Tradução pronta Dedicate loyalty to the good empire / Dedique lealdade ao bom império: Capítulo 2

O olhar já não era mais tão límpido.

Ele ergueu a cabeça, prestes a descansar um pouco, quando o estrondo dos canhões de assalto ecoou pelo campo.

Com um suspiro, pegou sua arma laser e falou para os soldados do seu pelotão:

— Procurem cobertura primeiro, depois recuem. Lembrem-se disso.

A soldada Kati logo completou, ágil:

— Atirem uma vez e mudem de posição. Recuar está liberado, avançar nem pensar.

— Se o inimigo avançar, a gente recua. Se ele recuar, a gente recua também!

Taylor acenou em silêncio, aprovando a fala da suboficial. Aquela recruta que se juntara ao grupo seis meses atrás já não era a mesma. Agora, ela estava quase pronta para sair do aprisco.

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Capítulo 2: Um Mundo Maravilhoso Que Merece Munição

O tempo médio de sobrevivência de um recruta da Guarda Imperial era de quinze horas. Pelo menos, era o que diziam os registros oficiais.

Mas Taylor não tinha morrido.

Ele atribuía isso à sua sorte e à sua habilidade decente no campo de batalha. Ainda se lembrava da vida nos labirintos da colmeia urbana: o amido de cadáver seco e nojento, as roupas esfarrapadas e o trabalho interminável.

Ser um soldado do Imperador também não era fácil, mas pelo menos agora ele tinha algumas vantagens. Como aquela plaquinha de identificação prateada que balançava no seu pescoço.

— Lembrem de segurar isso com os dentes, senão voa pra longe — ele brincou. — Já vi muita gente receber pensão antes da hora por causa disso.

— Chefe, essa piada não tem graça — Kati respondeu, sem aproveitar o clima.

Taylor revirou os olhos.

— Tá bom, tá bom, sem senso de humor.

Ele pegou os binóculos e olhou para além da enorme fortaleza. O tempo depois da chuva não tinha ficado mais fresco — só mais abafado. A fortaleza ficava no equador do planeta, então o calor era constante. Mas hoje estava pior, como se estivessem dentro de um grande vaporizador.

Pelo menos a previsão era de mais chuva no dia seguinte. Isso era bom. O terreno lamacento e mole atrapalhava os enormes veículos de guerra dos orks, fazendo com que apenas alguns deles, os de infantaria leve, conseguissem avançar.

Taylor sabia que aquela fortaleza de pedra antiga e primitiva não resistiria a um ataque dos buggies sujos ou dos mechas orks. Ele tinha escapado por pouco — pelo menos era assim que ele via as coisas. Sempre tivera sorte.

Exceto no pôquer. Mas toda regra tem sua exceção.

Quando um grupo de orks começou a avançar penosamente pelo lamaçal em direção às suas posições, ele gritou:

— Rolão, fogo!

No mesmo instante, uma arma negra e antiquada cuspiu fogo com força impressionante. O artefato estava apoiado na saliência de uma das paredes do castelo — um local originalmente projetado para arqueiros, mas que agora abrigava uma metralhadora pesada.

Aquilo não era um armamento padrão da Guarda Imperial. Na verdade, a maioria dos regimentos de infantaria do Império não tinha poder aquisitivo para tanto. Só regimentos blindados ou unidades mais ricas podiam bancar um treco daqueles.

Taylor conseguira aquela arma em uma partida de cartas com um tecnosacerdote semanas atrás. Achava que tinha gasto toda a sorte da sua vida naquela jogada.

Mas cada projétil era como um mini-foguete, capaz de explodir um ork verde em pedaços com um único disparo.

Taylor observou os corpos esverdeados se despedaçando, liberando um cheiro de cogumelo podre. Valera cada gota de sorte.

Enquanto isso, o resto do pelotão usava armas laser para cobrir o atirador ou tentar eliminar alvos de alto valor. E identificar esses alvos era fácil: bastava procurar os orks maiores.

Após horas de combate, o sol já se punha. O campo lamacento e o banho de sangue haviam convencido os orks a recuar — pelo menos até o tempo melhorar.

Taylor mastigava um pedaço de pão recém-assado e resmungava:

— Mais um dia, mais uma vida salva.

Mas Rolão apareceu segurando a caixa de munição vazia.

— Chefe, acabou.

Taylor praguejou.

— Eu não mandei você economizar?!

O gigante de dois metros encolheu os ombros.

— Não tinha jeito! Eram muitos orks!

Taylor suspirou. Não era mesquinho, mas aqueles projéteis eram feitos com tecnologia de mundos forja do Mechanicus. Cada disparo era um recurso irrecuperável para uma unidade como a deles. E para pedir mais munição, o comissário político exigia formulários de seis páginas.

Sempre que Taylor aparecia com um pedido, o Velho Pescoço-Torto olhava para ele como se quisesse matá-lo ali mesmo.

O céu começava a clarear, as nuvens se dissipando. Taylor murmurou:

— Será que o Imperador tá mesmo me protegendo?

— Se o chão secar amanhã e essa lama gostosa, fedida e úmida sumir, eu tô morto.

Apesar da gravidade das palavras, ninguém ali parecia levar a sério. Mas a verdade era que Taylor tinha medo. Muito medo. Só que, no fim das contas, o que ele podia fazer?

Se tentasse fugir, o Velho Pescoço-Torto o executaria antes que desse três passos.

Só restava aceitar o destino.

E foi assim que ele sobreviveu um ano inteiro no serviço.

Para ser honesto, até gostava de ver os orks se arrastando na lama. Normalmente, era a Guarda Imperial que ficava atolada no lodo lutando contra inimigos em terreno estável. Mas agora?

Ele estava numa fortaleza seca e confortável, num canto fresco da muralha, comendo pão fresquinho, bacon, carne seca e até um vinho fraco que mal podia ser chamado de álcool.

Era um dos privilégios da Guarda Imperial em mundos feudais — ainda mais porque Taylor ajudara tantos refugiados que os locais o chamavam de "cavaleiro".

Mas, para ele, o título era quase uma piada. Ele só pensava em fugir. Chegava a ficar tentado a cavar túneis de escape no próprio posto.

No fim, Taylor acabou indo até o comissário político. Depois de duas horas de sermão, voltou com o que precisava.

Apenas duas horas. Até que foi rápido.

Talvez o Velho Pescoço-Torto finalmente tivesse entendido que ele era um caso perdido.

Há seis meses, Taylor ainda lembrava do comissário político chamando-o repetidamente de "o futuro do Império" e "o herói de Skadi".

Mas depois que ele deixou um ladrão genético invadir a sala de comando, o comissário passou a chamá-lo de "filho da puta".

Era só um pequeno incidente. Ok, o sistema de comando ficou inoperante, mas os fanáticos de elite que tentaram atacar a sala foram devorados pelo ladrão genético.

No fim das contas, só morreu um tenente-coronel...

Ou será que foi grave mesmo?

Taylor não entendia. O resultado até que foi bom, mas porque diabos o velho de coluna torta não gostou?

Mas ele já tinha entendido uma coisa: entrou na Guarda Imperial só pra sobreviver e matar tempo.

No começo, ele achou que a vida de cidadão de uma colmeia urbana fosse dura demais. Entrou para a Defesa Planetária, se destacou e foi promovido.

Mas agora, continua na merda, correndo de um lado pro outro, passando fome e sem saber se sobrevive até amanhã.

Ser da Guarda Imperial não era tão melhor — exceto pelo fato de todo mundo te idolatrar e não precisar trabalhar feito um condenado.

Resmungando, Taylor voltou para seu posto, aquele cantinho aquecido onde ficava com seus companheiros.

— Que o Imperador me proteja... Mais um dia vivo.

Encontrou a estátua do Imperador em sua mochila e beijou levemente a face do Senhor da Humanidade, aquele que guia a civilização humana.

Entregou as novas munições explosivas a Roland e falou, sério:

— Sabe como é ter que encarar um superior e ainda dizer...

— "Ei, seu merda, me dá essas armas!"?

— Como você acha que é?

Roland riu amargamente.

— Não faço ideia, chefe.

Taylor suspirou.

— Tá bom, na próxima você que vai pedir.

Roland se endireitou na hora.

— Mas eu não tenho autorização pra isso, chefe!

Taylor franziu a testa. Esses soldados velhacos só aprendiam as coisas erradas.

Mas, no momento, ele só estava preocupado. Olhou para o céu pela estreita janela do forte. O tempo continuava abafado, mas as estrelas brilhavam claras, sem nuvens.

Conseguia quase ver os mechas pesados dos orks esmagando o lugar.

Em silêncio, perguntou à estátua do Imperador:

— Imperador... Acha que vamos sobreviver até amanhã?

— Por que diabos você me trouxe pra cá?

Fechou os olhos, encostou na parede e pensou, ansioso.

Se bem que... Talvez fosse melhor começar a cavar um túnel agora mesmo...

Capítulo 3: O destino é assim

O Imperador ouviu a oração. Na manhã seguinte, a chuva caiu mais forte, mais densa.

Mas o Imperador subestimou a proatividade de Taylor.

E também esqueceu que a Guarda Imperial não era formada por pedreiros.

A estrutura de uma fortaleza pode ser óbvia, mas também é complexa e bem planejada. No entanto, alguns buracos mal feitos derrubarem uma fortaleza centenária... Isso só podia ser culpa do azar de Taylor.

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