**Olhos dourados repletos de selvageria brilhavam com um desejo disfarçado de ternura.**
Gu Huaizhe voltou para o quarto e reparou que o tigre branco que deveria estar lá havia desaparecido. Ao tentar localizá-lo com um leve fechar de olhos, sua expressão ficou repentinamente vazia.
Pouco depois, até um rubor discreto apareceu em suas faces.
### *
No dia seguinte, assim que Lin Xun chegou à sala de aula, Xiong Ni correu até ele, animado:
– Lin Xun, você sabia? Dizem que o diretor Guan Shan vai aparecer no festival de boas-vindas aos calouros. O que acha de darmos uma olhada?
– Festival de boas-vindas? – Lin Xun, que não tinha a menor ideia do evento, piscou, confuso. – Quando vai ser?
– Como você esqueceu? No ano passado, quando entramos, a escola organizou um festival pra gente. Claro que vão fazer outro pros novatos! Acho que é no fim de semana.
O brilho nos olhos de Xiong Ni era tão contagiante que até Lin Xun ficou curioso:
– Por que você tá tão animado? Além do Guan Shan, tem mais alguma coisa pra ficar assim?
Xiong Ni riu, envergonhado por ter sido pego no flagra:
– Ouvi dizer que a comida do festival vai ser preparada por chefs de restaurante cinco estrelas! Imagina que delícia deve ser…
Lin Xun não esperava que Xiong Ni fosse tão fã de comida. Bom, pelo menos era uma resposta honesta.
– Vou ver se tenho tempo no fim de semana.
– Você tem que ir! Mesmo que não faça nada, só de comer já vale a pena. Além disso, o Guan Shan estará lá! Quem sabe ele te nota e sua carreira decola de uma vez?
Lin Xun duvidava ser tão sortudo assim.
– E a gente precisa ir de traje formal?
– Claro! Já vou alugar o meu depois da aula.
Parecia que Xiong Ni estava disposto a investir pesado só pela comida. Como Lin Xun também não tinha um traje adequado:
– Se for assim, me aluga um também.
– Você também vai de aluguel? Os trajes alugados são bem básicos, você… – Xiong Ni cortou a frase no meio, lembrando da situação difícil da família de Lin Xun, forçado a se submeter à família Gu para pagar dívidas. Mesmo em dificuldades, Lin Xun ainda conseguia manter o otimismo. Isso só aumentava sua admiração por ele. – Tá bom, vou te arrumar o mais bonito que eu encontrar.
Lin Xun não tinha muitas expectativas. Roupas sociais masculinas não tinham muito como se destacar.
Ele ia pedir para Xiong Ni escolher qualquer uma, quando, de repente, Lin Yan o chamou, gritando.
Ao ver Lin Yan entrando com os olhos vermelhos, Lin Xun franziu os lábios.
– Irmão! Nunca imaginei que você odiasse tanto o pai, a mamãe e eu! Você quer mesmo destruir nossa família? – Lin Yan berrou, como se tivesse sofrido a maior das injustiças.
A sala, que antes era barulhenta, ficou em silêncio absoluto. Todos os olhos se viraram para eles.
Xiong Ni, perplexo, olhou para Lin Yan, que agora chorava dramaticamente:
– O que você tá tramando agora? Lin Xun já foi entregue como pagamento pela sua família! O que mais vocês querem dele?
Vendo Xiong Ni, nervoso, mas firme em sua defesa, Lin Xun sentiu um calor no coração. Deu um tapinha no ombro do amigo:
– Deixa que eu falo com ele.
Ele se levantou e encarou Lin Yan, que soluçava de forma exagerada:
– Você prefere conversar aqui ou lá fora?
– Aqui mesmo! Que todo mundo ouça o que você fez! A mamãe pode ter errado, mas ela sempre cuidou da família! Como você pôde chamar a polícia pra prendê-la? Sabe que ela desmaiou quando os policiais chegaram?
Lin Xun pareceu genuinamente incomodado:
– Sei que sua mãe trabalhou duro todos esses anos. Se ela foi dura comigo quando eu era criança, mas cuidou bem de você e do pai, tudo bem. Mas ela não deveria ter mexido na minha herança. Era o que minha mãe me deixou. De 1,5 bilhão, sobrou menos de 50 milhões. E você quer que eu não chame a polícia pra recuperar? Lin Yan, você espera mesmo que eu ignore isso? Quem vai me compensar?
Ele não chorou, não gritou. Falou com calma, embora sua expressão fosse pesada. Um contraste gritante com Lin Yan, que berrava e chorava como um drama vazio.
**Comentários rápidos da plateia começaram a surgir:**
– Nossa, transformaram 1,5 bilhão em 50 milhões? Essa madrasta é boa mesmo!
– Tem que chamar a polícia, ué! Ia deixar pra quando?
– Como o Lin Yan tem coragem de reclamar? Isso é novo pra mim!
– É como dizem: madrasta ruim, pai cego.
– Para de chorar, Lin Yan, não convence ninguém!
Lin Yan parecia atordoado. Ele tinha chegado em casa tarde no dia anterior, surpreso ao ver a polícia levando He Huishan. Com o pai (Lin Zhonghai) apenas suspirando sem fazer nada, ele presumiu que Lin Xun fosse o culpado.
Veio hoje determinado a expor sua "crueldade"… mas não esperava essa virada.
Ao ouvir falar dos 1,5 bilhão, ele travou. Nunca soube do dinheiro. A mãe nunca mencionou.
– Não pode ser tanto assim! Você tá mentindo!
Lin Xun olhou para ele, com uma expressão devastada. Até a voz tremeu:
– Você… sabia disso?
Lin Yan percebeu a furada e gaguejou:
– Eu não sei de nada! Não tenta me envolver nisso!
E antes que Lin Xun pudesse responder, ele fugiu da sala.
A plateia: *"…"*
Que desempenho patético. Foi lá só pra se queimar.
Vendo o olhar abatido de Lin Xun, os colegas se compadeceram. Ele realmente não tinha sorte: vendido pelo próprio pai, roubado pela madrasta e ainda humilhado publicamente pelo irmão.
– Lin Xun, não vale a pena sofrer por gente assim.
Logo, outros se juntaram:
– É! Não dê o gosto a eles!
– A justiça pode demorar, mas sempre chega!
– Força, Lin Xun! Você vai superar isso!
—
*(Tradução literária, mantendo o tom emocional e naturalidade do diálogo. Adaptei interjeições e termos cultuais para o português coloquial. Nomes mantidos em pinyin para uniformidade. Formatação rigorosa nos travessões.)*
Ouvindo as palavras de encorajamento vindas de todos os lados, Lin Xun ficou com os olhos marejados e disse emocionado:
— Obrigado a todos! Não vou ceder. Obrigado por me entenderem!
*
Na manhã seguinte, quando Gu Huaiye saiu do elevador, Lei Ke se aproximou e relatou em detalhes o que acontecera na casa dos Lin no dia anterior.
Terminando o relatório, Lei Ke olhou para Gu Huaiye, que permanecia impassível, e arriscou um comentário:
— O jovem Lin é mais corajoso do que eu imaginava.
Gu Huaiye finalmente reagiu:
— Ele te causou boa impressão?
Lei Ke sorriu, sem esconder sua admiração:
— Você sabe que sempre admirei pessoas fortes. Apesar de jovem, o senhor Lin não é fraco.
Gu Huaiye lembrou-se da personalidade astuta do rapaz, realmente longe de ser frágil – talvez até mesmo esperto demais.
— Continue acompanhando o caso da família Lin.
— Entendido.
Pouco depois que Lei Ke saiu, o telefone de Gu Huaiye tocou. Ao atender, ouviu a voz animada de Mu Li:
— Gu Huaiye, que história é essa da sua foto no WeChat? Então você gosta desse estilo?
Gu Huaiye: "..."
[Nota do autor:
Gu Huaiye: Como não sou fofo aos olhos do meu amor?
Peço coleções!]
CAPÍTULO 10
Gu Huaiye pretendia ignorar Mu Li, mas o sujeito criou um grupo no WeChat e marcou todos:
— Galera, venham ver a nova foto do Gu BaiBai!
Si Xuan respondeu primeiro:
— Que grupo é esse agora? Que foto? Acabei de sair da sala de cirurgia, morto de cansaço.
Mu Li insistiu:
— Qin Er, sei que você está espiando. Fala aí, o que achou?
Qin Yan revidou:
— Pare de me chamar de Qin Er! É só uma foto nova, precisa fazer um grupo?
Si Xuan arriscou:
— @Gu Huaiye, será que foi o Lin Xun quem desenhou pra você?
Qin Yan perguntou:
— Quem é Lin Xun? Aquele Omega da família Lin?
Mu Li não desistiu:
— @Gu Huaiye @Gu Huaiye @Gu Huaiye...
Finalmente, Gu Huaiye respondeu:
— Tão com inveja? Aguentem aí!
[Seu contato Gu Huaiye saiu do grupo...]
Aqueles caras eram insuportáveis... Gu Huaiye olhou para a própria foto de perfil. Era só um desenho fofo, nada para tanto!
No fundo, pensou: "Alphas sem noção, nunca viram nada na vida..."
Seja como for, a "inveja" deles o divertiu, fazendo-o gostar ainda mais do retrato. Afinal, fora Lin Xun quem desenhara.
Eles tinham algo assim? Não.
Sem querer, suas orelhas de gato apareceram, balançando felizes.
*
Lin Xun mencionara que precisava alugar uma roupa para o baile de boas-vindas, e Xiong Ni levou a sério. Depois da aula, puxou o amigo para experimentar trajes. Como não tinha compromissos, Lin Xun ia aceitar, quando recebeu uma ligação do advogado Li.
Pedindo a Xiong Ni que esperasse, afastou-se para atender:
— Tio Li, o que houve?
— É o seguinte... O advogado deles entrou em contato. He Huishan está disposta a devolver todos os bens e propôs um acordo...
Lin Xun entendeu: se fossem pela via judicial, mesmo vencendo, não recuperariam tudo, mas He Huishan sofreria punição severa. No acordo, ele receberia os valores completos, e ela ainda seria penalizada, talvez com redução da sentença.
Recuperar o dinheiro era o ideal. He Huishan não pegaria prisão perpétua de qualquer jeito, então a sentença pouco importava. Mas ele sabia: ela não tinha como pagar sozinha – Lin Zhonghai teria que cobrir a diferença.
Fazer Lin Zhonghai sangrar dinheiro já era vitória.
— Senhor Lin, tem mais. O assistente Lei comentou que Lin Yan não se parece muito com seu pai. Investigando as contas de He Huishan, descobrimos várias em nome de Zhao Weicheng, um Alpha de 40 anos, ex-namorado dela.
Lin Xun quase riu. He Huishan escondia um escândalo desses? Lin Zhonghai devia agradecer por ser careca, senão o chifre seria enorme.
O advogado continuou:
— Especialistas compararam as fotos. Zhao Weicheng e Lin Yan têm 75% de semelhança. Precisamos do exame de DNA.
— Entendi, tio Li. Eu consigo as provas. Quando seria a reunião do acordo?
— Eles estão ansiosos. Hoje, se possível.
— Marcamos para hoje, então. Quanto antes o dinheiro voltar, melhor.
Desligando, voltou a Xiong Ni:
— Desculpe, urso. Apareceu um problema. Não vou poder ir hoje.
— Sem stress! Te mando fotos dos modelos.
— Valeu! Te convido pra jantar depois.
Separando-se do amigo, Lin Xun pegou um táxi para encontrar o advogado Li.
Chegando lá, viu que Lei Ke também estava presente.
O advogado explicou:
— Eu chamei o assistente Lei.
Lin Xun sorriu:
— Obrigado, tio Lei.
— Sem problemas. O senhor Gu pediu para eu acompanhar o caso.
E, honestamente, ele nem precisava fazer muito – Lin Xun e o advogado Li davam conta.
Ao entrarem, viram Lin Zhonghai e Lin Yan esperando. O primeiro levantou-se abruptamente:
— Vamos.
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