Tayllor vestiu o roupão com resignação e se sentou em seu lugar para ouvir o briefing militar.
A maioria se concentrava em como invadir a tribo dos orcs e romper as defesas dos Crânios Mortos. Mas Tayllor mantinha os olhos fixos no mapa.
Ele notou um local interessante - afastado da rota principal, sem cidades ou fortalezas importantes. Pela sua experiência, esse tipo de lugar era perfeito para acampamento.
Afinal, seu esquadrão tinha apenas dez homens. Quem acreditaria que poderiam virar o jogo?
Quando a reunião terminou e Iliana pediu que escolhessem suas posições, Tayllor colocou sua peça no local sem hesitar.
Iliana franziu a testa.
— Tayllor, meu servo, aquele forte está em ruínas. Perdeu todo valor.
— Era uma rota de suprimentos, mas agora só há orcs selvagens esporádicos.
— Pelo que sei, não tem importância estratégica.
Tayllor respondeu rápido:
— As pessoas se deixam enganar facilmente, não é mesmo?
Ele apontou para o local:
— Veja, as laterais do forte ainda têm vestígios da estrada antiga. Permite que veículos leves orcs avancem rapidamente.
— Pelo que sei, a cidade não tem defesas. Se atacarem, seu veículo pode ser destruído.
Iliana queria argumentar - a estrada estava quase toda destruída, só restavam alguns fazendeiros isolados. Nenhum valor tático.
Mas viu a determinação nos olhos de Tayllor e hesitou.
Será que deveria duvidar daquele guerreiro?
Um oficial da Guarda Astral tão honrado, que salvou civis e tinha tantas condecorações?
Ela já vira feitos impressionantes da Guarda, especialmente os de Krieg que jamais esqueceria.
Se alguém tão extraordinário insistia na importância desse lugar... não devia estar errado.
Iliana olhou para os oficiais e membros do Mechanicus ao redor, então decidiu:
— Tayllor, meu servo, Martelo do Imperador, guerreiro da Guarda Astral.
— Sua determinação me comove. Em retribuição...
— Dou-lhe 50 soldados armados. Você e seu esquadrão protegerão nosso flanco.
— Pelo nome da minha família!
Tayllor levantou-se e cumprimentou.
Mas teve um mau pressentimento.
Por que aquilo soava como uma despedida?
Capítulo 5: Cada Macaco no Seu Galho
Mais uma vez, Tayllor usara sua esperteza para garantir sua segurança. Não importava o que os outros pensassem - para ele, isso era sobrevivência.
Não tinha nada de errado. Cada um servia a seu senhor, e o dele era um só: o Imperador da Humanidade.
Pelo Imperador, ele precisava viver.
Seu maior sonho era se aposentar como soldado do Imperador, voltar para sua terra natal, Scadi, e aproveitar a pensão com um cargo burocrático.
Queria arrumar uma esposa - uma beldade do Sprawl, de pele clara, de preferência nobre, para ter textura macia.
Botaria os recrutas para fazer serviços domésticos, dizendo que era "treino de resistência".
Quando ficasse grisalho, jogaria xadrez imperial com os velhos camaradas.
Sim, uma aposentadoria tranquila.
Neste mundo, esses sonhos eram um luxo. Até em Scadi, poucos conseguiam descansar em paz na velhice.
Desde que sobrevivesse, e não morresse nas mãos de alienígenas ou traidores.
Pensando nisso, acelerou o passo, ignorando a lama e a sujeira no caminho.
Aos poucos, a luz do sol foi sumindo, substituída por uma chuva fina que levou o último calor.
Tayllor apertou o casaco. Quando se aproximavam da vila mais próxima, o céu escureceu rapidamente.
A primeira gota caiu em sua pele quando ainda estavam longe do destino.
— Kadí, falta muito? Essa maldita chuva me lembra os desfiles no Sprawl — reclamou.
Kadí conferiu o mapa e consultou Roland antes de confirmar o caminho.
Estavam viajando leve - Tayllor recusara os 50 milicianos. Ele estava de folga, não sob vigilância.
A Dama da Lâmina Livre elogiou sua coragem e altruísmo. Claro, isso se devia ao fato de não conhecerem seus pensamentos reais.
Depois de alguns minutos de discussão, Kadí apontou para o oeste:
— Uma fazenda a 5 km daqui. Deve ser boa.
E então, pegou um galho verdejante à beira da estrada e balançou na frente de Tayllor, como se tivesse encontrado um tesouro.
A árvore jovem não deveria estar quebrada assim. Parecia cortada por algo afiado - uma lâmina? Ou talvez por um veículo.
Tayllor reprimiu os pensamentos.
— Vim descansar... sem paranóia profissional. Somos turistas.
Olhou para Kadí. Ela era adorável, meio desligada e obsessiva. Quando aprendera que a chuva era de graça, ficou encantada.
Depois que descobriu que terra molhada e árvores sem espinhos também não custavam nada, passou um tempinho coletando.
Ficou uma bagunça, até Tayllor pôr fim àquela bobagem.
Agora, enquanto caminhavam, ela perguntou:
— Chefe, por que a chuva lembra os desfiles?
Tayllor olhou para a lama nos pés, já encharcando suas botas.
— O cheiro de terra molhada. Por causa dele. — Cobriu o rosto, sem vontade de lembrar.
Capítulo 6: Cada Um no Seu Lugar (Parte 2)
A chuva caía ainda mais forte agora, e Taylor resmungava por não ter um veículo para servir de "cavalo" naquele lamaçal. Mas, sinceramente, nem um tanque aguentaria aquele terreno.
Se não quisessem pegar um resfriado, precisavam avançar rápido. Sem escolha, Taylor ordenou uma marcha forçada. Para acelerar, pegou no colo a soldada mais baixinha do pelotão — a ratinha leitina.
Ela era fofinha, peludinha, com um cheirinho de canela. A roupa encharcada mal cobria seu corpo curvilíneo, que agora se esfregava contra Taylor sem cerimônia.
— Para com isso! — ele rosnou. — Se continuar, vou ter que te punir com o "código militar" hoje à noite.
A médica, cozinheira e atiradora de elite respondeu, animada:
— Pode pisar na minha cara antes de me punir!
Taylor, enojado, passou a garota para os irmãos Roland. Já estava arrependido de ter sido gentil.
Enquanto isso, as nuvens só pioravam, e a chuva insistia em atrapalhar o avanço deles.
— Como a água pode ser tão desgraçada?! — gritou Kattie, com os cabelos e o uniforme completamente encharcados.
Se não fosse pelo tecido grosso do uniforme da Guarda Imperial e pela escuridão do tempo, talvez alguém visse um "espetáculo" interessante.
De repente, ela apontou para o horizonte.
— Fogo!
Na escuridão, aquele lampejo de civilização parecia um sonho.
— Você é uma ótima batedora, moça! — Taylor sorriu, animado.
Mesmo exausto, a ideia de uma sopa quente, uma cama e um teto sobre a cabeça lhe deu forças renovadas.
Quando finalmente chegaram à fazenda, viram uma construção de madeira de dois andares, reforçada com rebites e chapas de metal. A luz aconchegante do interior prometia abrigo.
Mas Taylor sentiu algo além da chuva e do barro — um cheiro de podridão.
Na entrada, figuras encapuzadas batiam na porta com facões. Ao avistar a Guarda Imperial, fugiram. Taylor ordenou apenas tiros de advertência.
Ele não ia atrás de bandidos. Problemas locais eram para a polícia do planeta resolver.
Empurrou a porta, pronto para se entrosar com os moradores.
Mas, em vez disso, uma linda camponesa se jogou em seus braços, gritando como uma heroína de novela barata.
Ela cheirava a laranja, tinha sardas adoráveis e um corpo que nem o rústico vestido de linho escondia. Não devia ter mais de vinte anos.
Os soldados ficaram hipnotizados. Só as duas mulheres do pelotão olhavam para ela com desdém.
Taylor, aproveitando o momento dramático, abraçou a moça e declarou:
— Oh, céus! Que cena terrível, minha dama! Não tema, os bandidos já fugiram!
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O jantar exalava aromas tentadores na mesa de madeira, enquanto o fogo secava os uniformes encharcados. Taylor saboreava seu chá Tanar, uma infusão forte e fermentada.
Fora, a chuva continuava. Dentro, ele se livrara do casaco e da armadura, deixando-os secar perto da lareira.
O teto de madeira, o carvão, a carne fresca — provavelmente de um glox, aquela besta agressiva, gigante e deliciosa de Catachan — tudo contribuía para o ambiente acolhedor.
A carne, cozida lentamente em um creme, desmanchava na boca. Impecável.
A filha do fazendeiro se aconchegou perto de Taylor, perguntando se a comida agradava ao "visitante das estrelas". Ela arrumara quartos para todos, afinal, a casa tinha espaço de sobra.
Parecia administrar a fazenda sozinha — Taylor não vira sinal do pai dela.
A refeição era ótima para os padrões do Império, mas algo o incomodava.
A moça era falsa.
Ela exalava um ar forçado, uma malícia escondida sob a doçura. E aquele cheiro...
Laranja.
O problema? Laranjas eram extintas. Estamos no 40º milênio, e até os pandas sumiram.
A última vez que Taylor sentira aquele aroma foi num covil de cultistas. Eles usavam uma erva alucinógena com cheiro cítrico para "se conectar" com os Deuses do Caos.
Ou seja: drogas.
Não sabia como uma planta da família do tomate cheirava a laranja, mas no setor, era o alucinógeno mais barato.
Ótimo. A mulher que o tratava como um rei era uma herege. A anterior que o convidara para a cama era uma fanática de guerra.
O que viria depois? Uma glox no cio? Uma ogryn bêbada?
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