Shi Yu olhou para a jovem, depois para Jiang Nannan, e balançou a cabeça com decisão:
– Se eu tiver que escolher alguém para cortejar, prefiro a senior Nannan.
– Quer apanhar?! – a garota bufou de raiva.
Shi Yu saiu correndo antes que ela pudesse agir. A certa distância, virou-se e acenou:
– Boa noite, senior Nannan!
Jiang Nannan acenou de volta em despedida.
– Maldito garoto! – a amiga resmungou, olhando para Shi Yu com irritação.
– Ele só estava brincando, não leve a sério – Jiang Nannan disse, enlaçando o braço da amiga.
– Eu não me importo com um pirralho desses! – ela respondeu, ainda amuada.
Ao retornar ao dormitório, Shi Yu encontrou Dai Huabin já meditando em sua cama. Movendo-se silenciosamente, fez sua higiene noturna e sentou-se em sua própria cama.
– Se até Dai Huabin se esforça tanto, por que eu não deveria? – motivou-se.
Começou a praticar o método de cultivo que aprendera com a professora Song Lingzhen durante o caminho. Naquele continente, as técnicas básicas de cultivo eram universais - ensinavam como absorver a energia do ambiente e convertê-la em força espiritual.
Sem o método Xuan Tian, ele precisava usar essa abordagem fundamental. Sentiu sua energia espiritual circular dentro de si, criando uma força de sucção que puxava a energia ambiental. Parte era convertida em força espiritual própria, enquanto o resto fluía para fora.
A conversão nunca era total - geralmente entre 10% a 20% da energia absorvida. Quanto melhor o espírito marcial e o talento, mais próximo dos 20%. Essa taxa determinava a velocidade de progresso.
Shi Yu sentia-se confiante em seu cultivo. Desde a primeira aula com a professora Song, conseguira completar o ciclo de absorção e conversão. Sua velocidade e eficiência eram boas, embora difíceis de quantificar.
Enquanto mergulhava na prática, Dai Huabin abriu parcialmente os olhos, surpreso.
– Que tipo de espírito marcial é esse? – perguntou-se, observando o vórtice prateado atrás de Shi Yu, algo que nunca vira antes.
Por volta da madrugada, Shi Yu interrompeu o cultivo. Deitado, encarou o teto em reflexão. Sua mente fervilhava com questões sobre sua viagem ao passado.
Após muito pensar, concluiu que o provável gatilho da viagem fora a absorção do anel espiritual. Confirmar isso exigiria outra absorção. Outro ponto: sua estadia no passado durara sete dias, mas no presente o tempo não avançara - uma sincronização perfeita.
Sua maior preocupação era se mudanças no passado afetariam o presente. Ele roubara o osso espiritual externo de Tang San - isso eliminaria os futuros Ossos de Aranha Oito? Se sim, como isso alteraria o presente?
Quanto mais pensava, mais confuso ficava.
– Preciso encontrar registros sobre a vida de Tang San – sentou-se abruptamente.
– O nome do Ancestral Deus do Mar não deve ser pronunciado levianamente – Dai Huabin comentou, ainda meditando.
Shi Yu não replicou. Na Academia Shrek, falar mal de Tang San era imprudente.
– Tang San, seu merdinha – praguejou mentalmente, pronto para sair.
De repente, deu um tapa na própria testa.
– Que burrice! Dai Huabin pode saber algo. Por que não perguntar?
– Ei, você conhece os Ossos de Aranha Oito? – perguntou cautelosamente.
Capítulo 13: Linha Temporal Corrigida?
– Ossos de Aranha Oito? Qualquer um que leu sobre o Ancestral Deus do Mar conhece. Um osso espiritual externo supremo que o ajudou enormemente – respondeu Dai Huabin, de olhos fechados.
– Então ele ainda os tem... – Shi Yu refletiu. Isso significava que seu roubo não mudara nada?
Sua confusão aumentou. Será que viajara para um universo paralelo, onde mudanças não afetavam sua realidade?
Espera...
– Quando Tang San... digo, o Ancestral Deus do Mar, obteve esses ossos? – perguntou, percebendo algo crucial.
Tang San encontrara várias Aranhas Rosto Humano. Se não conseguira na primeira vez, poderia ter obtido depois.
Fitou Dai Huabin, ansioso pela resposta que moldaria seu entendimento.
– Ignorante.
– Qualquer aluno de Shrek sabe que foi ao caçar uma Aranha Rosto Humano na Floresta do Sol Poente, ao obter seu quarto anel espiritual – Dai Huabi respondeu com desdém.
Aquela história era conhecimento básico para qualquer cultivador.
– Na Floresta do Sol Poente?! – Shi Yu manteve-se calado, mas seus olhos brilharam.
A história mudara! Ele alterara os eventos - Tang San obtivera os ossos mais tarde. Sua ação causara impacto.
Mas como Tang San ainda conseguira um osso espiritual externo? A probabilidade era ínfima - algo mais estava em jogo.
Coincidências extremas sugeriam inevitabilidade.
– Existirá mesmo uma convergência das linhas temporais? – deitou-se novamente, ponderando.
Sentia que sim, mas como provar? Restava apenas especular.
– Algumas coisas devem ter mudado... – murmurou para si mesmo.
O passado foi alterado um pouco, e o futuro também terá algumas mudanças — só não dá para saber exatamente onde essas mudanças vão aparecer.
— E se eu voltar dez mil anos no tempo e matar o Tang San? Que tipo de mudanças isso traria? — Si Yu não pôde evitar de pensar nessa possibilidade.
Teoricamente, isso destruiria completamente o mundo atual. Se o Tang San morresse naquela época, o Templo da Alma dominaria o continente, e todos os eventos seguintes seriam diferentes.
— Minha cabeça dói… — Mal começou a refletir, uma dor latejante surgiu, como se algo estivesse tentando impedi-lo de continuar.
— Isso é algum tipo de aviso? — Franzindo a testa, Si Yu tentou insistir na linha de pensamento, mas a dor só piorou.
Quando ele parava de pensar nisso, a dor sumia — definitivamente não era natural.
Si Yu ergueu a mão direita e examinou a palma. Havia um ponto preto do tamanho de um grão de feijão, que não existia antes. Ele só apareceu depois que ele voltou do passado, sem explicação.
Observando a marca, sua mente se encheu de possibilidades. Provavelmente tinha a ver com as mudanças que ele fez no passado… e talvez não fossem boas.
— Mudar o passado exige um preço a ser pago? — murmurou consigo mesmo, com um peso no coração.
Aquela noite, ele mal conseguiu dormir. A pergunta martelava em sua mente sem resposta, deixando-o inquieto e frustrado.
Ao amanhecer, mesmo sem descanso, ele acabou com uma estranha clareza. As dúvidas persistiam, mas a angústia havia diminuído. Ele já tinha algumas suspeitas.
De manhã, tentou dormir no alojamento, mas sem sucesso. Quando o horário do almoço se aproximou, arrumou-se rapidamente e foi para o refeitório.
Vestindo o avental e as luvas, posicionou-se no balcão designado. Não demorou para que Nanan Jiang chegasse depois das aulas e se postasse ao lado dele, servindo comida.
Apesar do cansaço, Si Yu trocou algumas palavras com ela, ainda que distraidamente.
— Ei, seu otário, se tá aqui pra servir comida, serve e cala a boca. Pare de ficar puxando assunto com a Nanan — um jovem robusto bateu a bandeja no balcão, olhando com desdém. — Ela já tem dono. É melhor não ficar de olho nela.
Si Yu interrompeu a conversa e olhou para o intruso. O rapaz era forte, com traços decentes, mas a hostilidade era clara. Seu olhar gélido trazia uma pressão quase palpável.
De relance, Si Yu observou Nanan. Era ciúme?
Sanxu Xu?
Foi o primeiro nome que lhe veio à mente. O cara era o principal pretendente de Nanan.
Não dava pra chamá-lo de puxa-saco, porque ele realmente já tirou vantagem dela antes. Tecnicamente, Nanan até foi "comprada" para ser sua noiva.
A reação dela confirmou as suspeitas de Si Yu. Seu sorriso desapareceu no instante em que Sanxu apareceu, substituído por uma expressão de repulsa.
— Sanxu Xu, com quem eu falo não é da sua conta. Não tem direito de se meter — Nanan respondeu gelada.
— Nanan, só estou tentando te livrar de gente perturbadora. Não precisa ser tão dura comigo — ele respondeu com voz suplicante, completamente diferente do tom agressivo que usou com Si Yu.
Ela resmungou e ignorou Sanxu, concentrando-se em servir a comida.
Escolhendo não reagir, Si Yu também voltou ao trabalho.
— Ouviu, moleque? Fique longe da Nanan. Se eu te pegar enchendo o saco dela de novo, você vai se arrepender — Sanxu ameaçou novamente.
Si Yu sorriu educadamente e, então, dirigiu-se a Nanan com um tom deliberadamente doce:
— Nanan, depois do trabalho, que tal darmos uma volta no Lago do Deus Marinho?
Ela estranhou o jeito íntimo como ele a chamou, desconfortável.
Mas, percebendo o piscar de olhos dele e a expressão furiosa de Sanxu, entendeu a provocação.
— Você não tem medo de se queimar, hein? — pensou, preocupada, mas acabou concordando.
— Claro. Da última vez fomos à noite. De dia, a paisagem é ainda mais bonita.
— Você é incrível, Nanan — Si Yu falou, sentindo um arrepio no próprio exagero.
Então, sorriu para Sanxu sem dizer nada. O silêncio valeu mais que mil palavras.
O rosto de Sanxu ficou vermelho, a raiva quase visível no ar.
— HMPFFF! — Ele bufou como um touro enraivecido, as narinas quase soltando fumaça.
Os outros alunos, reconhecendo-o, afastaram-se rapidamente.
— Você está cavando a própria cova! — Sanxu atirou a bandeja no chão e arregaçou as mangas, pronto para pular o balcão e espancar Si Yu.
Como ousava chamar sua Nanan com tais termos? E ainda marcar um passeio no lago — algo que ele nunca conseguiu!
O ciúme queimava em seu peito, e sua energia espiritual começou a vazar, o reflexo de sua alma surgindo atrás dele.
Si Yu recuou antes que Sanxu pudesse agarrá-lo.
— Sanxu Xu, você vai mesmo começar uma briga aqui? — Nanan interveio, colocando-se na frente de Si Yu.
— Sai da frente! Eu vou moer esse otário até ele não conseguir sair da cama por meses! — Sanxu rugiu.
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