Alguns metros à frente, um colosso se aproximava cada vez mais — o Titã, um palácio móvel, uma maravilha artificial que cantava louvores ao Deus das Máquinas…
Taylor sabia que seu destino era enfrentá-lo, mesmo que contra sua própria vontade.
Do lado oposto, Dragan ria à larga, vendo seu rival correr em direção ao inimigo, enquanto o Titã o esmagaria em instantes.
— É isso… esmaguem-no!
Mas, de repente, uma sensação de vazio o atingiu. Será que ele havia caído tão baixo?
Como isso era diferente dos malditos Filhos do Imperador ou dos Senhores da Noite, que só sabiam ameaçar? Ele estava pior até que os Devoradores de Mundos?
Olhou para seus irmãos Marines ao redor, para a bomba de fusão em sua mão.
Isso ainda não tinha acabado…
Em vez de deixar Taylor morrer de forma fácil, ele pensou em um destino melhor — ou, em suas palavras, um fim digno de Mortarion, um desfecho que mexeria com o próprio fio do destino.
Ergueu o braço e bradou:
— Avancem! Pelo Pai da Pestilência, pela glória de Mortarion, limpemos nossa vergonha e derrubemos essa máquina dos deuses!
Capítulo 99: Eu, enfrentar um Titã? Parte 4
O campo de batalha ardia em chamas. A carga desesperada de Taylor contra o Titã "Invencível" comoveu até mesmo os soldados da Guarda Imperial.
Eles se juntaram a ele, despejando fogo contra os seguidores do Culto Mechanicus.
Na verdade, esse sempre fora o plano original — os híbridos Genestealers haviam apenas atrapalhado tudo. Ninguém esperava que os loucos usassem táticas tão insanas.
Agora, Taylor segurava a linha, dando aos outros a chance de recuar… mas, em vez disso, escolheram lutar ao seu lado.
Claro, parte disso se devia aos Cavaleiros Livres. Quando várias máquinas de guerra surgiram ao longe, seus canhões abrindo caminho para o barão aliado, Taylor não sabia se devia agradecê-los ou praguejar — eles o empurravam ainda mais para os pés do Titã.
Por um breve instante, Taylor enxergou o mecha vermelho de Iliana cruzando o céu como um cometa, mas, mergulhado no caos, não teve tempo de entender a situação.
Teoricamente, as forças do Mechanicus eram ainda mais perigosas que os Genestealers… mas agora, ele já estava com a corda no pescoço.
Os soldados do Culto escuro, armados com mosquetes de urânio e modificações grotescas (pernas alongadas para patrulha, monitores embutidos, mochilas de comunicação), pareciam ameaçadores.
Não precisavam de armas rebuscadas — em número suficiente, eram uma máquina de guerra perfeita.
Mas agora, Taylor estava no centro de uma correnteza impossível de conter — um rio de Guarda Imperial, Marines do Caos e Genestealers avançando juntos.
Ou, em termos mais poéticos: o vento da batalha os empurrava ali.
Ou, para ser mais direto:
— Todo mundo na porra do campo de batalha está seguindo o Taylor!
Os adeptos do Mechanicus não eram tolos — aquelas criaturas meio-máquina tinham medo, mas não o suficiente para abandonarem seu dever.
Até que Fransten arremessou-se contra eles, esmagando um Explorador como se fosse um brinquedo de montar.
Então, metralhadoras e Genestealers enlouquecidos romperam a linha de defesa.
Era um espetáculo caótico — como ondas se chocando sob tiros e faíscas, um vendaval de violência.
E, no meio disso, Taylor só conseguia gritar:
— AAAAAH, PQPPPP!
Não dava para saber o que acontecia — Taylor só sentiu o mundo virar. Fransten chocou-se contra algo, avançou, continuou. Armas disparavam atrás dele, gritos e mortes cercando tudo.
Genestealers e mechanicus se misturavam em uma massa ensanguentada, enquanto a Guarda Imperial limpava o caminho com metralhadoras e lança-chamas.
Quando Fransten finalmente atravessou a linha de frente, quase ninguém conseguiu segui-lo.
Taylor, zonzo, saiu cambaleando da escotilha e, ao olhar para cima, viu o gigante de 45 metros diante dele.
Na mesma hora, o choque o despertou.
Os canhões automáticos do Titã varriam o céu, abatendo aeronaves que tentavam atravessar seu escudo. No chão, torres de artilharia miraram em Fransten… mas contra ele, nada podia detê-lo.
A máquina era resistente, confiável. Mesmo coberta de sangue e marcas de batalha, ainda funcionava. Era assustadoramente durável.
Taylor teve vontade de beijar o espírito da máquina, mas… como lidar com o Titã à frente?
— Como diabos eu cheguei aqui?
Depois, praguejando:
— Temos alguma arma anti-tanque?
Roland ergueu um enorme fusor:
— A garota do Mechanicus nos deu isso antes de irmos. Disse que seria útil… e que agora é nosso.
A arma tinha um cano pesado, um dissipador de calor imponente e um tamanho que até Roland — um homem de quase dois metros — mal conseguia carregar.
Marcas da Águia Imperial adornavam o metal, junto com cilindros de carga, como se dissessem: isso aqui vai explodir muita coisa.
As armas de fusão existiam desde antes da primeira era da humanidade.
E, mesmo depois de tantos séculos, ainda funcionavam perfeitamente.
O princípio era simples: esquentar, esquentar mais ainda… e, em um clarão brilhante como uma estrela, derreter tudo — metal, carne, o que fosse.
Mas um único fusor contra um Titã?
Taylor engoliu seco.
— Isso é como tentar matar alguém com um alicate de unha…
Para os Titãs, eles eram algo assim — até mesmo as bombas térmicas especiais feitas para destruir naves tinham dificuldade em comprometer aquelas máquinas divinas. Estruturas robustas, como se fossem destinadas a ser invencíveis.
Até que, de repente, o ronco dos propulsores dos Fuzileiros Espaciais ecoou novamente. Taylor olhou surpreso para aqueles caras.
— Eles não fugiram?
Taylor resmungou, subestimando os inimigos, antes de gritar:
— Já sei como usar essas bombas térmicas! Devem ser ótimas para matar ácaros!
Ele ordenou que Roland levantasse a arma e gritou:
— Ei, garota ratling, viu as coisas nas frestas dos mechas? Mire e atire, como você sempre faz.
A ratling sorriu maliciosamente:
— Ah, chefe, parece que você gosta mesmo de levar tiro... Mas minha arma é grande e—
Taylor tapou a boca dela.
— Cala a boca e vai trabalhar.
A ratling resmungou:
— Você tá cada vez mais parecido com o velho Tiker.
Os dois se arrastaram para fora do alçapão, carregando suas armas para limpar os genestealers puros que se escondiam nas frestas. Aquilo parecia catar pulgas nas calças de um gigante — até divertido, como um conto de fadas, se não fosse pelo barulho ensurdecedor dos disparos e as explosões que rasgavam o céu.
Quando os Fuzileiros do Caos finalizaram a instalação das bombas, os genestealers caíram como chuva. Dragan ficou frente a frente com Taylor pela segunda vez.
Seu propulsor parou, pousando sobre um tanque Land Raider que avançava, ao lado de Frankstein. Olhou para seu aliado temporário e elogiou:
— Você é mais habilidoso do que eu esperava.
Em seguida, apertou o detonador. Uma luz intensa iluminou tudo, seguida por um estrondo que fez o ar tremer. O Titã desabou com um baque colossal — felizmente, caiu para frente, sem esmagar Taylor e sua equipe.
Taylor gritou, furioso:
— Você é doido? Se essa coisa caísse para trás, estaríamos todos mortos!
Dragan sorriu, erguendo os ombros.
— Cinquenta por cento de chance. Vida ou morte. A sorte ficou do nosso lado.
Ele observou a nave ancestral pousar os transportes, deixando um aviso para o "amigo" nada amigável:
— Quando nos encontrarmos de novo naquele lugar, não serei tão gentil.
Deixou a frase enigmática no ar. Taylor tentou questioná-lo, mas a poeira levantada pela queda do Titã cobriu tudo. Ele só conseguiu ver o tanque Land Raider entrando no transporte em movimento, com uma manobra digna de filme.
A nave arrogante levou os poucos Fuzileiros restantes de volta ao vácuo, deixando para trás apenas destruição.
Taylor sacudiu a poeira do rosto e tossiu:
— Tá aí... O sabor da vitória: terra envenenada e um enigma sem resposta...
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Capítulo 100: O Inquisidor
Quando a guerra terminou, várias naves de transporte surgiram da fortaleza da Mechanicus nas sombras.
Os sistemas de defesa do Império atiraram com tudo, mas não conseguiram derrubá-las — protegidas por um poderoso escudo psíquico, claramente sustentado pelo poder do Patriarca Genestealer.
Quando a Guarda Imperial finalmente avançou, só encontraram o corpo mecânico gigante, esvaziado por dentro.
E os responsáveis?
Os genestealers... O Patriarca com seus poderes psíquicos imensos?
Provavelmente já haviam partido, buscando outro alvo no vácuo.
Como uma lagartixa cortando a própria cauda, deixaram para trás milhares de híbridos — agora silenciosos, esperando.
Até que o próximo Enxame chegue, ou outro Patriarca surja, esses disfarçados voltariam a ser "cidadãos exemplares" do Império.
Agora, todo o caos parecia um sonho. Se não fosse pela destruição ao redor, poderiam acreditar que a guerra nunca aconteceu.
No meio dos escombros, Taylor vasculhou casas arruinadas em busca de comida, verificando se estava segura para consumo antes de distribuir aos refugiados.
Há algumas horas, aquelas pessoas haviam lutado pelo Império, perdendo vidas — as próprias ou de entes queridos. E agora, tudo o que ele podia oferecer eram migalhas cobertas de poeira.
O Patriarca escapou, mas este mundo não esqueceria.
Neste século...
Não.
Neste milênio!
A maldade dos genestealers seria lembrada. Talvez se tornasse um poema, ou até uma crença — como se o planeta, após tanto sofrimento, tivesse desenvolvido resistência.
Mas os "glóbulos brancos" perdidos... esses eram incontáveis.
O engraçado? Enquanto muitos viam distribuir comida como um fardo, Taylor achava a tarefa agradável.
Pense bem: caçar genestealers sobrando ainda significava risko de ter a cabeça explodida. Já distribuir mantimentos? Ninguém ia atirar nele por isso.
Agora, bastava seu sorriso característico, e os refugiados se apressavam em manter a ordem, agradecidos.
Honestamente, isso deixou seu pelotão sem muita coisa para fazer. O pessoal se organizou tão bem que os ex-milicianos assumiram a distribuição, dividindo filas e acalmando os nervosos.
Até que, em certo ponto, Taylor ficou ali, observando o sistema funcionar sozinho, e pensou:
"Por que eu tô aqui mesmo?"
Mais tarde, diante de uma mesa improvisada com um capacete e madeira, Taylor largou as cartas com frustração.
— Tá, eu não tenho sorte nisso.
As cartas escorregaram de suas mãos, espalhando-se.
Os soldados protestaram:
— Chefe, não pode sair só porque tá perdendo!
— Você ainda deve dois Thrones—
Taylor os encarou em silêncio, e eles se lembraram rapidamente que o "perdedor" ali era seu superior.
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