Ela havia deixado sua família para viajar entre as estrelas, buscando seu próprio caminho. Para ser sincera, esse homem conseguia trazer uma sensação inexplicável de segurança para uma garota como ela.
Agora, sentada no chão com o vestido branco todo sujo de poeira, a curva generosa de seu quadril marcando a posição, ela soltou um suspiro de alívio:
— Você é menos formal do que eu imaginava. Peço desculpas por ter tirado sarro de você antes.
Taylor guardou a espada longa. Ele não ligava — até achava engraçado participar de uma reunião de guerra de pijama. Limitou-se a perguntar:
— Foi só pra dizer isso? Então posso ir descansar? Tecnicamente, você ainda é minha comandante.
A Lâmina da Liberdade suspirou:
— Não tenho mais moral para dar ordens a você.
— Ouvi dizer que o Rei Supremo vai conceder a você o título de Barão Honorário da família. Um estrangeiro, tornando-se nobre.
— Você estará no mesmo nível que eu, com um castelo e centenas de soldados armados.
— Que honra absurda... Quantas pessoas invejarão você? A amizade de uma família de cavaleiros e...
Taylor ergueu a mão para interromper:
— Pare aí. Não vou ficar neste mundo, você sabe.
Servos e um castelo eram bons, sim, mas aquele era um território feudal cheio de fanáticos por guerra. Quem saberia quando algum piloto de mecha acabaria esmagando ele?
Além disso, Taylor não gostava daquele lugar. Era quente demais, a tecnologia era primitiva e faltavam coisas mais interessantes.
E, acima de tudo, ele era um soldado das Milícias Estelares, o martelo do Imperador. Seu destino era perambular por aí.
A Lâmina da Liberdade sorriu:
— Sei que seus objetivos são outros. Você é como eu...
Taylor respondeu, irritado:
— Você está entendendo tudo errado.
Ela se levantou, baixou a cabeça e falou com voz sedutora:
— Não, não estou. É a primeira vez que sinto meu coração bater por algo além de matar hereges. Você me deu uma emoção diferente da guerra.
E então se inclinou para frente, seus lábios macios tocando a bochecha de Taylor, deixando uma marca vermelha como uma cereja.
O cérebro de Taylor quase derreteu. O que havia de errado com essa mulher? Beijar um soldado fedorento do Império e soltar declarações que pareciam de amor?
Taylor abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada, apenas ficou olhando para aquela mulher tão direta.
Os dedos delicados da Lâmina da Liberdade taparam sua boca:
— Chega. Eu sei... Estou sonhando, e isso já basta.
— Deixe-me aproveitar esse momento. Como você mesmo disse, amanhã podemos morrer no ataque dos orks.
— Eles estão preparando o ataque final. Eu só quero... que sobrevivamos. Todos nós. Mesmo que você e eu nunca possamos ficar juntos.
Taylor, em silêncio, abraçou aquela jovem. Quase havia esquecido que por trás da fanática por guerra havia uma garota vulnerável.
Ele não sabia o quanto sua alma havia sido corrompida pelo contato com o mecha, mas suas palavras e sentimentos eram genuínos.
E, além disso... os orks estavam prestes a atacar?
Com a bela mulher em seus braços, uma inquietação crescia dentro dele.
Será que tinha a ver com ele ter matado um chefe de guerra? Até sentiu um frio na espinha pensando se os orks viriam atrás dele.
Mas quando viu o rosto de Iliana, molhado de lágrimas, ele finalmente reuniu coragem para dizer:
— Vou botar esses orks para correr... Juro pelo Imperador.
Iliana não respondeu. Apenas um sorriso discreto surgiu em seus lábios.
Enquanto isso, Taylor já estava arrependido do que tinha dito. Para ser honesto...
Ele não tinha a menor ideia de como lutar uma guerra.
A escolha da arma era crucial.
Não uma lâmina de poder, nem uma espada motosserra... mas um facão Catachan.
Claramente, ele era um baita de um covarde.
Capítulo 14 — 58º Regimento de Artilharia de Valaquia
No dia seguinte, Taylor e Iliana voltaram ao mesmo relacionamento cheio de arrogância e provocações.
A transição foi tão suave quanto manteiga. Quem diria que a garota era tão boa em interpretar uma nobre guerreira, como todos aqueles seus parentes feudais.
Aqueles breves momentos longe de orações sagradas e deveres eram doces como mel para ela.
Mas Taylor só conseguia pensar que a garota o via como perfeito.
Era como uma idolatria. Ela via um super-soldado do Império, destruindo os inimigos uma vez após outra.
E por isso queria depender dele, achando que esse sentimento era amor.
Taylor já tinha vivido duas vidas, somando quase 50 anos. Era óbvio que ele entendia o que se passava na cabeça da garota.
Claro, ele também não era de ferro. Depois de ver a expressão vulnerável dela no dia anterior, nenhum homem ficaria indiferente.
Enquanto remoecia o rosto da garota naquela noite, Taylor foi abruptamente interrompido pela voz severa da Lâmina da Liberdade:
— Agora, vamos ouvir as opiniões do nobre Taylor!
— No momento, os orks da tribo Deathskull estão atacando em massa. Centenas de seus mechas estão se aproximando — e esse número é apenas dos inimigos nesta região.
— Para ser sincera, a situação não é nada boa.
— Espero que o herói do Império possa nos guiar à vitória.
Taylor olhou para as pessoas ao redor. Seus olhares eram cheios de expectativa sincera. Provavelmente o viam como um milagre ambulante... mas Taylor sabia a verdade.
Ele só tinha sorte, e ponto final!
Na noite anterior, ele havia passado horas lendo o manual das Milícias Estelares. Mas aquela leitura técnica só repetia uma coisa, página após página:
— Poder de fogo — ele declarou.
Taylor estava apenas dizendo o óbvio. Se tivessem fogo suficiente para destruir centenas de mechas, os orks já estariam mortos!
Mas, surpreendentemente, muitos acharam sua declaração brilhante. A Lâmina da Liberdade perguntou:
— Você acha que reforços de artilharia podem mudar o jogo?
Ela parecia ter agarrado aquela ideia como uma tábua de salvação. Claro, sua expressão ainda era de fanatismo, mas depois do ocorrido na noite anterior, Taylor começava a vê-la com outros olhos.
Ele concordou com a cabeça, hesitante, seu rosto tenso pela indecisão. Mas os outros só viram o herói do Império dando um aceno decisivo.
A Lâmina da Liberdade saiu da sala sem dizer mais nada, como se Taylor a tivesse ofendido. Ele, por sua vez, ficou aliviado por poder finalmente respirar longe daquela reunião.
Para ser sincero, amanhã pode ser o dia da batalha decisiva. Se aquela fanática feminina estiver certa, os ataques dos orks já vêm acontecendo há 16 anos.
Tempo suficiente para uma criança se tornar adulta... e para fazer as pessoas esquecerem muitas coisas.
Tudo ficou parado por tanto tempo. Mas desde a chegada de Taylor, há apenas duas semanas, parece que um palco foi montado e o espetáculo começou a se desenrolar.
Taylor tomava um chá com leite preparado pela garota leitlin, observando aquela mulher de rosto redondo e estatura pequena. Mesmo com o lenço branco na cabeça, às vezes ela era mais resistente que muitos homens.
— Moça, por que você se juntou à Guarda Imperial? — ele perguntou.
A garota bateu a colher de pau na panela.
— Meu pai, meu avô, todos serviram o Império. É só isso.
Ah, sim. Ela era uma ab-humana. Para gente como ela, basicamente só restava o campo de batalha — e, na terra dela, isso provavelmente ainda era uma honra.
— Desculpa, perguntei o óbvio — disse Taylor.
A leitlin olhou para ele com um olhar mais atento.
— Chefe, hoje você está sentimental. Quer algo doce?
Taylor sorriu.
— Pode ser. Claro que pode. Tudo o que você faz é gostoso.
O rosto da garota ficou vermelho.
— Um homem como você... sempre atrai as mulheres.
Havia um tom de brincadeira e provocação na frase, mas isso só fez Taylor se lembrar da Eliana do dia anterior.
— Merda de sorte no amor! — ele resmungou de repente.
— Eu sou um especialista em dar azar com mulher!
A leitlin franziu a testa.
— Como assim?
— Relacionamentos inapropriados... tipo um professor e uma aluna — explicou Taylor.
Ela pensou por um momento e então respondeu com convicção:
— É, nisso você realmente é um mestre!
À tarde, a luz do sol banhava as pessoas, sem nenhum sinal de que uma guerra se aproximava.
O vento fraco brincava pelas redondezas, quase convidando a um cochilo.
Aquela paz era a calmaria mais perigosa, a que vem antes da tempestade.
E Taylor, sentado no acampamento, olhava para as cartas em sua mão... uma mão péssima.
A sensação era como segurar um punhado de estrume — cartas completamente sem conexão. Ele olhou para o bando de espertinhos da sua equipe, todos de olho no jantar dele.
Ele sempre foi daqueles que têm azar no jogo, mas mesmo assim não para de apostar. Por isso, jogar com Taylor era uma beleza: dava para ganhar e ainda sair com um prêmio.
Taylor pensou em dar uma de esperto, mas não tinha desculpa. No meio da jogada, quando todos já sabiam que ele ia perder, uma vibração sacudiu sua xícara de café.
Ele aproveitou a deixa.
— Isso é veículo pesado! Nosso reforço chegou!
A jogada funcionou. Quase todos olharam para longe, e Taylor pegou seu binóculo, levantando-se "sem querer" e derrubando a mesa de cartas no processo.
Trapaceiro, astuto... como aquele líder ork havia dito, Taylor era mesmo uma raposa velha.
Olhando à distância, ele avistou vários canhões autopropulsados "Lagarto de Pedra". Boas notícias. Depois, alguns transportes "Quimera" puxando obuseiros "Rajada do Trovão", aqueles canhões pesados de guerra antigos.
O poder de fogo já parecia bom, mas então, no horizonte, uma estrada de metal escuro começou a se formar.
Algo estava errado.
Taylor levou seus soldados até a entrada do acampamento. Os "Lâminas Livres" estavam fazendo uma inspeção, e ele foi logo perguntando:
— O que tá rolando? O Departamento Militar ficou generoso hoje?
Um dos "Lâminas Livres" conversava com um tenente-coronel imperial. O militar, de meia-idade, viu Taylor e fez uma saudação.
— Artilharia de Frakásia, 58º Regimento! Ainda nos lembramos da honra e da oportunidade que os soldados de Skadi nos deram, senhor!
Taylor vasculhou suas memórias históricas — e, de fato, o regimento de Skadi havia resgatado essa tropa antes. Eles serviam jamos agora, então isso fazia sentido.
Ele retribuiu a saudação e perguntou:
— Mas o que tá rolando? Artilharia fica na retaguarda, não é?
O tenente-coronel respondeu:
— Foi ideia do Comissário Tekais. Quando ele soube que você precisava de mais poder de fogo, viemos.
— Ele convenceu o Rei Supremo e o general da Guarda Imperial, além de abrir caminho na burocracia.
Taylor sentiu um aperto no coração. Aquele homem era como um segundo pai para ele — já que seu pai de verdade havia morrido cedo.
Mas a próxima frase do oficial fez seu rosto se contrair.
— O Comissário Tekais deixou bem claro: onde o Taylor estiver, ali vai ser o campo de batalha principal!
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Capítulo 15: A Batalha de Mossenled (Parte 1)
A chuva escorria pelo capacete de Taylor, caindo pelas laterais de seu rosto como lágrimas.
Ele estava deitado na lama, observando as posições inimigas pelo binóculo e murmurando em uma tela de dados:
— B36-A5... B36-A5...
Repetiu isso três ou quatro vezes, pois diante dele havia um robô ork barulhento, rangendo e estalando como um monstro de metal.
A máquina era amarela, com o símbolo de uma caveira azul e branca pintado nela. Tinha cerca de dez metros de altura — um pouco menor que um dos grandes Titãs Cavaleiros — e uma enorme serra giratória no lugar da mão direita.
Eles andavam em grupos de três, cumprindo sua "missão de patrulha": encontrar os pontos fracos das defesas humanas.
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