Capítulo 17 – A Batalha pela Defesa de Mosenred, Parte 3
Roland fez um sinal de positivo e pisou no acelerador. Quando os motores de combustão múltipla de promécio roncaram e soltaram uma fumaça densa, Taylor gritou animado pela primeira vez:
— Isso é muito WAAAAGH!
No mesmo instante, os soldados do 15º Pelotão se afastaram de Taylor, desconfiados. Eles não sabiam se os orks podiam ser contagiosos, mas, neste universo sombrio do 40º milênio da humanidade, tudo era possível...
No fim, o veículo foi batizado de Frankenstein — uma referência ao primeiro morto-vivo da ciência da história humana. Assim como o nome sugeria, aquele Chimera modificado também parecia ter saído direto de um cemitério.
Como foi montado com peças de veículos abandonados, Taylor compensou o ferro-velho pagando pelo metal e por alguns motores em bom estado. Foram cerca de 20 Thrones, o equivalente a uma garrafa de vinho fino.
Doeu no bolso, mas Taylor não era ladrão. Ele havia conseguido o motor com seu trabalho e recursos próprios. A parte do "empréstimo sem aviso prévio" foi só para garantir que o projeto saísse do papel — se pedisse autorização, jamais teria sido aprovado.
Claro, isso fez com que o capitão responsável por ele levasse um belo esporro. Como desculpa, Taylor o convidou para um drinque. Afinal, mesmo não gostando do título, ele ainda era um Herói do Império e podia usar um pouco desse prestígio quando necessário.
Taylor tinha seu próprio código de ética: sabia o que era certo e o que era errado. Por isso, não hesitou em botar os recrutas para montar aquele Chimera.
Resultado? Agora, na lama da frente de batalha, um veículo blindado coberto por camuflagem de floresta se escondia entre as árvores. Taylor, sentado confortavelmente no banco do passageiro, pernas cruzadas e com uma xícara de café fresco na mão, disse à motorista, Katy:
— Olha só, que dia lindo. Tanto para o Frankenstein quanto para nós, as coisas até que não estão ruins.
Katy mexia no rádio de comunicação e respondeu:
— A ideia foi boa, chefe, mas ainda tenho uma dúvida...
— O que é aquele símbolo na traseira do veículo? Parece a caveira branca dos Clãs da Caveira Morta dos orks.
Taylor revirou os olhos:
— É a Águia Imperial. Sei que ficou meio torta, mas ninguém mais aqui tem a honra de pintá-la no Frankenstein.
Era impensável um veículo do Império sem a insígnia sagrada — seria motivo de piada.
Enquanto falava, Taylor observava o horizonte pela estreita fresta de visão do blindado. Do outro lado, os orks se movimentavam, agitados.
Já haviam erguido postos avançados — estruturas de concreto e chapas de metal, obviamente não fabricadas naquele mundo. Orks tinham sua própria linha de produção, e o suprimento provavelmente vinha de algum reino verde no vácuo do espaço. Taylor imaginava que aquele enorme império ork devia ser o verdadeiro alvo dos Astartes. Talvez os verdes nesse planeta não passassem de migalhas... Uma ideia que deixava qualquer um arrepiado.
Felizmente, não sou um dos nativos desse setor.
Quando se aposentasse, Taylor pegaria uma cargueira de volta para seu mundo natal ou talvez se estabelecesse num Mundo Paraíso, construindo uma cabana nas montanhas, como no livro Heidi. Viveria como um velho rabugento até que alguma garotinha batesse em sua porta, chamando-o de "vovô".
Ele a imaginou, já de barba branca, segurando a criança enquanto assavam queijo e contava histórias sobre como cortava cabeças de xenos. Depois, daria uma aula bem didática sobre como, no Império, até as crianças tinham o direito de matar alienígenas.
O sorriso no rosto de Taylor não passou despercebido. Os soldados cochicharam:
— O chefe tá pensando em que?
— Coisa maligna, com certeza. Eu sabia que ele era um ork disfarçado!
— Vocês não ouviram o "Waaagh!" dele ontem? Foi perfeito!
— Aposto que o chefe toma banho em sangue ork. Não é possível um cara tão durão sem alguma mágica verde.
— Isso aí já borda a heresia...
Taylor ouvia as provocações e franziu a testa.
— Eu só estava pensando na minha aposentadoria.
Um dos recrutas apoiou o queixo no blindado e perguntou:
— Aposentadoria? Mas o senhor não é devoto eterno da causa do Imperador?
Taylor balançou a mão.
— Não brinca. Toda a vida? Quero me casar, ter filhos e viver em paz. Está combinado: em quatro anos, o 15º Pelotão do 36º Regimento de Skadi se dissolve!
Os soldados caíram na risada, cada um compartilhando seus planos para o futuro — médico em uma Hive, comerciante, voltar pra casa...
Quando chegaram na Katy, a soldada olhou para Taylor e respondeu, baixinho:
— Eu quero servir o oficial... Pelo resto da vida.
O pelotão inteiro vaiou, e Taylor ficou vermelho:
— Ah, para! Eu sou só um velho casca-grossa. Você merece coisa melhor, Katy.
Ela baixou a cabeça, sem responder.
A ratling (metida a cozinheira) provocou:
— Melhor? Melhor do que isso aqui? Bom, eu pelo menos já conquistei o estômago do chefe — mesmo sem pelotão, não passo fome!
— Vou me pendurar nele e não largo!
Taylor rosnou:
— Pelo menos tenha ambição, criatura!
Até Katy soltou uma risadinha.
Enquanto zoavam, Roland se afastou da fresta de observação, sério:
— Algo errado. Os orks estão avançando.
— Devem estar preparando um ataque. É melhor recuarmos — tem uma caravana enorme se aproximando.
Taylor bufou:
— A essa distância, ainda estamos seguros. Melhor avisar o comando. Vou dar uma olhada.
Ele baixou a cabeça e observou a fumaça preta maldita surgindo no horizonte, resmungando entre dentes.
— Que estranho... Tanta área livre, por que justo aqui?
— Será que querem acabar com a artilharia do Império... MERDA!
De repente, ele percebeu. Têques trouxera a artilharia para cá, transformando seu acampamento no alvo perfeito. E ele tinha esquecido como uma bateria de artilharia na linha de frente era tentadora para o inimigo.
Droga!
Taylor via a fumaça se aproximando cada vez mais. Os veículos dos verdinhos eram mais rápidos do que ele imaginava. Mesmo com o transporte virado na direção do acampamento, ainda levaria tempo para ligar.
De repente, o chão tremeu levemente. Taylor avistou uma horda de carroças enferrujadas, pintadas com cores berrantes, pedaços de metal amarrados de qualquer jeito e dezenas de máquinas de guerra desengonçadas correndo em sua direção.
Era uma onda de sucata em movimento!
Taylor gritou:
— Liguem o motor! AGORA!
Katie pisou no acelerador. O motor do Frankenstain cuspiu fumaça preta, roncando enquanto saía dos arbustos.
Mas ligar levava tempo. Quando o veículo finalmente começou a acelerar, os verdinhos já estavam em cima deles!
Uma máquina de guerra enorme, balançando uma serra de corrente, veio em sua direção!
Taylor teve certeza de que ia ser cortado ao meio.
Mas então, a máquina falou num baixo gótico horrível:
— Ei, camarada! Seu troço é mó daora! Bora fazer um WAAAGH junto!
Taylor, em pânico, respondeu com o sotaque perfeito dos verdinhos:
— Eu tenho meu bando! Se eu me juntar a você, meu chefe vai me esculhambar!
A máquina balançou os braços e seguiu em frente, deixando o Frankenstain para trás.
Naquele momento, a Quimera remendada, coberta de camuflagem verde, se misturava perfeitamente à horda de carros coloridos e máquinas de guerra.
Entre a fumaça preta, o motor barulhento e o visual de sucata pós-apocalíptica...
A turma do 15º Esquadrão se entreolhou, incrédula. Parecia que...
Os verdinhos os tinham aceitado como um deles?
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Capítulo 18 – A Batalha de Moslenrede, Parte 4
Parece que, mais uma vez, o Imperador abençoou Taylor com sorte.
Agora, o Frankenstain avançava rápido no meio da horda verde. Um veículo humano, sem ser notado. Parte era sorte, mas outra parte vinha da genialidade improvisada da sua equipe.
O carro deles seguia a filosofia "eu acho que funciona", bem diferente da rigidez do Culto Mechanicus. E a "Águia Imperial" desenhada por Taylor com traços trêmulos só piorava a situação.
Uma combinação de coincidências e necessidades levou a essa piada. Taylor seguiu a horda, sem fazer nada que chamasse atenção.
Estavam presos no meio do fluxo de veículos. Os verdinhos não tinham noção de distância segura. Sair dali, agora, era impossível.
Pelos visores, Taylor só via uma saída: ir para frente.
Se fossem rápidos o suficiente, poderiam ultrapassar os carros um a um. Chegando na frente, teriam chance de escapar antes da batalha começar de verdade.
Entre morrer como herói da Guarda Imperial sob o fogo inimigo e acelerar, Taylor não teve dúvidas.
— Avante, dá tudo no motor! RÁPIDO!
— Não importa o que—
BUM!
Uma granada da artilharia imperial explodiu ao lado do Frankenstain, destruindo vários veículos verdes. Pedaços de metal choveram sobre eles, batendo como uma tempestade.
— PRRA, O QUÊ?!— Taylor xingou, com medo de ser morto pelos próprios aliados.
Os soldados se seguraram com força. Graças à suspensão do Frankenstain, o veículo só balançou um pouco antes de continuar. Alguns já estavam verdes de enjoo.
Taylor suspirou e jogou um pedaço de lona para usarem como saco de vômito.
Sentou no banco do passageiro e olhou para Katie.
— Acelera.
O cheiro de vômito e combustível era sufocante. O carro não tinha sistema de ventilação decente — afinal, tinha sido montado às pressas. Mas agora, sua "alma" improvisada carregava suas vidas nas costas.
Taylor inclinou-se e sussurrou para o veículo:
— Vai, Frankenstain. Mostra pra esses burocratas que até um velho ainda pode correr!
De repente, a fumaça negra engrossou. O motor berrou, e o carro arrancou com força brutal.
— CHEFE, O CARRO PEGOU FOGO!— Katie gritou.
Taylor quase não acreditou. Ele só tinha falado por instinto... Existia mesmo uma alma na máquina?
Era possível que os espíritos de tanques leais habitassem esse monstro ressuscitado?
Ele sorriu.
— Bom, dizem que cavalo velho conhece o caminho...
— Katie, vamos! Pelo Imperador!
Katie respirou fundo.
— Sim, chefe!
VRUM! VRUM! O motor rugia, os pistões batiam, o calor subia. Louvado seja o Espírito da Máquina.
O Frankenstain cortou a horda como uma faca, ultrapassando carro após carro. Os verdinhos, furiosos, gritavam:
— DROGA, NÃO DEIXA ELE PASSAR!
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