A mulher no campo esportivo era impecavelmente limpa.
Seus cabelos negros, cheios de brilho, caíam soltos até a cintura.
A roupa que vestia era toda de tecido branco translúcido, tão limpo que parecia não ter um único grão de poeira, deixando claramente visível o sutiã e a calcinha pretos por baixo.
Barriga lisa, coxas firmes, braços alvos e uma clavícula delicada.
Sim, o tecido branco não escondia praticamente nada — exceto as partes mais íntimas, o resto do corpo estava quase tão exposto quanto se estivesse nu.
— Nesse mundo, alguém teria água para desperdiçar assim? — Huo Ying hesitou, sem coragem de pular a cerca. Em vez disso, recuou alguns passos, escondendo-se perto do muro da escola, observando o campo à distância.
Não demorou muito para que mais pessoas chegassem ao local.
Eram duas.
Huo Ying soltou um suspiro de alívio.
Eram Hou Ping e Gaguinho, que caminharam sem cerimônia em direção à mulher de branco.
— Irmão Hou, você ainda tem recursos sobrando? Poderia me emprestar um pouco? — A voz da mulher de branco era doce ao se dirigir a Hou Ping.
Gaguinho pulou na frente dela de repente:
— O-O Grande Macaco não q-quer falar com você.
A mulher recuou como se ele fosse uma praga, evitando olhar para Gaguinho. Em vez disso, fitou Hou Ping com um olhar suplicante:
— Irmão Hou, me ajude. Eu me dou a você em troca.
Hou Ping engoliu seco, mas abanou a cabeça com firmeza:
— Liang Yao, estamos no apocalipse. Não adianta tentar se apoiar nos outros.
Liang Yao ficou magoada:
— Eu tentei! Já sobrevivi a vários ataques dos cadáveres amaldiçoados, mas desta vez... realmente não consigo encontrar recursos.
Vendo que Hou Ping não respondia, ela encolheu os ombros e calou-se.
Pouco depois, mais duas pessoas entraram no campo.
Dessa vez, eram um homem mais velho e um jovem — claramente pai e filho, pelo semblante parecido.
— Irmão Wang, Tianhua... vocês têm recursos sobrando? — Liang Yao correu até eles. — Eu me ofereço em troca. Só me deem alguns recursos. Se for o bastante, podem ser os dois juntos.
O homem chamado Wang sacudiu a cabeça, mas então olhou para o filho e viu que ele não conseguia desviar os olhos de Liang Yao. Puxou o braço do rapaz e perguntou:
— Quanto só para o meu filho?
— Apenas para Wang Tianhua... dez Pedras Solares ou cinco toras de álamo. — Liang Yao respirou fundo, abandonando qualquer resquício de orgulho.
— Tianhua... — O velho Wang olhou para o filho.
Wang Tianhua arregalou os olhos, devorando Liang Yao com o olhar, mas depois negou:
— Não, pai. O preço é alto demais. Estamos no apocalipse, mulheres não valem nada.
— Não é só isso! Eu tenho outras habilidades, posso ajudar em muitas coisas! Valeria cada pedra! — Liang Yao insistiu, já que sua dignidade já estava em frangalhos.
Wang Tianhua riu:
— Irmã Liang, eu realmente não posso pagar. Prefiro me virar sozinho. Nesses tempos, o que importa é o custo-benefício.
— É... o mínimo que posso aceitar... — Liang Yao baixou a cabeça, ignorando os dois.
Mais um casal chegou ao campo.
Liang Yao olhou, mas não disse nada. Sabia que era inútil pedir — nesses tempos, quem tinha parceiro em casa não buscava outros.
Algum tempo depois, mais duas mulheres apareceram.
Não eram Zhang Yuqi e Irmã Bai, mas sim uma mãe e filha.
Huo Ying observou o grupo no campo, alternando o olhar entre as quatro mulheres.
Gaguinho dissera que fora morto por uma mulher. Seriam mesmo Zhang Yuqi e Irmã Bai? Ou será que era outra pessoa?
Depois de esperar um pouco mais, sem ver ninguém novo chegar, Huo Ying finalmente apareceu, saltando a cerca e entrando no campo.
— Um novato! — Liang Yao ficou animada. Enquanto todos ali tinham algo para oferecer, ela só tinha a si mesma. Seus olhos brilharam de esperança ao ver Huo Ying.
Os olhos de Huo Ying se estreitaram. Antes que ela pudesse falar, ele perguntou direto:
— Quanto?
— Dez Pedras Solares ou cinco toras de álamo. Se não tiver, quatro toras servem. — Liang Yao jogou tudo para o alto, abaixando o preço por conta própria.
— Por quanto tempo?
— Hã? Quer por muito tempo? — Ela piscou, confusa. — No máximo uma hora. Se passar, mais uma tora.
Huo Ying assentiu, então virou-se para Gaguinho:
— Ela mentiu em algo?
Gaguinho, que estava só assistindo, ficou boquiaberto, sem entender a lógica de Huo Ying, mas respondeu:
— Ela... ela não mentiu.
— Ah, então você conhece o Gaguinho. — Liang Yao sorriu, ainda mais animada. — Todo mundo aqui pode confirmar, Gaguinho nunca mente. Viu? Meu preço é justo.
— Espere eu negociar minhas coisas primeiro. — Huo Ying concordou, passando por Liang Yao e se aproximando de Hou Ping.
— Achei que você não viria. — Hou Ping apontou para o pai e filho. — Se quer trocar pelo arpão de pesca, fale com Wang Kai.
Wang Kai, o pai de Wang Tianhua.
Ao ouvir a apresentação, Wang Kai avaliou Huo Ying, notando as três toras de álamo em suas costas.
— O velho Hou me falou. Suas toras são de boa qualidade, mas só trouxe uma boa agora?
— Tinha três, mas o velho Hou me enganou e ficou com duas. — Huo Ying brincou. — Essa é a última. O resto são só pedaços pequenos.
— Isso não é o suficiente. O arpão precisa de materiais que não conseguimos aqui no vilarejo. Temos que trocar com os entregadores, e todo o tempo e esforço gastos não valem só por uns pedaços de madeira.
Wang Kai sorriu:
— Mas tenho uma solução. Aceito essas três toras que você trouxe hoje.
Huo Ying ergueu as sobrancelhas, pedindo que ele continuasse.
Wang Tianhua tirou do bolso um pequeno livreto impresso em cores e folheou na frente de Huo Ying.
Além de imagens, havia anotações feitas à mão.
— São as instruções para fazer o arpão de pesca. Você mesmo pode construir. Se tiver dúvidas, pode me perguntar aqui no campo a cada troca — cada pergunta custa uma tora comum. Ou, se juntar os materiais seguindo o manual, traga para mim e eu monto, mas a mão de obra custa duas toras extras.
Huo Ying sentiu um frio na barriga de satisfação, mas não aceitou de imediato. Franziu a testa, fingindo hesitar.
**Capítulo 17 — Negócio Feito**
— Se eu não conseguir aprender ou não tiver todos os materiais, não vou perder tudo sem retorno?
Hou Ying hesitou e recuou para perto de Hou Ping.
Wang Kai não disse nada, com uma expressão que claramente dizia: "Se você não quer comprar, problema seu."
Mas Wang Tianhua parecia relutante. Em vez de guardar os esquemas no bolso, olhou para o pai.
Foi então que Liang Yao pulou no meio da conversa:
— Um pedaço de papel com desenhos não vale tudo isso! Quem você pensa que é? Só porque escreveu umas coisas ali, todo mundo vai conseguir aprender? Se fosse justo, deveria cobrar só pelas respostas ou ajustes, não vender o esquema tão caro!
Ela se aproximou de Hou Ying, preocupada. Não queria que ele gastasse todos os recursos de uma vez. Finalmente, alguém estava disposto a negociar com ela, e se ele ficasse sem nada, ela não teria coragem de tentar com outra pessoa.
Wang Tianhua relaxou um pouco. Ele não temia alguém barganhando—pelo contrário, só tinha medo que o pai estragasse o negócio com o preço absurdo.
Madeira de álamo era um tesouro precioso. Sem ela — e sem o fogo carregado de energia yang —, à noite, os insetos voadores de presas afiadas reduziriam um homem a esqueleto em poucos minutos. Quanto mais madeira, melhor, especialmente com a revolta dos cadáveres malignos se aproximando.
— O manual do meu pai — explicou Wang Tianhua, puxando o esquema um pouco mais perto de Hou Ying —, basta ter um mínimo de habilidade para seguir as instruções e construir. O resto do custo é quase irrelevante. Isso não é só um livro, é uma tecnologia. Se os materiais não fossem tão difíceis de conseguir, você acha que alguém venderia algo assim?
Wang Kai escureceu na hora. O filho foi impulsivo e ainda revelou que os materiais eram raros. Ele mesmo havia dito apenas que seria necessário negociar com os mensageiros, omitindo que talvez eles não tivessem o que era preciso.
Temendo que Hou Ying percebesse o golpe, Wang Kai arrancou o esquema das mãos do filho e bufou:
— No mínimo duas varas de madeira, e uma delas tem que ser da mesma qualidade que a sua! Se não, nem vendo! Isso aqui é meu suor, meu sangue! E é uma arma! Quem garante que você não vai usar contra mim depois?
Hou Ying sorriu por dentro. Não ligava para quantas varas teria que pagar—só não queria chamar atenção esbanjando recursos. Vendo Wang Kai fingindo raiva, deu a deixa para fechar o acordo.
— Tudo bem, vou tentar construir. Fica em duas varas. — Hou Ying suspirou, como se cedesse.
Wang Tianhua ficou radiante. Wang Kai também esboçou um sorriso. Os dois pegaram a madeira e entregaram o esquema.
— Você está levando uma pechincha — comentou Wang Tianhua. — Se conseguir fazer a besta de pesca, até um não-infectado pode matar criaturas comuns com facilidade.
Liang Yao, vendo que Hou Ying havia fechado o negócio, chegou mais perto:
— Eu te ajudei a economizar uma vara, hein? Não pode voltar atrás na palavra. Você, homem, não sabe barganhar. Que tal me levar com você? Posso ajudar muito. Como pouco por dia, só um pouquinho mesmo!
Hou Ying não respondeu, ocupado em folhear o esquema.
Em poucas páginas, percebeu que havia acertado na compra.
A besta de pesca não era um único projeto.
Havia três modelos: besta de estilingue, arpão e arpão de rajada.
A besta de estilingue era minúscula—do tamanho de uma mão.
O arpão era como ele imaginara: uma besta de mão com empunhadura, gatilho, mira e trajetória.
A razão para chamar de "arpão" eram as seis cordas trabalhando juntas, capazes de atingir 20 metros debaixo d'água e 50 em terra.
Até para armar, era preciso usar o pé—isso dizia muito sobre sua potência.
A dificuldade estava no gatilho e no mecanismo, mas, sabendo o princípio e o formato, essa parte se tornava simples para ele.
Já o arpão de rajada foi a alegria de Hou Ying.
Ele sempre quis fazer uma besta de repetição, mas não fazia ideia por onde começar.
O esquema mostrava claramente o princípio: três câmaras e uma alavanca de alternância. Bastava construir isso, e podia guardar três flechas de uma vez. A desvantagem era ter que puxar a alavanca a cada tiro, mas ainda assim era infinitamente mais prático do que recarregar a cada disparo.
Os três modelos tinham vantagens: o arpão era o mais poderoso, a besta de estilingue a mais portátil, e o de rajada, a mais conveniente.
No pátio, poucos prestaram atenção à negociação. Quem entendia um pouco achava que Hou Ying tinha caído no golpe dos Wang. Bestas de pesca eram armas rudimentares, itens proibidos. A Associação Tongzhou de XN nem vendia para fora—os recursos de Hou Ying iam virar pó.
Mas a mãe e a filha não tiraram os olhos da madeira nas mãos de Wang Kai.
A mãe observou por um tempo, depois olhou para a filha, que respondeu com um aceno decidido.
Assim que teve a confirmação, a mulher se aproximou de Hou Ying:
— Me chamo Elsa Lehmann. Esta é minha filha, Luna. Temos algo para trocar.
Elsa lançou um olhar para Liang Yao, que resmungou:
— Não caia nessa, Hou Ying! Se escondem o que estão vendendo? Deve ser enganação.
Ela não queria que ele gastasse todo o estoque, mas, relutante, afastou-se para deixá-los conversar.
[Estrangeiros...]
Hou Ying ficou surpreso. Elsa olhou em volta, certificando-se de que ninguém mais podia ver, e então tirou algo do bolso, colocando na mão dele.
Ao abrir a palma, viu que era uma semente—e já brotando.
— Minha filha é especialista em botânica. Esta é uma nova variedade de semente de cenoura, resistente à seca e de crescimento rápido. Interessado?
[Sementes!]
Hou Ying havia observado as trocas dos outros. Roupas, ferramentas... quase nada de comida, quanto mais sementes melhoradas.
Mas, no segundo seguinte, ele devolveu a semente.
— Não, obrigado.
Ele reconheceu o olhar de Elsa. Não era o olhar de uma comerciante—não havia um pingo de ganância. Só esperança. Ela nem mesmo mencionou um preço. Não parecia importar com o que ganharia, só com a possibilidade de a semente ser aceita.
Já havia muito tempo que Huo Ying vinha pensando: no apocalipse, o perigo estava por toda parte. Dessa vez, ele só tinha um objetivo em mente ao vir negociar — o arpão de pesca. Quanto ao resto, só trocaria o que os outros estivessem trocando. Dessa forma, evitaria chamar atenção indesejada por expor algo valioso sem querer.
[Observação: Nenhum dos presentes estava trocando comida ou sementes.] Logo, ele também não o faria.
Nos olhos de Elsa, a centelha de esperança se apagou. Em silêncio, ela guardou as sementes e voltou para perto da filha.
Liang Yao, vendo que o negócio de Elsa não tinha dado certo, imediatamente se aproximou de Huo Ying, temendo que outros o atraíssem para outra troca.
Elsa lançou um olhar desdenhoso para Liang Yao e sussurrou para a filha:
— Ele recusou.
Luna permaneceu impassível, os olhos fixos em Huo Ying até o fim da negociação frustrada.
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