Tradução pronta Dedicate loyalty to the good empire / Dedique lealdade ao bom império: Capítulo 7

Mas eles superestimavam Taylor. Esse homem só queria sobreviver até a aposentadoria militar — o resto não importava.

No entanto, Taylor sabia que, uma vez ditas, as palavras deixavam de ser suas. Os outros podiam distorcê-las, interpretá-las à vontade, até que encaixassem em suas próprias lógicas.

Mas isso não importava. O mundo não faltava heróis ou figuras poderosas, mas seus destinos se resumiam à morte — os sortudos alcançavam o Trono Dourado, os medianos viravam mascotes dos Deuses do Caos, e os azarados tinham suas almas dissipadas.

Taylor não precisava que ninguém decidisse como viver sua vida. Ele seguiria o que considerava certo, mesmo que a maioria achasse suas ideias contrariassem o senso comum do Império.

Dificilmente se poderia dizer que Taylor realmente pertencia aquele mundo.

Naquele momento, ele observava o entorno com seu emblemático binóculo de comandante, mas seu alvo real eram os pássaros da floresta. Diferente dos da Terra, essas aves eram adoráveis, coloridas, tagarelas e pareciam suculentas.

Eram bem carnudas, provavelmente por causa da gravidade mais baixa do planeta, que permitia aves maiores e mais pesadas sem prejudicar o voo.

— O que você acha que daria para fazer com esses petiscos? — Taylor perguntou à soldada Ratling.

— Aquele frango na lama que o senhor falou da outra vez pareceu ótimo — ela respondeu.

— Acha que consegue acertar um? — ele sorriu. — Se der certo, chamamos uns batedores com cães farejadores para recuperar. Vamos jantar bem hoje.

A Ratling sacou sua carabina de precisão com um sorriso. — Sem problemas!

Aquela arma não era padrão da Guarda Imperial. Era um modelo antiquado de retrocarga, que usava a força do disparo para ejetar o cartucho. Basicamente uma relíquia dos tempos da Segunda Guerra, exceto pelo calibre e poder de fogo.

Mas armas assim eram comuns no vasto Império — simples de produzir, fáceis de manter, e sua confiabilidade inigualável as tornava preferidas entre muitos atiradores de elite.

Taylor acendeu um charuto antiquado que encontrara numa casa abandonada, tragou profundamente e observou o horizonte.

Isso, sim, era vida militar decente — sem fumaça de pólvora no ar, sem hordas inimigas cobrindo os céus. Ele já imaginava devorando o frango na lama, regado a Amasec, antes de uma boa noite de sono. No dia seguinte, talvez organizar uns jogos de cartas ou competições entre os soldados para manter o moral alto...

Longe dos malditos campos de batalha lamacentos e das balas assassinas.

Enquanto Taylor sonhava acordado, a Ratling disparou. Mas em vez do bater de asas de pássaros assustados ou do seu grito animado, o que ecoou foi um urro gutural e rouco.

Taylor reconheceu aquele som — a voz áspera e inconfundível de um Ork.

— Não pode ser... — ele murmurou, tentando se convencer. — Isso aqui não é a linha de frente. Por que os Orks atacariam aqui?

Mas no fundo, ele já sabia a resposta: uma manobra de flanqueamento, com tropas avançando a pé para surpreender as forças principais.

Era improvável, mas não impossível. Orks eram criaturas fedorentas, barulhentas e destrutivas, movidas por raiva e estupidez. Até que Taylor ouviu o grito de guerra característico:

— WAAAAAAGH!

Ele se jogou no chão instintivamente, um reflexo que já o salvara inúmeras vezes.

Primeiro os cultistas, agora os Orks. Por que diabos todos os fanáticos beligerantes do universo pareciam se interessar por ele?!

Dentro da trincheira, Taylor coordenou a defesa com calma. A maioria ali eram veteranos endurecidos pela guerra. Até a milícia, embora vestindo armaduras medievais, carregava armas de alta tecnologia fornecidas pelo Culto Mechanicus.

Os Orks irromperam da floresta — criaturas verdes e musculosas, com presas salientes, lembrando versões mais brutais e belicosas dos orcs de fantasia. Seus armamentos pareciam sucata amontoada, mas Taylor viu as sacadas de areia à sua frente serem rasgadas como papel.

Ele nem queria imaginar o que aquilo faria com seu corpo.

Os verdes avançaram em massa, claramente decididos a varrer o acampamento. Eram muitos, mas haviam evitado veículos para não alertar os Cavaleiros Imperiais na frente de batalha.

Isso deu a Taylor uma vantagem. Sem blindados ou artilharia, o ataque se tornou um banho de sangue. Metralhadoras pesadas e bolters rugiram, cortando hordas inteiras como uma ceifadeira.

Os Orks, acostumados a vencer por números, não esperavam a resistência feroz da Guarda Imperial e dos soldados locais. Mesmo sem apoio aéreo, eram alvos fáceis no terreno aberto.

Quando a poeira baixou, já era noite. O cheiro de sangue e cogumelos apodrecendo tomou o ar. Corpos verdes cobriam o campo a oeste do acampamento.

Taylor não entendia direito o que acontecera, mas os soldados o olhavam com admiração renovada. Sob seu comando, haviam repelido centenas de Orks com perdas mínimas, transformando o posto numa fortaleza inexpugnável.

Para eles, Taylor previra o ataque e reagira com precisão cirúrgica.

Mas tudo que ele realmente percebeu foi uma coisa:

[A notificação do sistema soou: "Missão 'Sobreviva aos Orks' completada. Recompensa: Desespero Crescente."]

O ataque certamente não acabou. Os orks enviariam mais forças para arrancar esse prego que era sua resistência, tudo para completar o cerco estratégico.

Seu rosto estava pálido, mas os soldados interpretaram isso como determinação. Ele tremia, mas achavam que ele estava rezando pelas almas dos caídos.

Quando Taylor finalmente se preparou psicologicamente e sentou em seu posto de comando, decidido a aceitar seu destino...

Os milicianos de repente se agruparam, levantando-o no ar e jogando-o para cima repetidamente, gritando:

— Taylor! Kyle Anker! O herói do Império!

Taylor estava apavorado. Seus gritos foram interpretados como comemoração, seus espasmos como alegria. Ninguém percebia ainda que seu líder era, na verdade, um pacifista convicto...

Capítulo 11 – Escolhendo o Inimigo, Parte 3

Os projéteis das armas orks explodiam diante de Taylor. Ele se escondia atrás de sacos de areia, disparando aleatoriamente para o horizonte sem nem levantar a cabeça, apenas esticando o braço com sua pistola laser favorita.

Pelo menos soava como uma festa.

Nesse período, os orks lançaram uma série de ataques rápidos. Mas, para ser sincero, aqueles cogumelos verdes cometeram um erro fatal.

Eles tentaram destruir o sistema de comando com assaltos relâmpagos, surpreendendo os soldados e pressionando a Guarda Imperial a ficar na defensiva.

Essa tática poderia funcionar contra milícias locais sem experiência em combate.

Mas, desta vez, tiveram o azar de enfrentar veteranos da Guarda Imperial. No primeiro sinal de ataque, quase todos os soldados já haviam se abrigado e retaliado como podiam.

Depois de vários ataques com resultados insignificantes, muitos orks começaram a duvidar da liderança de seu chefe. Até mesmo para eles, o moral não era infinito.

Quando a Guarda Imperial repeliu mais um ataque, Taylor finalmente atingiu seu limite por causa daqueles alienígenas irritantes.

— Eles querem mesmo me matar, não é?!

Ele se levantou, olhando para o horizonte, enquanto o medo e a ansiedade tomavam conta dele. Aquelas criaturas verdes podiam surgir de qualquer lugar para atacá-lo!

Taylor bateu no peito em frustração, olhando para todos os lados, temendo que o inimigo os desgastasse com ataques incessantes até que os soldados ficassem exaustos — e então o esquartejassem.

Mas os outros interpretaram seu comportamento como indignação contra a covardia dos alienígenas. Alguns soldados comentaram:

— O comandante ainda não está satisfeito. Ele quer saciar sua sede com o sangue daqueles selvagens. Em todos os meus anos de serviço, nunca vi um líder assim!

— Nossa, o herói Taylor é impressionante. Nem mesmo os melhores cavaleiros das famílias nobres se comparam a ele.

Os combatentes começaram a aguardar ansiosamente as próximas ordens do herói. Até agora, ele não havia falhado.

Aqueles que no início achavam que Taylor estava apenas bajulando os Cavaleiros Livres agora estavam sem palavras. Esse homem era a personificação da vontade do Imperador!

Ele parecia enxergar através do campo de batalha, dominando a situação como um mestre de xadrez!

Era incrível!

Todos esperavam a próxima ordem de Taylor. Mesmo que fosse para morrer, os soldados provavelmente obedeceriam, pois a ordem viria do herói do Império — seu herói.

Mas Taylor apenas disse:

— Retirada geral. Vamos abandonar este acampamento e nos dirigir ao castelo principal. O ideal seria chegar à fortaleza em marcha forçada!

Os soldados ficaram confusos. Se abandonassem a posição, os orks avançariam sem resistência, flanqueando os Cavaleiros Livres e causando o colapso total da linha de frente do Império...

Mas ninguém reclamou. Eles já haviam jurado lealdade incondicional a Taylor, o homem que merecia tudo deles!

Enquanto isso, a única e exclusiva ideia de Taylor era: sair dali o mais rápido possível, antes que os orks os esgotassem até a morte!

Em outro local, longe do acampamento, as criações grosseiras dos orks lotavam a área. Sob os "cuidados" do médico louco, muitos orks recuperavam lentamente sua vitalidade.

Se é que aquilo podia ser chamado de tratamento...

Feridas abertas? Cuspir em cima. Ossos quebrados? Apenas recolocá-los no lugar. Braço arrancado? Costurar com arame.

O grande ork médico, segurando uma serra circular e sorrindo como uma criança brincando com Lego, manipulava os corpos de seus pacientes sem qualquer cerimônia.

Os pobres orks o temiam mais do que a própria morte.

Até que uma voz rouca interrompeu seu "trabalho":

— Guerra... guerra... minha guerra... como ficou assim? Alguns humanos nos seguraram?

A voz vinha de um ork quase um metro mais alto que os outros, uma besta de dois a três metros de altura — um chefe de guerra.

Ele usava óculos de proteção, com pinturas coloridas na pele que o camuflavam na floresta. Na cintura, carregava uma lâmina longa — uma adaga para ele, mas uma espada curta para humanos.

Seu equipamento incluía uma armadura bem-feita, botas e um revólver pesado, montado com sucata de grande calibre.

Ele era astuto, cruel e inteligente.

Resmungando, ele disse:

— Meu plano foi descoberto. Tem um humano esperto lá naquele acampamento maldito.

— Aquele lindo mecha vermelho devia ser nosso! Snagrot, meu médico, preciso arrancar aquele prego!

Ele quase gritou de raiva:

— Cure mais guerreiros! Envie mais soldados! Matem mais humanos!

— O Rosto Azul está lutando contra os cavaleiros humanos. Eu não posso perder!

O médico ork riu com um som rouco:

— Porks, meu amigo... os humanos foram embora.

— Foram embora?! — O chefe ork de camuflagem não acreditou. — Impossível! Ele é esperto. O humano mais resistente e astuto que eu já vi!

Ele coçou o couro cabeludo verde e careca enquanto seu cérebro esperto e traiçoeiro trabalhava.

— Já sei!

— É o truque da cidade vazia! Eu li nos livros humanos antigos. Eu sei ler!

— Ele quer que a gente pense que eles foram embora, para que a gente avance contra o mecha vermelho... e então ele nos ataca de surpresa!

— Esses humanos são espertos e lutam bem. Se ao menos ele fosse um verde... — resmungou o Médico Louco.

— Eu não acho não — retrucou um dos chefões. — Ele levou tudo embora, isso não parece trapaça.

O líder principal berrou, indignado: — Não pode ser! Pensa só, quantos dos nossos guerreiros aquele humano matou? Você tá me dizendo que a gente tava lutando contra um covarde esse tempo todo?

De repente, o chefe orc pareceu ter uma epifania e murmurou para si mesmo: — Ele é esperto e perigoso, igual o Gork e o Mork dizem... Uma decapitação... só uma decapitação. Se o exército inteiro não consegue pegar eles, então eu mesmo vou.

Erguendo o machado, o líder gritou com entusiasmo, ecoando por toda a floresta — um rugido selvagem e puro, que qualquer orc reconheceria imediatamente:

— O humano esperto contra mim! O maior guerreiro especialista desta era!

E então veio o grito de guerra, primeiro dele, seguido por dezenas de vozes respondendo na floresta:

— WAAAAAGH!

— WAAAAAAAAAGH!

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