— UAAAAARGH! —
Quanto mais o velhaco do Franstein ultrapassava os orks verdes, mais o "waaagh" deles crescia. Taylor, sem querer, acabou inflamando o ânimo daqueles bichos verdes. Mas o objetivo da 15ª Companhia era apenas um: correr para se salvar.
Quando o velho carango chegou na dianteira da horda de veículos metálicos dos orks, nem o próprio Taylor percebeu que haviam virado o alvo da perseguição geral. Aquelas criaturas sem cérebro agora só tinham um pensamento na cabeça: ultrapassá-lo!
Aí o Franstein fez uma curva brusca para o outro lado, e Taylor, esparramado no banco, suspirou aliviado:
— Ah, finalmente estamos seguros...
Mas a garota da Caitlin gaguejou, assustada:
— Chefe! Che... Chefe!
Taylor bufou:
— O que foi?!
Quando levantou a cabeça e olhou pelo espelho traseiro, viu uma multidão de orks rosnando como se ele tivesse matado o pai de cada um, gritando "WAAAGH" enquanto avançavam.
Taylor ficou boquiaberto e mandou acelerar mais, mesmo com o motor do Franstein gemendo de tanto esforço. Preferia pagar o conserto a virar comida de ork.
O velho carango soltou um ronco poderoso e disparou, enquanto os orks atrás começaram uma disputa selvagem pelo segundo lugar — e não economizaram nos truques sujos. Foguetes, explosivos, canhões... de tudo que se pode imaginar (e até o que não se imagina) voava no ar. Taylor sentiu um frio na espinha só de pensar em ser pego no meio daquilo.
Quanto mais aceleravam, mais a Caitlin gritava:
— Chefe! CHEFE! UM PENHASCO!
À frente, um abismo tão largo quanto o Grande Vale do Rift se abriu no caminho — centenas de metros de comprimento, dez de largura.
Taylor engoliu seco e murmurou:
— Imperador, por favor, me ajude nessa...
Inspirou fundo e rosnou:
— PULA!
Mal terminou a frase, sentiu as pernas amolecerem enquanto se afundava no banco.
Havia uma boa e uma má notícia.
A boa: os orks estavam longe do acampamento humano. Taylor salvou muita gente.
A má: ele ia morrer.
Não era nenhum herói, mas pelo menos ia ter um fim épico.
Suspirou, pegou o cantil na cintura e tomou um gole da bebida que escondera ali.
Álcool... realmente, uma maravilha.
O penhasco se aproximava.
Fechou os olhos, sentiu o corpo levantar no ar... e despencar.
CRÁC!
Sentiu uma dor no meio das nádegas e abriu os olhos.
— Tô vivo?
TILT TILT BUM!
O barulho de metal batendo ecoava atrás. Virou para trás e viu os veículos de guerra orks caindo no abismo como bolinhos numa fritadeira. Os da frente freavam, os de trás empurravam — parecia aqueles fliperamas de moedas.
Taylor limpou o suor da testa e engoliu seco.
— Que porra foi essa...
Na outra margem, os últimos orks resmungavam com raiva. Taylor, irritado, saiu do carro e gritou, dedo do meio erguido:
— NOTA ZERO PRA VOCÊ, IMPERADOR DEZ!
Os orks entenderam a mensagem e apontaram os canhões ainda funcionando para ele.
— Puta que pariu! — Taylor berrou. — Dá pra ligar essa sucata? VAMO VAZAR!
Roland respondeu, desesperado:
— Chefe, o motor morreu!
Taylor fechou os olhos e começou a rezar:
— Grande Franstein, espírito da máquina, só mais uma vez, pelo amor do Imperador!
Vendo que nada acontecia, ele fez uma promessa desesperada:
— Se me salvar, eu te construo um altar em casa!
Foi quando uma voz clara e feminina surgiu no rádio:
— Sério?
Taylor congelou.
— O espírito... é mulher?
Mas não era o carro.
Era um Cavaleiro Imperial, vermelho como sangue, descendo como um anjo vingador e cortando os últimos orks em pedaços.
A voz perguntou de novo pelo rádio:
— O que é um "altar"?
---
Capítulo 19: A Lâmina Livre e o Seu Fim
Na beira da estrada, Taylor acendeu uma fogueira com pedras e lenha. Pedaços de carne suculentos escorriam gordura sobre as chamas. Como era fogo direto, ele improvisou um suporte de metal para não queimar a comida — mais defumada que assada.
Depois de polvilhar um tempero caseiro, a carne exalou um aroma que fez a Cavaleira Livre sorrir enquanto mastigava.
— Achei que pessoal das Colmeias não soubesse cozinhar. Aquelas cidades de metal não parecem lugares onde humanos vivam.
Taylor respondeu, olhando para as estrelas:
— Mas ainda é meu lar. Aprendi a cozinhar quando sirvi nas fronteiras planetárias. Usava combustível de promécio pra esquentar a comida. Era proibido pelo Comissariado... na verdade, tudo era.
— Mas sabe como é. Eu "não sigo regras", ou, pra ser honesto, sou teimoso mesmo.
A Cavaleira riu:
— Mas você cumpriu sua promessa. Usou sua inteligência e venceu os inimigos.
— Depois desse ataque, os orks perderam força. Com a maior parte de seu lixo precioso no fundo do abismo, a vitória já está garantida.
Taylor virou os bifes e dividiu o prato com a Cavaleira, Ilena. Perguntou:
— Ouvi dizer que os Astartes estão vindo.
— Sim — ela confirmou. — Os Anjos do Imperador vão finalizar o trabalho, como sempre. A Guarda segura a linha, eles cortam a cabeça da serpente.
— Você deu a eles tempo e vantagem. O sucesso é certo.
Taylor deu uma risada amarga:
— Foi sorte. Acredita?
Ilena encarou-o e falou sem rodeios:
— Se o Imperador te deu essa chance, foi porque você mereceu.
— Contar com sorte assim vai me matar um dia — ele murmurou.
Ilena então o puxou para perto, beijando sua bochecha com lábios ainda engordurados.
— Então aproveita hoje primeiro...
De repente, Taylor segurou a jovem nobre, cujo coração estava agitado, e disse:
— Tem inimigos.
Ielena amaldiçoou mentalmente aquelas criaturas malditas!
Não podiam ter escolhido um pior momento para arruinar o clima entre eles. E ela que tinha se escondido num lugar tão isolado de propósito!
Enquanto isso, Taylor levantou os olhos e usou seu binóculo com visão noturna para escanear o horizonte. Não demorou para avistar os inimigos.
Era um pequeno grupo de patrulha dos Pele Verde – provavelmente investigando a queda daquele grande comboio de veículos.
O grosso das tropas devia estar por perto. Perder tantos veículos certamente doía no bolso deles, não é?
Taylor ligou o comunicador, relatou a posição e, pouco depois, ouviu-se o barulho de disparos de laser e projéteis.
Ele respirou aliviado e perguntou:
— Ainda está a fim de continuar o que estávamos fazendo?
Ielena suspirou.
— Não. E nem deveríamos.
— Você e eu juramos nossas vidas ao Imperador, para sustentar esse império estelar podre e decadente.
Taylor riu.
— "Juramos"? Eu jurei lealdade, mas entrei na Guarda Imperial só para ter uma vida melhor. Se esse império nem consegue garantir a felicidade de seus soldados, então está perdido mesmo.
— Tudo que faço é para sobreviver.
Ele olhou para os corpos dos Pele Verde abatidos por seus soldados e sorriu amargamente.
— Essa vai ser a minha vida daqui pra frente. Matar mais e mais inimigos do império só para continuar respirando. Até me aposentar, serão noites como essa, sem fim.
— Não é por honra, nem por glória. É só para sobreviver.
— Você entende, Cavaleira Imperial?
Ielena observou o jovem e balançou a cabeça lentamente.
— Não, não entendo. Você é um soldado da Guarda. Eu sou uma nobre de uma família de cavaleiros feudais. Mesmo que os dois sejamos diferentes, estamos em mundos separados.
Ela sorriu, como se tivesse entendido algo.
— O meu charme não é maior que o daquela herege? Eu investiguei, sabia? Aquela noite… vocês realmente não fizeram nada?
— Eu não me importaria, sabe…
Taylor foi direto:
— Ainda tenho minha virgindade. Só isso.
Ielena bufou.
— Você está fingindo ser um poste? Eu quis dizer que podíamos continuar…
Mas ele apenas respondeu:
— Eu sou um poste.
E levantou-se, indo em direção ao acampamento. Ele pertencia àquele lugar, não a um momento de paixão. Não podia se permitir isso. A qualquer instante, poderia morrer em combate. Ele era uma moeda do Imperador – só um pouco mais valiosa, que um dia seria gasta quando encontrasse um inimigo à altura.
Mas, após alguns passos, parou, esfregou o rosto e resmungou:
— Pra que eu fiquei me fazendo de durão? Essa talvez fosse minha única chance… Vou morrer virgem, é?
Então, como um bom mestre do autoengano, afirmou para si mesmo:
— Não, não. Vou cumprir meu serviço e me aposentar como veterano. Aí sim, vou poder escolher qualquer garota.
— Além disso, o que rolou com ela foi só… um engano.
Aliviado, seguiu rápido para o acampamento, onde seus soldados cuidavam dos feridos. Os malandros o encararam com sorrisinhos.
— Chefe, já acabou? Tá rápido, hein? — zombou a soldada Ratling.
A Cabo Kati, com o rosto corado, entregou-lhe uma bebida energética e disse:
— Ouvi dizer que… esse tipo de atividade consome muita energia…
Taylor deu uma palmada na cabeça de cada um.
— A Cavaleira Imperial e eu somos apenas companheiros de armas. Parem de invencionice.
Depois, mais sério, ordenou:
— Quando os Astartes começarem a operação de limpeza, deixaremos este mundo. Se fizeram amigos aqui, ou conheceram alguém especial, resolvam isso logo.
— Não sou de ferro. Podem ter umas folgas, se quiserem.
Os soldados comemoraram, planejando o que fariam no tão esperado descanso. Enquanto isso, as duas garotas se aproximaram de Taylor, uma de cada lado.
A Ratling disse:
— Chefe, aquela receita de carne cozida que você falou… quero provar.
Kati, porém, cortou:
— Não. Agora é hora do briefing tático. Precisamos nos preparar para os próximos combates.
http://portnovel.com/book/29/3912
Disseram obrigado 0 leitores