Espadas comuns não causam dano.
Só conseguem ferir com força mágica ou armas espirituosas.
— Se acha muito, hein? Tão fraquinho que nem consegue fugir de um monstro. — O burro negro ergueu a tabuleta com ar de desdém.
— Parabéns, Shi Ge, você atingiu um novo patamar nas artes marciais. — Hu Weisheng mastigou um pedaço de carne com um sorriso forçado, como se tivesse algo preso na garganta.
Não aguentou comer muito e logo deixou o prato para sair.
— Bai Shi, o que houve com ele? Fiz algo errado? — Yue Tixia perguntou, confusa.
— Não foi nada.
Bai Shi sabia o motivo, mas só pôde pedir desculpas. Ele até gostava de Yue Tixia, mas nunca forçou nada, deixando as coisas fluírem naturalmente. No fim, ela não era um objeto – tinha o direito de escolher quem quisesse.
[E ainda por cima… Hu Weisheng, o seu "amor" não vale um centavo.]
Na vida passada, Bai Shi nunca entendeu as atitudes de Hu Weisheng. Insistência, manipulação emocional… Conseguindo até uma reencarnação do amor, mesmo vindo de origens completamente diferentes.
E mesmo assim não ficou satisfeito. Exigiu que Yue Tixia fugisse com ele.
O que ele estava pensando?
Depois da reencarnação, um humano pode sofrer a vida inteira.
Mas e o espírito?
Esperar centenas, milhares de anos… só por um breve momento de felicidade.
Quantas vidas humanas isso equivaleria?
Além de sacrificar metade de seu poder espiritual, Yue Tixia ainda teve que providenciar os tesouros mágicos sozinha, já que Hu Weisheng era apenas um humano comum.
Era como se ela tivesse pago o dote e ainda sustentado o casamento.
O que mais ele queria?
No fim, Yue Tixia aceitou fugir com ele. Só não conseguiram por causa da Árvore de Sete Joias, que se transformava em madeira ao tocar água.
E ele guardou rancor a vida inteira?
Que tipo de homem era esse?
[Ah, espera… eu também não tenho um tesouro mágico…]
De repente, Bai Shi se lembrou de um problema sério.
Perdeu o foco, olhando fixamente para Yue Tixia.
Ela ficou corada, cada vez mais vermelha, até fugir de vergonha.
— Ahn… é que eu me lembrei que tenho bambu para colher. Vou indo.
Bai Shi tossiu seco e pegou o facão ao lado, retomando os exercícios da Lâmina de Forjar o Corpo.
Seu corpo esquentou, o sangue acelerou, e a carne que tinha comido foi rapidamente transformada em energia, fortalecendo músculos e pele.
O silvo do facão cortando o ar se intensificou, cada vez mais rápido.
Combinado com seus passos ágeis, ele parecia um fantasma, sumindo e reaparecendo.
Qualquer pessoa comum que o visse gritaria, achando que era um espírito à luz do dia.
Até que, em certo ponto, as notificações familiares apareceram:
[Você golpeou com tudo e obteve compreensão. Proficiência em Lâmina +1]
[Você se moveu ao limite e obteve compreensão. Proficiência em Passos Ligeiros +1]
[Habilidade: Lâmina de Forjar o Corpo Nv.2 (40/200)]
[Habilidade: Passos Divinos Nv.2 (0/200)]
[Efeito: Leve como uma pena, sem deixar rastros, capaz de correr em penhascos como se fossem terreno plano.]
Outro avanço!
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### **Capítulo 10: Homem Não Vale um Burro**
O fluxo quente de energia retornou. Bai Shi sentiu sua visão se expandir um pouco.
Será que cresceu?
Por causa da idade, ele só tinha meio corpo a mais que o burro (não, pera, um jumento). Mas agora, parecia que sua perna sozinha era mais alta que o animal.
— Hm? Moleque, o que você fez?
O burro negro, afinal, era um quase-Imperador Espiritual, o vigia do limiar do reinado dos monstros. Mesmo mudanças sutis não passavam despercebidas por ele.
Uma sombra passou. Um enorme casco de burro se aproximou, prestes a tocar seu ombro para investigar.
Bai Shi recuou instintivamente, os dedos dos pés bateram levemente no chão, e ele voou para trás, parando no galho de uma árvore.
O galho do tamanho de um polegar balançou, mas não quebrou.
[Um mestre das artes marciais?]
Bai Shi ficou surpreso. Então "Leve como uma pena" realmente se referia a movimentos ágeis.
Só não sabia se conseguiria literalmente não deixar pegadas na neve…
Yue Tixia, escondida em seu cantinho, também se surpreendeu.
Claro, habilidades marciais eram insignificantes comparadas a espíritos que voavam naturalmente.
Mas ele tinha melhorado tanto em um único dia?
Realmente, era um talento excepcional.
— Moleque, você tem jeito. Vamos ver como lida com isto.
O burro se agachou levemente e, então, *explodiu* em movimento.
Bai Shi ficou tenso. Sem tempo de desviar, levantou o facão na frente.
E então…
Foi arremessado para longe.
O burro podia parecer comum, mas tinha nível de um quase Cherokee. Bai Shi, com sua força de "espírito mais fraco", não tinha a menor chance.
[Você lutou no limite e obteve compreensão. Proficiência em Lâmina +1]
Bai Shi se recompôs e continuou golpeando, o facão colidindo vezes sem conta com os cascos do burro.
Era raro ter um mestre disposto a treinar com ele. Não iria desperdiçar a chance.
O painel de habilidades não parava de mudar, atualizando quase a cada minuto. Se ignorasse o cansaço, talvez atingisse o nível 3 em um dia.
O burro ficou cada vez mais impressionado. Apesar de Bai Shi ter a força de um espírito fraco (capaz, no máximo, de brigar com ursos, tigres ou leopardos), suas habilidades marciais eram refinadas.
Só lhe faltava experiência.
— Que técnica você está treinando?
O burro parou a luta. Bai Shi, ainda ansioso por continuar, entregou o manual. Não era algo tão valioso assim.
Se o burro, mesmo sendo sarcástico, ajudou tanto, não faria sentido conflitar por algo bobo.
O animal folheou o manual e fez uma careta.
— Tá me zuando? Técnica marcial? De refinamento corporal? Você acha que é um monstro?
O texto exagerava, prometendo cinco níveis de poder, correspondendo aos estágios de pele, tendões, ossos, medula e órgãos.
Quando alcançou o último estágio de "refinar os órgãos internos", seu corpo ficou duro como diamante.
— Um golpe de espada poderia abrir uma montanha — diziam.
Seu poder de combate se equiparava ao de um rei demônio comum.
Mas o Burro Negro não estava nem aí. Com milhares de anos de vida, ele nunca tinha visto um humano que conseguisse vencer um monstro.
Muito menos um rei entre os monstros.
Nem um pequeno rei demônio seria derrotado assim.
— Hum! Humanos, uns pão-duros — resmungou o Burro Negro, revirando os olhos.
— Acredite ou não, é isso que eu treino. Pense bem, sou só um lenhador comum... quer dizer, pescador.
— Onde é que eu iria arrumar uma técnica avançada? — Pedra Branca deu de ombros.
O Burro Negro apoiou o casco no queixo, pensativo, e acabou acreditando em parte.
— Trabalho duro compensa. O Céu recompensa quem se esforça.
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