[Notificação do Sistema: Novo Capítulo Desbloqueado - "Inescapável, Parte 4"]
Os humanos já lutavam há 16 anos, mas quase todos os grandes feitos vinham de um só homem: ele.
Para os orks, tanques e máquinas de guerra não eram baratos — embora fossem mais acessíveis que os blindados do Império.
Taylor observou os orks hesitantes, aquelas criaturas verdes com presas enormes, agitadas, mas sem coragem de avançar. O comportamento deles era estranho: eram tanto os guerreiros mais sanguinários do universo quanto as criaturas mais covardes.
Se acreditassem que o inimigo era invencível, o medo tomava conta, revelando seu lado mais traiçoeiro e desesperado para sobreviver.
Ou seja, eles achavam que Taylor não podia ser derrotado — mesmo que todos atacassem juntos.
Olhando para sua arma ainda fumegante, Taylor sentiu um vazio.
Toda aquela empolgação, a disposição para lutar até o fim, tudo desapareceu. Agora, só via os orks com expressões quase… patéticas.
Ele havia semeado tanto medo no coração deles que apenas sua presença já os deixava apavorados, como se ele fosse um de seus chefes mais temidos.
— Então agora eu virei um ork humano? Que merda!
O tempo chato passou rápido. Taylor viu a garota ratling, que antes só o encarava com desconfiança, agora preparando o jantar para ele.
O hábito humano era uma coisa assustadora.
Jogando os pedaços de carne que não queria para fora do abrigo, Taylor observou os squigs — criaturas verdes e repulsivas — se agarrando aos restos com alegria.
Ele estava virando uma atração de zoológico. Os orks ficavam à distância, cochichando entre si, mantendo os olhos nele.
— É o chefe humano?
— Não parece tão assustador…
— Os homens dele também não são lá essas coisas.
— A gente consegue, né?
Taylor fez uma careta, e os orks pularam de medo, fugindo como se tivessem visto um monstro.
Isso se repetiu tantas vezes que, de divertido, virou irritante. Taylor acabou atirando neles, desperdiçando munição só para ver os corpos verdes explodirem.
E os orks provaram um velho ditado: se você dá a mão, eles pegam o braço. Mas se você ameaça de verdade, fogem correndo.
Depois que alguns tiveram a cabeça explodida pela pistola laser, os sobreviventes fugiram. Até os observadores sumiram.
Os soldados olharam para Taylor com certa reprovação. Não que gostassem de ser tratados como animais, mas temiam que a provocação trouxesse os orks de volta.
— Relaxem — Taylor disse. — Eles não voltam. Orks só entendem resultados. Eles já sabem o que acontece quando enfrentam a gente.
— Morrem.
— Na língua deles, é tipo: "Eu acho que não dá pra vencer ele."
Um soldado franziu a testa.
— Capitão, como você sabe tanto sobre os orks? Até a Inquisição trata isso como segredo.
— Parece até… herético.
Taylor deu de ombros.
— Passei mais de 365 dias padrão na linha de frente. Você aprende coisas quando quer sobreviver.
— Se a Inquisição soubesse metade do que sei, eu já estaria morto. Mas e daí?
— Aqueles filhos da puta nunca pisariam aqui. Olha em volta: só tem orks, monstros, hereges e os otários fiéis como nós.
Os soldados vibraram.
— É isso aí! Os inquisidores não têm coragem de vir pra cá!
Mas logo depois, começaram a olhar com desconfiança para os sacos de areia e os cantos da trincheira, como se esperassem um agente da Inquisição surgir do nada.
Taylor riu.
Mas então, os orks reapareceram.
Desta vez, eram mais organizados, com uniformes ridículos, botas brilhantes e insígnias falsas no peito.
Clã Machado Sangrento. Orks que haviam aprendido táticas humanas, gostavam de bombardeios e disciplina — uma aberração entre sua espécie.
Um deles, com um chapéu de pirata e uma garra mecânica no lugar do braço, gritou:
— Humanos, se rendam! A gente até perdoa!
Taylor pegou o megafone improvisado e respondeu:
— Chama seu chefe pra negociar. Senão, não saio daqui!
A soldada ratling, Katti, olhou para ele como se tivesse enlouquecido.
— Capitão, você vai negociar com orks?!
— Só pra ganhar tempo — ele respondeu, evasivo.
Do outro lado, o líder ork rosnou.
— Não tenho nada pra falar com humano!
Taylor sorriu, provocante.
— Ah, então você é só um subordinado mandado pelo chefe de verdade, né? Quem foi que eu humilhei dessa vez?
O ork mostrou os dentes.
— Sujinho, não empolga! Eu não sou rancoroso, só não confio em humano.
— E se eu te der uma chance de dominar essa tribo inteira? — Taylor cutucou.
O ork ficou em silêncio, os olhos girando de cobiça.
Por fim, deu um passo à frente.
Taylor também saiu da trincheira, sob os olhos preocupados de seus soldados.
Os dois "oficiais" se encontraram. Taylor notou as insígnias no uniforme do ork — uma imitação tosca da patente de coronel do Império.
[Notificação do Sistema: Desafio Iniciado - "Negociação Perigosa"]
[Objetivo: Sobreviver à negociação com o Clã Machado Sangrento]
Capítulo 26 - Guerra Inevitável, Parte 5
Taylor riu de si mesmo por dentro, sem acreditar que o maior oficial que encontrara fosse um ork verde com insígnia de coronel.
Ele encarou aquele monstro verde fedorento e falou com coragem:
– Um Astarte entrou naquela fortaleza enorme. Lá dentro está o chefe dos Crânios de Morte, certo?
– Se você nos deixar passar, a cabeça do Crânio de Morte é sua. Você pode dizer que foi quem matou o líder.
– Pela regra dos orks, quem o derrota assume o comando, não é?
O coronel ork deu uma risada rouca:
– Hah! Por que eu te ouviria, humano? Eu sou um Machado Sangrento! Eu posso matar o chefe ork e depois te esmagar também!
Foi então que Taylor sacou sua faca Catachan e apontou para o pescoço do líder:
– Reconhece isso?
O ork rosnou de raiva:
– Meu komando morreu pelas suas mãos. Aquele boato era verdade...
Taylor continuou, firme:
– Você sabe do que ele era capaz, e mesmo assim ele perdeu num combate justo. A moto e o canhão dele viraram sucata. Sobrou só isso.
– E aqui ainda temos dez lutadores de elite e um Astarte veterano. Quando ele voltar com a cabeça do Crânio de Morte, um só grito seu, e sua "ajuda" some!
O líder ork bufou:
– Eles vão perder a moral quando descobrirem que o chefe morreu!
– Seu humano desgraçado... mais esperto do que eu pensava. Por Gork e Mork, se você fosse um ork, eu te recrutaria na hora.
– O trato tá feito. Mas se você não me entregar a cabeça, eu acabo com você!
Taylor sorriu, frio:
– Claro, claro, seu xenogênio burro. Negócios são negócios, guerra é guerra. Na próxima invasão ao Império, eu mesmo cuido de você.
Ele deu o que achava ser um sorriso ameaçador, virou as costas e voltou para as trincheiras, sentando-se com ar resoluto.
Os outros olhavam para ele com admiração – ele acabara de barganhar com um líder ork gigantesco!
Ninguém viu, porém, suas pernas tremendo como varas verdes debaixo dos sacos de areia.
Por dentro, ele só pensava uma coisa:
"Ainda estou vivo..."
Seus olhos haviam ficado fixos no horizonte, temendo um tiro pelas costas ou um gesto de fúria do líder ork. No fim, acabara sendo um bom ator.
Agora, bastava esperar que aquele Lobo do Espaço maldito voltasse com o "item" da negociação...
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Depois de enviar uma mensagem pelo comunicador ao Astarte dos Lobos Espaciais – incluindo o pedido absurdo de trazer a cabeça de um líder ork –, Taylor ouviu como resposta um rosnado irritado mesclado com xingamentos típicos de Fenris.
Mas, no final, veio um "sim".
Parecia que o Astarte também não estava tendo um dia fácil. Taylor suspirou e deixou-se cair no chão, observando os orks à distância, que o encaravam como predadores.
Não havia dúvida: aquelas criaturas queriam matá-lo. Seja pelo modo como lustravam suas botas de couro, seja pelo olhar faminto que lançavam.
Eles certamente sonhavam em despedaçá-lo vivo, agarrando a chance de obter glória e a admiração dos outros "gitz".
Era a natureza dos orks: viver pela conquista de honra e fama, embriagando-se na adoração de seus pares.
Só que, no processo, ficavam maiores, mais espertos, traiçoeiros... e perigosos.
Todo líder ork havia subido uma montanha de cadáveres para chegar ao topo. Essa mentalidade fazia deles uma das raças mais ardilosas da galáxia.
E o acordo entre Taylor e o coronel ork?
Ele sorriu.
Aquilo era uma piada. Que ork resistiria à chance de dobrar sua glória?
A cabeça de um chefe rival... e a do humano mais forte do acampamento.
O verde certamente sonhava em enfiar ambos os crânios numa lança e anunciar:
– "Olhem só! Eu os matei! Sou o maior WAAAGH! desta terra!"
Taylor conhecia bem a natureza daquela escória. Enquanto esperava, seus olhos percorriam o chão, estudando os sulcos deixados pelos veículos ou qualquer outro detalhe que pudesse revelar...
Uma rota de fuga.
Algo que permitisse ao Frankenstein disparar em debandada.
Bebendo um café quente para se manter alerta, Taylor refletiu sobre como um covarde como ele tinha chegado àquela situação.
Negociando com um exército de orks? Falando firme com milhares de xenos sedentos por sangue?
Com um sorriso amargo, sussurrou para si mesmo:
– Olha só pra você... um verme. Logo vão te esquartejAR, e tudo que você faz é correr. Sempre correndo.
– Taylor, qual é o seu sonho? Tomar um gole de água gelada, com gás, fria como o inverno da sua terra.
– Ah, Caranthis... como sinto sua falta.
Terminado o monólogo, pegou sua arma.
Chega de lamúrias. Hora de descobrir como sobreviver.
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