Ele suspirou, tomou mais um gole de café e disse como se estivesse sob efeito de algum estimulante:
— Deixa a Frankensten rugir.
— Vamo!
O motor da Frankensten rugiu como uma fera, arrancando com uma aceleração brutal da cratera. O impulso da descida somou-se ao ímpeto da máquina, criando uma força de impacto impressionante.
Num instante, incontáveis inimigos foram dilacerados pelo aríete da Frankensten. O tanque de guerra avançou direto sobre o comandante dos Ladrões de Genes, esfacelando em segundos a figura vestida como um comissário imperial, que empunhava um laser de mão.
Sangue negro dos xenoideus cobriu os visores blindados. Taylor limpou parte com um pano à prova d'água, mas mais morte trouxe mais sangue, obstruindo novamente a visão.
— Não pode reduzir! — Taylor gritou, praguejando. — Vou subir para observar. Siga minhas ordens!
A Senhorita Katy respondeu com confiança:
— Sim, chefe!
Taylor escalou para fora, torso exposto, segurando sua espada militar e a pistola laser. Alguns soldados da Guarda Imperial ainda em combate o avistaram e começaram a gritar:
— É o Leal! O Barão Imortal!
— Pelo Trono, que honra ver seu semblante!
— Ele matou um Tiranídeo com aquela lâmina... uma arma arrancada de um Machadoide! Meu Deus, é como uma lenda!
— Irmãos, vamos sobreviver! Fogo, continuem atirando!
Taylor não ouviu os comentários. Sua atenção estava totalmente focada nos malditos inimigos. Ergueu a espada, cortando com maestria as carapaças de alguns Ladrões de Genes puros que tentavam pular no veículo, enquanto guiava a Senhorita Katy.
A sincronia entre os dois era quase sobrenatural, como se fossem feitos um para o outro. O tanque avançava entre a morte, e a simples presença de Taylor inflamou o moral dos soldados da Guarda Imperial, trazendo esperança.
Apesar do Titã ainda avançar ao longe e dos híbridos dos Ladrões de Genes emergirem do solo, a luz do Imperador não abandonara este mundo.
Milicianos locais e os Lanceiros Livres chegaram por fim, reforçando as linhas imperiais com fogo adicional e suprimentos. Mas Taylor não se iludia. O Titã ainda estava lá, os adeptos sombrios do Mechanicum também, e o plano de Dragan havia falhado.
Sentia-se vazio, como se pisasse em algodão, os pés flutuando sobre uma ilusão de vitória. Mesmo assim, exibiu seu sorriso característico — aquele sorriso "leal" perfeito, moldado a ferro e fogo pelo velho Tycus.
Oito dentes, brilhantes e devotos.
Era como uma estátua viva, cumprindo seu dever.
Até que os Ladrões de Genes se tornaram tantos que a Frankensten teve que parar. Nem seu motor sobrehumano e blindagem aguentariam aquela maré.
E então, Taylor viu.
À distância, uma multidão carregava um relicário dourado, adornado com relevos intrincados e lâmpadas cintilantes. Uma aura disforme de energia psíquica o envolvia.
Sobre ele, uma mulher bela — mas calva, com protuberâncias quitinosas na testa e vestindo um manto pesado. Seu traje, um luxuoso vestido vermelho-acinzentado, lembrava o de um cardeal. Mas ela tinha quatro braços, cruzados em posição de oração, olhos fechados.
O colarinho alto cobria parte de sua cabeça, mas aquilo não a protegeria de balas.
Taylor, é claro, não tinha escrúpulos em campos de batalha. Velhos, crianças — não importava. Tudo poderia ser um disfarce xenoideu.
Ergueu a pistola de plasma e atirou. Sem hesitar.
Normalmente, o tiro seria interceptado por fanáticos ou desviado por campos de força. Mas, por algum capricho do destino, acertou.
A cabeça da "santa" dissolveu-se em carne carbonizada.
Por três segundos, o campo de batalha silenciou. Todos processando o que acontecera.
Então, o caos.
Os cultistas mais próximos lançaram-se sobre o cadáver, arrancando pedaços de carne, cabelos, ossos, urrando como feras. Os mais distantes olharam para Taylor, gritando epítetos:
— Demônio! Assassino! Matador de Santos!
Até que eram apelidos melhores que "Baron Imortal", que soava como algo entre vampiro e devoto de Slaanesh.
Mas o ódio por trás das palavras era inegável.
De repente, todo o campo de batalha voltou-se para Taylor. Os Ladrões de Genes perderam a razão, perseguindo a Frankensten com fúria cega.
Taylor soltou um grito de desespero.
Ele pensara que matar a líder causaria o colapso dos inimigos, como orks.
Mas a realidade era outra: destruir ícones em guerras religiosas só inflama o ódio.
Agora, havia uma boa e uma má notícia.
A boa: a morte da santa deu à Imperium um respiro.
A má: esse respiro custaria a vida de um infeliz.
E esse infeliz era Taylor.
Capítulo 98: Eu, Derrubar um Titã? (Parte 3)
— O que ele fez?!
O velho Tycus esfregava as têmporas, diante dos relatórios dos comandantes de campo.
— O que ele fez para que todo o campo de batalha o persiga como se fosse um barril de pólvora aceso?
— Ele sempre assim! — O velho comissário estava furioso. — Joga nossos planos no chão e ainda pisa em cima, só para garantir que sua insanidade seja memorável.
Uma soldada de Krieg, exausta, observou o mapa estratégico:
— Mas ele também é um milagre. Uma variável. Uma possibilidade.
Tycus revirou os olhos.
— Nenhuma dessas é uma qualidade.
— Nesse mundo cruel, você não vai querer mudar nada, não é mesmo?
— Em qualquer lugar, as coisas deveriam continuar como antes. Mas você tem razão, ele é uma oportunidade.
— Mas precisamos guiá-lo. Taylor sempre foi uma incógnita.
— O jeito dele de lutar é como uma bomba fora de controle. Num instante, ele passa de soldado confiável pra um desastre natural — um tsunami ou terremoto — capaz de destruir tudo.
— Ele diz que é por causa da sorte dele, mas eu acho que é o caráter que define isso.
— Imprudente quando exagera, resistente quando surpreende. No fim, o bom e o ruim se misturam e viram ele — um sujeito capaz de dar dor de cabeça até ao Imperador.
A Senhora Krieg soltou um som baixo e quase imperceptível. Se alguém encostasse no seu pesado respirador ou máscara de gás, poderia ouvir aquele sussurro que quase parecia uma risada.
— Concordo — respondeu ela, sem emoção.
O velho Taikess enfatizou:
— Mas não podemos deixá-lo vir pro porto espacial! Da última vez, ele usou o "dom" dele pra jogar um monte de ladrões genéticos no posto de comando. Um coronel morreu por causa disso.
— Naquela época, o Departamento de Suprimentos cortou nossos recursos em um terço. Não foi pouco.
— Aqui temos vários oficiais leais. Pelo que sei, dessa vez ele vai ter que matar uns generais pra ficar satisfeito!
Ele pensou por um momento antes de decidir:
— Bombardeiem a linha de frente!
— Ataquem os ladrões genéticos. Façam o Taylor pensar duas vezes antes de vir pra cá.
Um dos oficiais hesitou:
— Senhor... então pra onde o senhor quer que ele vá?
Taikess sorriu:
— Pra qualquer lugar. De preferência perto daquele Titã. A personalidade e a impulsividade dele vão fazer aquela coisa desmoronar com certeza.
— Só não pode deixá-lo vir pra cá, senão estamos todos perdidos!
— Disparem!
Do outro lado, Taylor, nervoso, gritava pro irmão acelerar. As esteiras do Frankstein quase soltavam fumaça.
Mas os ladrões genéticos — aqueles que o odiavam — não estavam dispostos a desistir.
Os que tinham veículos os usavam; os outros corriam loucamente atrás. Se não fosse pelo fato de a maioria ser de infantaria, ele já estaria morto.
— Recua, recua! — xingou.
Pegou o binóculo e olhou na direção do porto espacial, esperando que a artilharia dos aliados ajudasse. Assim que o Frankstein se aproximou, pesadas granadas explosivas começaram a cair.
— Volta, volta!
Não era que Taylor fosse traiçoeiro ou instável. Ele simplesmente não esperava por aquilo.
A boa notícia era que os artilheiros eram veteranos experientes. Apesar de não entenderem bem a missão, cumpriram-na com precisão e segurança.
Quando as granadas explodiram perto do Frankstein, lançando alguns ladrões genéticos pelos ares, Taylor gritou para o veículo dar meia-volta e atropelar o resto.
O casco blindado do Frankstein funcionou como um moedor de carne, esmagando os inimigos. Era difícil acreditar que, minutos antes, ele estivesse fugindo.
A verdade é que Taylor tinha medo de armas pesadas. Além disso, os ladrões genéticos estavam vindo com tudo.
Depois da carnificina, até os oficiais mais durões — e até mesmo Dragan, o Astarte do Caos que observava de longe — tiveram que admitir que aquela tática foi brilhante.
Perseguição, emboscada, isca humana... Um ataque tão preciso e eficiente...
Dragan franziu o cenho, preocupado com o fato de o Caos ter um inimigo tão perigoso.
Mas eles não sabiam que aquelas granadas mal direcionadas — que nem deveriam ter acertado ninguém — foram o que deram coragem a Taylor.
E aquela "isca humana"? Nada mais que um acidente causado pela impulsividade do coitado.
Felizmente, o Frankstein estava imparável. Se não fosse pelas esteiras reforçadas e o motor superpotente — muito mais forte que o de um Chimera comum —, ele nunca teria conseguido atravessar aquele mar de corpos.
Era como se zumbis nojentos se amontoassem na estrada, só pra serem esmagados por um caminhão pesado.
O sangue cobriu o Frankstein todo, tingindo a escura liga imperial de um vermelho perturbador.
Intestinos, olhos, fígados... Tudo que se possa imaginar estava espalhado pelo veículo. Dava pra montar uma pessoa nova só com o que grudou nele.
Mas não sinta pena desses vermes. Eles traíram a humanidade e não são leais ao Imperador. Desde que seus genes foram corrompidos pelo Devorador de Mundos, eles deixaram de ser humanos.
São apenas pecadores — e vão levar milhões de inocentes pro abismo junto com eles.
Foi então que alguém gritou:
— Esta é a provação antes da Ascensão! Matem esse demônio!
A frase reacendeu o ódio dos ladrões genéticos, que mal tinham se recuperado do massacre. Mas quando olharam melhor, viram que quem gritara era um Astarte do Caos.
Sim, Dragan. Ele havia deixado a área do Titã e agora avançava como um fantasma pelas linhas de batalha, só pra ter a chance de matar Taylor.
Se já não podia explodir o Titã, pelo menos queria se livrar daquele sujeito que o deixava inquieto.
— Droga! — Taylor resmungou, ofegante.
O Frankstein rangia, sobrecarregado. O motor estava no limite. Taylor rezou em voz baixa:
— Por favor, meu querido... Vou te dar uma manutenção completa. Os tecno-sacerdotes vão cantar sobre tua força e a lealdade do teu espírito máquina. Mas, por favor...
Ele olhou pra horda de ladrões genéticos e gritou:
— Por favor, anda!
O Frankstein pareceu ouvir. Suas saídas de escape soltaram fumaça preta, e o motor rugiu como se fosse um veículo novo.
Vrum, vrum, vrum...
O blindado avançou, deixando marcas no solo. Mas o caminho que tomaram não era menos perigoso que a horda de ladrões genéticos. Na verdade, era pior.
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