Os Lobos Espaciais são imprevisíveis – quem sabe se eles vão mesmo pagar o que devem? E os meus próprios subordinados são todos cabeças-quentes. O último que eu quero é uma briga interna no meio do território inimigo.
Pensando nisso, ele espiou pelo visor, observando o ambiente ao redor. Inúmeras máquinas orks avançavam em fúria, mas o Frankstein conseguira se infiltrar entre elas sem grandes dificuldades.
O problema era chegar perto daquele colossal motor de guerra. Seja pela velocidade absurda da coisa, seja pela horda de pele-verde ao redor, não seria tão simples quanto parecia.
Taylor e seu grupo só podiam esperar. Pelo menos, os orks não ousavam atacar o acampamento dos Astartes – se aquele monstro parasse, os canhões orbitais humanos o reduziriam a cinzas.
Era como um jogo de xadrez bestial: a fortaleza de guerra temia os disparos dos Astartes, mas, enquanto as forças terrestres não a derrotassem, ela seguiria em movimento… e, em movimento, difícilmente seria acertada.
No fim, tudo caía sobre os ombros de Taylor. Ele teria de ser o "rato" nesse jogo, aquele que derrubaria o "elefante".
Por enquanto, só restava acompanhar os veículos orks e esperar a hora certa – o momento em que parassem para reabastecer. Até lá, eles teriam de fingir ser apenas mais um transporte verde comum.
Felizmente, Taylor era bom em imitar orks. Tão bom que até o Astartes que embarcara no caminho admitira não notar diferença.
Taylor sentia um certo orgulho disso. Afinal, em outra vida, ele já até dublara vídeos de fãs sobre orks.
[Os fãs de Warhammer são versáteis – mesmo numa realidade sombria como o 40º milênio, dão um jeito.]
Graças a isso, entrar ali fora fácil. O desafio era aguentar a interminável farra ork. O motorista precisava ficar alerta, mantendo o ritmo sem chamar atenção.
Taylor estava preocupado com os outros – Frankstein, Katy… será que aguentariam?
O Lobo Espacial pareceu ler seus pensamentos e deu um tapinha em seu ombro.
— Já vivo há 120 anos. Pode não parecer, mas já vi muita coisa. — Ele riu, desengonçado, a cabeça batendo no teto do veículo.
Francamente, não era muito convincente.
Taylor se perguntou por que acreditara nele. Só por ser um Astartes?
Ele olhou para o mundo lá fora. Diferente do planeta industrializado onde nascera nesta vida, este lugar era quente, vivo, cheio de pastagens e criaturas, com uma atmosfera pura e comida em abundância.
Um paraíso. Depois de viver 20 anos numa colmeia urbana, Taylor sabia o quanto um mundo assim valia.
E ali estava ele, junto de seus companheiros do Lâmina Livre – Techer e os outros.
Taylor encarou a verdade: ele não queria fugir como um covarde na hora do confronto final… mas também não tinha coragem suficiente. No fim, era apenas um humano comum.
Sem sorte, sem nada.
Olhou para o Lobo Espacial com inveja. Ele parecia tão livre, tão poderoso, abençoado pelo Imperador.
Por que Taylor não nascera um Astartes? Por que apenas um soldado da Guarda Imperial?
Então, ele riu.
Sua vida fora boa. Não queria morrer, mas quando se alistara, já fizera um juramento.
No salão do Imperador, ele e seus companheiros ofereceram suas almas.
["Ofereço meu frágil espírito para guiar os incontáveis! Ofereço minha alma para atravessar a escuridão!"]
Taylor sorriu para o Astartes.
— Eu já sabia a resposta. Só não queria admitir. Sou um idiota.
O Lobo mostrou seus longos dentes caninos, típicos dos guerreiros de Fenris.
O veículo parou. Taylor espiou pelo visor – os carros orks estavam desligando os motores, escondidos num desfiladeiro quase impossível de ser bombardeado, seja por mísseis ou canhões orbitais.
— Eles são mais espertos do que eu esperava — Taylor resmungou. — O lugar foi bem escolhido.
— Enquanto essa fortaleza estiver ativa, os humanos perderão. — O velho Lobo falou, erguendo o canhão. — Acha que podemos mudar isso?
Seus olhos fixos no motor de guerra, seus músculos tensionados sob a armadura… Taylor sabia o que vinha pela frente.
O "herói" que fugira da guerra suspirou.
Ninguém o entendia. Ele era um covarde, mas as pessoas o viam como herói.
Ele nunca quis ser um.
— Vocês estão prontos para morrer? — Taylor perguntou aos outros. — Acho que a lenda do 15º Esquadrão acaba aqui. Nossos colegas talvez se lembrem de nós, mas ficar na história? Não chegamos tão longe.
— Mas, se for para cair, ao menos será sob o olhar do Imperador. Nos reencontraremos diante do Trono Dourado… e bebemos juntos, pra compensar o jantar de ontem.
A Ratlinga resmungou:
— Nada disso. Eu vou me aposentar em paz.
Katy apertou os punhos.
— Eu vou nos tirar daqui no último segundo. O Frankstein também!
Roland pegou a metralhadora e assumiu sua posição. Nenhuma palavra – só o som do ferrolho sendo engatilhado dizia tudo.
Sobreviver.
Taylor passou a mão pelos cabelos.
— Hoje tá tudo ao contrário. — Normalmente, era ele quem queria fugir.
Segundo os oficiais do Império, hoje, enfim, Taylor se tornara um comandante digno – disposto a sacrificar tudo pelo Imperador, inclusive seus homens.
Mas uma coisa era certa:
Seguir regras não garante vitória. Coragem e sacrifício não garantem glória.
— Tá certo — Taylor sorriu. — Vocês nunca me obedecem mesmo.
Ele olhou para o Astartes, agora curvado como uma fera, pronto para o massacre.
Sem palavras necessárias.
Taylor abriu a porta do transporte.
No meio de um rugido e do estrondo dos canhões, ele gritou:
Capítulo 24: O Combate Inevitável, Parte 3
Assim que a noite caiu, um caminhão de lixo pesado avançou como um trator de esteira, rompendo pelas defesas sem cerimônia.
No acampamento dos Pele-Verdes, conflitos e explosões eram tão comuns que a maioria deles nem percebeu o ataque de imediato.
Isso deu ao comboio de Taylor tempo e espaço para agir — especialmente com o Lobo Espacial agindo como uma fera faminta, abrindo caminho entre a infantaria inimiga.
O Astartes de dois metros brandia sua motosserra como se cortasse manteiga, eliminando os inimigos do Império com facilidade. Era uma cena raramente vista por mortais, mas ali se repetia sem parar.
O sangue e os restos dos Pele-Verdes encharcavam sua armadura prateada enquanto o lobo rugia, assustador. Taylor, sentado no banco do passageiro, só podia atirar pela janela com sua pistola laser, eliminando alguns orks mais atrevidos.
Para ser sincero, ele se sentia um pouco inútil. Pelo menos naquelas circunstâncias, nenhum membro do seu pelotão conseguia matar tanto quanto um único Astartes.
Era o poder avassalador dos Anjos do Imperador — não à toa o Império os venerava tanto. Enquanto a motosserra destruía corpos e granadas térmicas derretiam veículos inimigos, o 15º Pelotão, sem armas pesadas, mal parecia necessário.
Taylor soltou um suspiro.
— Puta merda, a gente tá só enfeitando. Mas acho que nossa hora vai chegar.
O caminhão, agora fumegante, aproximava-se da fortaleza inimiga. Ele era grande demais para entrar, então teriam que estacioná-lo do lado de fora para bloquear reforços. Seu trabalho agora era o que a Guarda Imperial fazia melhor: segurar posição.
Taylor ordenou que os soldados levantassem trincheiras e barricadas com as ferramentas de engenharia. O método de Krieg era simples — usaram qualquer coisa disponível, desde sucata até lixo dos orks, para criar cobertura. Cavaram buracos rasos e posicionaram-se atrás de sacos de areia.
Enquanto isso, o Lobo Espacial instalava explosivos térmicos para abrir uma entrada no forte. Taylor subiu no teto do veículo e abriu fogo com o canhão pesado, cobrindo o pelotão. Os soldados trabalhavam rápido, escavando como loucos, com as pás quase soltando fagulhas.
O solo do planeta era macio, e a Guarda Imperial tinha séculos de experiência em cavar trincheiras — em pouco tempo, a posição defensiva estava pronta.
Taylor observou o Astartes abrir um buraco na fortaleza com um clarão de energia antes de desaparecer lá dentro. Ele não resistiu a um comentário:
— Nesse planeta, até isso vira um combate corpo a corpo...
Chamou alguns homens para vigiar a entrada, evitando que orks saíssem por ali. O caminhão Frankenstei foi posicionado de lado, pronto para avançar se necessário.
Enquanto isso, Taylor se escondia dentro do veículo, usando o canhão para abater inimigos à distância. Por algum motivo, ele atirava melhor quando metade do corpo estava enfiado na cabine.
Os veículos dos orks, desgovernados, explodiam antes mesmo de chegarem perto — mas ele não sentia nenhuma satisfação.
— A qualquer momento, a gente vai ser engolido por uma maré verde… — resmungou.
Os Pele-Verdes eram muitos. Mesmo que metade deles morresse, os sobreviventes ainda poderiam acabar com Taylor e seu pelotão. A única vitória possível seria destruir a fortaleza… e mesmo assim, seus nomes provavelmente acabariam na lista de mártires.
— AAAAH! — Ele gritou enquanto o canhão rugia, reduzindo grupos de orks a pedaços.
Era um som entre fúria e desespero. Os soldados chamavam aquilo de "Grito do Taylor", mas na verdade… era um berro de puro terror.
O engraçado? Alguns orks reconheceram o som e começaram a gritar:
— É aquele humano! O que matou o chefe!
— Eu conheço esse grito! Pelo Grande e Poderoso Gork e Mork, a gente não vai ganhar dele! Ele é o Matador de Orks!
Parece que a fama de Taylor não estava limitada aos humanos. Os Pele-Verdes recuaram em pânico, deixando o 15º Pelotão sozinho no campo de batalha, sem entender nada.
— …O quê? — Taylor olhou em volta, confuso. — Por que os orks me acharam mais assustador que um Astartes?
Uma atiradora Ratling, apoiando a carabina no ombro, deu um sorrisinho.
— É a fama, chefe. Você nem faz ideia do quanto já assustou esses bichos.
Taylor contou nos dedos:
— Só matei um chefe ork, destruí um monte de veículos e acabei com algumas patrulhas… nem foram tão muitos assim!
Por que eles tinham tanto medo dele?
Só podia ser sorte. De novo.
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