Enquanto Ye Ming dizimava bestas e cultivadores, em outras partes da área proibida, discípulos poderosos das Sete Seitas faziam o mesmo.
Os mais fortes começaram, sem combinar, a eliminar os mais fracos nas proximidades. Quanto mais perto do centro, mais frequentes e sangrentas se tornavam as mortes.
Num morro árido próximo ao núcleo, um discípulo da Fortaleza Tianque, vestindo uma túnica azul, olhava desesperado para seu escudo de alto nível, corroído por raios prateados liberados por um orbe cristalino.
— Senhora, por favor, me poupe! Eu dou tudo o que tenho e aceito uma marca espiritual para ser seu servo! — O discípulo ajoelhou-se, batendo a cabeça no chão enquanto seu último artefato de defesa se desfazia.
— Para que eu iria querer um lixo como você? Já tenho servos de sobra no clã! — A voz fria vinha de uma mulher vestida de branco, bela, mas com um olhar assassino.
Ela era uma protegida de um ancião da Seita Yue, carregando um tesouro que corroía artefatos alheios. Sem chances, o discípulo deu um salto para trás e fugiu em desespero.
— Acha que pode escapar agora? — Ela lançou um alfinete de nível supremo, que atravessou seu crânio como um raio azul.
— Lixo.
Cuspindo de desdém, ela recolheu sua bolsa de armazenamento e seguiu adiante.
Numa pequena floresta, um homem calvo e grotesco, de roupas coloridas, encarava uma discípula do Vale Huangfeng com olhos lascivos.
— Ei, bonitinha, não corra assim! A gente nem conversou direito...
— Não chegue perto! Eu... eu me mato! — A jovem de amarelo recuou, mas parou ao ver duas serpentes aladas verde-esmeralda pairando atrás dela.
— Se matar? Vai lá, me mostra como! — O homem avançou, rindo.
Ela arrancou um grampo do cabelo e atirou, mas ele a derrubou com uma adaga voadora.
— Tira a roupa. Se me servir bem, talvez eu te deixe viva.
— Seu monstro! Nunca! — Antes que pudesse xingar mais, ele a golpeou na nuca, deixando-a inconsciente.
— Sortuda... Foste escolhida por Zhong Wu. Agora, vamos nos divertir.
Horas depois, um grito ecoou na floresta.
O homem saiu, arrumando as roupas. Sob uma árvore, o corpo da jovem jazia decapitado, banhado em sangue.
Num pântano lamacento, um discípulo da Tianque estava morto no chão. Um sacerdote vestido de cinza vasculhava sua bolsa, murmurando:
— Nada mal... pequeno mas lucrativo.
À beira de um lago, três homens e uma mulher travavam um combate feroz.
Na verdade, eram os irmãos Chen Qiaotian e Chen Qiaoxiang massacrando dois adversários — um jovem taoista da Seita Qingxu e um discípulo da Seita Huadao, ambos no 12º nível.
Chen Qiaotian controlava um livro dourado e um pincel prateado, artefatos supremos que bloqueavam todos os ataques inimigos enquanto esmagavam suas defesas.
Chen Qiaoxiang, com olhos gelados, atacava sem piedade com uma fita vermelha.
Quando o taoista deixou uma brecha, a fita envolveu seu pescoço e — CRACK — esmagou-lhe a garganta.
O outro homem, em pânico, cometeu um erro fatal. Antes que o irmão agisse, Qiaoxiang estrangulou-o também.
— Irmã... desde aquele incidente, você mudou. Nunca foi tão cruel.
— Homens não prestam. Merecem morrer. — Ela cuspiu as palavras com ódio, recolhendo as bolsas dos cadáveres e entregando-as ao irmão.
Chen Qiaotian balançou a cabeça, pegou a bolsa de armazenamento e disse de repente:
— Depois de tanto tempo investigando, não encontramos nenhuma pessoa suspeita. Naqueles dias, os discípulos que saíram não tinham capacidade para te salvar. Acho que provavelmente não era alguém da nossa seita.
— Não, tenho certeza de que quem me salvou era da nossa seita! — Chen Qiaoqian afirmou com firmeza.
Naquele dia, antes de perder a consciência, ela ouvira vagamente a conversa entre o tal Lu e essa pessoa. Eles claramente se conheciam, e Lu confirmara que a pessoa era do Vale do Bordo Amarelo.
— Ah, não sei quem é essa pessoa. Quando encontrarmos, vou agradecê-lo por salvar minha irmãzinha — Chen Qiaotian suspirou.
— Não há nada para agradecer! Essa pessoa é simplesmente odiosa. Se ia me salvar, por que me deixou jogada no meio do nada? E ainda... — Chen Qiaoqian resmungou, franzindo o rosto.
Enquanto falava, seu rosto ficou vermelho sem que ela percebesse.
— E ainda o quê? — Chen Qiaotian perguntou com um sorriso malicioso.
— Nada! — Chen Qiaoqian respondeu, corando ainda mais, e saiu andando.
— Essa menina... — Chen Qiaotian balançou a cabeça, resignado.
[...]
Horas depois, Ye Ming saiu de uma densa floresta e avistou ao longe um enorme muro de pedra.
— Então a área central está cercada por isso — murmurou Ye Ming, observando o muro por um momento antes de acelerar o passo.
Ao se aproximar, viu que o muro era feito de grandes blocos de pedra azulada, com vários metros de altura, estendendo-se para os lados até onde a vista alcançava.
À sua direita, não muito longe, havia um portão de bronze com padrões antigos e inscrições complexas. Os caracteres pareciam mais desenhos do que escrita, e Ye Ming não reconheceu nenhum deles — eram completamente diferentes dos textos antigos que conhecia.
O portão estava aberto, e diante dele estava um homem vestido de preto, carregando uma espada enorme nas costas.
O homem, com nível de cultivo 13, cruzou os braços e disse friamente:
— Você não deveria estar aqui, garoto. Melhor voltar.
— Então você está tomando o portão para si, eliminando os que tentam passar? — Ye Ming perguntou calmamente.
— Exatamente! — O homem de preto, vendo que Ye Ming não se mexia, puxou a espada das costas.
— E se eu insistir? — Ye Ming rapidamente invocou a Lâmina Dupla Yin-Yang e o Escudo de Prata.
— Oh? Parece que você tem algum poder. Então vamos fazer assim: se aguentar um golpe meu, eu deixo você passar. Que tal? — O homem, percebendo os dois tesouros de alto nível, diminuiu o tom arrogante.
Ye Ming não respondeu. Em vez disso, ativou a Lâmina Dupla, que disparou como um raio branco em direção ao adversário.
— Que ousadia! — O homem de preto ficou furioso por Ye Ming ter atacado primeiro. Jogou a espada no ar, e lâminas de energia verde jorraram da lâmina, afiadas e letais.
Com um gesto, as lâminas voaram em direção ao raio branco, bloqueando-o com um barulho metálico. Mas, para sua surpresa, o ataque de Ye Ming mal diminuiu a velocidade.
— O quê?! — O homem de preto, alarmado, fez a espada golpear o raio branco com força.
Um estrondo ensurdecedor ecoou, revelando a estranha lâmina de Ye Ming, enquanto a espada recuava vários metros.
— Pare! Você pode passar! — O homem de preto, impressionado, levantou a mão. Ele não queria brigar seriamente com alguém tão forte sem necessidade.
— Hmph! — Ye Ming chamou a lâmina de volta, mas em vez de entrar pelo portão, foi até um ponto a dez metros dali e se encostou na parede para descansar.
— Você... vai ficar aqui também? Para guardar o portão? — O homem de preto parecia intrigado.
— Tem algum problema? — Ye Ming ergueu os olhos.
— Ha! Claro que não. Com você aqui, meu trabalho fica mais fácil — O homem riu, mas por dentro estava em alerta. Aquele jovem era claramente um oponente perigoso.
[Ye Ming decidiu ficar para caçar mais Pílulas de Corpo de Aço. No caminho, já matara sete bestas de alto nível e cinco discípulos de outras seitas, acumulando noventa pílulas. Ele planejava treinar técnicas corporais no futuro e queria o máximo possível.]
Enquanto refletia, o homem de preto quebrou o silêncio:
— Eu sou Zhan Hong, da Seita da Espada Gigante. E você?
— Vale do Bordo Amarelo, Fulano de Tal — Ye Ming respondeu sem pensar.
— Haha, então é você, Lu! Você é mesmo impressionante. Poucos na minha seita conseguem bloquear meu golpe com tanta facilidade. Quem foi o mestre que formou alguém tão talentoso como você? — O homem de preto deu uma risada alta, enchendo Ye Ming de elogios.
— O Zhan também não é nenhum amador, com seu cultivo refinado e artefatos poderosos — Ye Ming lançou um olhar desinteressado para o homem de preto, deixando claro que não queria prolongar a conversa.
— Hehe, tudo bem, guarde seus segredos então — O homem de preto, percebendo a frieza, deu uma risada sem graça.
Os dois então ficaram em silêncio, esperando.
Não demorou muito até que os arbustos à frente se agitaram, e um velho vestindo uma túnica amarela surgiu.
O ancião tinha o cultivo no auge do 12º nível de Qi Refinamento, com uma barba rala no queixo e aparência de uns cinquenta e sessenta anos. Seus olhos pequenos e espertos giravam vivamente, dando-lhe um ar astuto.
Ao sair dos arbustos, o velho notou imediatamente o homem de preto postado ao lado do portão de bronze. Hesitou, sem ousar se aproximar mais.
Mas, ao avistar Ye Ming não muito longe dali, seus olhos brilharam e ele se dirigiu resoluto em direção ao portão.
Vendo a cena, o homem de preto primeiro olhou para Ye Ming, que permanecia de olhos fechados, fingindo indiferença. Então, pegou a espada gigante nas costas e fincou-a no chão, dizendo com uma voz ameaçadora:
— Quem passar por este portão, morre!
O ancião parou a uns trinta metros de distância e protestou, irritado:
— Você está sendo muito arrogante, colega. Esta área proibida não é sua! Com que direito impede os outros de entrar? — Ele então se virou para Ye Ming: — Não é mesmo, jovem discípulo?
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