arpão em mãos. O cadáver, que normalmente usaria ilusões para atraí-lo, hoje permanecia imóvel. Huo Ying verificou a pedra solar — estava quente, indicando a presença do monstro.
— O que está acontecendo? — murmurou.
Avançou alguns passos para a sombra, mas nada aconteceu. Então, apontou a lanterna para as trevas. A luz forte revelou um cadáver em decomposição, com olhos vermelhos que o encaravam com ódio.
— Então é assim que a lanterna funciona... — compreendeu.
Os cadáveres amaldiçoados e outras criaturas infectadas podiam se esconder perfeitamente nas sombras, mas a lanterna os revelava. Aquele em particular estava ferido, com partes do corpo faltando.
— É o que sobreviveu à água do riacho naquela noite — percebeu Huo Ying.
Era por isso que o olhar do cadáver transbordava raiva. Ele não usara suas ilusões porque percebera que Huo Ying conseguia distinguir realidade e mentira.
Apontando o arpão, Huo Ying acendeu uma flecha dente-de-lobo e atirou. A flecha atingiu o alvo a trinta metros, e as chamas consumiram o cadáver em menos de um minuto. Quando virou cinzas, uma sombra turva emergiu.
Era o que Huo Ying esperava. Disparou outra flecha em chamas, mas a sombra apenas tremeu antes de desaparecer nas trevas.
— Então essa sombra é a verdadeira forma do cadáver amaldiçoado? — refletiu.
O fogo destruía apenas o corpo que o monstro controlava. Se encontrasse outro, reviveria.
— Como destruir a sombra de vez? — questionou-se.
Por enquanto, o importante era fazer a Árvore Divina crescer. Queimar o cadáver aumentou o progresso em 1%.
Verificando a pedra solar, confirmou que não havia mais ameaças por perto. Com o machado, arrombou a casa onde o cadáver estivera, pronto para saquear o que encontrasse. A lanterna iluminou cada canto do lugar escuro.
A casa estava cheia de mofo, com pedaços de tinta descascando pelas paredes. Huo Ying vasculhou por um tempo até encontrar uma panela de ferro toda enferrujada.
— Até que não está tão ruim. Depois eu peço para a Lavadeira limpar isso.
A panela estava imunda, mas Huo Ying não ligou. A habilidade de Liang Yao era impressionante — bastava levar a panela até ela que em pouco tempo ficaria como nova.
Terminada a busca, Huo Ying seguiu para o próximo cômodo. Sempre que a pedra yang esquentava, ele usava a lanterna para iluminar o local e incendiar os cadáveres malignos com os dardos. Mas se a pedra permanecesse fria, ele se afastava rapidamente do local.
Afinal, um quarto sem cadáveres malignos podia abrigar gente viva. E onde havia gente viva, também podiam existir armadilhas de defesa.
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