— Só isso? Que decepção.
Com apenas uma bola, Yukimura Mayo já havia decifrado o nível de tênis de Ogisawa Shinnosuke.
Ele mal arranhava o nível nacional, com um saque um pouco acima da média para quem estava nesse patamar.
Tinha algum talento, mas só isso.
Vendo a bola fraca que voltava, Yukimura já estava posicionado no local exato onde ela cairia.
Levantou a raquete e fez um leve corte de backhand. A bola perdeu toda a rotação ao tocar as cordas e, suavemente, passou rente à rede, caindo no campo adversário.
Um simples drop shot. Ogisawa não teve a menor chance de reagir, só conseguiu assistir, impotente, enquanto Yukimura marcava o ponto.
— Ponto de Yukimura, 0 a 15.
Sem nem olhar para a bola no chão, Yukimura virou as costas e voltou para a posição de recepção.
— O jogo já acabou.
Do lado de fora, Hyotei Kuranosuke sorriu ao ver a cena.
— Esse tipo de saque não funciona contra o Mayo, não é mesmo, Sanada?
— Claro. Nem o meu "Vento Veloz" consegue marcar pontos contra ele. Um saque desses não é nada. — Sanada Genichiro falou com seriedade.
Na verdade, durante todo o torneio nacional, Sanada não havia enfrentado nenhum adversário à altura. Seu orgulhoso estilo "Floresta de Ferro" mal havia sido testado — apenas o "Ataque das Chamas" foi suficiente para acabar com as partidas.
A equipe de Rokkaku nem imaginava que o saque "Vento Veloz" de Sanada era muito mais rápido do que o "Saque Bala" que eles conheciam.
— Agora, só depende de quando o Yukimura quer terminar. Tomara que o adversário não faça nada para irritá-lo. — Yanagi Renji observou o cronômetro em sua mão, falando calmamente.
Na quadra, Ogisawa logo sacou novamente.
E, como antes, não fez diferença.
Yukimura devolveu com facilidade. Não importava o quanto Ogisawa corresse pela quadra, seus esforços eram inúteis.
0-30
0-40
...
— Vantagem de Yukimura, 1 a 0.
Com um smash preciso, Yukimura acertou a bola em um ângulo impossível, quebrando o saque do adversário sem esforço.
Após uma breve pausa, era a vez de Yukimura sacar.
— O seu saque eu já conheço.
Ele ergueu a bola com a mão esquerda, e uma aura imponente começou a se irradiar dele.
— Agora, vou te mostrar o meu.
Ogisawa sentiu imediatamente uma pressão sufocante, como se o ar ao seu redor tivesse se tornado pesado.
Antes que pudesse reagir, Yukimura lançou a bola ao ar com elegância.
A corrente de prata em seu pulso, com um pentagrama, brilhou sob a luz do sol.
Zum!
A bola se transformou em uma flecha de luz azulada, rasgando o ar e atravessando a quadra em um instante, aterrissando aos pés de Ogisawa antes que ele pudesse piscar.
Congelado no lugar, Ogisawa nem sequer moveu a raquete.
— Ponto de Yukimura, 15 a 0.
Uma gota de suor escorreu pela testa de Ogisawa, que olhou para trás, atordoado, vendo a bola parada no chão.
— Não conseguiu ver? Tudo bem, posso ir um pouco mais devagar. — Yukimura sorriu, quase como um gesto de gentileza.
— Maldito! Não me subestime! — Ogisawa revidou, os olhos queimando de raiva.
Sem responder, Yukimura pegou outra bola e sacou novamente.
Zum.
Mesmo reduzindo a velocidade, Ogisawa continuou paralisado. Desta vez, nem conseguiu levantar a raquete.
Terceiro saque.
Desta vez, Yukimura ajustou a velocidade para ser igual ao "Saque Bala" de Ogisawa.
Finalmente, com os nervos à flor da pele, Ogisawa conseguiu acompanhar o voo da bola.
— Vai voltar!
Ele ergueu a raquete, os músculos do braço tensionados ao máximo, e desferiu um golpe com toda a força.
Tum!!!
O impacto foi tão violento que o som ecoou pela quadra.
Mas, contra todas as expectativas, a bola não voltou.
Ela perfurou as cordas da raquete como uma flecha, quicou no chão e saiu da quadra.
A força do impacto arrancou a raquete da mão de Ogisawa, que caiu no chão.
— Como isso é possível?! — Ogisawa olhou para a raquete, as cordas rompidas, o rosto pálido.
A dor pulsante em seu braço deixava claro o poder daquela bola.
— Ingênuo. A "Flecha da Aniquilação Divina" do Yukimura não é algo que se devolve assim. — Sanada comentou, desdenhoso.
Ele sabia do que falava. Mesmo usando todos os seus quatro estilos, não conseguia neutralizar completamente a técnica de Yukimura.
— Não é a primeira vez que vejo, mas essa jogada é realmente impressionante. — Hyotei riu, lembrando de quando havia enfrentado a técnica no seu auge.
Era um golpe que combinava saque, devolução e smash, unindo força, técnica e velocidade em uma única jogada. Até ele, capaz de ler qualquer movimento, precisava se esforçar para lidar com aquilo.
Ao lado, Marui Bunta, debochado como sempre, soltou:
— Então, capitão, já podemos começar a preparar o discurso de vitória?
— Parece que sim. — Hyotei concordou, sorrindo.
Na quadra, a destruição continuava.
2 a 0
3 a 0
4 a 0
...
— Jogo para Yukimura, 5 a 0.
Quando o quinto set terminou e os lados foram trocados, Ogisawa parecia um zumbi, parado na linha de fundo, os olhos vazios.
A confiança que ele tinha antes do jogo já havia se esfacelado por completo com a crescente diferença de pontos.
— Já está desistindo? Que decepção. Seu talento não chega nem à metade do que você alardeava.
Yuki Mayu balançou a cabeça, desapontado. Sem a mentalidade de um verdadeiro vencedor, capaz de aceitar a derrota, não passava de um jogador medíocre.
Era claro que a glória da equipe de Makinofuji havia desaparecido junto com os antigos titulares, como Byodoin, que já haviam se formado.
Sem cerimônia, ele sacou novamente, desta vez com um movimento simples e sem força.
Mas as palavras de Yuki pareciam ter atingido Ogisho nos pontos fracos de sua mente fragilizada. De repente, o jogador, que até então parecia imóvel, agiu de forma estranha.
Rebateu a bola de maneira abrupta e, sem pensar, correu em direção à rede, como se quisesse forçar uma aproximação.
Yuki Mayu imaginou que o adversário, frustrado, havia perdido a razão. Com um movimento natural, levantou a raquete e devolveu a bola em um lob alto.
Ele esperava que Ogisho recuasse para defender, mas, para surpresa de todos, o jogador não fez nenhum movimento para trás.
Em vez disso, saltou repentinamente, erguendo a raquete como se fosse esmagar a bola.
— Ele é burro? Nunca vai alcançar uma bola tão alta — zombou Sanada Genichiro, mas sua expressão mudou no instante seguinte. — Yuki! Cuidado!
No ar, Ogisho, que claramente não alcançaria a bola, nem sequer olhava para ela. Seus olhos estavam fixos em Yuki Mayu, cheios de ódio.
Então, ele fingiu um movimento de smash, mas deliberadamente deixou a raquete escapar de suas mãos. O objeto voou em direção a Yuki Mayu como um projétil.
— Morra! — ele gritou internamente.
Enquanto a raquete se aproximava, um sorriso de satisfação surgiu no rosto de Ogisho.
— Não importa o quão bom você seja, vou acabar com o seu tênis agora mesmo!
Capítulo 3: A Chegada do Novo Rei
Yuki Mayu ouviu perfeitamente o aviso de Sanada.
Mas, ao ver a raquete voando em sua direção, não demonstrou nenhum pânico.
Nem sequer pensou em se esquivar. Em vez disso, levantou o braço num movimento rápido, posicionando-o como um escudo.
— Tum!
Diferente do som abafado que seria esperado ao atingir um braço desprotegido, o impacto soou como se a raquete tivesse batido em uma parede de aço.
No braço de Yuki, veias luminosas de um azul intenso brilharam por um breve instante antes de desaparecer.
Não havia nenhum ferimento.
— Yuki, você está bem?! — Sanada se aproximou da quadra, preocupado.
— Tudo sob controle — respondeu Yuki, balançando o braço para mostrar que estava ileso.
Ainda assim, o árbitro interrompeu brevemente o jogo.
Depois de confirmar, incrédulo, que Yuki realmente não se machucara, o juiz anunciou a retomada da partida.
— O que foi aquela luz azul? — perguntou-se Yanagizawa, sempre atento aos detalhes.
— Você também percebeu? Parece que Yuki desenvolveu algo novo sem que a gente soubesse — comentou Yukimura, analisando mentalmente o que poderia ter sido aquela barreira luminosa.
Seria uma variação do Muga no Kyouchi?
Yukimura descartou a ideia rapidamente. Ele mesmo dominava essa técnica e já enfrentara oponentes que alcançaram estágios mais avançados, como Saiki no Kiwami.
Mas aquilo era diferente. Nenhuma das habilidades que conhecia poderia bloquear um ataque tão traiçoeiro.
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