Tradução pronta Dedicate loyalty to the good empire / Dedique lealdade ao bom império: Capítulo 13

Taylor afastou as mulheres com um gesto e disse:

— Nada disso, eu também tenho minhas coisas pra fazer.

Na mente, resmungava: tipo encontrar um lugar vazio pra ficar de bobeira, dormir, beber até ficar satisfeito de preguiça. Esses tempos tinham sido só combates malditos, matança e fugas, deixando-o com saudades de uma cama quente e comida decente.

Ao esticar o corpo no saco de dormir, avistou no horizonte algo como estrelas caindo. Alertado, pegou seu binóculo de reconhecimento e avistou uma figura azul brandindo armas à distância.

Armadura motorizada, serra-elétrica! Um Astartes? Um Ultramarine!

Imediatamente se levantou para observar melhor. Briga de super-soldados era coisa rara de se ver. Mas o operador de rádio gritou:

— Ordem recebida, chefe! Temos que entrar na zona de combate pra dar suporte de fogo...

Taylor praguejou internamente. Será que não tinha como escapar da morte?

[CAPÍTULO 20 - OS ASTRATES]

Despediu-se da mulher, cujo rosto libertino revelou uma sombra passageira de decepção e solidão. Ele, porém, ajustou o ânimo para encarar outra guerra cruel ou o que o destino lhe reservasse.

No momento, lia o manual «Ministério Militar Imperial: Como Fazer Amizade com Astartes (Edição Semanal)».

O texto dizia:

[1. Os Ultramarines, como anjos honorários do Imperador, têm como Primarca Roboute Guilliman. Proíbe-se terminantemente chamá-lo pelos apelidos "Beterraba" ou "Guilherme", o que constitui grave insulto.]

[2. Proíbe-se qualquer contato físico com Astartes, incluindo abraços, cafunés ou gritaria histérica. Permite-se apenas toques leves nos nós dos dedos após feitos heroicos.]

[3. O sacrifício honrado fortalece os guerreiros. Se tiver chance, agarre-a. Se não conseguir, seu comandante ajudará. Aproveitem o tempo com nossos... "irmãos de armas" (nota: erro de impressão).]

Taylor fechou o livro com força:

— Que porcaria!

Nenhuma daquelas palavras tinha utilidade. Confessava que sonhara em se tornar Astartes, mas já era velho demais. O processo exigia no mínimo 16 anos, e ele gastara duas décadas apenas sobrevivendo. Antes de entrar na Defesa Planetária, passara fome.

Numa galáxia com bilhões de humanos, menos de um milhão eram Astartes. As probabilidades estavam contra ele.

Agora, aproximava-se daqueles gigantes com sentimentos contraditórios: admiração? veneração? Lembrava-se das piadas que fazia sobre os super-soldados em sua vida passada. Agora, aquelas criaturas de dois metros e armaduras imponentes deixavam-no sem palavras.

Deitado na cadeira do Frankstein — o veículo recém-reparado soltava fumaça preta, sinal de que o conserto no motor fora só paliativo —, observou o local de aterrissagem dos Astartes no escuro. Várias cápsulas azuis pousavam enquanto uma nave de assalto cuspia plasma.

Vários humanos e alguns gigantes moviam-se ao redor da fogueira feita com corpos orks — tanto para evitar a proliferação de esporos quanto para iluminar a área.

Ao descer, Taylor fez a saudação da águia imperial. Os Astartes praticamente o ignoraram, exceto alguns auxiliares humanos. Os gigantes de azul mantinham-se em silêncio, os ombros gravados com o símbolo de Macragage: um "U" dourado.

O Frankstein chamou mais atenção. Na entrada do veículo na zona dos Astartes, os gigantes reagiram visivelmente, inclinando a cabeça como se conferissem algo nos comunicadores. Taylor sentiu um fio de orgulho.

Ao aproximar-se dos servos humanos dos Astartes, começou:

— Taylor Ke... — Mas foi interrompido por um dos gigantes.

O Astartes, com capacete vermelho, armadura marcada por cicatrizes e armado com serra-elétrica e pistola de plasma, falou com voz grave e eletrônica:

— Tragam o Sr. Taylor para nossa reunião. É alguém de confiança e leal.

A declaração surpreendeu a todos. Se Taylor fosse um coronel comandando um regimento, faria sentido. Mas ele era apenas um sargento com um veículo tosco de aparência ridícula.

Receoso, seguiu o gigante. O Ultramarine avançava tão depressa que Taylor mal conseguia acompanhar — até que o Astartes reduziu o passo deliberadamente, comentando:

— Já ouvi seu nome na órbita, herói do Império. Seus feitos são impressionantes.

— Você está na minha lista. Merece duas condecorações, infelizmente meu dever é só transporte. Gostaria de tê-las entregado pessoalmente.

Taylor respondeu, constrangido:

— Vocês são mais acessíveis do que dizem as lendas.

O Ultramarine parou por um instante e riu:

— Folhetos da Guarda Imperial?

— Eles não mentem, mas o estilo varia entre capítulos. Além disso, tenho um irmão que influenciou minha personalidade.

— Um? — Taylor ficou confuso, mas não questionou.

Apenas acenou com a cabeça. — Sim, mas só temos aquele manual como referência. Além disso, chegaram mais recrutas novatos enviados de cima.

Taylor fez uma piada, talvez um pouco fora de hora, mas o Astartes não se ofendeu. Ele sorriu levemente, um som quase imperceptível para alguém de seu tamanho.

Então, perguntou: — Você já se perguntou por que foi convidado para a reunião de estratégia?

Taylor respondeu com naturalidade: — Eu não tenho poder de decisão. Minha única habilidade é atirar contra orks.

O Ultramarine assentiu em silêncio e o levou até uma sala de comando.

Vários gigantes o observavam, cada um com aparência distinta. Alguns usavam enormes mochilas de energia, com uma serra médica gigante presa. Outros pareciam veteranos endurecidos, destacando-se mesmo entre os Astartes.

O de capacete vermelho falou: — Sr. Taylor, olhe o mapa estratégico e indique onde acha que deveríamos nos posicionar.

Taylor examinou o mapa dos Astartes, muito superior aos dos militares do Império. Enquanto os hologramas da Guarda Imperial tremeluziam em verde, muitas vezes exigindo um bom chute para funcionar, o dos Astartes era tridimensional e nítido. Ele estudou com atenção e apontou alguns locais que considerava seguros.

O Astartes de capacete vermelho então disse: — Pronto, pode descansar agora.

Taylor saiu sem entender muito bem. Do outro lado, o Astartes observou os pontos marcados por ele e pressionou um botão no holograma.

Várias áreas destacadas apareceram, marcadas como [ZONA DE ALTA ALERTA].

O sargento de capacete vermelho virou-se para os outros.

— Os locais que ele escolheu são quase os mesmos que discutimos por horas. E esse jovem oficial os identificou em segundos?

— Talvez ele seja um gênio da estratégia!

Capítulo 21 – O Husky Espacial

"Alguns nos chamam de tolos e ridículos. Outros nos veem como brutos e rudes. Mas, até que chegue a Hora do Lobo, a verdadeira face da matilha permanece oculta."

— Garra Partida, Bjorn

Taylor voltou ao acampamento e sentou-se ao lado da fogueira, aproveitando a rara calmaria da noite. Ao ver o Frankstein consertado, suas chances de sobrevivência pareciam um pouco maiores.

Os rapazes do 15º Pelotão perguntaram animados o que ele tinha visto.

Para ser sincero, Taylor só vira um bando de soldados do Império um pouco maiores, reunidos como de costume.

Para ele, todos eram apenas máquinas de guerra a serviço do Imperador. Os Ultramarines ou Astartes eram apenas estruturas criadas para matar.

Ele não deu muitas explicações, apenas pegou o manual da Guarda Imperial e disse: — Vamos cantar "Como Esquecer, Terra!"

Era um hino típico de Scadia, supostamente escrito por algum oficial rico, mas a história real tinha pelo menos dois milênios de lacunas.

Ninguém sabia quantas vezes a música havia sido modificada, mas ainda era a única lembrança que os nascidos em Scadia tinham da Terra.

Taylor sorriu. — Vamos aproveitar a fogueira e o jantar. Por mais que descansemos, nunca voltaremos ao que éramos. Então, que seja uma noite divertida.

Ele cutucou os soldados. — Não escondam nada! Tirem as coisas boas das mochilas!

A ordem do superior fez com que os homens, relutantes, revelassem seus tesouros escondidos: petiscos, carne seca, até um pacote de marshmallows para assar e algumas garrafas de Amasec.

Era por isso que os soldados temiam quando o comissário revistava as mochilas — sempre levavam tudo consigo.

Beber Amasec com marshmallow era uma combinação estranha, então Taylor foi até o depósito e gastou algumas moedas em aperitivos.

Os serventes dos Astartes eram mais difíceis de lidar do que os da Guarda Imperial, mas quando algumas moedas douradas do Trono brilharam diante deles, seus olhos se iluminaram.

Parece que até Macragge tinha suas brechas — todo mundo precisava de dinheiro para sustentar a família.

Taylor colocou os petiscos de Macragge e dos mundos agrícolas próximos sobre uma bandeja, aquecendo-os no fogo. Os rapazes comeram felizes, rindo e se divertindo.

Logo começaram a se gabar. Um jurou que poderia derrotar um ork com as próprias mãos. Outro afirmou que acertaria um tiro certeiro a cem metros.

Um deles resmungou: — Eu arrancaria um tirânido ao meio e usaria o exoesqueleto para limpar os dentes.

Taylor franziu a testa.

— O quê?

— Tirânidos? Pessoal, mesmo brincando, tem que ter limite. Em que parte deste sistema há enxames?

— Mas eu já vi — uma voz desgrenhada respondeu.

Todos se viraram. Um sujeito de armadura prateada, com uma trança loira suja e presas saindo da boca, devorava um pedaço de carne assada que Taylor havia conseguido.

Ele tinha dois metros de altura — um Astartes, sem dúvida. Seus ombros ostentavam o símbolo de uma cabeça de lobo, bem diferente dos Ultramarines. Ele riu.

— E aí, vamos continuar bebendo?

O 15º Pelotão ficou em silêncio. Ninguém tinha percebido a chegada do guerreiro. Mas Taylor reconheceu aquele símbolo.

— Filhos de Russ… Os Lobos Espaciais?

O gigante sorriu. — Atualmente, sou um lobo solitário, hospedado pelos Ultramarines.

— Eles são muito rígidos. Nem bebem direito, nem comem carne. Vivem de barras de proteína e acham que tá ótimo.

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